À flor da pele
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Notas iniciais
Diana
Fecho a porta depois de entrar no quarto e me deixo escorregar para o chão. Não posso acreditar no que fiz. No que o deixei fazer.
Isso tudo parece tão errado. Me sinto tão estranha. Suja, ansiosa, desejosa de mais sensações proibidas... Estou uma confusão. Respiro fundo, me obrigando a manter o controle. Theodor está no andar de baixo, esperando a foto de Liam. Não posso perder o foco.
Eu deveria ter concordado quando ele sugeriu ir embora. Agora fico nessa indecisão esquisita. Quero que vá embora, quero que permaneça. Quero que fique longe e ao mesmo tempo que volte a me tocar e que se aprofunde. Quero-o nu...
Oh, deus! Eu realmente o quero ver nu...
Essa é uma ideia tão errada em minha mente. Quando foi a última vez que quis ver um homem nu? Sem contar Brad Pitt e George Clooney, é claro!
Controle-se, Diana!
Estou ansiosa. Suada. E excitada demais. Estive em seu colo. Me sentei sobre... Bem, me sentei em seu colo. E me mexi, propositadamente, algumas vezes. Tentando senti-lo...
Sou uma tarada! Imoral! Abusei sexualmente de um cara! Será que ele vai me processar?
Banho! Preciso de um banho frio para recobrar a razão.
Me levanto e vou para o guarda-roupa, pego um pijama azul claro, de camiseta e shorts, e roupas íntimas. Me lembro da calcinha que uso. Será que ele viu? Não acredito que sentei em seu colo e estava quase... Me perdendo, com uma calcinha que é, provavelmente, maior que a cueca que ele usa. Se ele estiver usando uma... Tudo parecia tão livre abaixo do tecido.
Tarada, tarada, tarada!
Que vergonha! Que dia mais desastroso! E gostoso...
Escolho uma calcinha menor dessa vez, uma das “de guerra”, mas não é como se eu fosse mostrar a ele. Nós fomos longe demais antes... Não vai se repetir. Sério! Não vai se repetir mesmo! Nunca!
Entro no banheiro, preciso de um banho rápido antes de poder encará-lo. Meu corpo está tão quente, e úmido, e totalmente fora de controle. Querendo tudo que decidi nunca ter. Odeio me sentir assim.
Não está uma noite quente, o clima parece ter virado de vez. No entanto, sinto-me com calor. Deixo o chuveiro na água fria. Juro que a razão volta com tudo quando me enfio debaixo da ducha. A água está gelada e tudo que consigo fazer é tremer.
Ao terminar, lutando contra o frio, coloco o pijama curto e pego outro roupão no armário, o vestindo. Seco o cabelo por cima e o deixo solto. Então coloco as peças de roupas anteriores no cesto e saio do banheiro.
Por algum motivo, não me assusto ao encontrar Theo deitado em minha cama. Acho que no fundo já esperava isso. Ele tirou o casaco e os tênis. Está de camiseta branca e calça de moletom.
Adoro vê-lo de branco e, principalmente, tão à vontade assim. Mesmo que esteja invadindo meu espaço e o enchendo de germes...
Quando fecho a porta do banheiro, ele levanta a cabeça e sorri para mim.
– Eu... — Não sei o que dizer. Só espero que ele não pense que o banho foi para ficar cheirosa para alguma coisa. Ou para... Oh, deus! E se ele pensar que fui me... Satisfazer no banheiro? Bem, antes dele vir sim... Agora a situação é outra. Não faria nada com ele no andar debaixo. Mas será que ele sabe disso?
– Onde estão as fotos? Quero vê-las. — Ele se senta, me interrompe, sem questionar o meu banho. E ele é tão charmoso. Definitivamente o tipo de cara que não se aproximaria de mim. Tipo, nunca!
– É... As fotos... — Me aproximo do guarda-roupa e abro a porta de cima, me esticando para alcançar uma caixa dourada, onde as mantenho. É como se eu já soubesse o que ele vai fazer, e estivesse à espera.
Sinto seu corpo pressionar contra o meu quando ele alcança a caixa, pressionando sua ereção em minha bunda, e acendendo o fogo que o banho tinha apagado. E me pergunto, será que não dói ficar com essa coisa armada por tanto tempo?
