À flor da pele
18 Não gosto mais de você!
Notas iniciais

Diana
Quarta-feira
A noite anterior foi difícil por três motivos:
1º Tyler estava furioso. Ele me apoiou e cuidou de mim até que eu me acalmasse, então, quando isso aconteceu, ele estourou.
Ele fez questão de me lembrar que estou pirando e me avisou que eu estou indo ao médico, muito em breve. O que me deixou nervosa, de novo, e desencadeou a segunda crise do dia.
2º Tyler foi embora chateado, depois que Terry chegou. E ela e eu limpamos a minha bagunça com água sanitária. E tenho certeza que ela não acreditou quando eu disse que deixei cair...
Nosso esmalte saiu todo com o contato com o líquido, minha pele ardia pelas feridas feitas na hora do banho. E foi um momento infernal limpar tudo aquilo. E o quarto... Eu não poderia deixar passar, certo? Era quase uma da manhã quando eu terminei. Como não tinha opção de comprar um colchão àquela hora, eu só o virei e amontei lençóis e cobertas para deitar por cima. Passei álcool nas minhas cômodas, e objetos. E depois de um banho longo, com muito shampoo e pele esfregada, finalmente consegui dormir.
3º Terry me acordou às 3 da manhã, assustada, jurava que tinha alguém andando pela casa. Nós nos armamos com os primeiros objetos que encontramos, um sapato de salto agulha e um globo de neve, então olhamos todos os cômodos. Não tinha nada. Depois disso ela veio dormir comigo, estava assustada. Foi estranho dormir com ela do meu lado. Ela não encostou em mim, mas foi estranho saber que havia outra pessoa ali. Tyler se deita em minha cama quando vem, mas não me incomoda. Ela sim, o que me fez ficar acordada pela próxima hora.
Quando finalmente peguei no sono, ela acordou e reclamou do mesmo barulho. Por fim, era o chão de madeira, que ficava estalando pelo frio. Mas quem disse que ela dormiu, ou concordou com minha descoberta...
Hoje seria um dia em que não apenas eu, mas também Terry, nos arrastaríamos.
O meu despertador tocou às oito e trinta, mas não me levantei. Ele tocou cinco minutos depois e não levantei de novo. Só aumentei o tempo da função soneca. Quando despertou perto das nove, não me levantei, simplesmente desliguei. O barulho era incômodo demais, estava torrando meu cérebro.
Em algum momento da manhã, o celular da Terry desperta, me fazendo levantar assustada com a música agitada que tem de toque. Ela se assusta tanto quanto eu e levanta imediatamente. Me fazendo entender o porquê da escolha da música...
– Que horas são? — Pergunto confusa.
– Hora de levantar, disso eu tenho certeza. — Ela diz, com o cabelo ruivo bagunçado, profundas olheiras e completamente desnorteada.
– Oh meu deus, eu vou vomitar! — Digo ao me sentar. Minha cabeça gira e meu estômago também. — Me mate, Terry, por favor! Isso é pior que ressaca!
– Eu vou ligar para o Dony e dizer que batemos o carro, morremos e fomos para o inferno. — Diz ela dramática, indo para meu banheiro.
Jogo as cobertas para o lado e coloco os pés para fora da cama. Encontro meu celular, ele está desligado, o ligo. Procuro meu relógio, que geralmente fica perto da cama, mas esse não se encontra aqui. Devo tê-lo largado em algum cômodo no meio da limpeza.
Alcanço minha garrafa de água e dou um bom gole.
Olho o celular, agora ligado. Já são quase dez da manhã. Atrasada para chegar adiantada, atrasada até mesmo para chegar na hora. E tem uma ligação. Theo.
Olho, automaticamente, para o vaso de rosas amarelas que estão na cômoda.
Aproveito que Terry está no banheiro e ligo. Não é como se eu o estivesse escondendo dela. E dizer a ela que as flores que enfeitam minha sala e meu quarto, foram compradas por mim, apenas para enfeitar a casa, foi totalmente involuntário. Não o estou escondendo, juro! É só que não sei como apresentá-lo. Não quero dizer o cara que tô saindo, quando nós não estamos. Ou dizer meu amigo, quando nem eu sei se somos. Embora, Theo tenha dito em uma ocasião que somos amigos. Será que ainda somos ou evoluímos em algo? E por que diabos em tô pensando em evolução? Eu nem mesmo quero um namorado.
