À flor da pele
51 Concorrentes!
Notas iniciais
Diana
Tomo um banho e me deito, usando uma camiseta do Theo. Que peguei na mala dele. Depois de xeretar... E olhar cada item... Eu sei, isso não se faz!
Pensei em trocar, acho que estou sendo muito... Invasiva. Mas tenho medo de acabar não demonstrando o interesse esperado também.
Me assusta a intensidade que as coisas entre nós acontecem.
Hoje mais cedo, quando Abby disse que queria que eu a levasse ao banheiro, me senti um pouco aliviada por sair de perto do Theo.
Olhar para ele, ver todo aquele fogo em seus olhos, e em seus dedos indiscretos, parecia demais. Fiquei sufocada.
Ele é intenso demais.
Acho que não existe uma palavra melhor para descrever Theodor. Intenso.
E ainda tem essa sensação estranha em meu peito. Eu devo estar doente. Minha doença se chama Theodor Blake! Ele consome meus pensamentos, faz-me desejar o que eu normalmente deixaria passar e enche-me de medo. Desperta o melhor e o pior.
Acho que nunca senti tanto ciúmes em minha vida.
Theo não voltou como prometeu. Saiu com a Amy e não voltou mais. Será que ela resolveu o grande problema que ele tinha entre as pernas?
Eu quero aceitar que ele foi apenas ajudá-la, mas minha mente fica criando imagens deles juntos, nus, tomando champanhe e rindo da bobona aqui!
Theodor seria capaz disso? A verdade é que não faço a menor ideia do que ele é capaz, não o conheço. Não como ela.
Me odeio por ser tão insegura. E odeio ele por não voltar. E ela por tirá-lo de mim. E Patrick por dar um motivo.
Eu mal conheço Theo, mal comecei algo com ele, e já sinto que me tornei uma pessoa diferente por sua causa. E não sei se isso é bom ou não. Talvez eu só esteja fazendo drama demais. Talvez eu tenha pego um pouco da sua intensidade...
Me deito no sofá e fico olhando para o piso de vidro. Hoje mais cedo, descobri que dá para acender algumas luzes lá embaixo e foi isso que fiz antes de me deitar. Fico olhando para a água cristalina e os peixes que passam por ali, tranquilos e serenos. Queria eu ser tranquila e serena. Acho que nunca na vida alcancei esse estado. Mas cheguei perto nesse dia que passei aqui. O lugar é maravilhoso! Ou eu deveria dar crédito à companhia ao invés do lugar?
Me senti bem o bastante hoje para não me preocupar demais com aparência. Quando fui tomar o segundo banho do dia, antes de ir para o jantar, percebi a sola dos meus pés suja. Andei descalça o dia todo e nem percebi isso. Acho que me esqueci, momentaneamente, de quem sou. O que foi ótimo. Preciso fazer isso mais vezes...
Prendo meus olhos em algo se movendo no fundo do mar, andando entre a areia. Acho que é um caranguejo. O movimento é tão sútil é hipnotizante.
Tão hipnotizante que nem vejo o sono chegar.
***
Acordo assustada. Não sei com o quê exatamente. Então escuto o barulho na porta. Alguém está batendo.
Estou suada. Sinto-me quente demais sobre o colchão.
Espera, colchão?
Estou na cama, com um lençol sobre minhas pernas, nem me lembro de ter vindo me deitar. Será que o Theo voltou?
E a batida de novo.
Me levanto e nem procuro o chinelo, vou descalça até a porta, mas paro no caminho. Em cima da mesa de centro, tem uma bandeja tampada, uma flor e um papel dobrado.
– Eu já vou! — Digo, para quem quer que esteja batendo e pego o bilhete. A caligrafia elegante de Theodor me tira um sorriso.
“Bom-dia, linda!
Não esqueça de passar protetor antes de sair e espero que goste do café da manhã.
Estarei em reunião o dia todo, mal posso esperar pelo fim. Contanto as horas para te ver.
Aproveite o dia!
Atenciosamente,
Theo”
Que horas são? Quando será que ele veio? Isso significa que ele não passou a noite na companhia da Amy?
Dobro o bilhete e mantenho em minha mão, então vou até a porta.
E por falar no diabo...
Amy está parada na porta. Rabo de cavalo, óculos de sol, biquíni vermelho, mínimo, e Abby do lado.
– Oi, tia! — A menina me olha com simpatia.
