À flor da pele

36 Essas amigas...


Notas iniciais
Oie =) Seguinte, pretendo postar mais um capítulo até o dia 25, massss, se não der... FELIZ NATAL!! Que data mais legal essa né? Dá pra comer até explodir!! Bj bjs

Diana

Terry me intercepta assim que entro em minha sala. Nunca a vi chegar antes de mim no escritório e ainda por cima radiante desse jeito. O sorriso parece congelado em seus lábios.

– Você sumiu da festa! — Ela diz ao fechar a porta atrás de si.

Minha amiga usa uma calça preta e uma blusa verde, com um decote bem cavado. Tem os cabelos vermelhos soltos, com algumas ondulações na ponta. A maquiagem está impecável e estou curiosa sobre o porquê disso tudo.

– Você não está com frio? — Vê-la de braços de fora me causa uma sensação angustiante. Faz encolher-me momentaneamente.

– Não! Mas você está... — Ela se senta na cadeira na frente da minha mesa e aponta para o sobretudo por cima do meu terninho azul marinho.

Acordei cedo e fui para minha corrida. Dessa vez saí dez minutos antes e dei duas voltas. Comprei minha água e troquei algumas palavras com Baltazar. Então começou a chover. O tempo já estava feio quando saí de casa, mas tinha aquela pequena ponta de esperança dentro de mim. Esperava realmente que desse tempo de voltar.

Theodor não seguiu nossa rotina. Quero dizer, a dele. Ele não saiu às nove do prédio e nem foi atrás de seu café. Fiquei alguns minutos com Baltazar, fingindo que estava aproveitando o guarda-sol do carrinho para me proteger. Mas não adiantou nada. Ele usava uma capa com touca que cobria dos pés à cabeça e só por isso ficou seco. Eu estava com uma calça colada de ginástica, um top e uma blusinha fina por cima. As peças se colaram ao meu corpo, como uma segunda pele. Me dando a sensação de estar nua. Foi terrível. O frio era demais e tive que fingir que estava bem, ou o homem teria tirado sua capa e me dado.

Depois de finalmente chegar em casa, me enfiei debaixo do chuveiro com a água mais quente que consegui deixar, mas meu corpo tremia mesmo assim. O frio tinha se unido a cada membro do meu corpo. Nada parecia aquecer. Por isso escolhi o sobretudo. Era a peça mais quente do meu guarda-roupa.

– Tomei aquela chuvinha de mais cedo. — Conto — Não consigo me aquecer desde então.

Ela faz uma careta.

– Chuvinha? Foi mais como uma tempestade, querida. E duvido que a tomou ao sair para trabalhar. Saiu para correr com esse tempo, né? — Me pergunta, mas não me dá tempo de responder. — Olha amiga, já estava trovejando desde às sete da manhã, então não me venha com essa de ser pega desprevenida. — Eu nem ia dizer isso!– Você é maluca, isso sim!

Torço o nariz ao ouvir a palavra "maluca". Me dizem tanto isso que estou começando a acreditar.

Deixo o celular na mesa, guardo minha bolsa no armário e finalmente me sento de frente para ela.

– Vou sobreviver, Terry! — Ela revira os olhos.

– Não graças a você!

Minha amiga parece decidida a pegar no meu pé.

– Então, como foi a festa? — Tento tirar o foco de mim. — Me perdi de você assim que Tyler me puxou.

Ela sorri de canto.

– Se perdeu, Diana? Eu te vi subindo aquelas escadas de mãos dadas com o Theo! Sua vadia safada!

Meus lábios se abrem automaticamente pelo choque. Só não tenho certeza se ele acontece por ela ter me visto ou por estar me xingando!

– Nós não fizemos nada! — Já digo de cara.

Tudo que eu precisava era que o fim de semana voltasse para me assombrar.