Ele se afasta e volta para a cama, se esparramando nela. Totalmente à vontade, como se estivesse em sua casa. Se fosse outra pessoa eu teria pirado...
Ele abre a caixa e deixa a tampa sobre o criado mudo. Tira vários álbuns e os coloca sobre a cama.
– Por qual começamos?
Me obrigo a mexer e me sento perto dele, uns 20 centímetros de distância, que ele logo diminui ao sentar e encostar seu ombro no meu.
Pego o álbum grande, de capa branca. É onde guardo as fotos do Liam. Sou uma tia realmente babona. Não vou muito para Los Angeles visitá-los, mas sempre falo com o pequeno por Skype e meu pai sempre me envia fotos.
Deixo o álbum em meu colo e o abro. Me sinto fazendo uma viagem no tempo. A primeira imagem é de quando ele nasceu. Dias depois, na verdade. Eu não o visitei no hospital, me dava arrepios pensar na quantidade de germes concentrada naquele lugar. Pode até ser bem limpo, desinfetado, e todas essas coisas que contam, mas as pessoas que entram e saem o tempo todo não são...
A foto foi tirada quatro anos atrás, na casa do meu pai. Julie não quis se juntar a nós, dizia que estava inchada para fotos ainda. Então, me sentei em frente a lareira com aquela coisinha pequena e cheirando a talco no meu colo, e meu pai tirou a foto. Meu cabelo era comprido na época. Até parecia outra pessoa.
– Amei essa foto. — Theodor chama minha atenção. — Embora, goste mais do seu cabelo agora. — Levanto meu rosto e o encaro, ele está me olhando, sorrindo de canto.
– Eu acho que o preferia antes.... — Digo, voltando a atenção para a foto.
– Era linda antes, está perfeita agora.
E as bochechas queimam.
– Theodor Blake, você precisa parar de falar essas coisas! — O encaro, tentando ficar séria.
– Não gosta de saber que é linda? — Me pergunta, com falsa surpresa. — Acho que você é moderna demais, Dia. No meu tempo, as mulheres adoravam ouvir isso. Especialmente quando era verdade. — Ele ergue a mão e acaricia meu queixo, então se volta para o álbum em meu colo e vira a página. — Quem são? — Pergunta ao apontar para uma foto de meu pai e Julie, matando completamente o assunto anterior. E aposto que de propósito.
– Minha irmã e meu pai.
– Quando foi isso? Anos 80?
Não posso deixar de rir. Minha irmã é linda, mas ela tem um gosto muito estranho para roupas. Ela adora essa coisa de “modernidade”, mas a verdade é que adorar e saber como usá-las tem uma distância enorme. Nessa foto ela parece um peru enrolado em papel laminado, pronto para ser assado. O vestido prata dela, de mangas curtas e com ombreiras, foi uma péssima ideia. Prender seu cabelo em um rabo de cavalo alto foi outra... É como olhar uma foto do tempo do disco. Posso até ouvir o ABBA cantando Mama Mia ao fundo.
E meu pai não fica atrás. Acho que ela puxou dele esse lado. Pelo menos no tempo em que tirou a foto. Depois disso minha mãe a levou para um "banho de loja", ela ficou horrorizada ao ver a foto.
– Foi há uns dois anos. — Comento.
Quando a foto foi tirada, meu pai estava naquela época da vida em que a idade começa a aparecer na cabeça. Minha irmã, moderninha, deu algumas ideias. Como pintar o cabelo e esconder os fios brancos. E isso foi até legal, deu alguns anos a menos a ele na aparência. Mas, ele também tinha esse problema de calvice... Então, ela puxou seu cabelo para frente, para esconder a careca que começava a aparecer. E o suéter roxo que lhe dei, e ele usava nesse dia, não ajudou a melhorar.
Eles parecem felizes na foto. A verdade é que essa é uma daquelas que não há fingimento. Ela retrata a real felicidade entre pai e filha em estarem juntos. Coisa que nem todos temos...
Theodor continua passando as fotos, se divertindo. E ele parece realmente encantado com o pequeno Lian.
Eu gosto disso. Da presença dele. De poder dividir algo tão importante... Gosto mais do que deveria.