Não há resposta no celular. Apenas chama. Deixo para retornar mais tarde. Talvez na hora do almoço. Ele deve estar ocupado. Trabalhando, como uma pessoa normal faria.
Olho ao redor tentando lembrar o próximo passo.
– Levanta, mulher! — Terry diz ao sair do banheiro. Ela começa a se despir na minha frente e vai até a porta, que eu descobri ter sido trancada por ela, ontem. Ela sai do quarto seminua, com suas roupas nas mãos, e arrancando algumas outras peças.
Corro pro banheiro e tomo o banho mais rápido da minha vida. Sério, se tiver dado dois minutos, foi muito. Nem tento arrumar o cabelo, só o deixo em paz hoje. Ele vai secar sozinho, enrolar nas pontas e seguir seu próprio caminho.
Maquiagem é outra coisa que será deixada para trás. Também não escolhi nenhuma roupa ontem. O que faz me optar por uma calça preta, risca de giz. Pego em minha gaveta uma camisa branca, de seda, de manga comprida e a visto por cima do sutiã, com cor muito semelhante ao da minha pele. Para completar, coloco saltos pretos e meus óculos escuros. Um verdadeiro desastre ambulante, sem planejamento algum.
Quando saio do quarto, encontro Terry, saindo do outro. Ela usa a calça preta do terninho de ontem, uma camisa de manga comprida, branca, mas de um tecido diferente da minha, essa tem um pouco de brilho, enquanto a minha é opaca. Os cabelos vermelhos estão soltos e ela usa óculos escuros. Salto preto.
– Eu não vou trocar! — Falamos ao mesmo tempo.
Com um gosto tão parecido, não é à toa que nós somos amigas.
***
– Você é uma ridícula! Essa camisa nem combina com a calça. — Terry diz, me estudando do outro lado da mesa.
Acabamos de ter uma reunião com Harold, e embora Terry não faça parte do projeto, ela insistiu para ficar observando.
Agora estamos as duas, meio mortas, totalmente coladas as cadeiras. Aliás, eu diria que esparramadas nos descreve melhor. Ela em um extremo da mesa e eu no outro.
– Já se olhou no espelho? — Digo a ela, que me mostra o dedo do meio.
Minha mãe lhe daria um tapa pelo gesto...
– Eu não o fiz hoje, como é que estou? — Ela apoia os cotovelos na mesa e o queixo nas mãos.
– Muito parecida comigo, mas de cabelos vermelhos e roupa barata.
– Vadia! — Ela estende um braço em minha direção e alisa o tecido, desde o cotovelo até o pulso. — É pura... Não sei o quê! Mas foi bem cara!
Levo a mão aos olhos, os esfregando, tentando fazer o sono ir embora, mas a cada minuto ele se achega mais a mim. E Terry? A voz dela parece estar cantando uma música suave, feita especialmente para dormir.
– Eu estou morrendo, não posso ter meus olhos abertos nem por mais um minuto! — Divido minha luta com ela.
– Energético, Di, energético! É tudo que eu te digo.
– Você tem um desses?
– Não, mas vou almoçar um fardo deles.
Começo a rir.
– Não tantos, eu não a quero acordada de novo, a noite inteira, teimando que tem gente em casa.
Ela fecha a cara.
– Di, te adoro, e sou grata pelo teto, mas aquela casa é assustadora! Eu me senti em pânico ontem à noite, era como se eu estivesse sendo observada. — Ela gesticula com as mãos enquanto fala. — Eu até olhei para trás enquanto estava sentada no vaso! No vaso, Diana! No vaso!
– Que exagero!
Uma batida na porta nos faz sentar eretas e fingir estar estudando as anotações que cada uma tem.
– Entra. — Digo, sem tirar os olhos no papel.
– Olá, gêmeas! — A voz de Janine diz e relaxamos, voltando a ficar largadas na cadeira. Terry mais que eu. Ela parece prestes a inventar uma forma de deitar na cadeira.
– Olá, Jani. — Digo. Terry apenas acena e boceja.
– Preciso que você assine isso para mim... — Ela me entrega alguns papeis. — São suas férias! — Ela diz sorrindo.
– Eu não decidi quando tirar ainda. — Digo e ela me olha surpresa.
– Oh, você tem que falar com Dony então, ele mesmo me entregou isso. Talvez ele tenha se enganado com as datas.
