Ânsia

19 Familiar


Tio Raimundo nunca foi de muito contato, parece estar sempre vestindo uma catafracta emocional, o que blinda suas emoções. A casa está igual: a mesma tinta amarela clara, o cheiro forte de naftalina.

- Verônica... — começa, me analisando de um jeito estranho. — Você está... diferente. Por que não me contou?

Eu o encaro, confusa.

- Deixa para lá, nunca fomos muito próximos mesmo. Sente-se. — ele gesticula para o sofá. — A conversa vai ser longa.

O olhar dele se suaviza ao perguntar como estou. Respondo brevemente, temendo desmoronar. Tio Raimundo pega um copo de água com açúcar para mim antes das revelações.