À flor da pele
19 Minha criança interior
Notas iniciais

Diana
Não tomo banho depois do trabalho. Não me troco. Não arrumo o cabelo. Já que pisarei na casa daquele estúpido, eu irei suja, contaminarei o seu chão, seus móveis e tudo mais. Meus germes dominarão aquela casa e irão devorá-lo vivo! Ele nem saberá o que o atingiu!
Para evitar que minha sujeira escape de mim, nem desço do carro. Fico esperando enquanto Terry vai se trocar. Ela decidiu que gostaria de ir a tal “recepção” do Tyler, acha que será bom se distrair e não pensar em Garry por uma noite. Só vou acompanhá-la porque eu sou uma boa amiga e acho que estou começando a amá-la. Como amiga, claro.
Ligo o rádio e começo a ouvir as notícias, enquanto espero Terry. Na verdade ouço um jornal inteiro e uma parte de uma radionovela. Só então Terry aparece, vestida para matar. Me fazendo me sentir como uma mendiga.
Ela usa um vestido preto, colado, decotado, um casaco longo vermelho, e saltos pretos. E ela tem um santo par de pernas, que ficaram ainda mais evidenciados pelo vestido curto e o sapato.
O cabelo dela até brilha. O batom vermelho e os olhos são outra distração à parte.
– Como estou? — Ela diz ao entrar no carro e colocar o sinto.
– É... Talvez vez bonita demais... — Digo, tentando segurar o veneno em minha boca. Aposto que Theodor não conseguirá tirar os olhos dela essa noite. — Essas coisas na casa do Tyler nunca são tão chiques, você sabe. Espero que não se sinta deslocada...
– Sim. — Ela concorda. — Mas eu precisava me sentir bonita. O golpe que Garry me deu quebrou minha autoestima em milhares de pedaços.
Me sinto culpada pelo comentário.
– Você está fantástica. — Digo a ela. — Você é fantástica!
Ela me oferece um sorriso e então, finalmente, saímos. Dirijo por vinte minutos, até um prédio antigo, no centro da cidade.
Tyler não poderia viver apenas em uma casa ou apartamento. Seria muito comum, então, ele mora em um loft. O tipo de lugar que representa bagunça para mim. Mas, ele disse que tinha mais cara de macho, e por isso seria lá mesmo que ele iria morar. Como se ele realmente fosse um! Por favor!
Ele jura de pés juntos que sempre é o ativo na hora H, mas eu tenho lá minhas dúvidas...
Demoro um pouco a achar vaga, parece que as pessoas decidiram parar seus carros só nessa rua hoje. Depois de estacionar, na rua de baixo, saio do carro. Não comprei presente. Ele ao menos poderiam ter avisado ontem, assim eu teria tido tempo. Mas quer saber, nem sou bem-vinda mesmo, só estou aqui para sujar a casa.
Me censuro quando uso a minha própria chave para entrar no prédio. Quando o elevador chega no andar de Tyler, decido fingir que não tenho as chaves e que a porta de baixo estava aberta. Mas, não há necessidade. Assim que o elevador se abre, o barulho começa. A porta do loft de Tyler está aberta e a música alta toma conta. Eu não sei o que está tocando, mas parece ser algo pop, dessas músicas no topo das paradas, que os adolescentes escutam no meio da rua nos altos-falantes. O tipo de música que eu não gosto, e pelo que vi de Theo até agora, acho que nem ele.
Assim que entramos, encontramos umas 15 pessoas ocupando o lugar. Elas mal nos percebem entrar. Quer dizer, mal me percebem. Porque vários pares de olhos, incluindo de mulheres, olham para Terry.
O loft é a cara do Tyler. Uma bagunça. O lugar parece um galpão de tão grande e cheio de vigas. Em um canto tem uma sala, no outro a cozinha, o quarto em um terceiro então o bar. No centro disso tudo uma mesa grande de jantar. O banheiro é o único lugar que tem, realmente, porta e quatro paredes. E é lá que está a sua marca, as paredes brancas com esferas entalhadas. Aqui, no cômodo principal, as paredes são de tijolinhos vermelhos e os móveis todos de tonalidades escuras e foscas. E então tem o maldito tapete de sexo, que é bege, ele fica entre um par de sofás de couro marrom.