Falei sério quando disse que ele me distrai. Ele faz isso com frequência. Consegue ter toda a minha atenção apenas para si e o resto... Não tem importância nesses momentos que estou com ele. O que isso quer dizer? Eu já estive apaixonada antes e não é parecida a sensação.
Não entendo o que Theodor Blake significa para mim, mas seja o que for, é muito.
Theodor
Já passa das quatro quando deixo a casa da Diana. Por mim não teria saído. Acho que nem por ela. Estava morrendo de sono, mas lutando para ficar acordada e fiquei com pena.
Ela é divertida. Mais misteriosa do que eu imaginei que seria. Eu descobri que realmente não sei muito sobre ela. Bem, sei sobre a vida, sobre os relacionamentos, família, mas isso não a define. Ela é mais. Muito mais.
Quando chego ao meu apartamento, me jogo no sofá da sala de TV e tento dormir. Mas não consigo com o corpo tão quente, imaginando todas as formas diferentes que a noite poderia ter acabado.
Preciso de um banho. Um gelado, que coloque as cabeças no lugar. Assim como ela.
Ela demorou tanto para descer. Fiquei preocupado e subi, mas então, descobri a porta do banheiro fechada. Tive que me segurar para não espiar e me passar por tarado.
Respiro fundo.
Mantenha o controle!
Saio da sala e subo as escadas. Vou direto para meu quarto e então banheiro.
Só água fria para acalmar-me nesse momento. E ela vem com tudo quando a ligo. Entro embaixo da ducha e penso em fugir, mas a sensação não dura. Logo me acostumo com a temperatura fria e me sinto aquecendo de novo. Pensando na mulher gostosa que esteve em meu colo hoje e que deixei ir...
Isso é algo que Amy nunca deve descobrir, ou serei motivo de piada.
Me ensaboo, com pressa, querendo me deitar de uma vez. Aparentemente só o sono pode me aquietar. Mas então, passo sabonete sobre minha ereção e sinto-me até tonto. Ansioso por algo que não terei. Desligo a água gelada e me encosto na parede, acariciando-me.
Não consigo nem lembrar a última vez que precisei me tocar para aliviar. Diana vai me matar, preciso descobrir um jeito, e rápido, de entrar naquela mulher. Ou vou, definitivamente, ter algum tipo de ataque.
Ela acaba comigo.
***
Passa das cinco quando levanto. Isso me irrita muito. Eu queria aproveitar o dia. Agora não é mais possível.
Levanto de mau humor.
Dormi na sala, de novo. Não consigo ficar no quarto. Tenho nojo desse lugar. Especialmente daquela cama. Por isso quero reformar. Esse maldito apartamento guarda as piores lembranças que eu já tive.
Encontro meu celular entre as almofadas e checo para ver se tem ligações. E tem. Várias da Jane e Amy. Sem nada da Diana. Não esperava realmente que ela ligasse. Mas ao mesmo tempo sim. Tivemos uma noite tão agradável.
Começo a pensar em maneiras de me aproximar outra vez.
É uma ansiedade que nunca senti antes.
É estranho isso.
Mal acabo de deixá-la e já estou pensando em um pretexto para me aproximar novamente. E nós nem dormimos juntos ainda!
Bem, talvez seja isso. A ansiedade por consumar o ato. Tem que ser isso!
Admito que Diana mexe comigo, ela é incrível, inteligente, linda, educada, e tantas outras coisas. Seria muita hipocrisia dizer que só seu corpo me atrai. É o pacote todo. Mas não sei quanto tempo tudo isso vai durar. Talvez depois que formos para a cama as coisas mudem. Porque nós, definitivamente, caminhamos para isso. Talvez eu queira mais depois que isso acontecer. Talvez não.
Talvez. Talvez. Talvez!
Tantas dúvidas. No entanto, o que não é duvidoso nesse instante, é que realmente gostaria de vê-la.
Coloco um moletom preto para corrida e saio de casa.
Amy odeia quando saio sem avisar. Eu a pago para ficar perto de mim, me proteger, mas sempre que possível estou me esquivando dela. Mas também, com aquele humor, ninguém pode me culpar!
Atravesso a rua e vou para a o parque. Baltazar não trabalha hoje. Ontem, pela manhã, fui visitar Meg no hospital e ele me acompanhou, então não trabalhou também.
