Último Adeus

2 Capítulo 1 - Aposta


Notas iniciais
Espero que gostem ;)

Annabelle

No mesmo dia que os Lewis entregaram a carta que minha mãe havia deixado, eles contaram a verdade sobre minha adoção e o canalha que era meu pai.

Tudo aconteceu pouco tempo depois do suícido de minha mãe. Meu pai procurou a família Lewis e propôs um negócio, como ele e sua nova mulher não queriam cuidar de mim resolveu me "vender" para Katherine e Robert. Ambos ficaram indignados com a proposta, mas pensando no meu bem aceitaram a oferta e pagaram a ele uma quantia considerável.

Eu nem cheguei a conhecê-lo e agradecia por isso. Foi só quando tinha dez anos que tive notícias suas e não foram boas, ele havia morrido em decorrência de um ataque cardíaco. Eu sabia que ele nunca agiu como um pai, mas doeu saber que agora eu estava sozinha no mundo.

Apesar dos Lewis terem me adotado desde os meus cinco anos e me tratarem como uma filha, eu nunca me senti parte da família. Principalmente pelo modo que era tratada por Christopher, filho único dos Lewis, ele fazia questão de me lembrar a todo o instante que eu era uma intrusa, alguém que não fazia parte daquele mundo e da sua família perfeita.

Christopher tinha dezessete e eu acabado de completar dezesseis, estudávamos na mesma escola, mas sequer conversávamos. Na verdade eu não conversava com ninguém daquele lugar. Antes de chegar ao colégio eu tinha muitos amigos, mas isso mudou quando souberam que eu era adotada e não a filha legitima dos Lewis que todos pensavam.

Conforme os anos passaram eu me tornei uma reclusa que não se encaixava em nenhum grupo. Todos ali só se importavam com imagem e quanto você tinha na sua conta bancária. Era o ambiente perfeito para alguém como Christopher, rico, lindo e narcisista.

Ele era tudo o que eu deveria abonimar em um homem, entretanto não era assim que me sentia. Não lembro quando e nem porque me apaixonei por ele, mas apesar dos conselhos de minha mãe e seu modo rude e grosseiro eu me desmanchava em seus lindos olhos azuis e cabelos castanhos completamente bagunçados. Ele era absolutamente lindo e meu coração praticamente saltava do peito quando aparecia, infelizmente suas palavras sempre vinham carregadas de ofensas e desdém. Christopher me odiava por usufruir dos mesmos benefícios que ele sem merecer.

Abri os olhos e acarei o teto sem a mínima vontade de sair da minha cama. Respirei fundo e tomei coragem para levantar, esse era um ritual que seguia todas as manhãs. Quando já estava de pé fui até meu banheiro me preparar para o dia que viria pela frente.

Eu vivia como se fosse filha dos Lewis, tinha um quarto enorme e todo decorado, eles nunca me deixaram faltar nada e me sentia em dívida por tudo o que faziam por mim, principalmente por todo amor e carinho. Era uma pena que eu não conseguisse retribuir da forma que mereciam.

Tomei meu banho, enrolei a toalha no corpo e parei em frente ao espelho, encarei meus olhos verdes, passei os dedos pelos meus cabelos e suspirei. Eu não era feia, até chamava atenção de alguns garotos na escola, então porque ele não me olhava? Fechei os olhos fortemente e mais uma vez a resposta que já conhecia veio a tona.

Porque ele te odeia Anna!

Respirei fundo e tentei expulsar esses pensamentos inúteis, isso não me levaria a lugar nenhum. Assim que me aprontei desci as escadas, na mesa já estavam Katherine e Robert.

– Bom dia — cumprimentei os dois com um beijo.

– Bom dia meu bem — Katherine me cumprimentou alegre, seus olhos azuis brilhavam, seus belos cabelos loiros estavam presos em um coque, era uma mulher muito bonita e elegante, já Robert tinha os mesmos traços de Christopher e lembrava muito o ator Pierce Brosnan.

