Índigo - Uma História do Universo de A Hospedeira
12 Capítulo 12 - Um do Outro
I love you
I love you
I love you
I love you anyhow
And I don't care
if you don't want me
I'm yours right now
You hear me
I put a spell on you
Because you're mine
(I Put A Spell On You – Nina Simone)
Mia
A banheira antiga é um pouco pequena para dois, mas me sinto extremamente relaxada aqui, imersa em água quente, com as costas apoiadas no peito de Den, enquanto seus dedos preguiçosos traçam desenhos de espuma em minha pele.
— Você vai voltar a dormir em sua cama agora, não é? — sugiro para ele. — Comigo.
— Se você se sentir confortável com isso, eu vou gostar muito.
Nós já dormimos na mesma cama algumas vezes, durante minhas crises, mas agora é diferente. Agora, somos um casal.
— Den, eu não quero mais passar um segundo longe de você. Quer dizer, se não tiver necessidade.
Essa última parte eu me forço a acrescentar, porque me convenço de que preciso dar a ele um pouco de espaço. Mas a verdade é que estou apaixonada e feliz demais para abrir mão de qualquer minuto da presença de Den, pelo menos de boa vontade.
Ele ri e me abraça por trás, deixando um beijo na curva de meu pescoço.
— Então dormiremos juntos a partir de agora. Também não quero ficar longe de você.
Solto um suspiro, me sentindo ao mesmo tempo feliz com aquilo e um tanto quanto melosa, exagerada. Porque normalmente já passamos muito mais horas dos nossos dias juntos do que separados, então é até meio bobo dizer essas coisas. Mas eu sinto necessidade de dizer. E de ouvir. É impressionante como tudo parece tão diferente.
— Isso é novo para mim, sabia? Estar tão apaixonada e me sentir tão bem a respeito.
— É novo para mim também. Mas eu gosto.
— Tudo isso é novo para você, não é? — De repente, me dou conta. — Está tudo bem? Quer dizer, sobre antes. A gente meio que pulou rápido demais da amizade para o sexo e eu...
— Está brincando? — ele diz, virando um pouco meu corpo para poder me olhar e acho graça de sua expressão quase ultrajada. — Acho que deveríamos fazer aquilo várias vezes ao dia, para compensar ter demorado tanto para a gente se entender.
Solto uma gargalhada desta vez e, como “punição”, ele belisca de leve o bico do meu seio, mandando arrepios pelo meu corpo, diretamente para o meio de minhas pernas.
— Várias vezes ao dia eu não sei, mas todos os dias acho que consigo garantir.
— Já deve ter passado da meia-noite, já é outro dia... — Ele brinca sorrindo de lado, uma de suas sobrancelhas erguidas.
— Para quem não parecia se importar com a parte física, até que o senhor está me saindo bem entusiasmado — provoco.
— A parte física é maravilhosa, não me entenda mal. Foi uma descoberta e tanto. Mas meu entusiasmo é por estar com você, Mia. Eu sempre quis estar com você.
— Sempre? — sussurro derretida.
— Eu sonhava com isso quase todas as noites.
Quase todas as noites! Se soubesse que eu também quis tanto...
Isso me emociona. E me deixa muito, mas muito excitada.
— E você... nunca fez nada a respeito? — pergunto um pouco sem graça, mas dou um sorriso malicioso para disfarçar. — Quer dizer, o corpo pede alívio, às vezes.
— Às vezes — ele responde de modo lacônico, aparentemente fazendo seu próprio jogo.
Fico pensando que aquilo é uma confirmação e a imagem de Den ficando excitado a tal ponto por minha causa, toda a intimidade da cena que imagino, faz meu desejo entrar me ignição.
— Quando? — atiço.
De repente, Den fica tímido de novo. Percebo que ele fica corado antes de me abraçar apertado e apoiar o queixo no topo de minha cabeça, de modo que eu não veja mais seu rosto.
