Ética Do Amor
24 Cuidando de você, sempre.
– O que ela está fazendo aqui? – Edward perguntou visivelmente incomodado com a presença de Rosalie.
– Vamos para o meu quarto pra gente conversar melhor?
– Vamos.
Edward e eu entramos direto para o meu quarto e assim que fechei a porta, virando de frente para ele, pude ver que a conversa ali não seria nada fácil.
– Edward… Eu ia falar isso com você amanhã.
– “Isso” o que?
– A Rosalie… Ela e o Emmet estão se separando e a casa é dele, então ela está sem casa. Eu deixei que ela ficasse aqui por uns tempos.
– Ela vai morar aqui? – Perguntou com os olhos arregalados.
– É provisório. – Garanti.
– A questão não é essa, Bella. Eu só não gosto da ideia dela morando aqui… Com você.
– Por quê?
– Bella, será que você não vê? Ela vai fazer de tudo pra te envenenar contra mim… Ela me odeia!
– Para com essa coisa de achar que eu sou influenciável. Tenta se colocar no meu lugar, se alguém que não gosta de mim, falasse insistentemente pra você se separar e tudo mais, só que sem apresentar motivos concretos pra isso, você o faria?
– É claro que não.
– Então… Funciona da mesma forma comigo. Ela não vai me convencer, além do mais se ela ficar falando mal de você, não vai morar aqui por muito tempo.
– Mesmo assim… Eu sei que ela nunca fez nada pra você e tudo mais, mas me colocando no seu lugar, vejo que eu jamais aceitaria alguém que não gosta de você na minha casa.
– Se você morasse comigo eu jamais forçaria uma barra dessas. Mas a gente nem mora junto, e além do mais, eu não posso deixá-la na rua.
– Você quem sabe… – Disse ainda meio bolado. – Só sei que eu não venho aqui quando ela estiver. Enfim… O que eu realmente quero saber é se você vai ou não lá pra casa hoje.
– Edward… Hoje não. Ela acabou de chegar, não conhece o Jake direito. Eu tenho que ficar, mas amanhã é outro dia.
– Então nós vamos ficar juntos amanhã?
– Vamos. – Garanti. – E eu vou te compensar por hoje.
– Tudo bem então. – Disse ainda sério. – Amanhã conversamos.
– Okay.
Levei Edward até a porta e ele já estava indo, até que o puxei, dando um beijo intenso em seus lábios. No começo ele estava um pouco receoso, mas conforme o beijo foi se aprofundando, ele colocou uma mão na minha nuca e envolveu minha cintura com seu braço, puxando meu corpo para mais perto do seu, me fazendo sentir seu perfume maravilhoso, forte e masculino. Nosso beijo foi tão intenso que era quase sexual. Assim que nossos lábios se separaram, dei um leve gemido contra sua boca.
– Não me provoca. – Sussurrou com seus lábios há centímetros dos meus.
– Ou o que? – Perguntei sedutoramente.
– Ou eu te jogo nos ombros e te levo daqui agora mesmo.
– Ah é? E se eu te disser que esse beijo é só uma pequena demonstração do que te espera amanhã? – Perguntei.
– Aguardarei ansioso. – Disse me libertando de seu abraço esmagador.
Assim que ele se foi, fiquei parada por mais algum tempo na porta, com a mão nos lábios que ele acabara de beijar, pensando nele, nos seus beijos, seu carinho e cuidado comigo, a forma que ele agia, sonhando com todas essas coisas que dia após dia foram se tornando uma linda realidade pra mim. Eu não sabia se Edward fazia ideia do bem gigantesco que me fazia, mas uma coisa era certa… Eu nunca senti nada nem mesmo parecido com aquilo que sentia por ele, era algo incrível e de dimensões que eu nem acreditava serem possíveis, mas por outro lado, me assustava um pouco, já que sempre gostei de ser muito independente em relação aos meus sentimentos, a criar uma linha, ainda que tênue entre o gostar e o precisar, e por mais que determinada pessoa me desse motivos, nunca confiar plenamente, em ninguém. No entanto essa coisa de “Não confiar” não funcionava em relação a ele, eu confiava, plenamente, talvez fosse a paixão ou até mesmo a minha intuição, mas uma coisa era certa, por algum motivo eu tinha certeza dos sentimentos dele por mim, mas isso não me impedia de questionar até que ponto o amor era suficiente, quais eram os obstáculos que seria inviável que ele atravessasse e se algum dia passaríamos por alguns desses obstáculos, ou ainda que não tivesse a ver com a separação no sentido de não querermos ou não de simplesmente não dar mais, mas sim no sentido da vida, se algum dia eu ou ele morrêssemos, ou por conta de algum acidente, ficássemos em uma cama de hospital, sem esperanças de melhora, como o outro ficaria? Como seria a vida, minha ou dele, sem isso que nós tínhamos? Sem esse carinho? Sem esse amor? Provavelmente encontraríamos outras pessoas pelo caminho, no entanto, nunca seria como aquilo que nós tínhamos, nunca. Era realmente de arrepiar pensar nas possibilidades da vida.