O papel tinha dia 1 de dezembro como data inicial e dia 10 de janeiro para o retorno. Dony não contou com o período de afastamento e férias coletiva de uma semana. E isso não foi um equivoco, é uma ordem. Então, apenas suspiro e assino.
– Está tudo certo. Obrigada Janine.
Férias... O que eu farei com tanto tempo livre?
– Me deixa ver isso. — Terry pede, mas não se mexe. Jani pega as folhas e desliza pela mesa, até ela.
– Hum... Muito bem! — Ela devolve as folhas para Janine que se despede e sai da sala.
Dezembro é o mês mais apertado no escritório. É quando os clientes aparecem saídos sabe-se lá de onde, querendo reformas que durem menos de uma semana, para receberem seus familiares no fim de ano. E é quando as empresas que fazem móveis planejados estão mais atoladas de coisas e precisamos caçar alguma que esteja disposta a fazer milagres.
Dezembro não é mês de funcionário tirar férias, Terry deve estar pensando que há algo errado comigo. Poxa, até eu estou pensando que há! Ele está me afastando porque minha qualidade baixou consideravelmente e assim que voltar das férias, ele vai me demitir. Aposto que só quer que eu esteja fora nesse período, para poder testar pessoas e assim, escolher alguém para ficar em meu lugar.
Só pode ser isso, estava tudo bem, então, algo ruim tem que acontecer agora.
A minha vida tem essas oscilações às vezes, ela vai de um extremo a outro em questão de horas.
– Vou pegar minha bolsa para almoçarmos. — Aviso Terry, que está pensativa. Ou dormindo de olhos abertos.
Ela concorda.
Saio da sala de reuniões, ainda sentindo meu estômago revirado e agora, muita ansiedade. Sem contar a minha pele que arde sob o tecido das roupas. Não estou com os adesivos que Theo me deu, de novo. Então, tento me concentrar em não cutucar minha mão. Não preciso de mais motivos para me chamarem de maluca.
Já em minha sala, guardo minhas anotações e pego meu celular. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação.
Já é quase meio-dia, então ligo para Theo de novo e mais uma vez, apenas chama. Desisto. Quando ele ver as ligações, ele deve retornar. Afinal, foi ele quem ligou primeiro. Quem deve ter um assunto para me falar é ele.
Me sento por um momento e ligo para Tyler agora. Ele não atende. Será que ainda está na casa do Theo? Ou com Theo em outro lugar? Ou com Theo em sua casa? Ou ele está bravo? Bem, a última alternativa parece a mais certa. Ty é um pouco dramático a cerca das minhas... Vou continuar chamando de crise por falta de nome melhor, mas não é crise. Não tenho mais isso.
Ligo de novo para Tyler, dessa vez ele atende, escuto barulhos do outro lado, mas nem tenho a chance de dizer algo. Ele desliga.
É, ele está bravo!
Me sinto mal quando estamos brigados. É como se algo estivesse faltando. Tipo um braço ou uma perna.
Digito-lhe uma mensagem.
“Terei férias no mês que vem. Ordens do Dony...” Envio.
Fico aguardando ansiosa por um sinal de vida e de que a raiva está perto de passar. Ele não diz nada.
Isso me chateia. Eu não preciso de médico, as pessoas não podem ficar me cutucando e achar que nunca haverá uma ruptura. Isso é normal, oras! Não é caso de médico.
Tyler está errado e se ele não consegue entender isso, então que fique em seu cantinho, bem longe de mim. Posso viver sem um braço, ou sem uma perna.
***
Quinta-feira
– Oh, meu deus, ele nunca mais vai falar comigo! Eu quero morrer! — Me lanço na cama.
Terry continua na porta, parada, de braços cruzados. Ela me olha como se eu fosse algo bizarro que merecesse todos os olhares possíveis.
Ela não entende. Ninguém entende.
Tyler nunca ficou mais que doze horas sem falar comigo. Nem quando estávamos putos da vida um com o outro. Sempre houve aquelas mensagens curtas, ofendendo a mãe um do outro. Ou pelo menos da parte dele, eu nunca consegui ser tão grosseira. Mas o fato é, o que eu vou fazer se ele nunca mais falar comigo?
Eu serei uma mulher de 25 anos órfã! Ele é o único que realmente liga para mim.
– Ele pode ter batido o carro, estar morto e...