– Oi, Abby! — Tento soar normal, fingir que não estou morrendo de vergonha da Amy, pelo que ela viu ontem, ao interromper Theo e eu.
– Bom-dia! Vamos às compras? — Amy sorri. Só não tenho certeza se é um sorriso genuíno ou está rindo por saber que eu fiquei aqui enquanto ela tinha Theo só para si.
Droga! Para de ser a paranoica!
O Theo já não me disse que eles não têm nada?
– Bom-dia... Eu acabei de acordar... — Digo, meio perdida por causa dos meus malditos pensamentos.
– Não tem problema, vou levar Abby para tomar café ainda. Podemos nos encontrar no restaurante, pode ser?
Diga não! Não há necessidade de passar por isso!
Mas minha curiosidade é tanta! E se eu puder matar minhas dúvidas com esse passeio?
– Sim, parece ótimo.
Ela sorri animada. — O que é muito estranho de ver. Amy não sorri para mim...
– Até lá então. — Ela se afasta com Abby.
Guardo o bilhete na gaveta do criado-mudo. Corro para o banheiro e tomo um banho frio. Que de frio não tem nada. Se não for assim, estarei em modo zumbi o dia todo.
Modo zumbi?
Meu deus! Já estou falando que nem o Theo!
Está tão calor que a água fria parece estar morna. Quando termino, me enrolo na toalha de ontem, que ficou pendurada aqui. Preciso descobrir onde há toalhas limpas!
Volto para o quarto e abro o armário, para pegar minha mala, encontro não apenas duas, mas três agora. Aparentemente Theodor desistiu de ter seu quarto separado. Isso provoca um sorriso em meu rosto.
Pego a minha mala e encontro atrás dela um vidro de protetor.
Theo sempre pensa em tudo!
Vasculho minhas roupas, a procura de algo leve. Percebo que tem um biquíni e um maiô entre as roupas. Seria muito vestir um deles? Estou na praia, certo? Talvez o maiô fique mais comportado, mas ele vai me deixar com uma marca tão feia e nada sexy!
Isso pode fazer o Theo perder o interesse de vez!
Opto pelo biquíni então. Que nem sei se me serve. O comprei dois anos antes, quando Tyler decidiu que deveríamos tirar dois dias na praia, antes que meu trabalho começasse. No fim, choveu os dois dias e não tive a chance de colocá-lo.
Pego o protetor e o biquíni e volto ao banheiro, ficando na frente do espelho. Passo pelo meu corpo o creme e então visto as peças.
A calcinha é maior que aqueles modelos padrões, parece mais com uma cueca feminina, é branca e tem listras douradas. A parte de cima é de prender atrás do pescoço e a cores se invertem. Ele é todo dourado e as listras finas são brancas. Se minha pele não fosse tão pálida, talvez ficasse melhor.
Passo base no meu rosto e no pescoço... O corte está melhor. Já tem casquinhas sobre o risco fino, consigo disfarçar um pouco com a maquiagem. Prendo o cabelo em um coque, mas deixo uma mexa de lado, com uma leve caída sobre o corte, que consegue esconder quase ele todo.
Me olho no espelho, dessa vez focando no geral e chego a conclusão de que preciso de um biquíni maior. E não sei se isso pelo meu lado conservador ou se de fato ganhei alguns quilos. Mas não me parece muito certo. No entanto, não tenho outro. Me recuso a ficar marcada com o maiô... Só o peito, braços e pernas bronzeados... Melhor não!
Volto a mexer em minha mala, olhando todos os itens uma vez mais. Por fim visto um vestido rosa, que além de não combinar com minha pele, cobre tudo.
Amy é péssima fazendo malas! Por mais que tenha tido... sei lá, 10 minutos?
Em 10 minutos, fazendo uma mala de emergência para 4 dias, eu teria pensando em pelo menos mais que três calcinhas, e certamente em uma bermuda que me servisse. Esse é o mal em deixar estranhos mexerem em seu guarda-roupa. Eles não sabem que as roupas de trás, do lado direito, são as roupas que voltarão a caber um dia, depois de perder um quilo ou dois talvez...
Pego minha bolsa no criado-mudo e vejo minha carteira, tudo aqui! O ladrão não teve tempo de mexer nas minhas coisas. Ao menos eu teria levado a carteira... Não que eu roube pessoas!
Calço a rasteira que Amy lembrou de pegar, e estou pronta para sair. Mas volto.