– Bella? – Rosalie perguntou chegando na porta, ao meu lado. – Já faz algum tempinho que ele foi embora e você continua aí parada, tá tudo bem?
– Tá sim, Rose. Eu só estava pensando em umas coisas aqui.
No dia seguinte, quinta-feira, ao chegar na empresa, Edward já estava lá, e parecia um tanto preocupado com alguma coisa que eu não fazia ideia do que era.
– Bom dia, meu amor. – Eu disse indo até sua mesa e o beijando.
– Bom dia, amor. – Ele disse. – Vem cá. O que houve com a sua lambreta? Passei por ela no estacionamento. Tá toda acabada. Quem fez aquilo?
– A Tânia.
– Mas... Porquê? – Perguntou indignado
– Porque eu te "tomei" dela.
– Mas você tem certeza que foi ela?
– Ela tanto confessou quanto foi falar um monte de besteiras.
– Isso é verdade mesmo?
– É. – Garanti.
Edward respirou fundo e pegou o telefone.
– Tânia? – Ele disse, sério. – Peça pra Victória, gerente de RH vir até a minha sala.
– O que você vai fazer? – Perguntei.
– Você vai ver. – Respondeu.
Pouco tempo depois, Victória entrou na sala caminhando elegantemente, com sua camisa social, scarpin de salto 15, preto, e a saia lápis. Ela definitivamente tinha muito estilo.
– Bom dia, meus amores.
– Bom dia. – Respondemos.
– Me chamou, Edward?
– Chamei sim. Eu quero que você prepare tudo que é necessário pra mandar a minha secretária, Tânia Denali, embora, e por justa causa.
– Nossa. – Disse Victória. – O que a piranha fez?
– Detonou a lambreta da Bella.
– E vocês tem provas disso?
– Não... Na garagem não tem câmera de vigilância.
– Bom... Nesse caso não posso demiti-la por justa causa. Se quiser mandá-la embora, vai ter que pagar todos os direitos por todos os anos de serviço prestado.
– Ah... Pode ser. Eu pago. Só não quero mais ela trabalhando aqui nem mais um dia.
–O pior é dar a notícia. – Disse Victória. – Tem gente que tenta até me bater, acredita?
– Não. Essa notícia eu mesmo quero dar. Vai lá pra sua sala e já vai preparando tudo que assim que eu falar com ela, vou encaminhá-la pra sua sala pra vocês resolverem tudo.
– Okay.
– Assim que passar por ela, peça pra que venha até a minha sala.
– Tudo bem.
Victória saiu e pouco tempo depois, Tânia veio até a sala, com aquela cara de assistente boazinha que não enganava ninguém.
– Eu só vou te perguntar uma vez e espero que você diga a verdade. – Disse Edward, sério. – Por que fez aquilo com a lambreta da Bella?
– Do que você está falando? – Perguntou se fazendo de desentendida.
– Não finja que não sabe.
– Mas eu realmente não sei.
– Quer saber? Pouco me importa se você sabe ou não. Vá até a sala da Victória pra acertar as suas contas.
– Está me demitindo? – Perguntou com os olhos arregalados.
– Estou.
– Mas Edward... Eu preciso desse emprego. – Disse desesperada.
– Pensasse nisso antes de fazer o que fez.
– Mas eu não fiz nada! – Disse chorando e eu rolei os olhos. – Fala pra ele. – Ela disse pra mim. – Fala a verdade pra ele.
– Você enlouqueceu ou o que? – Perguntei. – Mostra logo essas garras. Seu emprego já era mesmo.
– É Tânia. Não importa o que você diga, eu não vou acreditar. – Disse Edward. – E acredito na Bella.
