À flor da pele
80 Buraco do inferno
Notas iniciais
Amy
Trouxeram um cão farejador para andar na propriedade. E outro com o policial que derrubou a porta da casa vizinha. Ninguém respondeu quando batemos. Ninguém atendeu ao número de telefone que tinha na lista para aquele endereço. E quando a porta foi derrubada, não havia porra nenhuma de móveis. Mas não parecia como se o cara se mudou recentemente. Pelas teias de aranha e pó, acho que ele nunca morou aqui.
Segui atrás de Stuart e mais dois policiais na invasão. Meu status de ex-policial me garantiu um colete e seguir meu amigo. Theodor, por outro lado, estava do lado de fora, esperando com Tom e Terry. Ele estava péssimo. Nem mesmo quando sua avó contou que o pai estava com câncer ele se abalou. A verdade é que meu amigo gentil usa grandes máscaras e poucos são aqueles que sabem realmente que Theodor Blake não se importa com muito. Alguns amigos, irmã e isso é tudo. No entanto, ele finge muito bem. Estar nas boas graças das pessoas é algo que ele gosta de fazer, diz que abre portas.
Essa é a primeira vez que o vi se envolver realmente. Theo sempre manteve um grande muro em sua volta fazendo-me duvidar do que era real ou não sobre ele. Porém ainda o amo. Ele é meu melhor amigo, um irmão de consideração, ele não julga ou se intromete sem uma boa razão. É por isso que eu desejo ardentemente que Diana esteja bem. Mais que pela afeição que eu peguei pela mulher surtada, eu estou preocupada que isso empurre Theodor longe demais, a ponto de não ter retorno.
E deus sabe o quanto fui empurrada para o precipício com toda a merda da minha vida e se não fosse por Theo, eu provavelmente não estaria aqui agora. Seria só mais uma estatística.
Então, pensando em seu desespero, em como ele não pode perder essa adorável maluca, que eu entro na casa e não encontramos nada. Mas... Sempre tive essa coisa... Pressentimento. E no momento que entrei nessa casa até todos saírem e Theo entrar, com seus olhos desesperados, eu podia sentir essa coisa se arrastando pelo meu corpo. Sentido Amyaranha 100% ligado e detectando coisas... Uma inquietação, sensação de coisa fora do lugar. Então eu usei a lanterna para iluminar o teto, não tinha nada. Olhei cada canto e fui parar no porão, onde tinha alguns posters antigos colados na parede.
E foi com meus pelos arrepiados que eu olhei para um dos posters e percebi algo diferente. Apaguei a lanterna e vi claramente o brilho que tinha em volta do poster. Era uma porra de uma porta, com uma luz do outro lado. Ligando minha lanterna de novo, olhei para trás para pedir ajuda, Theo não tinha me seguido e nem nenhum policial. Depois de constatar que a casa estava vazia, eles saíram e fim.
Eu procuro meu celular no bolso, ele não está aqui. Deixei com Terry. Nunca se entra em uma cena com celular. Se ele tocar, pode espantar quem procuramos. Então o deixei para trás. Como não policial, não tenho a porra de um rádio também. Não tenho nada. É só eu, a lanterna e minha arma de estimação.
Eu tateio com os dedos em volta do poster até que a madeira vai para trás e me permite puxar a tábua. Assim que a afasto, descubro uma escada, iluminada por uma única vela, já no seu fim. Foi a luz que eu vi.
Desligo a lanterna e desço devagar, mais uma vela no fim das escadas e então nada. Só parede e um chão.
Não pode ser. Tem que ter mais. Eu sinto que tem...
As velas são de hoje, se não fossem não estariam acessas ainda. Por que alguém entraria em uma casa abandonada para acender velas em um quarto secreto?
Começo a apalpar tudo e nada se move. Então olho de novo. A única coisa que não é de tijolo é a escada.
Começo a tocar e puxar os degraus e a porra se solta nos últimos, dando espaço para um alçapão.
Eu preciso pedir ajuda, mas eu temo pelo tempo. Então eu puxo a pequena corda que serve de alça com força, mas não vem. Puxo mais, sinto que começa a ceder, mas eu sou fraca. Não consigo.
— Amy...— Me assusto com Theodor me chamando. Saio debaixo dos degraus e ele me vê.
— Rápido, aqui! E não faça barulho.
Ele desce, esperança brilhando em seus olhos.
— Não posso mover isso.
Ele começa a puxar, mas o impeço.
— Me dá seu celular.
Ele me entrega e então começa a puxar de novo.