– Bom dia filha — Robert sempre me chamava de filha, mesmo assim eu me negava a chamá-los de pai e mãe, ainda que eles significassem isso para mim.

– Dormiu bem amor? — Katherine perguntou. Assenti sorrindo.

– Sim, apesar do nervoso pela prova de álgebra — comentei pegando uma panqueca e passando geleia.

– Não precisa se preocupar, tenho certeza que vai detonar — Robert disse fazendo com que eu e Katherine déssemos risada.

Ele era um empresário muito respeitado e seus negócios iam desde construtoras até empresas petrolíferas. A família Lewis era muito rica, ainda assim eram as pessoas mais humanas e especiais que havia conhecido em toda minha vida.

– Bom dia família e Annabelle– gelei ao ouvir a voz aveludada de Christopher ecoar no cômodo me colocando no meu lugar.

– Christopher! — sua mãe lhe repreendeu. — Anna também faz parte da família.

– Não da minha — respondeu rudemente. Christopher sequer me olhava ou dirigia uma palavra a minha pessoa, ele simplesmente fingia que eu não existia.

– Quero que peça desculpas a Anna. Agora! — Robert exigiu.

– Está tudo bem Robert — pedi, não queria de modo algum que brigassem, afinal de contas eu já estava acostumada a esse tratamento por parte de Christopher.

– Não esta bem não Anna, ele tem que lhe respeitar — Christopher fez uma careta.

– E por que eu deveria fazer isso? Ela não é nada para mim — não pude evitar surpresa ao ouvir ele falar aquilo com tanto nojo. Me segurei para não chorar.

– Christopher! — exclamou sua mãe. Não suportei mais ficar ali.

– Com licença — pedi me levantando

– Filha você não comeu nada — Katherine me falou.

– Estou sem fome. Tenham um bom dia — disse saindo da mesa. Antes de subir as escadas pude ouvir Katherine e Robert repreendendo Christopher, fazendo com que me sentisse ainda pior.

Christopher

Eu não entendia o que meus pais viam nessa garota, para mim ela não era nada mais que uma intrusa que se aproveitava da riqueza e bondade deles. Apostava que esse jeito de boa moça era só uma forma de fazer com que todos sentissem pena dela e se arrastassem aos seus pés, mas eu não estava disposto a fazer isso, queria que ela soubesse seu lugar, que era muito abaixo de mim.

Depois da bronca que meus pais me deram, subi e fui me arrumar para o colégio, eu fazia parte do time de basquete e era o cara mais invejado de toda a escola, mas também como não ser? Eu era rico, bonito, inteligente, não existia ninguém que não quisesse ser eu, ou estar ao meu lado, eu vivia rodeado de amigos e claro, mulheres, as mais lindas e gostosas do colégio. Eu pegava quem eu queria, ninguém era imune ao meu charme.

Estava no meu último ano e assim que terminasse o colegial iria para a Inglaterra fazer minha faculdade de administração, quando me formasse voltaria e assumiria a vice presidência das empresas do meu pai. Meu futuro era certo e muito promissor, mas enquanto isso, eu ia aproveitar bem minha vida.

Peguei meu Porshe preto e fui para a escola, assim que cheguei vi meus amigos nas escadas.

– E aí vagabundo? — Patrick me cumprimentou.

– Fala aê seu malandro — respondi rindo, cumprimentei todos os que estavam ali, era um bom lugar para secar as gatinhas.

– O que estão conversando? — questionei interessado.

– Estava dizendo como você já pegou quase todas as garotas da escola — arqueei minha sobrancelha.

– Como assim quase todas? Eu já catei todas. — fui enfático. Esse é o problema de pegar todas as gatinhas, agora estava na seca por falta de carne nova.

– Não pegou não — marcus retrucou.

– Tá, então me digam, quem falta? — desafiei cruzando meus braços. Patrick apontou e quando olhei me assustei, era Annabelle.

