Órfãos

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Gosto de começar minhas histórias com uma pitada de ação, espero que ninguém se importe, pois fica um pouco confuso, mas não demora nada para tudo se encaixar... Enfim, bem vindos a um de meus estranhos mundos... E que a leitura comece...

Grande parte da população fora dizimada por guerras, doenças, fome. O ar tornara-se irrespirável em muitas partes do mundo. A água era escassa e pouquíssimos lugares ainda eram habitáveis. Pouco a pouco os humanos continuavam destruindo cada vez mais o planeta e nenhuma super tecnologia avançada era capaz de reparar isso. Nesse mundo ninguém sabia como surgiram os Órfãos, humanos com dons especiais, talvez a raça humana estivesse mudando, talvez sofrendo mutações genéticas devido a todas as condições as quais eram submetidas, talvez fosse apenas a Mãe Natureza intervindo em sua destruição numa tentativa de se salvar, criando esses humanos tão ligados a ela, ou talvez Deus simplesmente os tivesse criado por algum motivo, com algum propósito.

Quando a existência dos Órfãos foi descoberta e suas habilidades entendidas e subestimadas pela humanidade, a ciência e tecnologia criaram os Outros, como se demônios estivessem brincado com os homens que brincavam de Deus, criando vida. Os cientistas fizeram os Outros para destruir os Órfãos, pois acreditavam que nenhum homem poderia ser dotado de habilidades tão poderosas e não se tornar um perigo brutal e incontrolável. Os Outros não possuíam pais, donos ou mestres, eram fabricados em laboratório a partir do DNA de Órfãos, eram poderosos e sabiam disso, entendendo que não deveriam ser postos em rédeas, decidindo nunca obedecer e simplesmente fazer o que lhes fosse prazeroso, eles tomaram o controle de suas próprias vidas, destruindo laboratórios e cientistas que os criaram. Ainda assim, os Órfãos e os Outros pareciam destinados a se matar, sempre que cruzavam o caminho uns dos outros acabavam por se enfrentar.

Joshua era um Órfão, era comparável a uma árvore, poderia ser queimado e iria se recuperar, poderia ser cortado e ainda assim se reerguer, poderia ser enterrado e sair do chão sem dificuldades. Seus dedos eram como raízes de pele, osso, nervos e sangue, se esticando sob o solo, perigosas e poderosas, fortes e quase inquebráveis como uma velha árvore grande. Naquele momento, queimado e cortado, com seus pés fincados no chão e as mãos apoiadas sobre a grama, seus dedos tornaram-se raízes e espalharam-se para dentro da terra e ao longo dela seguindo o rastro de Joana, que corria o quanto podia, fugindo das raízes. A garota era rápida, mas não tanto quanto as raízes de Joshua, que saíram da terra e capturaram os pés dela, derrubando-a no chão, em seguida lançando-a para o alto e depois arremessando-a de volta ao chão com toda a força que possuía.

Joana era um Outro, perigosa e mortal, caçava e assassinava os Órfãos.
Como um anjo demoníaco, Joana possuía asas, asas negras e mecânicas que rasgavam pele e carne ao sair de suas costas a partir das omoplatas, ela as odiava e não gostava de tentar usá-las, por causa da dor e porque nunca aprendeu a controlá-las, eram feitas de nano robôs injetados em seu corpo após o nascimento e sua maior utilidade para ela eram as penas, grandes e afiadas como lâminas, ela as arrancava e empunhava como espadas.
Estirada no chão depois do ataque de Joshua, Joana respirava com dificuldade, apesar de ser feita a partir dos Órfãos, ela não possuía habilidades especiais como eles, herdara apenas sua capacidade de sobreviver ao que nenhum humano sobreviveria, como os Órfãos, os Outros eram mais rápidos e mais fortes do que os humanos, eram mais ágeis. Devagar ela se ergueu com os olhos fixos em Joshua, que se aproximava depressa, expôs suas asas e arrancou duas penas deixando escapar berros de dor, com os pés firmes no chão aguardou-o chegar com seus dedos raízes prontos para chicoteá-la e cortá-la. Com movimentos rápidos ela cortou as raízes que pôde antes que a tocassem, mas não conseguia alcançar o Órfão.
Joshua estava parado, as raízes de seus pés alcançaram joana pelas costas, prenderam os braços dela, fazendo-a soltar as penas- espadas.

– Para onde a levaram? – Joshua perguntou, a voz alta e firme.
Joana nada disse, apenas soltou uma risada como se achasse a pergunta realmente engraçada.
O ódio transpareceu nos olhos de Joshua enquanto suas raízes envolviam o pescoço de Joana.

– Me diga para onde a levaram. – A voz estava carregada com o mesmo ódio de seus olhos e segundo após segundo joshua apertava mais as raízes em volta do corpo de Joana – Você sabe o quanto eu apreciaria quebrar cada um de seus ossos, mas não quero perder tempo com isso. Diga-me onde levaram Lara ou quebro seu pescoço e terei que descobrir sozinho...

Joana o encarou espelhando o mesmo ódio e então expôs suas asas novamente, cortando as raízes que a seguravam. Os dois gritaram com a dor.

– Eu realmente gostaria de ver você tentar, órfãozinho... – Ela disse ofegante, pegando de volta suas duas penas- espadas – Mas acho que prefiro brincar com seu... bebê.

Ao dizer isso, Joana correu o mais rápido que pôde e conseguiu alcançar sua moto antes que as raízes raivosas a alcançassem. Ela fugiu deixando Joshua com o coração batendo depressa pensando no interesse dos Outros em sua Lara e o bebê que estava prestes a nascer.

***

Joana pilotava a moto na velocidade máxima, sem nenhum vestígio de medo de morrer ou se machucar em um acidente. Suas roupas eram só trapos ensanguentados e sujos, suas costas doíam rasgadas pelas asas, mas curariam com o passar das horas. O sol estava se pondo, lançando raios alaranjados no céu pálido de fim de outono, o vento espalhava as folhas secas das árvores ao longo da estrada, ela sentia algumas chocarem-se contra seu corpo e isso a fazia lembrar-se de Joshua, o que trazia um sorriso assassino ao seu rosto. Seus cabelos castanhos e lisos esvoaçavam, presos num rabo de cavalo, alguns fios soltos ricocheteavam em seu rosto, mas ela não se importava.

Depois da difícil briga com os Órfãos, tudo que seu corpo magro e pequeno desejava era uma cama macia e a companhia de Benjamin, mas ela sabia, o que a deixava um tanto frustrada, que nos próximos dias ele estaria ocupado com a Órfã grávida, esperando que a criança nascesse.

Parou a moto nos fundos de um velho prédio de três andares e esmurrou a estreita porta de metal, assim que se abriu ela entrou.

No topo de um prédio em frente estava Aylla, uma dos Órfãos, observando a chegada da Outra. Do bolso do casaco branco tirou um pequeno comunicador, encaixou-o na orelha e esperou, até ouvir a respiração pesada do outro lado da linha puxando o grande capuz para cobrir mais seu rosto.

– Oliver, diga a Joshua que já temos a localização...

Notas finais
Espero que tenham gostado ao menos um pouco e se desejarem entender um pouco mais, em breve haverá um novo capítulo. Obrigada pela visita. "Longos dias e belas noites, estranho"...