– Acho que acertei na escolha! — Terry diz animada, ao olhar para as mulheres de vestido e os homens, a maioria, de terno e gravata. — Quem é o aniversariante?
Olho em volta, a maioria dos rostos nunca vi. E Tyler e Jane não parecem estar próximos.
Penduro a bolsa no ombro e seguro a mão dela. Nos levo através dos móveis e pessoas, para perto da cama. Lá eu encontro Jane e Theo. Eles estão sentados, lado a lado, conversando com uma moça loira. Acho que a conheço de algum lugar.
A moça está sentada em uma cadeira, de frente para eles, de lado para mim e Terry.
– Oi! — Jane se levanta. Ela está bonita. Os olhos não tem aquela maquiagem pesada, algo bem suave apenas. Ela até parece uma pessoa normal. E a roupa... Ela está de vestido. Dá pra acreditar? Um vestido branco, solto depois da cintura, o tipo de coisa que eu usaria, e descalça. Parece alguém completamente diferente. E o Theo... Ele está perfeito. E ao mesmo tempo estranho. Sério demais, talvez. Ele usa jeans, o que o deixa lindo, e uma camisa preta, que tem as mangas dobradas até os cotovelos.
Parece que a cor de sua camisa foi sugada para sua aura. Tem algo muito errado com ele essa noite.
– Olá. — Digo, quando Jane me abraça forte, me pegando, mais uma vez, de surpresa. Quem é essa, oras? — Terry, essa é Jane, a namorada do Tyler. Jane, Terry, minha amiga. — As apresento.
– Sejam bem-vindas! — Ela diz quase gritando, para ser ouvida, por causa da música. — Essa é a Amy. — Ela aponta para a moça sentada, que fica em pé e nos estende a mão.
Eu sei quem ela é. A motorista do Theo. Mas totalmente informal nesse momento. Ela tem um longo cabelo dourado, que me enche de inveja. Queria eu ter um cabelo tão comprido desses. Queria saber como ela consegue esconder tudo naquela boina.
A moça tem lábios fartos, outro motivo de inveja pura, e olhos azuis. Meu senhor! Não basta ter cabelo comprido? Tem que ter tantas coisas invejáveis? E o vestido? Ela usa um lindo, decotado e nada vulgar, vestido vermelho, estilo vintage, que eu amei e quero muito tirar do seu corpo, lavar, e pegar para mim.
– Prazer em conhecê-la. Sou Diana. — Me apresento, sentindo minha autoestima procurar um lugar para se esconder. Ela me oferece um sorriso, um daqueles que Tyler diria “Ela quer teu fígado!”.
– Eu sei quem você é. — Ela diz, mas isso é baixo, acho que nem era para eu ouvir.
Então ela sai do caminho e Theo está em pé à nossa frente.
– Feliz aniversário. — Digo e ele sorri.
– Obrigada, Diana.
Diana? Sem apelido fofo?
Admito que isso magoou...
Definitivamente, Tyler fez sua cabeça, ele nem me olha direito. Quando beija minha bochecha, é um beijo quase falso. Ele mal toca minha pele, mal há conexão, parecemos dois estranhos. Então, ele se volta para Terry, abrindo um sorriso lindo, que ele, definitivamente, não deveria mostrar a outras pessoas.
– Ai está você! — A voz de Tyler surge, mais alta que a música e me viro. Ele se aproxima de braços abertos e agarra Terry em um abraço apertado. — Eis a mulher que eu esperei o dia todo para ver.
O maldito nem me olha. Não acredito que vim. Isso machuca mais que encontrar ele em uma suruba e ter que me livrar do sofá que eu sempre amei. Até hoje esse sempre foi minha maior mágoa com Tyler. Até hoje...
– Theo – Ele entra em minha frente, me excluindo do grupo. — Era sobre essa moça linda que eu falava mais cedo.
E Theo só sorrisos de repente.