– Ah, claro! Subiu para o quarto dele, não é? Ele desceu depois de muito tempo, viu? Tempo suficiente para afogar o ganso! E com a fantasia incompleta e toda amassada, sem contar o cabelo todo bagunçado!

– Não tenho nada a ver com isso.

Minta. É o que Tyler sempre diz. Minta até que acredite nas suas próprias palavras e elas se tornem verdade.

– Ok, você não quer contar que dormiu com um dos caras mais quentes que já pintou na sua vida e...

– Ei! — A corto. — Você não sabe se ele é o cara mais quente que já vi. Eu posso ter namorado algum modelo. Modelos são incríveis, muito quentes!

Ela se encosta da cadeira e cruza os braços. Me encara com descrença.

– A sua reação de freira vendo um pinto pela primeira vez, sempre que o olha, deixa isso mais que claro.

Mas ela está desbocada hoje!

– E o que é que você esteve fazendo?

– Ah! Então é assim? Vai mudar de assunto sem dividir nada?

Fico quieta, só a olhando. Então ela sorri.

– Bem, eu transei com aquele cara bonito dos olhos azuis.

Pronto. Estou escandalizada! E esqueci completamente do que estávamos falando antes.

– E a vadia sou eu? — Consigo dizer. — Aquele que estava de guarda?

– Guarda? O de mosqueteiro! O Patrício.

Patrício, olho azul, mosqueteiro?

– Patrick?

– Isso! Eu acho... — Ela bate palmas. — Ele não era um deus grego? E o pau dele, Di! — Ela afasta as mãos para me dar uma ideia. O que me deixa bem assustada. Tem que ser exagero, não vejo como que algo daquele tamanho entraria. Pelo menos não sem fazer estragos... — Eu acho que nunca dormi com um cara bem dotado. Garry conseguia cumprir o papel, mas não tem comparação...

Juro que não sei o que dizer. Ter Tyler falando sobre suas conquistas nunca me pareceu tão escandaloso como isso.

– E... — Maldita voz que me falta. — E o… O Garry?

Ela bufa.

– Ele me traiu, hello! Esqueceu?

– Pensei que estava quase voltando com ele.

Ela dá de ombros.

– Eu acho que foi algo bom essa festa. Quer dizer, eu mal lembro o nome dele, mas quer saber? Eu precisava disso. Eu estava me prendendo a todas as coisas erradas. Acho que chegou um momento que só conseguia pensar que nunca mais iria encontrar outra pessoa. Que estava sozinha e se não fosse Garry, não seria ninguém. Essa experiência me abriu os horizontes, sabe? — Ela suspira, parece, de fato, aliviada. E fico feliz por isso. Já gostava da Terry, e depois de passar tanto tempo com ela, e a conhecer, passei amá-la como se fosse parte da minha família. Ou nem tanto. Mas muito mais que antes.

– Quer dizer, ainda é cedo, posso ter alguma recaída e voltar para o Garry. — Ela continua. — Mas então você tem a obrigação de me bater bem forte com um taco. Isso deve bastar para que eu perceba, de novo, que a minha vida não pode se limitar a um cara que nem mesmo me merece.

Isso é fato. Ele não a merece. Ainda mais depois que me chamou de vadia!

– Então... — Que situação constrangedora. O que eu falo para ela? Nunca tive uma amiga do sexo feminino. Ouvir das “fodas” do Ty parecia algo tão fácil. Agora, eu não sei como me portar. Não quero voltar a falar da transa de uma noite, com um completo desconhecido, com certeza vou parecer horrorizada, isso poderia magoá-la. Mas, também não quero continuar falando do Garry, ela acabou de se livrar desse peso. Talvez seja melhor encerrar por agora. — Você está namorando o Patrick? — Pergunto e não sei o porquê diabos escolho esse tema.

Ela arregala os olhos.

– Oh, senhor, Diana! Quem é que namora com caras só por transar com eles?

Eu não ouvi isso!