– Vocês só podem estar brincando — disse rindo.

– Quando disse que tinha pego todas as garotas da escola, eu me referia as que valiam a pena, nem me passou pela cabeça a escória da escola.

– Mas Annabelle não é de se jogar fora, ela é bem gostosinha — rebateu Joseph.

– Claro você tem um péssimo gosto para mulher — retruquei, os caras aproveitaram e tiraram sarro dele.

– Além disso se eu fizesse qualquer coisa com ela meus pais me matariam.

– Isso é desculpa. Aposto que não consegue levar ela para cama — desafiou Patrick.

– Também acho — concordou Marcus, Joseph e Alec.

– Por favor Patrick, a Annabelle é apaixonada por mim desde que somos crianças. Isso seria a coisa mais fácil do mundo.

– Eu duvido, ela é super fechada, não fala com ninguém e nunca a vi com um cara.

– Por isso mesmo, a idiota fica sonhando comigo — respondi sorrindo balançando a cabeça. Essa garota era ridícula.

– Você que se acha — Marcus rebateu.

– Eu não me acho, eu sou — eles reviraram os olhos. Pura inveja. Eu sabia muito bem o poder que tinha sobre o sexo feminino.

– Para mim você esta com medo de levar um fora — desafiou Patrick. Analisei a situação. Se meus pais soubessem estaria morto, mas o que era a vida sem alguns riscos.

– Hum... Quer saber? Acho que isso pode ser até divertido. Estou sem nada para fazer mesmo.

– Ah! Aí esta o Christopher que conhecemos — celebraram.

– Mas eu preciso de um incentivo. O que vou ganhar com isso?

– Isso se conseguir — disseram. Que idiotas. Eu, Christopher Anthony Lewis não conseguir alguma coisa? Isso não existia.

– Eu vou conseguir. Qual vai ser o valor?

– Fazemos assim, se conseguir vai receber três mil dólares, mas se perder vai ter que pagar mil dólares a cada um de nós e também uma noitada para a galera.

– Justo — concordei aceitando. Era óbvio que eu não iria perder.

Eu via no rosto deles que duvidavam que eu conseguiria, porém eu faria questão de mostrar que ninguém resistia a mim, além disso ainda ia ganhar um troco com a brincadeira, resumindo eu só tinha a ganhar.

– Mas não pense que vai ser assim tão fácil. Queremos provas de que você de fato conseguiu.

– Que tipo de provas? Já aviso que se for para filmar estou fora — queria me divertir, mas isso tinha limite, meus pais não podiam nem sonhar que mexi com a menininha deles, todo risco tem limite.

– Estava pensando em gravar somente as vozes, ou melhor gemidos e claro, ela gritando seu nome — Eles riram e eu revirei meus olhos.

– Amanhã eu trarei um gravador que tenho assim não terá como nos enrolar e inventar alguma coisa, se conseguir, a gravação fica com você.

– Eu não preciso fingir ou forjar nada, podem se preparar para perder — ameacei. O sinal tocou.

– Eu duvido que vai conseguir Christopher — Marcus disse.

– Eu também — Joseph concordou. Até parece que esses imbecis não me conhecem.

– Aposto que vai levar um belo tapa na cara — Patrick me provocou rindo.

– Assim como você quando tentou agarrar ela? — perguntei e todos riram. Ele ficou sério. Ainda lembro quando Patrick tentou beijar Annabelle e levou um belo tapa na frente da escola inteira.

– Você vai ver o que é bom Christopher — declarou seco tentando me atingir.

– Pode ter certeza que sim e será em uma noite quente com um monte de mulheres deliciosas enquanto eu gasto a grana de vocês — respondi rindo.

Eles fecharam a cara e seguimos até a próxima aula. A única barreira entre mim e a grana era a chata da Annabelle, mas ia valer a pena, além disso ia me divertir com a cara de sonsa dela.

Notas finais
Devo continuar postando? Bjs e até o próximo ;)