Ética Do Amor
2 Afinidade zero
Notas iniciais
Segunda feira, hoje seria o meu primeiro dia na empresa. Eu teria que seguir absolutamente todos os passos do “Poderoso chefão” como costumavam chamá-lo. Eu sei que ambientes de trabalho como aquele tinham todo um padrão de roupa a ser seguido, mas eu não trabalhava naquela empresa, eu trabalhava para o governo, e eles me permitiam trabalhar com a roupa que eu quisesse, contanto que não fossem mais curtas do que um palmo a cima do joelho, nem mostrando qualquer parte da barriga ou decote, e também exigiam que eu usasse o meu crachá, portanto eu fui vestida da forma na qual me senti à vontade. Mostrei meu crachá e imediatamente me deixaram entrar. A empresa era bem grande e eu estava meio perdida, mas logo vi o balcão da recepção. Imediatamente fui até lá e a secretária me olhou dos pés a cabeça, como se eu fosse uma aberração.
– Pois não? – Perguntou forçando uma educação que obviamente ela não queria dar.
– Sou Isabella Swan, assistente social. – Comuniquei e ela checou algo no computador.
– Oh sim, o senhor Cullen a espera no último andar.
– Obrigada. – Eu disse forçando um sorriso e indo em direção ao elevador.
Pressionei o botão do centésimo andar, aquele prédio era tão alto que chegava a dar medo, me lembrava um pouco as torres gêmeas. Só de pensar que eu teria que passar seis longos meses vindo para cá todos os dias, me dava até arrepio. Quando o elevador finalmente chegou ao último andar, ou sênior, como estava escrito no botão do elevador, eu saí em uma pequena sala, onde estava uma mulher loira, com um decote generoso, no qual havia um pequeno crachá com sua foto e o nome “Tânia Denali” ali escrito e em seus lábios um batom vermelho impecavelmente aplicado, por trás do balcão. A loira, assim como a outra da recepção me olhou de cima a baixo com desdém. Qual era o problema dessas pessoas? Por algum acaso eu era um alien ou algo assim?
– Senhorita Swan? – Questionou parecendo não acreditar que eu era eu.
– Sou eu. – Afirmei, porém a loira não acreditou muito, já que esticou os olhos para cima do meu crachá, até que enfim comprovou de que eu era a Isabella em questão.
– Só um momento. – Pediu e eu assenti.
A secretária deu um telefonema.
– Senhor Cullen, Isabella Swan. – Ela disse e esperou poucos segundos, então desligou o telefone e voltou a olhar para mim. – O senhor Cullen está a sua espera.
– Com licença. – Pedi.
Virei às costas e entrei na sala. De repente meus olhos se arregalaram. Aquele era Edward Cullen? O presidente da exportadora? Eu realmente achava que se trataria de um homem velho e babão, ainda que fosse novo, me surpreenderia, mas não tanto quanto um homem como este. Devia ter uns 25 anos, maxilar quadrado, lábios finos, porém convidativos, a expressão totalmente máscula. Céus! O homem era um verdadeiro sonho!
– Senhorita Swan? – Perguntou me tirando do transe. Ele estava parado me observando imparcialmente, na verdade parecia mais interessado na papelada que tinha em mãos do que na minha presença. Sua expressão não transmitia absolutamente nada e isso me incomodou.
– Pois não senhor Cullen. – Respondi colocando a mesma máscara que ele.
– Bom, primeiramente devo questioná-la sobre seus trajes.
– O que há de errado com os meus trajes? – Perguntei.
– São inadequados para trabalhar nesta empresa.
– Pois eu discordo. – Disse imediatamente fazendo-o erguer o rosto e me encarar como quem diz “Quem você pensa que é?” E então voltou a olhar para seus papéis, mas se ele pensava que eu abaixaria a cabeça... Ah, mas estava muito enganado!
– Pouco me importa se você concorda ou não. – Respondeu no mesmo tom calmo e sereno sem nem mesmo se dar ao trabalho de olhar para mim. – O presidente aqui sou eu. Por tanto quem dita as regras também sou eu.