— No dia em que estivemos juntos no rio, por exemplo. E também quando... quando dormimos na mesma cama pela primeira vez. Sonhei que a gente se beijava e quando acordei estava tão excitado que achei que tinha aberto sua blusa, mesmo enquanto dormia. Fiquei muito envergonhado! Mas ao mesmo tempo, não consegui evitar olhar para você.
Oh! Então foi por isso que ele ficou tão incomodado! Depois daquela manhã, Den ficou estranho comigo por dias. Fisicamente distante. Pensei até que ele tivesse percebido o porquê de eu estar tão sem graça também.
— Você não abriu minha blusa, aquilo foi um acidente. Mas o que eu fiz não foi. Nosso beijo não foi um sonho.
— Como assim? — pergunta com o semblante confuso, totalmente alheio ao que transcorreu de fato.
— Achei que nunca ia poder acontecer com você acordado, mas eu precisava saber como seria. Então te roubei um beijo. Me desculpe.
— Você me roubou um beijo!? — O olhar de Den parece um misto de divertimento e ultraje. — Não acredito que eu estava dormindo na primeira vez que minha boca tocou a sua!
— Bem, não foi exatamente um beijo, foi mais isso mesmo, eu só encostei meus lábios...
— Você me roubou um beijo! — ele repete, me interrompendo. — Foi o que você disse. — Então ele estreita os olhos e segura firme meu queixo entre os dedos, acariciando minha boca com o indicador. — Pois me devolva agora, moça. E faça valer a pena o que eu perdi.
Estou adorando esta nova versão de Den!
Olho para os lábios dele e passo a língua pelos meus em antecipação. Desta vez, o beijo não é um simples toque furtivo como o daquela manhã. É quente, lento, profundo.
Uma de suas mãos desce pela minha barriga, sob a água, e seus dedos me estimulam e me penetram até um gemido me escapar.
— Você é bom com as mãos, carpinteiro — sussurro, amolecendo em seus braços. A boca colada à minha ri baixinho. — Quero ver como você faz quando pensa em mim. — De repente, ele para e me olha incerto, os dedos ainda dentro de mim. — Eu também pensava em você, sabia? Desse jeito. — Dirijo os olhos para baixo, indicando o que quero dizer.
Meus lábios percorrem seu pescoço, mordiscando-o. Ele fecha os olhos e eu me afasto um pouco para ter uma visão melhor.
— Eu pensava em como queria que você me tocasse — sussurro. — E imaginava que era você dentro de mim.
Ainda de olhos fechados, Den fecha os dedos em torno da ereção e começa a movimentá-los para cima e para baixo, devagar a princípio. Volto a beijar seu pescoço, correndo a língua por sua pele, puxando o lóbulo de sua orelha entre meus dentes. Ele sibila, intensificando os movimentos, seus traços bonitos se contraindo numa expressão de desejo.
— Ah, Den, eu nunca pensei que pudesse te amar tanto!
Neste instante, é como se ele despertasse de um torpor. Suas mãos firmes me agarram pela cintura e ele me tira da água, me levantando para a borda da banheira. Com o desejo fervendo, ele suga meus seios de um jeito quase voraz, apertando minha pele com possessividade.
— E agora você pode ser minha, não é?
Meu corpo, que clamava por algum alívio, sente um regozijo imediato quando ele passa a língua no meio de minhas pernas, ainda experimentando. Conforme eu reajo, arqueando as costas e gemendo, ele vai ganhando confiança, ousando mais, chupando.
É bom. Maravilhoso, na verdade. Mas eu preciso de tudo. E preciso agora.
— Eu já sou sua. E estou pronta para você. Por favor.
Apoiada na borda, eu me viro de costas para ele. Den se aproxima e me abraça e eu me inclino mais para frente, ajudando-o a posicionar sua ereção em minha entrada. Ele segura minhas nádegas e afunda em mim, puxando meus quadris, soltando um gemido arrastado.