– Ah... É claro que você acredita. Tá transando com ela, mas eu não fiz nada com aquele lixo de moto.
– Mais respeito. – Disse Edward com aquela voz de patrão zangado que colocava medo em qualquer um. – Isso aqui é uma empresa séria e eu sou o presidente. Já conheci muitas mulheres como você e sei lidar perfeitamente com esse tipo, então não vai pensando que vai vir até a minha sala ficar falando essas suas vulgaridades achando que eu vou ficar constrangido ou até mesmo descer ao seu nível, porque eu não vou. E se não respeitar o meu local de trabalho, eu mando os seguranças te jogarem na rua. E aí? Vai conversar como gente ou eu preciso ligar pros seguranças? Você decide.
– Edward... – Disse como um bichinho amoado. – Não tive a intenção de discutir com você. Você deixou claro há mais de um mês que não queria mais nada e eu aceitei, pensei que fosse por causa dela. – Disse se referindo a mim. – Mas não no sentido de namoro e tudo mais, pensei que fosse pra ela não anotar no relatório sobre você, mas de uma semana pra cá, eu tenho percebido que vocês têm chegado juntos e conversando, fora o jeito que você olha pra ela e ela pra você. Eu tinha certeza que se já não tinha rolado alguma coisa, ia rolar. Eu ia falar com você sobre a gente voltar, mas surpresa foi a minha ao me aproximar e ver você se agarrando com ela. Eu me senti traída, desmerecida.
– E fez aquilo com a lambreta por isso? – Edward perguntou calmamente, pra que ele confessasse.
– Não. Eu não fiz nada com a lambreta.
– Tânia, confessa logo. – Disse irritado, novamente.
– Não, porque eu não fiz nada. – Disse convicta.
– Ela não vai confessar. – Eu disse.
– É... Pode ir lá na Victória ver os seus direitos e me faça o favor de nunca mais aparecer aqui.
– Vai mesmo me demitir?
– Vou.
– Tudo bem... Mas você vai se arrepender. – E então olhou para mim. – E você também.
Tânia saiu, batendo a porta e eu me assustei, não apenas com a porta, mas também com Tânia e suas ameaças.
– Edward... O que ela vai fazer? – Perguntei.
– Não faço ideia. – Ele disse calmamente enquanto tirava seu celular da gaveta e mexia. – A única coisa que eu sei é que não consegui gravá-la confessando que destruiu a sua lambreta. Ela foi mais esperta.
– Você estava gravando a conversa aí no celular?
– Sim. Mas a gravação não serve de nada já que ela não confessou.
– Entendi.
– Só não sei o que vou fazer pra arranjar uma secretária até amanhã. Porque sem não dá pra ficar.
– Edward. É você quem contrata as secretárias.
– Eu nunca contratei uma secretária, porque quando assumi a presidência a Tânia já era a secretária do presidente anterior. Mas quem contrata todos os funcionários novos é a Victória. Por quê?
– Porque eu tenho uma amiga, a Alice, ela está desempregada e já trabalhou como secretária. Ela provavelmente gostaria de assumir a vaga da Tânia.
– Liga pra ela e pede pra ela vir até aqui ainda hoje e pedir pra falar com a Victória do RH. A Victória que entende dessa coisa de recrutamento de funcionários, ela estudou isso na faculdade e tudo mais, se ela aprovar a sua amiga, ela começa hoje mesmo.
– Okay. – Eu disse pegando o celular e ligando para Alice que na mesma hora foi se arrumar pra vir.
– Ela já está vindo. – Eu disse.
– Ótimo. Eu vou ligar pro Emmet e pedir pra ele vir até aqui. Tenho que falar com ele sobre a Rosalie.
– É... Verdade. – Eu disse. – Eu ia mesmo te pedir pra falar com ele e perguntar se é isso mesmo que ele quer.
– Eu tenho certeza que não é. – Disse Edward. – O Emmet é louco pela Rosalie.
Assim que Edward ligou, Emmet veio até sua sala, sua expressão era de curiosidade, já que Edward raramente o chamava.
– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou.
– Aconteceu. – Disse Edward. – Você se separou da Rosalie e não me contou.
– Ah cara... Não te contei porque eu sabia que você ia interferir por ela e eu cederia, então resolvi tomar essa decisão por mim, sem o intermédio de ninguém.