Me sento no sofá e me inclino para a mesa. Pego a flor branca e rosa que Theo me deixou e a cheiro, o sorriso agora está tatuado em meus lábios. A deixo ali e tiro a tampa da bandeja. Sugo o ar por um momento e o solto, junto com uma gargalhada. Estou feliz! E não é pelo copo de suco, ou pelo croissant, menos ainda pelas frutas.
O meu relógio, o último que comprei, se encontra no canto, junto com meu colar de concha, que meu pai me deu, e meus óculos de sol. Junto deles mais um bilhete. Esse já não é tão caprichado. Mostra que Theo provavelmente estava com pressa.
“Não esqueça dos seus acessórios, mulher maravilha!
Contando as horas...
Qualquer coisa que precisar, você deve ir até o bar e dizer o número da cabana. Não há telefone, então sem serviço de quarto. Me lembre de corrigir isso se fecharmos negócio!
Amy está na cabana ao lado e ela provavelmente não trancou a porta, pode entrar sem bater. Ou não... Talvez ela tenha uma arma... Brincadeira!
Não... Na verdade não é, bata antes de entrar!
E não esqueça o remédio para dor!
Beijo nessa boca gostosa.
Atenciosamente,
Theo”
Ok... Como ele sabe que a porta dela fica aberta e por que ela tem uma arma? Será que ela pretende me matar por ciúmes?
Tomo o suco de laranja, que está quente... Theo deve saído bem cedo. Olho meu relógio, com uma certa admiração por Theodor ser tão atencioso. Não acho que Amy tenha pego esses itens, caso contrário estariam na minha bolsa ou necessaire, e eu teria visto antes. Acho que ele dedicou um momento vasculhando minhas coisas e recolhendo as que geralmente uso. E ele é muito observador para saber disso.
Eu acho que o sentimento correto seja medo para esse momento. Mas o que sinto é uma certa excitação. Uma vontade de encontrá-lo e abraçá-lo. Agradecer por todo o cuidado e carinho.
Termino meu café da manhã e corro escovar os dentes, coloco o colar, o relógio e visto os óculos. Então pego a bolsa e vou para a porta, mas me lembro do remédio e volto. Depois de tomado, olho o relógio, são quase 11 da manhã, uma da tarde em São Francisco. Isso se as horas estiverem com a diferença. O que provavelmente está! Theo sempre pensa em tudo!
Assim que deixo o quarto, o Sol me pega de jeito. É tão forte e incômodo que tenho vontade de voltar, mas me obrigo a continuar.
Vou para o restaurante e nem preciso procurar muito. Do lado de fora, em uma mesa, protegidas do Sol por uma tenda, Amy e Abby estão sentadas. Ao lado delas, em pé, com cara de poucos amigos, uma mulher, alta e elegante, usando um adorável vestido branco, curto e colado ao seu corpo. Ela tem a pele negra e os olhos estão protegidos por grandes óculos de sol. Mas mesmo assim eu a reconheço da festa do Theo. É a irmã antipática do Tom.
– Não! — Amy diz irritada, quando me aproximo. Seja qual for o motivo da discussão, ela parece furiosa.
– Olá... — Digo, sem saber como me meter.
– Ai está você! — Amy se levanta no mesmo instante. — Vamos Abby.
A menina, que ainda come uma fruta, a solta e se levanta.
– Eu já te vi antes. — A irmã do Tom tira os óculos, mostrando os olhos castanhos claros, que ficam ótimos com o seu cabelo negro e liso.
Ela tem um olhar muito penetrante. Dá certo arrepio...
– Diana, essa é Theresa. Theresa, essa é a Diana, a namorada do Theo. Agora tchau.
Amy segura meu pulso com uma mão e da Abby com a outra, então nos arrasta, sem um pingo de educação, para longe, deixando a tal de Theresa de cara feia e, aparentemente, muito irritada.
Se Amy não gosta dela, talvez ela seja legal...
– Theo não tem namorada! — Escuto a mulher gritar, mas ela fica para trás, e nós continuamos andando.
***
Ando de barco pela terceira vez na vida. Amy parece ter ganhado vida quando nos afastamos do restaurante. Ela fala tanto que mal consigo acompanhar. Mas consegui entender quando ela pediu desculpa pela Theresa.
– Ela é instável.– Ela disse.
Me pergunto se eu por acaso não sou também...
– Tem a ilha principal, onde fica a maioria das casas, tem mercados e uma feira incrível. — Amy diz quando estamos perto de um porto. Ela sentou em um banco na lancha e prendeu Abby em seu colo. A menina está quieta, no entanto parece em paz nos braços da mulher. Estou sentada ao lado delas, aproveitando o vento em meu rosto. A sensação é agradável.
