Último Adeus
1 Prólogo
Notas iniciais
Annabelle
Eu me sentia grata por ter pessoas como Katherine e Robert Lewis em minha vida, não podia sequer imaginar o que teria sido de mim sem os dois.
Minha mãe trabalhava como empregada na casa deles quando eu nasci, meu pai era caminhoneiro e vivia viajando, por isso eles decidiram que o melhor era que continuássemos a morar na mansão da família Lewis e foi onde eu cresci e vivi os melhores e piores momentos da minha vida.
Nada do que aconteceu nessa época era muito claro para mim, as únicas lembranças que tinha eram da minha mãe chorando desesperadamente, lembro de observar tudo detrás da porta do quarto que dividíamos, seu desespero enquanto segurava firmemente uma folha de papel em uma das mãos era palpável, ela parecia perdida, recordo que quando me viu estendeu a mão na minha direção e pediu que me aproximasse.
Minha mãe alisou meus longos cabelos negros e me fitou com seus lindos olhos verdes, que agora se encontravam vazios e sem vida.
– Anna, preste atenção no que a mamãe vai lhe dizer — falou séria, a voz rouca por causa do choro, a encarei atenta.
– Nunca deixe um homem chegar perto de você. Esta me ouvindo? — exigiu segurando firmemente meus braços. Mesmo não entendendo o que quis dizer, eu assenti concordando, ela então me abraçou apertado.
Depois daquele dia minha mãe nunca mais foi a mesma, a mulher alegre e divertida tinha morrido, parecia apenas um corpo vagando pela casa e fazendo os serviços de forma automática, isso continuou até um dia em que ela saiu e não voltou.
Foi a senhora Lewis que me deu a notícia da morte de minha mãe, na época foi só isso que me disseram, acho que a verdade seria demais para uma criança de apenas cinco anos.
Somente quando completei catorze anos a senhora e o senhor Lewis me contaram o que realmente tinha acontecido, minha mãe havia morrido depois de se jogar de um viaduto. Ela se suicidou. Naquela noite chorei no colo da senhora Lewis até cair no sono, não foi fácil saber a verdade, mas agradecia imensamente pelos Lewis terem sido sinceros comigo.
No dia seguinte eles esclareceram todas as minhas dúvidas inclusive o que havia acontecido com meu pai. Se é que aquele verme merece ser chamado de pai. Assim que terminamos de conversar me entregaram uma carta que minha mãe havia deixado.
“Anna,
sinto muito por não ter sido a mãe que você merecia, espero que algum dia possa me perdoar, mas eu simplesmente não pude suportar a dor de viver sem seu pai, entreguei minha vida e todo o meu amor àquele homem e tudo o que ele fez foi pisar e matar tudo o que eu sentia por ele.
Por isso minha filha, ouça sua mãe, nunca entregue seu coração a ninguém, não existe homem que vá dar o devido valor a você, não se apaixone meu bem, não deixe se levar por palavras bonitas e um jeito encantador, isso vai acabar quando ele enjoar de você e te abandonar.
Adeus minha Anna e nunca se esqueça do meu conselho.
Com amor, sua mãe,
Diane Clark”
Depois de ler aquela carta a única coisa que eu pude pensar era que seu conselho tinha chegado tarde demais. Eu já havia entregado meu coração à alguém e assim como minha mãe havia previsto, tudo o que isso me traria seria sofrimento e dor.
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