Eu mando uma mensagem para Thomas, porque sou péssima em decorar números e o de Stuart não é uma exceção. Peço que envie ajuda e então volto para Theo, que consegue puxar a tampa. Porém, é tão pesada que ele quase derruba, então eu coloco a minha mão embaixo, quase a prendendo. Theo consegue puxar e tem outra escada e mais escuridão.
— Fica atrás de mim. — Eu deveria dizer para ele não ir, mas eu sei que ele não fará isso. E não esperará ajuda, ele entrará lá comigo ou sozinho, mas definitivamente está indo.
Desço primeiro, afinal, eu tenho a arma, mas ele tenta me passar e sou obrigada a empurrá-lo para trás. Uso a lanterna para iluminar o chão e então chegamos a mais uma porta.
Sem maçaneta, sem nada. Que diabos...
A merda vem à luz quando um grito agoniante pode ser ouvido do outro lado. E eu sei que é ela. E Theo também. Isso é o suficiente para ele começar a bater na porta e a gritar.
— Se afasta. — Eu grito.
Ele me escuta e recua para cima da escada, o sigo até metade do caminho. Eu aponto para as dobradiças, é a única coisa que eu posso fazer. Atiro. Dois tiros em cada uma. E então na madeira no canto de cima deixando um buraco, onde Theo enfia os dedos e puxa. A porta cede, quase caindo sobre nós e fazendo um barulho ensurdecedor.
Quando estamos dentro, congelo, me assusto ao me deparar com a casa da Diana. É exatamente igual. Cada móvel... E até a merda de uma mancha na parede é igual. Engulo a surpresa e corro em direção aos gritos, me deparando com uma trilha sangrenta no chão e nas paredes. Meu coração dói com as possibilidades do que vamos encontrar. Theo consegue me passar nas escadas, mas só por causa do meu joelho fodido.
Eu o vejo passar pelo que seria o quarto de hóspedes na casa da Diana e o sigo, é de lá que os gritos vêm. Os da Diana e mais alguém, que repete "Maldita" a todo momento.
— FILHO DA PUTA! — O berro feroz me diz tudo antes que possa alcançar o cômodo.
Theodor está sobre um homem no chão quando entro. É tanto sangue, por todo lado e não poso me segurar quando as lágrimas escorrem pelas minhas bochechas. Eu aponto para eles, tentando não mirar em Theodor. E quando tenho o cara no alvo, aperto o gatinho. A bala se aloja no ombro do agressor e ele grita de dor e sua luta cessa. Theo o deixa imobilizado e eu miro de novo e atiro.
Sem balas.
— Cadê a Diana...? — Theo olha em volta, desesperado, enquanto tenta manter o homem imóvel. Eu ando pelo cômodo, seguindo as manchas de sangue no chão. A encontro ensanguentada, encolhida embaixo da cama. Seu olhar vago é um bom indicativo do estado de choque que se encontra.
A cena saída de um pesadelo me faz reviver um momento não muito diferente, anos atrás. Quando ferrei meu joelho. Ver aquilo no passado foi horrível e ver agora não é mais fácil.
— Está tudo bem, você está segura agora...
Ela não se move.
— Diana, amor... — A voz de Theodor é tão quebrada e cheia de emoção. — Querida, saia dai, por favor...
— Eu vou te matar traidora!
O homem diz e são suas últimas palavras no momento, quando Theo bate a sua cabeça com força no chão e ele apaga.
— Polícia! — Escuto a voz de Stuart atrás de mim.
— Ei garota... Sou eu, Amy... — Ela parece em petrificada, mas logo seus olhos ganham vida quando ela olha sobre meus ombros e então Theo está me empurrando e se juntando a ela no chão, a puxando do seu esconderijo e abraçando apertado.
Eu posso ver o momento exato em seus olhos, quando ela nos reconhece finalmente e percebe que está salva. Seu corpo machucado se encaixa perfeitamente ao dele, o agarrando como se sua vida dependesse disso.
— Eu sou médico, me deixe passar!
Olho para trás para ver Tom empurrando os policiais, que agora tem o sujeito, apagado no chão, algemado.
Tom cai de joelhos ao lado deles, com uma maleta de primeiros socorros com o símbolo da polícia.
— Theo, me deixa ver ela. — Sua voz firme tem Theodor a virando para ele, mas não a soltando. E os olhos do meu amigo? Completamente cheios de emoção. Coisa que alguém que o conhece a tanto tempo sabe que é raro. Nesse momento eu sei que quase o perdi. Ainda posso perder. Isso vai depender do estado em Diana deixar essa casa maldita.
Oro para que não seja completamente quebrada. E não digo fisicamente.
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