Acho que estou em uma realidade alternativa da minha vida. E me sentindo deslocada por estar vestida tão mal.
Dou meia volta e me afasto. Eu conheço bem Tyler, ele vai fazer tudo, absolutamente tudo, para que eu perca a paciência e estoure com ele em público. Mas ele não vai conseguir, eu o conheço bem, conheço todos os seus truques e manias. Ele é um criança e espera que as outras pessoas se portem do mesmo jeito. Mas, isso não vai acontecer.
Vou até o outro extremo da sala, onde está o bar. Não há mais taças a vista, então passo para trás do balcão, abro o compartimento que Tyler esconde as boas. As taças caras...
Há champanhe, vinho e outras bebidas mais pesadas. Prefiro ficar no champanhe.
Olho a minha volta, não conheço essas pessoas, e acho que não há ninguém de jeans aqui, a não ser eu. Me sinto completamente fora de nexo nesse lugar. É como na escola, quando as meninas populares usavam aqueles macacões bonitos e estilizados, levavam suas bonecas Barbie para brincar e eu ficava de lado, sozinha, com meu vestido de velha em miniatura e minha boneca Susi, que não importava quão pequena e delineada fosse, sempre era maior e grotesca ao lado da Barbie. E não era por pobreza que eu era diferente. Minha mãe achava bonito ser diferente. Ela dizia que isso era bom, que era estiloso.
No entanto, Julie tinha uma Barbie...
Caminho até a janela, onde me encosto e fico olhando a cidade. A vista daqui é mais bonita. É o centro, tem mais luzes. Onde moro tem aquele parque e muitas árvores. Não brilha tanto quanto aqui.
– Diana? — A voz não é nenhuma que eu conheça. Ou lembre de conhecer...
Me viro e encontro um rapaz loiro. Cabelos cheios de cachos fechadinhos e pequenos, os olhos são castanhos e me lembram alguém...
– Não lembra de mim? — Ele fica de frente para mim. Usa um terno de cor creme. Não é musculoso, mas também não é magricelo, ou gorducho. Só... Normal.
– Desculpe... Não estou lembrando. Nos conhecemos de onde?
Não quero ser grosseira, mas não estou no clima de ser simpática também.
– Nós saímos juntos.
Arregalo os olhos. Minha memória não é das melhores, mas não achei que estivesse tão falha assim.
– Derek, lembra?
Oh... “O” Derek. Não é engraçado? Justamente essa semana que me lembrei desse idiota ele aparece. Aliás, é muita coincidência...
– Tyler o convidou? — Perguntou.
– Sim, fazia um tempo que não nos falávamos. — Tyler maldito!– Desde que houve aquele... — Ele desvia o olhar por um momento. — Engano...
Engano?
– Está falando sobre você enfiar a mão por baixo da minha saia e tentar me tocar?
– É. — Ele cora. — Não foi minha intenção. Mas, bem... deixemos o passado no passado. Você está incrível! Acho que nunca te vi usando calças antes. Eu jurava que tinha a ver com sua religião, por acaso desconverteu?
Hein? Ai meu senhor! Eu mereço isso?
– Não, Derek. Eu só gosto de vestidos, nada a ver com religião. — Eu poderia matar Tyler nesse momento. Agarrar seu lindo pescocinho e torcer, até ouvir os ossos estalarem ao quebrar.
– Bem, você ficou linda de jeans. Na verdade, é linda de qualquer forma. Sabe – Ele passa a mão nos cabelos, os tirando da testa por um momento e me deixando ver a raiz escura. Por isso não o reconheci... — Eu pensei muito em você nessa semana. Até parece que esse encontro é obra do destino.
Destino, ele diz. Bem ele está certo, é obra do destino. Mas esse maldito destino tem nome e sobrenome. Tyler Becker.
– Eu não sei o que dizer, Erik.
– Derek. — Ele me corrige, com as bochechas coradas.
– Foi o que eu disse. Bem, eu estou sem palavras. — E de fato estou. Tudo que eu consigo pensar é em coisas que não são destinadas a ele, mas sim ao anfitrião filho de uma... De uma... De uma pata sem bico!