– Você e o Theo estão namorando?

– Não estamos transando! — Digo, sabendo exatamente onde ela pretende ir.

– Ah, claro!

– Então, onde vocês fizeram? — A pergunta não é porque estou realmente interessada em saber dos detalhes sórdidos. É só falta de assunto e completo desespero para me tirar do foco. Terry continua fazendo a conversa voltar para mim.

– No banheiro...

Se eu estivesse bebendo algo nesse momento, seria protagonista de cena de filme. Cuspiria tudo na cara dela.

– Aquele debaixo da escada?

Ela concorda.

– O com um espelho enorme na parede?

Concorda de novo, e sorrindo.

– Isso foi antes ou depois que eu subi as escadas? — Só de pensar em ter estado em um banheiro que alguém transou antes, meu estômago começa a embrulhar. Que coisa mais nojenta! Poderia ter fluidos por todos os cantos, incluindo os que toquei!

– Depois. No fim da noite, quando eu estava pronta para ir embora. Ele puxou papo, estávamos perto do corredor. Então ele me beijou e uma coisa levou a outra...

Tudo por causa de um beijo? Onde está o autocontrole dessa mulher?

– E não ficou com medo dele te achar uma vadia? Ou de alguém aparecer e pegar... E te achar uma vadia? E...

– Di, não pira! — Ela revira os olhos — Foi só sexo. Eu estava precisando me distrair, ele estava ali, livre, leve e solto. E muito duro, devo dizer! — Ela lambe os lábios. Não acredito nisso! Que nojento! Será que ela está rodando em sua mente o que aconteceu, como um filme pornô privado? E sim, eu sou hipócrita! Eu fiz isso. Fiquei me lembrando à noite toda de Theo me tocando. Mas quando é sobre outras pessoas, é completamente nojento. — E rolou e fim. Somos adultos! E você? Espero que tenha furado a camisinha, amiga, dá pra conseguir uma boa pensão do ricaço.

– Ai meu deus, Terry!

O pior é que ela nem pisca ao dizer isso. Então não sei se é uma piada ou não.

– Eu não...

– Estou brincando, Diana! — Ela sorri.

Me recosto em minha cadeira.

– Você transou mesmo com aquele cara? Quer dizer, foi a primeira vez que se viram, não?

– Eu não transei. Só estava brincando.

Ela me oferece um sorriso gentil. Começa a olhar em volta, se focando em qualquer coisa que não seja em mim. Ela está mentindo!

– Você transou sim, por que está mentindo agora?

Terry se levanta e vai para perto da janela, cruza os braços e fica ali, observando a rua.

– Você precisa se ver no espelho, sua cara de choque é muito indiscreta. Me sinto culpada agora. — Me conta.

É por isso que eu não tenho quase nenhum amigo. Tyler aprendeu a lidar comigo, mas as outras pessoas... Eu tenho essa mania de deixá-las desconfortáveis. Não é de propósito. Eu só não estou acostumada com essas coisas tão... Escandalosas.

– Eu não fiz por mal. — Giro minha cadeira e fico a estudando. Ela está chateada. — É só que... Eu não sei como você consegue. Dormir com um cara que se conhece por meses já parece algo tão difícil para mim. Um cara desconhecido então... Uau! Isso não tem nada a ver com Você, Terry, é só que... Fico surpresa.

Ela vira e me encara. Está sorrindo.

– Então vocês transaram?

– Não, Terry! — Mas que insistência! Acho que prefiro ela triste do que curiosa.

– Ah ta! Eu finjo que acredito. Sua falsa puritana! — Ela se aproxima, cruza os braços e se inclina, fica a centímetros do meu rosto. — Dormir com um cara que se conhece por meses já é difícil... Foi o que você disse. Admita, Diana!

Outro motivo pelo qual não mantenho amigas. Que criaturas mais insistentes e teimosas são as mulheres!

Será que eu sou assim também?