– O aeroporto fica na outra ilha, a que circula a principal. É uma vista fantástica a de lá. — Amy me diz animada.
Admito que esperava conversas como: “Theo é fantástico na cama” ou “Nós ficamos juntos até tarde”, até mesmo algo como “Ele tem dona, se afaste!”.
Ela deve estar guardando para a hora que nos despedirmos, vai tentar mostrar como é legal e fazer eu me sentir culpada...
Theodor afirmou que não tem nada com ela, mas a droga da minha insegurança não me permite acreditar cem por cento.
O senhor que dirige o lancha vai diminuindo, até que para quando estamos do lado de uma ponte. Ele sai segurando uma corda e a prende em uma madeira grossa, então nos estende a mão.
Amy aceita e sai, ajudo Abby, que ela pega. Depois saio eu. Aceitando a mão do idoso. E me sentindo um pouco suja por isso. Quando será que ele lavou pela última vez?
Mas só me sinto um pouquinho suja! O que me surpreende.
Esse novo lugar que estamos é diferente. A praia é fantástica, mas nada se compara à vida que esse lugar tem.
Tudo ganha uma nova cor. Pessoas andam cheias de sacolas, e as barracas, de toldos coloridos, abrigam todo tipo de pele e produtos e apenas dei cinco passos. O cheiro da comida me dá água na boca e eu acabei de tomar café da manhã.
– Abby, você fica no meio e sempre tem que estar segurado a mão de uma de nós. Estamos combinadas?
A menina, que tem os olhos tão grandes e cheios de expectativas, como os meus, concorda e então se coloca no nosso meio e segura minha mão. O sorriso adorável dela me encanta.
Ela parece ser tão quietinha. E não sei dizer se isso é algo bom. Eu costumava ser assim quando criança e veja o que saiu!
Amy me oferece um sorriso animado e se enfia no corredor cheio de gente. O chão é de pedra, com desenhos circulares. Sinto uma vontade de ter uma folha e um lápis a minha disposição. Estou inspirada, queria colocar isso para fora.
Nas três primeiras barracas que passamos, já saio com duas sacolas. A Amy bem que falou das bonecas. São aquelas de cabeça solta que se mexem. São uma gracinha! Há tantos modelos! Roupas praianas, outras de tema derivado de outros países e é fantástico! Mas nem todas as barracas aceitam dólar, o que me obriga a pagar no cartão depois de um cálculo rápido dos vendedores. Alguns não batem com o meu... Mas tudo bem, estou de férias, em um lugar lindo e sem pagar nada. Assim eu acho... Imagina se o Theo me dá a conta no fim do passeio? Acho que terei que trabalhar de escrava para pagar.
Estou tão animada que até esqueço que estou andando com minha possível concorrente.
– Olha àquele vestido! — Falamos juntas e Abby começa a rir.
Vamos até a barraca que tem algumas peças penduradas. Não há provadores, então temos que confiar que sabemos exatamente nosso tamanho.
Amy gosta do mesmo vestido azul que eu. Ela o retira do cabide antes que eu consiga alcançar. E é aí que começo a lembrar da concorrência, mas ela então o coloca na frente do meu corpo.
– Vai ficar lindo com esses melões!
Mordo o lábio, com um pouco de vergonha.
– Como se você não tivesse peitos grandes! — Ela sorri e dá de ombros.
– Nós vamos levar! — Diz ao vendedor, mas não sei pra quem exatamente é que vamos levar.
Vejo Abby distraída com um brinquedo que está na barraca ao lado. É uma espécie de ave, presa em fios que o vendedor segura.
Com a mão de Abby firme na minha, dou alguns passos em direção à outra barraca e ela me olha, ansiosa.
– Você gostou?
Ela concorda, com os olhinhos verdes brilhando,
– Qual cor?
– Amarelo?
Chego a conclusão de que é uma das cores favoritas dela. Os dois maiôs que a vi usando eram amarelos e pelas estampas infantis, ela é que deve ter escolhido.
Me aproximo do vendedor, perguntando o preço, eles aproveitam para salgar bastante nessas épocas.
Peço o amarelo.
Abby puxa minha mão.
– O papai me deu dinheiro. Tá com a tia Amy.
Sua voz é tão fofa e as bochechas coradinhas tão vontade de apertar. Acho que gosto dessa criança!