Tyler é desprezível, ele está jogando com armas pesadas demais.
– Bem, podemos sair daqui... — Ele toca minha mão, acariciando meus dedos. Dou um passo para trás e levo a mão para minha cintura.
– Não, obrigada. Quem sabe em outra encarnação! — Droga, isso totalmente escapou! Eu queria ter sido mais gentil ao negar suas investidas inapropriadas. É o mínimo que a minha educação exige.
Me viro e começo a andar em direção ao sofá. Me sento numa poltrona, o único lugar disponível. Me sinto melhor ao saber que meus germes estão se espalhando por todo o lugar. A sujeira de um dia todo de trabalho se espalhando pelo lugar. Espero que alcance Derek também, e que alguma bactéria bem ruim vá parar em seu cérebro, já danificado. Homem nojento!
Como é possível se enganar tanto com as pessoas? Flores, doces, poesias e então a mão boba.
– Diana? — Outra voz masculina. Suspiro. Levanto a cabeça, a taça na mão, a bolsa agora no colo. Esse eu conheço bem. Peter Navale. Esse foi o meu último namorado. E Derek não conta, nunca tivemos nada além de um jantar mal sucedido.
– Oi... — Uau! Quem dera Peter fosse assim quando namorávamos!
O homem a minha frente parece aqueles modelos de equipamentos de aeróbica. Ele usa uma camisa polo, branca, que deixa seus braços à mostra, e eles são músculos e bem grandes. O rosto, que um dia foi magro e sem muito charme, hoje está mais cheio, mas de uma forma boa. Ele está, tipo, uau!
– Você está incrível! — Digo a ele. Acho que inspirada pela beleza, me levanto, sem vergonha, e o abraço. Ele me aperta, e quando nos separamos, beija minha bochecha com um estalo.
– Eu que o diga. Você evoluiu para a mulher maravilha mesmo, hein! — Ele brinca. Ou não...
Dois caras saem do sofá perto de nós e ele logo me puxa para lá. Sentamos de lado, um de frente pro outro e antes de encará-lo, não posso evitar olhar para perto da cama, onde deixei Terry e meu ex amigo.
Theo está em pé, Terry de frente para ele e de costas para mim. Ele está me olhando, então desvio. Dou minha atenção total para Peter.
– Como isso aconteceu? Você se tornou dono de uma academia ou algo assim?
Ele nega, com um sorriso branco e brilhoso.
– Precisava de algo para ocupar minha mente e acabei me entregando aos esportes.
– Esportes?
– Boxe. É preciso estar em forma para aguentar tanta porrada.
Fico de boca aberta.
– Não acredito! Mas você não tem nenhum machucado. Deve ser um dos bons!
Termino o conteúdo da minha taça.
– Não é assim, veja... — Ele pega a minha mão e a leva para as costelas, por cima da camisa. Fico envergonhada, até que sinto algo diferente, um buraco, ao que parece. — Ainda estou me curando da última luta.
– Uau, estou impressionada! — E assustada, isso é brutal! Mas isso não digo a ele.
– Quem dera tivesse ficado há um ano atrás... — Sua voz tem um certo lamento. Peter era legal, só parecido demais com Tyler, o que não parece mais agora, isso a julgar por dois minutos a seu lado.
Nós ficamos um bom tempo juntos, mas, ele queria avançar para bases que eu ainda não estava pronta.
– Você deve fazer muito sucesso com as garotas.
– Só com as que têm interesse em uma noite. Quem quer namorar um cara que pode estar com a cara toda estourada após um dia de trabalho? Elas ficam malucas.
– Posso imaginar. — Eu certamente é que não iria querer. Prefiro coisas seguras, isso não lembra segurança em nada.
– Aqui está você! — Uma mão aparece entre nós e pega a minha, me puxando com força. Tyler.
– Com licença. — Digo a Peter, que olha surpreso meu amigo mal-educado.
Acabo deixando minha bolsa no sofá. Espero que ninguém decida pegar uma grana para o táxi nela...
