Notas iniciais
o começo e meio confuso mais logo vocês vão entende tudo
Dentro Da CasaPaulina narrando

Era uma tarde chuvosa. Tinha policiais por todos os lados. Minha mãe gritava pelo meu nome enquanto eu permanecia encolhida em um canto da casa, assustada e sem entender o motivo de tudo aquilo.

Eu não sabia o que aqueles policiais queriam comigo. Eu não tinha feito nada… ou pelo menos não me lembrava de muita coisa.

Chorava muito enquanto segurava minha boneca favorita, a única que minha mãe tinha me dado de presente. Sempre que eu ficava triste, abraçava aquela boneca. Era como se minha mãe estivesse comigo, me protegendo de todo mal.

Lado de Fora Da Casa

— Por favor, não levem ela! Ela é só uma menina inocente! — pediu Paula, chorando desesperada.

Mas os policiais não escutaram. Empurraram Paula, que caiu no chão.

Eles arrombaram a porta e olharam por todos os lados da casa, mas não encontraram Paulina. Então perceberam que uma das janelas estava aberta.

— Atrás dela! Ela não pode fugir! — gritou um dos policiais.

Os homens correram em direção à mata, se dividindo em dois grupos.

...

Casa De Paulina

Amanda, irmã de Paulina, estava chegando em casa quando viu aquela multidão na frente da residência.

Com medo de que algo tivesse acontecido com sua mãe, ela correu rapidamente. Quanto mais se aproximava, mais seu coração disparava.

Então viu sua mãe caída no chão, desacordada.

— Mãe! — gritou Amanda, se ajoelhando ao lado dela.

Ela segurou o rosto da mãe enquanto chorava desesperadamente.

— Mãe, fala comigo… alguém chama uma ambulância! — pediu em lágrimas.

Mas Paula já não respirava mais.

— PAULINA! — Amanda gritou pelo nome da irmã.

...

Mata

Paulina continuava correndo. Logo os policiais a avistaram e começaram a correr atrás dela.

Ela corria o mais rápido que podia, mas não era o bastante. Eles já estavam muito perto.

Também… aqueles homens eram treinados para aquilo. Enquanto isso, Paulina nem sabia para onde estava indo.

NecrotérioOutro lado da cidade

Piedade Bracho esperava para reconhecer o corpo do neto, que acabava de chegar de outra cidade, onde havia sido brutalmente assassinado.

— Se não quiser, não precisa entrar — disse Marcos, irmão dela.

— Cadê a Laura? — perguntou Piedade, ignorando completamente o que ele havia dito.

— Disse que estava vindo — respondeu Marcos.

— Senhora, pode entrar — disse o médico.

Piedade e Marcos entraram na sala. Ao se aproximar do corpo e puxar o lençol, ela quase desmaiou.

Era ele.

Seu neto.

Rodrigo.

— É ele… é meu neto… é o Rodrigo… — disse Piedade, devastada.

Então seu olhar mudou completamente, sendo tomado pelo ódio.

— Marcos, eu quero que você se encarregue de que aquela desgraçada que fez isso nunca mais veja a luz do sol.

Mata

Paulina já estava cansada. Não tinha mais forças.

Ela tropeçou em uma árvore e caiu no chão.

Os policiais finalmente a alcançaram.

— Acabou a correria, menina. Agora você vai para a cadeia — disse um dos policiais, segurando seu braço com brutalidade.

— Eu não fiz nada! Eu juro pela Virgem de Guadalupe que não matei ninguém! — disse Paulina, chorando desesperadamente.

— Vai falar isso pro delegado — respondeu o policial friamente.

...

Delegacia

Na porta da delegacia havia muitas pessoas esperando por ela. A cidade era pequena, então todos já sabiam o que tinha acontecido.

— PAULINA! PAULINA! — gritava Amanda.

Mas os policiais não deixavam ela se aproximar da irmã.

Lado de Dentro

— Aqui está ela — disse o policial, entrando na sala com Paulina.

O delegado mal olhou para o rosto da garota.

— Paulina Martins… amanhã você será transferida para uma casa de menores. Depois que atingir a maioridade, será julgada e condenada — declarou ele friamente.

— Eu não fiz nada… — repetiu Paulina entre lágrimas.

— Não é isso que mostram os fatos. Pode levá-la para a cela.

...

Um mês depoisCasa de menores

Paulina estava em seu quarto quando começou a passar mal.

— O que você tem, Paulina? — perguntou Letícia, sua companheira de quarto.

— Não sei… eu tô tonta… tá tudo escuro… — disse Paulina, antes de desmaiar.

— PAULINA! — gritou Letícia.

Mansão BrachoSala

— Eu e Rodrigo queríamos ter filhos… mas aquela maldita estragou nossos sonhos — disse Laura, chorando de raiva.

— Marcos, ficou sabendo de alguma coisa dela? — perguntou Piedade.

— Ela foi levada para uma casa de menores… ainda é só uma menina. Tem apenas quinze anos — respondeu Marcos, pensativo.

— Ela é uma desgraçada que colocou os olhos em um homem casado! — disparou Laura.

Piedade encarou Laura imediatamente.

— Olha as palavras, Laura… você está querendo dizer que meu neto teve alguma coisa com aquela garota?

Casa de Menores

Paulina já havia sido medicada e agora estava deitada na enfermaria.

— Paulina, eu quis pessoalmente te entregar o resultado dos exames — disse Cláudia, uma das cuidadoras.

— Que sorte a minha… porque aquela médica me furou inteira — brincou Paulina, tentando sorrir.

Cláudia sorriu de leve.

— É assim mesmo, Lina. Era preciso ter certeza.

Paulina ficou em silêncio por alguns segundos.

— Lina… você me chama igual minha mãe me chamava…

Seu olhar se encheu de tristeza.

— Não fica assim, Paulina. E não se culpe pela morte da sua mãe. Ela já estava doente. E, se você quiser, eu não te chamo mais assim — disse Cláudia com carinho.

— Não… eu gosto. Me faz lembrar dela. Eu não fiz nada… nem me deixaram me despedir dela… por que isso tinha que acontecer justo comigo? — disse Paulina, deixando uma lágrima cair.

Cláudia respirou fundo antes de fazer a pergunta.

— Paulina… isso não é um interrogatório. Mas aquele homem que encontraram morto ao seu lado… ele abusou de você?

Paulina arregalou os olhos.

— Por que está perguntando isso? — perguntou, chorando.

Cláudia segurou delicadamente sua mão.

— Porque o que você tem não é só uma simples tontura…

Ela fez uma pequena pausa.

— Você vai ter um bebê.