– Olha... — Me afundo na cadeira, tentando fugir do olhar acusatório dela. — É como eu disse... É difícil. Eu não consegui...

Ela abre a boca para responder e então a fecha. Fica reta de novo e dá a volta em minha mesa. Giro a cadeira, a seguindo. Ela senta de frente para mim, de novo, e fica me encarando. Sem falar nada.

– Diga alguma coisa... — Peço depois de um tempo, me sentindo desconfortável com seu silêncio.

– Mas ele te tocou...?

Concordo. Ela está séria.

– Tentou abusar de você?

Estou pegando fogo agora, de tanta vergonha que sinto. Não acredito que ela pensou isso!

– Não, ele nunca faria isso! — Digo, com desespero demais. Mas poxa, é o Theo! Ele é tão queridinho!

– Ok.– Respira aliviada. — Com os outros caras você esperou até se conhecerem melhor?

Hum... Como responder a isso? Bem, é melhor não...

– Como foi voltar para a casa da sua mãe?

Terry estreita os olhos. Aparentemente nada disposta a aceitar a minha mudança brusca de assunto. Então seus olhos se arregalam e ela morde os lábios.

– Não me diga que é virgem, Diana!


Theodor

Tem dias que eu realmente odeio ser eu. Esse é um deles.

Eu poderia estar fora do país, tentando fazer o que tenho planejado a vida toda, ou correndo com a minha adorável vizinha de bairro, mas não. Estou aqui, nessa maldita empresa, escutando um bando de velhos reclamar dos novos protótipos que chegaram. Seria muito mais fácil se tivessem feito isso antes deles saírem do papel e milhares de dólares serem gastos. Mas não, do modo complicado é que eles gostam...

Me acordaram antes das sete, disseram que era uma emergência, que o mundo estava acabando e que eu precisava estar na sede da companhia do meu pai imediatamente.

Eu consigo entendê-los. É difícil largar o velho, a ideia que sempre deu certo, para deixar o novo tomar conta. Além de ser um tiro no escuro, muda totalmente a cara do que fazem aqui. Mas o mundo está evoluindo, é necessário que tudo evolua junto.

E com esses malditos carros é o mesmo.

É possível manter o negócio, ter clientes que compram para coleção. Mas até quando isso vai durar? A que preço teremos que vender para ter lucro e manter a companhia? Já passou da hora de se investir em modelos que se adeguem às necessidades dos compradores de hoje em dia.

O velho só vai fica mais velho e em algum momento será esquecido pela maioria.

Consulto o relógio, são dez horas. Está chovendo desde mais cedo. Só espero que Diana não tenha ido correr. Queria ter ligado, mas tive medo de acordá-la. E ela não me ligou ontem... Talvez precise de um tempo.

– Qual seu voto, Blake?

Encaro Eliot Müller, o homem que fala comigo. Ele é negro, baixinho, mais velho que meu pai, e os cabelos brancos e cara séria lhe dão um certo ar de sabedoria. O que não é realmente verídico...

Olho para todos os rostos sentados à mesa, me encarando e esperando que eu tome uma decisão. Não importa o que eles votem, ainda tenho a maior parte das ações e meu voto é sempre mais significativo. Então, basicamente, eu que decido. No entanto, eles são extremistas. Parar a fabricação dos modelos atuais e começar os novos, ou se livrar dos novos e continuar com o que sempre fizemos.

– Eu não voto em nenhuma dessas opções. Nos deixam de mãos atadas.

Não perco o leve sorriso que Eliot deixa escapar.

– Proponho continuar com os modelos antigos e incluir um dos protótipos novos, apenas mil, e então podemos ver a reação e aceitação do mercado. Aos poucos incluir os demais se o resultado for positivo. Está na hora de aceitar que os tempos mudaram.

– Concordo. — Eliot diz logo. Mas só ele.

