Arrepios percorrem a minha espinha enquanto meu tio revela a história da nossa família. Ele fala de forma pausada, como se medisse cada sintagma antes de dizê-lo:

- Sua mãe, Ester, era uma menina. Mal tinha 16 anos quando seu pai, Silas, um homem bem mais velho, apareceu. — Ele suspira. — Entrou no armarinhos da família, cidade vizinha de Alvorada do Norte. Minha irmã estava no caixa. Ele continuou voltando. Toda semana. Obcecado. Ela, deslumbrada. Até que, revoltada pela proibição, fugiu de vez para aquela cidade, se isolando de nós.

Ouço atenta, sem saber que o pior ainda está por vir.