Conheci Baltazar quando fui obrigado a viver com meu pai, aos 12 anos, felizmente não durou muito. Tive um daqueles momentos de rebeldia e tentei “fugir de casa”. Parei no carrinho dele e comprei um pacote pequeno de pipoca. Depois me sentei, no mesmo banco que Diana alonga, e o fiquei encarando. Até que ele veio me interrogar.
Meg apareceu no fim do dia para ajudá-lo a guardar as coisas.
Eles eram tão engraçados juntos, harmoniosos de uma forma que nunca vi outro casal ser.
No final, eles me convenceram que deveria voltar para a casa. Que meu pai deveria estar preocupado.
Mas ele não estava.
Nem mesmo os empregados havia sentido minha falta. Mas aquele dia serviu para que eu conhecesse esses grandes amigos, que visitei todos os fins de semana seguintes, até hoje.
Escapava de casa para ter alguns momentos com eles. E era um tempo mágico. Cheio de amor e companheirismo. Acho que foram mais presentes na minha vida que o meu próprio pai.
Hoje, a esposa de Baltazar sofre dos males da idade. Pernas inchadas, colesterol alto, diabetes e outros tantos problemas resultados de anos de descuido. Ela tem tudo que uma pessoa com uma alimentação saudável não teria.
Meg foi a pessoa que me viciou em comer porcaria e se não fosse as duras críticas do meu pai, a respeito do meu peso, provavelmente seria um obeso hoje em dia. Pelo menos isso eu devo a ele.
Passo pelo ponto que Baltazar fica e sigo em direção à casa de Diana. Não a estou perseguindo, juro! Só quero vê-la por um momento. Perguntar se está bem, se teve uma boa noite e, quem sabe, convidá-la para jantar e dar-lhe um belo beijo de boa-noite. Talvez ela até se anime e me convide para entrar quando a deixar em casa...
Corro animado, com as expectativas altas, que vão se acabando ao chegar perto do sobrado e perceber que todas as janelas estão fechadas e o carro não está na garagem. Decido apenas mandar uma mensagem, perguntando como está, mas não trouxe o celular...
Seria muito maluco de minha parte esperar por perto e quando ela chegasse fingisse estar só passando? Bem, provavelmente!
Suspiro e decido deixar pra lá. Por hoje. Talvez seja cedo demais. Quem sabe ela não saiu justamente para me evitar. Parece que minha adorável Dia tem essa mania, fugir do que quer.
Mas tudo bem. Amanhã é um novo dia.
Diana
Não consigo dormir muito bem. Meu travesseiro tem o cheiro de Theodor.
Fico alternando entre imaginá-lo ali me acariciando e sentir culpa por pensar nessas coisas. Até parece que estou na puberdade, descobrindo meu corpo e dos garotos.
Espero amanhecer e vou correr pelo parque. Dou três voltas. Baltazar não veio hoje. E... bem, mesmo com a cafeteria fechada e tendo a certeza de que Theodor não levantará cedo, eu me pego encarando a portaria do prédio, e espiando às horas por várias vezes.
Quando volto para a casa, me sentindo péssima, praticamente uma perseguidora, a única coisa capaz de me ajudar a relaxar é colocar meus afazeres domésticos em dia.
Lavo dois cestos de roupa suja. Esfrego o chão, encero, tiro o pó, entre outras coisas. E no final da tarde, tudo que eu consigo pensar é que o celular não apitou nenhuma vez e nem a campainha tocou. Embora ela funcione só de vez em quando...
Olhando o relógio, vejo que já é quase cinco, e o sono e canseira começam a bater, decido que é hora de preparar alguma comida e então dormir. Não que eu goste de dormir tão cedo assim, mas a noite foi difícil. O pouco que sobrou dela para dormir usei pensando no que não devia.
Ao abrir o armário da cozinha, me desaponto.
Como Terry estava em casa, acabei comendo o que ela comprava e não fui ao mercado.
Respiro fundo, lutando contra a preguiça que ameaça tomar o controle. Coloco um moletom de corrida que estava na lavanderia, na pilha de roupa limpa, e pego minha bolsa. Hora de enfrentar a "casa dos horrores", o que as pessoas costumam chamar de "supermercado".
