Caíque segurava o bebê pequeno nos braços. Tinha o rosto vermelho, coberto de lágrimas. Quando seus olhos se encontraram, Marcos soube que nada mais importava: amavam com a mesma intensidade um ao outro, e amavam ainda mais aquele pequeno ser.

A ideia fora dele. Caíque, vinte e sete anos, uma juventude vivaz e o sonho de ser pai. Estiveram juntos por três anos. No começo a ideia era bonita: tinham uma casa, dinheiro e amavam-se. Mas Marcos reconhecia a si mesmo como um péssimo companheiro. Quando perdeu o emprego, fechou-se em seu próprio mundo. Dormia com um homem diferente a cada semana, bebia, falava alto. Chegou a arrepender-se da decisão quando a gravidez se concretizou.

Os dois ainda tentaram reatar. Afinal, estavam grávidos. Mas de repente as energias estavam diferentes, desconexas. Estavam há dois meses sem se ver quando, na virada do dia 31, a ligação. Vai nascer.

E então ele estava lá, diante do pai de seu filho, o homem mais bonito que conhecera na vida. Aproximou-se e ajoelhou a sua frente, comprimindo os lábios, contendo o choro. Segurando a sua mão, Caíque sorria.

— É a sua filha, Marcos. A nossa filha – disse com a voz engasgando nas lágrimas.