– Ah é? E quem dita as minhas regras é quem coloca dinheiro no meu bolso, que é o governo, o governo só exige que eu esteja de crachá. O meu crachá está aqui. Então não tenho que te obedecer em absolutamente nada.
E então o Cullen deu uma risada abafada, sem se importar muito com o que eu disse anteriormente.
– Só um aviso, não meça forças comigo, porque você vai perder. Isso eu posso te garantir.
– Não estou medindo forças com ninguém. Eu só sei qual tipo de roupa o meu emprego permite que eu vista.
– OK. – Disse num tom irônico. – Então permaneça da forma que julgar adequada senhorita Swan.
Ergui uma sobrancelha o observando atentamente. Pelos poucos segundos que estive com Edward Cullen pude perceber que ele não jogava para perder e algo me dizia que aquele assunto não acabaria ali.
– Vai ficar aí parada me encarando? – Perguntou. – Vamos ao trabalho.
– Claro. – Respondi prontamente. Isso, trabalho era tudo que eu precisava agora.
– Sua mesa está ali no canto. – Ele disse ainda olhando para a papelada, o que me incomodou ainda mais. Por que diabos este homem não podia olhar diretamente para mim?! Eu era tão insignificante assim?
Fui até minha mesa que ficava no canto direito da sala, de costas para a saída, enquanto a dele ficava bem no centro, de frente para a porta, o que resultava em o nosso campo de visão de um para o outro ser bem amplo, e isso me incomodava, eu não queria ter a oportunidade de olhar para ele o tempo inteiro, porque apesar de irritante, eu tinha que admitir que o homem era um verdadeiro Narciso.
Depois de meu rápido raciocínio sobre o quão terrível seria ficar praticamente de frente para o Cullen, abri o meu notebook e deixei ao lado do monitor, que estava focalizado no que o computador dele fazia, conforme ele mexia nas coisas, aparecia na minha tela. E todos os papéis que ele preparasse para quaisquer situações relacionadas à empresa, teriam que passar pela minha vistoria primeiro. Eu teria que anotar absolutamente tudo em meu notebook, cada mínimo detalhe. E assim seria durante seis longos meses.
O dia passou arrastado e não havia absolutamente nada de errado com o sistema até o momento. Mas esse era só o comecinho, ainda tinham muitas outras coisas para pesquisar e encontrar.
Edward permanecia em sua mesa sem nem mesmo olhar para o lado, ele parecia concentrado em seu trabalho. Não trocou nem ao menos uma palavrinha sequer comigo. Esse homem era um verdadeiro iceberg.
– Senhorita Denali. – Ele disse ao telefone. – Estou aguardando meu almoço.
E então desligou. Eu permaneci atenta ao meu trabalho.
– Hora do almoço Senhorita Swan. – Ele disse. – Eu não gosto de companhia.
Olhei para a tabela de horários que estava colada na minha mesa e ali estava, de 12:00 às 14:00 horas – Pausa para o almoço.
– Eu costumo gostar, mas a sua provavelmente me daria indigestão. – Eu disse me levantando e saindo de sua sala. Parecia que realmente nada que eu dissesse o tiraria do sério. Eu tinha que aprender a me controlar também ou sempre perderia a razão.
Fui ao grande refeitório dos funcionários e UAU! Ali tinha muita gente. Peguei um dos grandes pratos e me senti no colegial novamente. Depois de colocar minha comida, peguei uma lata de suco e me sentei em uma das mesas do canto, iniciando meu almoço.
– Bom dia... Ou seria boa tarde? – Perguntou um homem de grandes olhos azuis me encarando como se eu fosse a última mulher no planeta. Sério, com tanta mulher bonita, com trajes sensuais, ele tinha mesmo que reparar em mim?
– Boa tarde. – Respondi.
– Isabella Swan, a assistente social, certo?
– Certo. – Respondi meio assustada. – Mas como sabe?
– Todos da empresa estavam aguardando a sua chegada. – Foi então que olhei em volta e percebi que havia muitas pessoas me olhando. – A propósito... Sou Mike Newton, o intérprete do presidente da empresa. – Estendeu a mão para que eu apertasse e eu o fiz. – Posso me juntar a você?
– Claro.