As palavras da Terry espremem um grito agudo de mim.
– Como pode dizer isso? — Me sento na beira da cama. Meu vestido azul está todo amassado e meu coque se soltou. Levantei mais cedo hoje para esperar pelo colchão que comprei ontem, depois do trabalho.
– Liga para ele de uma vez! — Ela insiste. Terry tem repetido isso desde ontem. Ela não entende. Se eu ligar e ele estiver vivo e bem, ele vai entender isso como uma rendição. E eu não estou me rendendo.
– Eu não aguento isso! — Ela diz exageradamente.
Terry parece melhor. Pelo menos em vista de ontem. Hoje ela se animou em usar um vestido verde e passar sombra no olho, além de passar um batom vermelho vivo, que combina com seu cabelo. E seu vestido com os olhos. Tudo nessa mulher, malditamente combina. E eu estou aqui, ranhenta, com olhos inchados, e olheiras. Sem contar que ainda estou ardida pelos arranhões. E agora toda amassada e despenteada. Nem em seu pior momento de pós-Garry, ela ficou tão bagunçada quanto eu.
Será que se Ty não falar mais comigo, eu me tornarei uma mulher feia. Ou mais feia, depende do ponto de vista. Desarrumada e digna de dar pena?
Nem mesmo Theo me ligou. Ou mandou mensagem. Eu fiz algo errado? Será que Tyler fez a cabeça dele? Isso é algo que aquele víbora faria!
Não sei o porquê fico chorando por aquele pedaço de... Nada, ambulante.
Me levanto. Chega de chorar. Tyler é um tolo por não falar mais comigo. Ele vai se arrepender disso e quando vier correndo, eu irei lhe virar a cara. Igualzinho ele está fazendo agora.
– Você precisa, pelo menos, se arrumar! — Terry diz e sai do quarto.
Vou até a penteadeira e confirmo o que ela disse.
Ter Terry em casa está sendo melhor do que eu imaginei. Ela não se mete onde não é chamada. Ou talvez se meta, mas eu não ligo. Ela mantém sua bagunça exclusivamente em seu quarto. Come o que lhe ofereço, se não, ela se vira. Vai ao mercado, compra sua comida. Até para mim ela comprou ontem.
Tá certo que se não comprasse, eu morreria de fome. Eu cheguei a uma situação de esgotamento puro. Praticamente me arrastei até o quarto. Depois do banho, me lancei na cama e adormeci. E se não fosse ela me acordar, com um copo de suco e uma fatia de pizza, eu não teria comido nada.
Acho que estou gostando de ser mimada. Tyler é um amor e faz isso algumas vezes, quando não está me irritando. Ou fazia... Mas Terry, é natural. Talvez seja coisa de mulher, não sei, mas ela me parece muito com uma mãe. Ou quem sabe é apenas ela tentando não pensar em Garry, então ela concentra seu esforço em não me irritar e cuidar de mim. Eu gosto muito disso. E o melhor de tudo, ela usa roupas e sapatos menores que eu, então, nada de ficar pegando coisas emprestadas.
E ela trouxe suas próprias toalhas e cremes!
Respiro fundo, e vou para o guarda-roupa. Já é quase nove e meia, por causa da entrega, não pude correr. Meu corpo começa a mostrar sinais da falta que essa pequena corrida matinal faz.
Tiro o vestido e o levo para o cesto do banheiro. Embora não o tenha usado fora de casa, ele já esteve no meu corpo, e eu estive lá fora antes de colocá-lo. O que faz dele... Sujo!
Volto para frente do meu guarda-roupa e pego um jeans azul. O cara do jornal da manhã, disse que o tempo vai virar de noite. Então, quero estar preparada. Claro que, nunca usei jeans no trabalho, mas me parece uma opção tão confortável no momento. E não estou podendo ficar com as pernas de fora. Eu teria de colocar meia calça, caso tivesse optado mesmo pelo vestido anterior, para esconder alguns arranhões.
Escolho uma camisa branca, com flores azuis e uma sapatilha azul. Não é lá a melhor escolha do dia, mas quer saber, hoje eu só quero estar confortável. Ter o meu dia de fossa à vontade.
Pego um prendedor de cabelo e tento reorganizar o coque. Uma mecha escapa e a coloco atrás da orelha. Aplico um pouco de base, para esconder as olheiras fundas. Não fica lá muito melhor, mas pelo menos deixei de parecer uma zumbi.