– Não é o que seu pai iria querer para a companhia. — Alguém comenta.

Meu pai, meu pai, meu pai! Custa a eles perceberem que meu pai não está aqui.

– Quando ele voltar, e se voltar, ele pode cancelar tudo então, mas agora eu é que estou aqui. E é dessa forma que vejo.

O homem calvo, alto e sem humor nenhum, me encara. Acho que se chama Tony, mas não tenho certeza. Ele parece prestes a saltar sobre a mesa e me atacar.

Me levanto.

– Enviarei minha proposta. Nos encontramos amanhã, às 16, para resolver essa pendência!

Dou às costas e os murmúrios começam. Alysha, minha secretária, abre a porta do escritório assim que me vê.

– Temos um problema com um dos fornecedores. — Ela me entrega um e-mail impresso e anda a meu lado, enquanto vou em direção a minha sala.

Odeio esse trabalho. Os carros são incríveis, mas manter essa gente chata quieta e fazer dinheiro não é fácil e nem agradável. Posso dizer que só aceitei substituir meu pai para não dar o gostinho da vitória para o idiota do Becker. Enquanto o velho Blake estiver vivo e incapacitado, aquele cara não pisa aqui. É uma questão de honra.

Quando meus pais se divorciaram, e minha mãe saiu sem um tostão e eu fui deixado de lado. Tratado como se também tivesse sido fruto de uma traição. Precisou da intervenção da minha avó para que meu pai concordasse em fazer o teste de DNA e me aceitasse novamente. Mas a aceitação dele não significou isso realmente.

Foram anos tendo um homem amargurado e irritado tentando fazer papel de pai. Coisa que ele nunca conseguiu.

Quando fiz 19 anos, ele me apresentou ao seu afilhado promissor, Tyler, que aos 16 anos já era, para meu pai, o homem que eu nunca conseguiria ser. Por sorte ele estava certo. Fico feliz por passar longe de ser parecido com esse cara.

Fomos colocados juntos na empresa, trabalhando lado a lado.

A vontade do velho Blake era, claramente, me manter afastado de tudo que era dele, mas minha vó interferiu em todos os momentos. Ela o obrigou, sabe-se deus como, a me dar uma casa e pagar meus estudos. O emprego também foi coisa dela, mas isso só serviu para ele criar situações para me ridicularizar.

Eu sou grato a minha vó pela intervenção e ajuda que veio disso. Mas sempre tive a impressão de que podia fazer mais se meu pai não estivesse tão perto, me controlando o tempo todo. Desde onde eu morava, estudava, trabalhava... Ele me limitou em cada oportunidade que teve.

Minha mãe sempre disse que era obrigação dele e que não deixaria que eu jogasse fora o que era meu por direito.

Ela estava certa. Ele me fez e precisava assumir seus atos. Mas não existe coisa pior que ser filho de alguém que te odeia. Cada gesto era feito para criar uma ferida e deixar cicatrizes.

Quando eu estava com 22 anos, já não aguentava mais tolerar esse homem e menos ainda seu garoto de ouro. Então, fiz o que deveria ter feito no momento que ele me desconsiderou como filho, lhe dei às costas. A casa em vivíamos estava no meu nome. E eu teria devolvido de bom grado, mas então, ele cometeu o deslize de humilhar minha mãe e irmã publicamente. Foi assim que decidi ficar com a casa e colocar ela para morar lá. Inclusive com o marido da época, o pai da Jane.

Dizer que ele ficou puto é ser modesto...

– Eles querem mais. — Alysha diz, como seu eu fosse um retardado incapaz de ler o que diz no papel.

– Percebi.

Entro em minha sala e vou para trás da minha mesa, tendo uma boa visão da sala toda e encontrando Amy, confortavelmente, instalada no sofá negro que tem no lugar.

A secretária fica em pé de frente para minha mesa, me encarando.

– Faça uma pesquisa, eu quero outros fornecedores.