– A Rosalie me odeia com todas as forças. Eu não tenho nada contra ela, mas convenhamos que não é nada agradável nem poder fazer uma visitinha pro meu irmão já que a esposa dele não me suporta. Logo, eu tenho todos os motivos do mundo pra querer vê-la o mais longe possível de você, no entanto, estou aqui, dizendo pra você voltar pra ela. Eu devo ter os meus motivos, não é?
– E quais são?
– Na verdade eu só tenho um: Você a ama. Bom, acho que esse já é um bom motivo, não é?
– Não. Não é. Porque eu não sei mais se o que eu sinto por ela é o suficiente.
– Suficiente pra quê? Pra ouvi-la falando mal de mim? Emmet, pelo amor de Deus, ela é a sua esposa, não a minha, é de você que ela tem que gostar, não de mim.
– Não é essa a questão, Edward. Mas sim dela não me respeitar. Acho que pra ter respeito, tem que existir a aceitação da opinião do outro, mesmo que você não concorde. Eu respeito ela não gostar de você, a única coisa que eu peço é pra ela não dividir disso comigo, muito menos ficar fazendo cena pra você ou pro nosso pai, porque ela tem que respeitar, a mim, a você e a ele. No entanto ela não faz isso. Ela não me escuta nunca e eu já cansei de falar. Cansei de tudo. – Ele parecia realmente abalado. E pelo que eu estava sentindo, ainda que ele voltasse com Rosalie no futuro, não seria nem tão cedo. Havia muita mágoa ali.
– Então você não vai voltar pra ela? – Edward perguntou.
– Talvez um dia. Ninguém é dono do destino, mas eu te garanto que não vai ser agora.
– Não vai ser agora por que você não quer? Ou por que acha que não deve?
– Porque eu não quero mesmo. – Disse convicto.
– Tudo bem. Nesse caso eu não vou argumentar. Pra mim a única coisa que importa é a sua felicidade, seja ao lado dela ou não. E digo mais... Você não querendo voltar com ela, assume o risco dela conhecer outras pessoas. Está pronto pra isso?
– Ela pode conhecer outras pessoas como eu também posso. – Disse tranquilamente. – Edward, não precisa se preocupar com isso. Eu não estou me preocupando. Se nós tivermos que voltar, voltaremos, senão, cada um toca sua vida.
– Tudo bem. Não me preocuparei então. Espero que esse tempo te faça bem e que caso vocês voltem, seja na intenção de tentar fazer com que dê certo, tanto você, quanto ela. Eu sei que não sou a pessoa mais indicada pra falar sobre namoro com você que estava há quase vinte anos mantendo um. Mas de uma coisa eu sei... Quando a gente gosta de alguém, a gente tenta. – E então meu coração foi a mil. Ele falar sobre sentimentos entre homem e mulher, era o mesmo que falar sobre mim, ao menos ao meu ver. – Às vezes alguma coisa que essa pessoa faz, diz ou até mesmo exige de você, pode parecer demais pra ser suportado, mas se você realmente quer essa pessoa, se realmente a ama, você passa por cima de tudo e tenta, de todas as formas, só não desiste. Então para e pensa, cara. Se vale à pena deixar uma pessoa na qual você construiu toda uma vida, fez vários planos. Pensa bem nisso, antes que seja tarde. Porque a última coisa que eu quero é te ver arrependido pelo que você mesmo permitiu que escapasse.
– Nossa. – Disse Emmet parecendo realmente bem impressionado, olhando pra mim em seguida. – Eu não sei o que você fez com ele, mas merece meus parabéns, parece até outra pessoa aqui me dando conselhos.
– Eu não fiz nada além de conseguir mostrar o verdadeiro Edward a vocês. – Eu disse sorrindo.
– Um romântico? Quem diria? – E todos rimos. – Mas pode deixar. Eu to bem, de verdade.
– Okay. Pode ir trabalhar então. – Disse Edward sorrindo.
– Sim senhor. – Disse Emmet saindo em seguida.
Nós voltamos ao trabalho, mas parecia que tudo estava remando contra a produtividade hoje. Já que antes do almoço, ainda recebemos Alice, que foi aprovada por Victória. Obviamente, Edward teve que parar meia hora de seu trabalho pra explicar tudo direitinho a ela, mostrar onde estava tudo no computador que Tânia usava e avisá-la sobre os horários e obrigações. Até aí, tudo bem. Até que depois do almoço, Alice ligou para a sala avisando sobre uma mulher que queria insistentemente falar com Edward.
