— Ela tem dois quilos, setecentos e cinquenta. Nasceu exatamente à meia noite. Vocês trouxeram uma capricorniana no mundo – A voz de Ana os trazia de volta para a realidade do quarto em meio a um sorriso breve – Precisam escolher um nome.

Ele ainda não agradecera a ela. Não o tanto que precisava agradecer.

Prontamente ela se havia disposto a ser barriga de aluguel. Assim, o bebê teria o sangue de Marcos. Caíque era o doador. Ambos, pais legítimos. Ana, a madrinha. No interior daquele quarto eles eram uma pequena família, com toda a atenção voltada para uma criança minúscula.

Caíque e Marcos se entreolharam. Haviam pensado em alguns nomes, mas nenhum deles era consenso. Lana, Marina e até Sandy foram as opções de Caíque e, mesmo que Marina agradasse, Marcos queria um nome forte. Hermione, quem sabe.

— Deem esses nomes para os cachorros de vocês. A menina precisa de um nome decente – Ana Maria riu com as sugestões.

— Então teremos um cachorro e colocaremos o nome de Hermione – Marcos concordou entre risos baixos.

— Teremos? – Os olhos de Caíque brilharam.

Verbo “ter” na primeira pessoa do plural. Um ser junto ao outro. Caíque e Marcos. O último sorriu e concordou:

— Teremos.