– Mas... — Ela fecha a cara.

Alysha é uma mulher bonita. Mais velha que eu, pelo que vi em sua ficha, e amante do meu pai, definitivamente. Ela acha que tem algum poder aqui por dormir com ele, então, quando tomo esse tipo de decisão, que vai contra as que meu pai já tomou um dia, ela se vê no direito de me lembrar que...

– Seu pai não iria querer isso. Ele conhece a família Stone por anos e sempre mantiveram a parceria. Ele iria preferir pagar mais…

– Eu quero os nomes na minha mesa. — Corto ela. — Antes do almoço. Obrigada, Alysha, pode sair.

A mulher me fita furiosa.

– Pode sair agora. Obrigado. — Repito.

Ela respira fundo e se vira. Vejo a parar quando percebe Amy sentada no sofá. E minha amiga, para ajudar, lhe oferece um tchauzinho e um sorriso debochado. Elas nunca se deram bem.

– Invasão agora também faz parte do seu currículo? — Pergunta irritada a Amy e então continua andando.

– Que pergunta! — Amy diz enquanto a mulher sai. — Foi um dos requisitos básicos para minha contratação! — Mordo o lábio para não rir.

Amy levanta e fecha a porta. Volta para o sofá, se esparramando nele.

Não é nem 10 horas da manhã e já estou querendo, desesperadamente, beber para conseguir aguentar esse dia do cão.

– Sabe quem eu vi hoje enquanto tomava café? — Amy não me trouxe de manhã. Não quis acordá-la. Ela sempre tem o pior humor pela manhã, imagina se a chamo mais cedo...

– Quem, Amy? — Pergunto, sem interesse algum.

– O seu objeto de desejo e obsessão.

Levanto o rosto para olhá-la, mas ela não me encara. Está distraída com uma revista.

– Diana... — Só de pronunciar seu nome já me sinto ansioso. — Onde ela estava?

– Correndo, na chuva. Aposto que vai pegar uma gripe.

– Na chuva?

Ela baixa a revista e me encara.

– Não foi o que eu acabei de dizer?

Então ela ergue a revista e volta a se distrair com isso.

– Ela ficou com Baltazar por um tempo. — Continua — Estava olhando para o seu prédio. Vocês dois são doentes, sabia? E eu que pensei que transando as coisas iriam melhorar...

Não respondo. Ela não precisa saber que não transamos.

Acabo por sorrir, por saber que ela esteve me procurando. Mas logo meu rosto endurece, ao perceber que ela fez algo assim. Estava óbvio que uma chuva se aproximava. Não acredito que ela saiu mesmo assim. E eu nem mesmo estava lá para dar uma carona. Aliás... Carona...

– Você a levou para casa quando a viu na chuva? — Amy abaixa a revista de novo.

– Claro, machão! É bem minha cara socorrer donzelas em perigo. Depois ainda sequei seu cabelo e lhe preparei uma bebida quente. Isso, obviamente, depois de esfregar suas costas no banho e ajudar a se vestir.

E para confirmar o que eu sempre soube sobre a sua educação duvidosa, Amy me oferece o dedo do meio. Então volta a me ignorar e ver a sua revista.

– Moleque...– Sussurro.

E se não fosse o suficiente ter que aguentar essa machona, ainda perdi uma namorada certa vez, por ela pensar que tínhamos algo. Por favor! Seria o mesmo que estar com um cara! E um cara sem educação. Ela não tem modos nenhum!

Diana vai perceber isso assim que trocar mais que duas palavras com ela.

Ignoro a mulher em meu sofá e tento me focar nos milhares de papeis em minha mesa, mas tudo que consigo pensar é que, como diz Amy, meu objeto de desejo e obsessão esteve à minha procura.

Diana

– Você deve segurar na base, com a mão fechada, assim. — Terry ergue sua mão e mostra como devo... Bem. Ela mostra como deve ficar a mão.