Rapidamente Mike colocou sua bandeja sobre a mesa, puxou uma cadeira e se sentou ao meu lado.
– Há quanto tempo trabalha nesse ramo? – Perguntou visivelmente tentando apenas puxar assunto.
– Pouco mais de um ano. – Respondi forçando simpatia, o que eu não estava com um pingo de vontade de ser, não hoje.
– Você parece tão novinha. – Disse tentando jogar charme, repito, tentando!
– Eu sou nova, mas não adolescente como todo mundo pensa.
– É, você parece ter uns 17, 18.
– Eu tenho 22. – Eu disse arqueando as sobrancelhas. Já era normal pra mim que as pessoas pensassem assim.
Mike deu um largo sorriso e continuou tentando jogar charme, ele até era bonito, mas não fazia o meu tipo, eu gostava de revolucionários, com pensamentos evoluídos, que não viviam conforme os padrões da sociedade, algo próximo a Karl Marx ou Che Guevara. Além do mais ainda que eu não tivesse nada sério com James, eu não era do tipo que transava com um em um dia e no outro já estava com outro cara. Eu sabia respeitar a mim mesma.
Terminei o almoço e arrumei qualquer desculpa para subir logo para a minha sala. Por mais que Mike parecesse ser um cara legal, eu tinha trabalho a fazer e era melhor começar o quanto antes.
Assim que entrei na sala do presidente, o avistei mexendo em seu computador.
– Não devia começar antes de eu chegar. – Alertei.
– E você não devia tirar tanto tempo de almoço.
– Eu voltei cinco minutos antes do estipulado.
– Eu começo a trabalhar dez minutos antes. – Disse com um sorriso irônico que me deu nos nervos. – Se não é capaz de se adaptar aos horários da empresa, talvez tenha que passar este caso para outro assistente mais apto e flexível.
– De forma alguma. – Garanti. – Estou nessa Cullen.
– Que seja. – Disse realmente indiferente e eu só pensava em quando chegaria o final daquele maldito dia de trabalho.
Depois do meu longo expediente, praticamente corri até minha lambreta, eu estava exausta e só queria a minha cama e conversar com bons amigos. Passar o dia inteiro aguentando todas aquelas hostilidades não me fez bem e tudo que eu precisava era de pessoas que me receberiam com um abraço caloroso e um sorriso verdadeiro no rosto.
Então sem pensar duas vezes, mudei meu percurso habitual e fui rumo à casa de Jake. Assim que cheguei, bati à sua porta e ele abriu pouco tempo depois, então antes que dissesse qualquer coisa eu o abracei forte.
– Hey. – Disse retribuindo surpreso o abraço. – Tudo bem?
– Aquelas pessoas são tão frias. Eu queria muito um abraço assim. – Eu disse sorrindo e com os olhos fechados, apenas aproveitando seu abraço forte. – Você é o máximo Jake.
– Obrigado. – Disse ainda meio perplexo. – Não quer entrar?
– Claro. – Respondi. – Deixa só eu ligar pra minha mãe pra avisar que estou aqui.
– Fique à vontade.
Liguei para a minha mãe e em seguida entrei na casa de Jake, que fez pipoca doce e colocou um filme de comédia. Eu já estava me sentindo bem melhor. Pra que terapia quando se tem amigos?
Depois de ficar conversando um pouco com ele sobre o paranóico que era o presidente da empresa, fui para casa e minha mãe me olhou de rabo de olho.
– O que mãezinha?
– Vai ficar chegando esta hora todos os dias?
– Não, eu te disse por telefone que estava na casa do Jake.
– Tudo bem, eu só não quero que fique vagando por aí sozinha à noite. É perigoso.
– Pode deixar.
– Como foi o seu primeiro dia no novo trabalho?
– Uma droga. – Respondi prontamente fazendo com que minha mãe se assustasse.
– Por que, meu amor?
– Porque o presidente é um egocêntrico, autoritário, frio e estúpido. E eu tenho que passar o tempo inteiro olhando pra cara dele.
– Nossa, você nunca fala assim de ninguém. É sempre tão doce.
– Pra você ver a que ponto cheguei.