– Mas é um presente. — E para confirmar isso, me viro para o vendedor. — Embrulha para presente, por favor.
– Eu também quero um presente! — Amy está de volta do outro lado de Abby.
– Que tal aquilo, tia? — Abby aponta para um colar colorido, e bem feio, no alto da barraca.
– Achei muito bonito. — A loira puxa o colar, entrega para o vendedor e sorri para mim. — Obrigada, tia Diana.
E o sorrio rasga meu rosto. Por que estou tão feliz de andar com o inimigo?
***
Já está bem de tarde quando entramos na lancha para voltar. Nós andamos toda a feira. Paramos algumas vezes para descansar, quando Amy pedia. Ela sempre massageava seu joelho nessas horas e eu percebi uma pequena marca.
“Cicatriz de guerra” — Ela me disse, seguida da história de como ganhou.
Ela foi policial. Por exatamente um mês! Estava tomando café com seu treinador quando um garoto entrou e se assustou com eles. Ele atirou nela e correu. Quando pegaram o rapaz, descobriram cocaína e muito dinheiro. Ela nem teve tempo de reagir.
Então, hoje, depois de cinco anos, ela ainda sente um certo incômodo ao andar. Também me contou que conhece os caras por toda a vida. E que eu não devo me preocupar com isso, cada um deles é como um irmão para ela. E essa foi a única vez que falamos sobre eles no passeio. Claro que, minha língua coçou para perguntar sobre o comentário de Tyler, sobre ela e Theo transando, mas decidi deixar para lá. Não era apropriado para os ouvidos da Abby. Embora ela tenha ouvido uns bons “Porra, merda, cacete” e outras coisinhas... Não de mim, obviamente. Amy tem esse jeito... Único, de demostrar seu agrado pelas coisas.
E ela realmente não tem modos algum! Comeu com a mão a maior parte das vezes que paramos. Achei nojento, mas admito que foi legal, de certa forma.
Abby se batia para usar o garfo com seu lanche. A mesa era alta demais e então Amy usou as mãos e piscou para a garota. O que rendeu a minha simpatia, algumas manchas no maiô da pequena e mais facilidade em sua vida.
Ao chegar ao nosso destino, eu sinto que dei alguns passos com a empregada e amiga do Theo. Pelo menos já não a vejo como concorrente. Apesar de ter caído muito no quesito educação. Mas foi um dia divertido e no final, até Abby se soltou.
Eu me lembro de Tyler, de quando tiramos o dia para fazer compras. Ele é tão opressor! Não me deixa escolher muita coisa. Hoje foi diferente, mas ainda sinto falta dele e de suas manias. Será que ele ao menos se lembrou de mim?
Eu não tenho mais um celular, não faço ideia se ele tentou me ligar. Embora não faça diferença. Amy me avisou que não pega nada aqui. Só no aeroporto dá pra conseguir um sinal decente. Talvez quando formos embora Theo possa me emprestar o celular... Se bem que Ty não merece que eu ligue para ele.
Ele não merece nada. Nem a camisa horrorosa que lhe comprei, e tenho certeza que ele vai amar.
Não volto para a cabana que estou com Theo, vou com Amy para a dela.
É parecida com a outra, mas tem TV em cima do sofá, que deve ser para ver da cama... Péssimo lugar para colocar uma TV. Do sofá nem dá pra ver! Essas cabanas precisam de uma boa remodelagem!
Sentamos nas espreguiçadeiras de um lugar bem parecido com o que eu e Theo... Nos beijamos...
Me sinto tão à vontade que até tiro meu vestido e me animo em tomar o Sol das cinco, que não é tão forte.
Abby se aperta comigo em uma espreguiçadeira, deixando o caderno de desenho na mão.
Ela tenta rabiscar ali, mas a posição não ajuda. Estico minha mão e seguro o lápis, junto com ela. Então começo a fazer riscos que logo formam uma janela. Ficamos ali, desenhando, entretidas com o que vai sair no final e nem percebemos quando Amy sai, só quando ela volta com uma bandeja com dois copos de suco, uma garrafa de cerveja e algumas guloseimas. E o colar feioso que eu comprei para ela involuntariamente. Ela o está usando.
Falamos sobre coisas bobas e cotidianas no decorrer da tarde. E nem me sinto muito ofendida quando ela toma sua cerveja direto da garrafa. Acho que me acostumei com esse seu lado nessas poucas horas.
Acredito que posso dizer com alguma certeza que tive um dia divertido.
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