Tyler me puxa em direção ao grupo de antes.
– Por que fica dando bola para ele? Está planejando um remember? — Ele diz, venenoso.
– Quem sabe? Devo agradecê-lo por trazer meu ex-namorado e aquele babaca do seu amigo. Isso não vai fica assim, Tyler!
Ficamos quietos quando nos unimos ao grupo de antes. Theo e Terry sentados perto um do outro agora. Ele me olha por um momento e então desvia. Volta a prestar atenção em minha amiga.
Eu não me sinto incomodada com a bagunça ao meu redor hoje. Talvez seja a raiva. Eu me sinto no lugar certo. Me sinto como uma flor exalando seu perfume, mas no lugar de perfume, é a sujeira que deixei juntar sobre mim o dia todo. E isso parece tão malditamente certo.
Tyler me trouxe para esse grupinho, mas assim que possível, ele me dá as costas de novo. Ele é um bobo, perde a linha e age como criança quando está bravo. Bem, talvez todos nós sejamos assim, só não percebemos. É mais fácil ver o cisco nos olhos dos outros que no seu próprio.
Olho em volta, precisando beber um pouco. Só mais uma tacinha, mas então meu pulso é capturado de novo.
– Diana teve um encontro sábado passado. — Congelo com as palavras de Tyler. — Ela odiou, tadinha. Disse que o cara foi um babaca.
Meus olhos encontram o de Theo no mesmo instante.
– É mesmo? — Ele pergunta, com um sorriso nada verdadeiro no rosto.
– Não. — Eu digo. — Eu tive um bom momento, na verdade.
– É mentira! — Ty me interrompe. — A tadinha chegou tão chateada, nem lembrava que eu estava em sua casa. Sabe Di – Tyler Becker acabou de declarar guerra! — Talvez Theo deva te apresentar a algum amigo.
E é isso, eu quero o divórcio dessa amizade. Não há santo na Terra que me faça perdoar esse babaca depois dessa.
– Ou talvez a você, já que adora fazer o papel de cadela. — Digo a ele e seus olhos brilham por um momento.
O idiota do Derek se aproxima, se encosta em uma parede e fica ali, como se fizesse parte do grupo.
– A Terry foi trocada, Theo. Por uma gorda horrorosa, dá pra acreditar?
Terry quase engasga com sua bebida. Por que diabos ele vai atacar ela agora?
– Tyler, isso foi horrível! — Jane chama a atenção dele.
– Ela ser gorda e feia não tem nada a ver. — Digo e meu ex-melhor amigo me oferece uma careta.
– Como não? Você estava bem interessada no seu ex, ali atrás. Aposto que os músculos que ele antes não tinha, tiveram muito a ver com seu estado embasbacado.
Desvio o olhar para Theo, ele nem me olha mais.
– Fato, ele está muito bem. Mas, Tyler... — Solto meu pulso do aperto dele e o encaro — Se basear em aparência para estar com alguém é algo exclusivo a você.
– E ao Theo! — Ele debocha. — Ele adora mulheres bonitas. Terry pra cima. Carne tipo A!
– Então, o que faz, Terry? — A tal da Amy diz, tentando mudar de assunto.
– Até ela — Ele aponta para a loira. — Ele já pegou! Tipo A, Diana. Consegue ver a diferença?
– Está dizendo isso para mim ou para si mesmo? — Ele leva à mão a cintura e se aproxima mais de mim. Não recuo nem um passo sequer.
– Mas o que há de errado com vocês dois, hoje? — Theo empurra Tyler para trás e se coloca entre nós.
– Parece que alguém decidiu ser um babaca hoje! — Aponto para Tyler.
– Melhor por um dia, que a vida inteira. Sua egoísta dos infernos! — Ele me lança de volta. — Sua maluca, doente!
E é isso. A palavrinha mágica. Doente. Ela tem funcionado como um gatilho nos últimos dias.
– Tyler! — É Jane, ou Theo, ou Terry, ou talvez nenhum deles. Ou todos. Não sei, não consigo identificar. Só sei que preciso de ar. O lugar todo parece girar.
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