– Não se irrite meu amor. – Disse simplesmente. – A vida é assim mesmo. As pessoas são assim mesmo.
– Não mamãe, ele é assim. A grande maioria das pessoas que eu lido, ainda que tenham seus defeitos, sabem tratar os outros com o mínimo de educação.
– E você vai ficar invocada com isso? Apenas faça o seu trabalho e deixe esse homem pra lá. Em seis meses tudo haverá terminado.
– A senhora tem razão. É só o meu primeiro dia, e além do mais, não creio que vá ficar pior do que já está.
(...)
– O QUE?! – Perguntei ao ouvir o que coordenador geral de assistência social do governo tinha acabado de me dizer pelo telefone.
– Sim senhorita Swan, você vai ter que ir com roupa social.
– Mas... Não é esse o combinado! – Eu disse inconformada. – A empresa não é a minha empregadora, não sou obrigada a ir com os trajes que os funcionários dela vão.
– Eu sei, mas ao que parece a ordem veio de cima e não podemos contestar.
– Mas que merda. – Murmurei.
– Perdão, o que disse?
– Nada. Eu vou desligar.
– Tudo bem. Até mais.
– Até. – Eu disse e desliguei em seguida. – Filho da puta! – Praguejei.
Eu sabia que aquela não era sua última cartada, e o pior de tudo: Ele venceu! O filho da puta não precisou discutir comigo, nem mesmo pra declarar uma guerra e já estava vencendo. De fato, medir forças com ele não era pra qualquer um, porém eu não estava nem um pouco intimidada, na verdade aquilo estava me atiçando ainda mais.
Fui até meu guarda roupa e comecei a revirar tudo, eu não encontrei absolutamente nada.
– Ai meu Deus! – Eu disse irritada.
– O que houve anjo? – Minha mãe perguntou de seu quarto.
– A senhora tem alguma roupa social?
– Hum... Tenho uma calça e provavelmente alguma blusa, por quê?
– Eu vou precisar.
– Venha buscar.
Fui até seu quarto e nós começamos a procurar a roupa. Até que encontramos, a calça e a blusa. Expliquei a minha mãe o motivo das roupas e ela riu com tudo, dizendo que eu já estava começando a ser implicante com o presidente. Me limitei a dizer que ela estava falando aquilo porque não o conhecia.
Assim que entrei no quarto liguei para Alice para marcar um passeio no shopping amanhã depois do meu expediente. Eu sabia que ela não negaria, a final, era de Alice que estávamos falando. Por mim eu não iria, mas eu realmente precisava fazer compras, senão teria que ir com a mesma calça e blusa todos os dias.
Depois de Alice tagarelar um pouco no meu ouvido dizendo o quanto nos divertiríamos juntas amanhã, finalmente me deixou dormir. E dormir era o que eu mais queria naquele momento.
Eu não era do tipo de pessoa que se estressa fácil, na verdade eu era muito paciente, talvez por estudar muito sobre o comportamento humano e suas origens segundo alguns filósofos famosos e outros nem tanto. Mas o Cullen realmente conseguiu me tirar do sério, porque por mais que alguém não quisesse a minha presença em algum lugar, é sempre meio que instintivo que me tratem ao menos civilizadamente, coisa que ele não fez a mínima questão de ao menos tentar. Eu juro que estava tentando com todas as minhas forças não guardar nem um pingo de rancor do maldito, mas isso me parecia uma missão impossível de se cumprir. E eu sentia que mesmo estando apenas no meu primeiro dia de trabalho, eu queria sangue, o sangue do Cullen, e a esta altura estava torcendo para que ele desse qualquer mole e com certeza o pegaria no pulo, bastava uma única oportunidade, se era guerra que ele queria, então era guerra que ele ia ter.
Notas finais
O nyah tá com problemas com o hiperlink, então vou deixá-los aqui.
Roupa da Bella: http://mariacarolinefanfics.blogspot.com.br/2013/05/look-bella-etica-do-amor-capitulo-2.html
Lambreta: http://mariacarolinefanfics.blogspot.com.br/2013/05/lambreta-da-bella-etica-do-amor.html
Fale com o autor