Eu não pedi isso. Não sei nem porque continuo a ouvindo. Meu almoço nem desce mais.

– E então você suga. Olha, amiga, é salgado. — Ela para de falar para levar o garfo a boca.

Depois da visita a casa de Harold pela manhã, que ela nem me contou como foi ainda, ela me arrastou para o almoço. E nem estava na hora...

– Querida, para o primeiro boquete, te aconselho a pedir um meia nove. Se não estiver distraída vai acabar vomitando. Eu vomitei! O nome do cara era Stuart e eu só tinha 14, era inexperiente, ele me enganou. Disse que seria bom para ambos, mas só ele se divertiu e ainda perdi meu almoço.

– Oh, meu deus, Terry! Por favor, cala a boca! — Apoio o cotovelo na mesa e descanso meu rosto sobre as mãos.

Ela colocou na cabeça que sou virgem. Bem, eu sou. Mas não afirmei nada. E nem neguei, e é dai que ela deve ter tirado essa conclusão.

Espio meu prato intocado. Acho que não conseguirei comer por algum tempo.

– Diana... Se vai levar esse cara em banho-maria, pelo menos tem que lhe dar uma alternativa, ou ele vai dar o fora! — Diz séria.

– Eu realmente não quero ter essa conversa. — Digo, pela milésima vez. A vergonha conseguiu finalmente me aquecer e me fez tirar o sobretudo minutos atrás. Agora acho que preciso é de um banho frio. Não pelos mesmos motivos que Theodor me faz tomar. Estou tão envergonhada que queria que algo caísse sobre minha cabeça e me levasse dessa vida terrível.

Por que não posso ter amigos normais? Gente querida que não precise ficar falando, constantemente, sobre sexo e minha ingenuidade sobre o tema.

O que há com as pessoas e o sexo, afinal? Ele não é tão maravilhoso como descrevem. Eu já presenciei, já vi como machuca e é nojento. Qual a grande coisa sobre isso então?

Eu, de fato, me senti bem com Theodor e até pensei, em um certo momento, em ceder a ele. Mas teria sido um erro. Eu teria sido só mais uma a cair em uma enganação.

– Diana, sua mãe nunca falou com você sobre isso?

Oh, agora ela quer saber. Deveria ter perguntado meia hora atrás, quando começou o discurso sobre como fazer um boquete no “Theo cachorrão”.

– Sim, Terry. Nos falamos sobre isso. Fim. Por favor?

E é verdade, Eleonor sempre deixou claro que sexo foi criado apenas para procriação e prazer dos “homens”. E com o tempo, com os namorados, com suas mãos abusadas e romantismo nenhum, cheguei à mesma conclusão.

– Di, não precisa ter vergonha de falar sobre isso. Amiga, é algo natural. É gostoso, é necessário para um relacionamento funcionar. E você e Theodor realmente parecem precisar que essa coisa funcione. Porque do jeito que ele saiu do quarto... Se você não deu, o cara deve ter precisado de um belo banho gelado depois. E aposto que ele dormiu batendo uma. Isso é crueldade!

– Estou indo embora, obrigada pelo almoço! — Me levanto e começo a recolher o casaco e a minha bolsa.

– Se você sair, eu vou gritar pra todo mundo ouvir, que você é virgem!

– Eu não sou! — Insisto. — Só tive uma experiência ruim... Isso é tudo.

– Mentirosa! Eu vou gritar...

Respiro fundo e encaro a ruiva à minha frente. Não acredito que Terry está fazendo isso. É tão constrangedor!

Largo minha bolsa e casaco na cadeira vazia entre nós e volto a sentar.

– Termina sua comida, passarinha. — Ela manda. — Vai precisar de muita energia pra satisfazer aquele garanhão!

– Terry!

Notas finais
Pro próximo capítulo... Quem aí ta com saudade do Tyler? XD Bj bjs