Zumbi... Droga de palavras chaves que me lembram pessoas que não quero lembrar.
– Di — Terry aponta a cabeça para dentro do quarto. — Vamos no seu carro hoje ou no meu?
– No meu, preciso fazer ele rodar um pouco. — Posso não entender de carros, motores e coisas do gênero, mas uma coisa eu prestei atenção quando Ty disse. Que se o carro ficar parado por muito tempo, ele pode ficar sem bateria, ou apresentar alguns outros probleminhas ocasionados pelo tempo. E esses dias só temos usado o de Terry.
– E podemos parar na lavanderia para deixar meu casaco? — Ela sorri.
– Você sabe que tem máquina de lavar aqui... Certo?
Ela revira os olhos.
– É um casaco caríssimo, Di, e com nosso salário, vou demorar alguns anos para poder comprar outro assim. Você acha que eu vou mesmo arriscar manchar? Porque a menos que você decida lavar por mim, eu não me arriscarei. Mancho grande parte das roupas que tento lavar.
Faço sinal para ela se calar.
– Já entendi! Já me convenceu. Podemos passar, mas correndo.
– Ok, obrigada!
Ela sai da porta.
– Mas deixa no porta malas, que tá sujo! — Grito.
– Ok! — Escuto de volta, ao longe.
Coloco meu relógio e o cordão que meu pai me deu. Ele é uma corrente de prata, bem fina e delicada, com uma concha aberta na ponta, dentro dela uma pequena pérola branca e uma dourada. É a segunda vez que uso essa semana. Ele me deixa mais feminina.
Coloco brincos de pérola e pronto. Hora de dar o fora e tentar, pelo menos um dia nessa semana, chegar na hora.
Quando desço, encontro Terry na porta, com um saco grande.
– Olha o que encontrei no porta malas.
Me aproximo dela, estudando o volume.
– Sua fantasia virando realidade... — Ela lê no saco plástico.
– Eu acho que é a minha fantasia. — Com aquela... Crise, que não foi crise, me esqueci completamente disso. — Sábado vai ter uma festa de um amigo do Tyler. É a fantasia.
– Isso parece bacana! É do que você vai vestida?
– Não sei, Tyler que escolheu. Não vi ainda. E, não sei se vou. Tyler ficou com meu convite e não tenho certeza sobre o endereço.
Theo disse que seria em sua casa, mas a palavra "casa" me deixou em dúvida. Ele disse isso porque ele mora no apartamento e isso o configura como casa, ou seria outro lugar. Uma casa de fato. Ele é um homem rico, deve ter mais imóveis.
– Bem, seja o que for, aposto que é indecente. Ainda mais com essa propaganda “Sua fantasia virando realidade”.
– Provavelmente! — Concordo. Pego a fantasia de sua mão e levo para a sala, depositando no sofá e pegando minha bolsa.
Quando eu chegar, terei tempo de ver o que Ty aprontou dessa vez. E decidir se irei ou não. Me recuso a ligar para ele ou Theo para pedir o endereço.
E estou tão furiosa com os dois, por me ignorarem. Mesmo que liguem, não atenderei. Chega de ser escrava desses caras. Já deu!
***
O meu celular toca pouco antes do almoço. No visor aparece o nome de Tyler. Atendo prontamente, antes que chame uma segunda vez.
– Alô?
– Escuta Ele diz sério, ainda está bravo. Mas pelo menos está vivo... — Jane fará uma recepção para Theo em casa hoje. Pelo aniversário dele.
– Pensei que era sábado... — O corto.
– Sábado é a festa, o aniversário é hoje. — Ele diz com desdém, como se fosse algo óbvio. — Ela gostaria que você viesse.
– Oh... Ela?
Idiota! Maldito!
– Sim, ela. E fala para Terry que está convidada, eu gostaria que ela viesse. — O maldito faz questão de deixar claro que não me quer lá.
– Verei em nossa agenda. — Digo, tentando imitar seu mesmo tom. — Passe bem! — Desligo.
Miserável! Que ódio dele, não vou em recepção nenhuma!
Ele nem perguntou se eu estou bem. E se eu tivesse tido uma crise? Uma de verdade, como as de antigamente, e tivesse tentado algo contra minha vida? Ele não pode só me ignorar! Eu o odeio!
Não vou mesmo a essa coisa deles, nem que me paguem!
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