– Não posso falar com ninguém. Eu resolvi muitas coisas com outras pessoas hoje e acabei me atrasando em alguns projetos aqui. Diga para ela marcar hora.
– Mas ela está insistindo muito. – Disse Alice pelo viva voz. – Tá até me assustando já.
– Avise que se ela não sair, você vai chamar os seguranças. E se mesmo assim ela não sair, chame-os.
– Sim, senhor. – Ela disse.
Edward encerrou a chamada e pouco tempo depois, ouvimos algumas gritarias lá de fora.
– Mas a senhora não pode entrar. – Dizia Alice. – Vou chamar os seguranças.
– Que chame! – Disse uma voz feminina. – Eu preciso falar com ele agora e é o que vou fazer.
E então, a porta foi aberta com força. E dela saiu, ou melhor, entrou, uma mulher um tanto quanto... Exótica. Ela devia ter uns cinquenta anos e tinha os cabelos platinados, presos por uma flor azul no topo. Ela usava uma calça de couro sintético, com estampa de onça, combinada com uma blusa decotada, dessas que parecem um corpete, rosa, com brilhos.
– Senhora, não pode entrar aqui sem hora marcada. – Disse Edward, calmamente, porém firme.
– Eu não preciso de hora marcada. – Ela disse o encarando. – Nossa... Você virou um baita homão, hein! Meu Deus.
– Quem é você? – Ele perguntou parecendo desconfiado de alguma coisa.
– Ah... Você não lembra mais de mim, né? Eu sei. Tem quase vinte anos que não nos vemos, eu mudei bastante durante esse tempo.
– Quem é você? – Agora ele estava sendo meio grosso. Era como se Edward já soubesse quem ela era, só não tinha coragem de assumir pra si mesmo.
– Eu sou a Karla. Lembra de mim? – Perguntou. – Sua mãe.
Arregalei os olhos, olhando para ela, que tinha um sorriso vitorioso nos lábios. Em seguida, olhei para ele, que estava totalmente pálido. Era como se todo o sangue do seu rosto tivesse fugido. E então ele colocou as duas mãos no rosto, apoiando os cotovelos na mesa. Edward estava passando mal. Imediatamente, me levantei e corri até ele, me ajoelhando ao seu lado.
– Edward? – Perguntei, mas ele não se movia. – Edward? Fale comigo.
O desespero tomou conta de mim com mais força, quando ele começou a tremer e soar, enquanto sua respiração era funda e ofegante. Parecia que ele estava tendo um infarto ou algo assim.
– Edward. Pode parando com essa ceninha, tá bom? – Ela disse autoritária. – Nunca foi de ter essas frescuras. Eu vim falar com você sobre dinheiro. Eu preciso de dinheiro.
Olhei para ela, com um ódio enfurecedor. Sentimentos como esse não eram do meu feitio, mas eu simplesmente detestava gente desse tipo.
– Vá embora, agora! – Eu disse e ela me olhou com uma sobrancelha erguida, em desdém. – Ele está aqui passando mal e você tá aí, pedindo dinheiro?! Onde está o seu coração? É o seu filho!
– Exatamente, é o MEU filho. Não se meta.
– Me meto sim. Ele tá passando mal por sua causa. Então sai daqui, agora!
– E se eu não sair?
– Alice. – Gritei e ela veio correndo. – Liga pros seguranças.
– Não precisa. Eu vou embora. – E então, ela olhou para Edward. – Mas você, não pensa que vai se livrar de mim. Tá aí, podre de rico enquanto sua mãe definha na miséria. Então isso é só um “Até logo”.
E então ela saiu. Alice correu pra pegar um copo de água e me entregou.
– Edward? Amor. Olha pra mim, por favor. – Pedi e então lentamente, ele olhou para cima, onde eu estava. Ele estava com os olhos lacrimejando, mas não estava chorando. – Bebe a água.
Ele pegou o copo e virou a água de uma vez só, respirando fundo e se reerguendo.
– Eu to bem. – Disse firme, visivelmente, lutando com todas as suas forças contra sua dor.
– Isso não é nada. Tá bom? – Eu disse segurando suas mãos. – Não importa o que ela fez ou até mesmo o que ela venha a fazer. Estamos juntos nessa e eu vou cuidar de você, sempre.
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