— Céus! Você é tão linda, Mia. Tão deliciosa.
Eu sinto tudo. A voz rouca de tesão, o peso do corpo dele, o peito pressionado em minhas costas, sua respiração pesada em minha nuca. Estou apaixonada, ensandecida de prazer, e o orgasmo me surpreende em sua força. Eu sabia que estava próximo, mesmo assim chega de repente. E mais intenso do que eu imaginava.
— Meu Deus! — gemo.
Ainda não acabou totalmente para mim quando tomo a decisão de empurrá-lo. É difícil, mas quero adiar o clímax para ele. Esta noite quero que Den experimente tudo.
Ele me olha confuso e um pouco decepcionado quando eu o mando se sentar ali mesmo, na borda oposta à que me apoio, mas obedece. Então eu me ajoelho entre suas pernas, acariciando com a língua a parte interna de suas cochas, segurando e massageando seus testículos.
— Você vai gozar de um jeito diferente agora — digo.
— O quê?
Sorrio quando ele engole em seco. Imaginar que esta será outra primeira vez para Den me excita ao extremo. Dou uma lambidinha na ponta sensível e ele se retesa.
— Quer descobrir como é? — provoco.
Den balança a cabeça freneticamente, confirmando, e eu rio.
Seguro seu pênis e o masturbo sem piedade, sugando a ponta, a outra mão ainda massageando seus testículos. Ele engole o ar, surpreendido com a sensação inédita, e eu me deleito com o ardor em seus olhos quando me levanto para beijar sua boca, sem tirar minhas mãos dele.
Volto ao meu trabalho lá embaixo e passo a língua por toda a extensão, provando seu gosto de novo. Den agarra meus cabelos e sei que ele precisa de mais, por isso desço meus lábios até a base, uma e outra vez, bem devagar, arrancando um gemido arrastado, quase rude. Acelero o movimento e ele inclina o quadril para frente, parecendo inchar dentro de mim, tamanha a rigidez de sua ereção.
Fico alternando entre sugadas e carícias mais suaves e, por fim, volto a masturbá-lo enquanto estimulo a ponta com a boca. Quando vou um pouco mais rápido, um pouco mais firme, percebo quando seus músculos se retesam e ele me segura com mais força.
— Mia, eu...
Den não chega a completar a frase, porque uma espécie de rugido rouba todo seu ar antes disso. Seu corpo trêmulo escorrega para dentro da banheira — por sorte, já praticamente sem água —, mas eu não paro. Nem sequer quando sinto o último jato quente descendo pela minha garganta.
Porque ali mesmo, a sensação poderosa me toma também e só preciso me tocar um pouquinho para explodir logo depois, fascinada por ter proporcionado a Den um prazer tão intenso que seu pênis ainda está rígido em minha boca e pequenos espasmos fazem nossos corpos tremerem juntos. Mesmo quando eu finalmente me deito em seu peito, sons inarticulados de contentamento ainda arranham sua garganta.
— Eu te amo, Mia. Minha nossa, como eu te amo — ele diz com tamanho fervor que eu rio, feliz.
— Você só está grato — brinco.
— Isso também — Den rebate sério. — Eu não sabia que dava para fazer isso. Quer dizer, eu não sabia ao certo... como era.
Rio de novo. Parece que é só o que faço nas últimas horas. Rir e sentir prazer ao lado dele.
— Então você vai precisar aprender outras coisas. Vamos ter que reservar um horário diário para treinamento.
— Estou à sua disposição. — Ele ri, satisfeito e empolgado. Nós dois nos levantamos e sou pega de surpresa quando ele me toma nos braços. — Mas agora vou cuidar um pouquinho de você — diz, me levando para a cama, molhando todo o chão onde pisa.
Em seu atual estado de espírito, não sei bem o que quer dizer quando diz que vai cuidar de mim. O que quer que seja, porém, será bom o bastante se eu estiver ao lado deste homem.
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