Saio de casa, de carro, e vou para o lugar que fica cinco quadras de casa. Já que eu tive que sair, vou aproveitar e fazer "aquela" compra, com tudo que tenho direito.
Fico fazendo as contas mentalmente ao entrar no mercado. Tenho lá uma poupança e o dinheiro que ganho me permite me virar bem. Mas, ainda é necessário manter tudo na ponta do lápis. Ainda mais morando sozinha. É fácil ficar distraída e comprar mais do que devo ou preciso.
Começo pelo corredor de produtos de limpeza e nele mesmo encontro uma mulher com uma criança aos prantos.
A garota magrinha e pequena, de uns 3 anos talvez, bate o pé e abre o berreiro. A mãe a ignora, como se isso fosse a fazer parar. Acho que talvez até funcionasse, se a garota tivesse sido educada de alguma forma...
A garotinha, de cabelos castanhos enrolados, fica me encarando quando passo por ela.
Me lembro do Theo supondo que eu goste de crianças por causa do meu carinho por Liam. Chego, nesse momento, a conclusão de que não. Você ter uma criança que tem seu sangue fazendo birra é uma coisa. Ter outra, que não tem vínculo algum, torna a situação extremamente irritante.
O que me leva a afirmar com plena convicção: Não gosto de crianças!
Pego as coisas que preciso e saio apressada dali.
O corredor de secos está vazio, consigo escolher as coisas tranquilamente. Sempre dando preferência para o que está no fundo, é o que está sempre mais limpo, já que as pessoas dão preferencia para as coisas que ficam mais na frente. E sempre tem aquele que gosta de pegar o produto, estudá-lo e então o guarda de novo, ao decidir que não o quer. Imagina quanta sujeira um individuo desse não deixa.
Termino a minhas compras e vou para o caixa, onde só há três atendendo. Tá certo que o movimento está baixo, mas para um mercado tão grande, é um exagero e tanto só isso. Há cerca de sete pessoas, mais ou menos, em cada fila.
Um dos motivos de abominar as idas ao mercado são as filas. Não tenho essa paciência toda. É um desperdício de tempo e tudo que consigo pensar enquanto espero, é que poderia estar fazendo outras coisas. Coisas legais ou úteis. Ou quem sabe correndo pelo parque. Observando certo prédio.
Ai que insistência dessa minha mente! Continua voltando e voltando para os caminhos proibidos. Isso é tão irritante. Dá uma sensação de perda de controle.
Começo a mexer na minha bolsa, para me distrair, mas sem querer pego o celular e o checo, atrás de algum sinal de vida. E isso não quer dizer apenas Theodor. Terry não me ligou. Deve estar de ressaca, aposto! Ela disse que ligaria no dia seguinte para me checar. Não que eu precise...
E Tyler também não entrou em contato. Não sei se estamos bem ou não.
E o Theo, de novo ele, não falou nada... Será que ficou chateado pelo corte brusco do rumo que as coisas seguiam? Seria muito abuso enviar uma mensagem e perguntar como vai? Bem, provavelmente! Homens é que precisam ligar, não mulheres. Parece que estamos forçando a barra.
Quando chega minha vez de ser atendida, fico aliviada. Filas fazem isso com você, te fazem pensar. Pensar demais.
Levo as compras para o carro e tomo o caminho da minha casa, mas paro perto do parque, em uma panificadora. Compro pães frescos e entro no carro.
Eu não entendo o que está acontecendo comigo. Pão! Por favor...
Estou parada perto do prédio do Theo. Com mais pão do que eu posso comer. Já tinha pego alguns no mercado. E agora faço isso...
Eu devo estar maluca! Devo ter algum transtorno. Sou uma perseguidora. E mesmo constatando isso, continuo parada aqui, olhando o prédio em que ele mora. Esperando que ele saia e me veja por acaso. Então posso dizer que estava só passando. Comprando meu pão de cada dia. E que é uma grande coincidência.
Respiro fundo. Não posso continuar com isso. Chega até mesmo a me assustar essa obsessão. O que dirá Theodor, que parece tão ciente dessa minha mania? Será que ele tem medo?
Ligo o carro e deixo pra lá. Amanhã é um novo dia. Quem sabe não acordo com um pouco de razão.
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