the only noise

5 Desistir não é opção


Notas iniciais
aaaahhhh revisei, mas daquele jeito. Com certeza vão achar erros aí xD socorro nem demorou xD E ainda tenho mais um digitado já!! Ce pá posto semana que vem ♥

O ninja que seguia com Kiba não tinha a única função de protegê-lo, claro. Gaara deixou instruções bem claras para que ele observasse o comportamento do garoto durante a viagem.

Quando Konoha aceitou seu pedido de colaboração e indicou um Ômega, Gaara reconheceu o nome na mesma hora. Sabia que Kiba havia sido salvo antes da guerra eclodir, defendido justamente por Kankuro. Aquele era um Ômega que participou dos conflitos, que lutou bem, um ninja forte e atípico para a casta.

Não queria alimentar esperanças, mas se alguém era capaz de ajudar seu irmão, talvez fosse Inuzuka Kiba.

Além disso, o ninja enviava relatórios constantes, informando conforme avançavam pelo deserto e se aproximavam de Suna.

Desse modo, na manhã do dia em que chegariam à Vila da Areia, Gaara pode passar uma missão qualquer para Kankuro e afastá-lo na direção contrária em que o Ômega chegaria. Precisava falar com ele, antes de qualquer coisa.

Como um forte shifter, Sabaku no Gaara sentiu o momento em que o estrangeiro entrou na vila. Não que pudesse sentir a presença de cada Ômega, evidentemente. Mas seu lado animal já estava no aguardo dessa chegada, escrutinava os limites dos grandes paredões com atenção.

Deu orientações para que recepcionassem bem ao visitante e morador de Sunagakure pelos próximos cinco anos. Inuzuka Kiba seria levado ao prédio do Conselho onde Gaara o esperava numa sala de reuniões.

Por longos minutos aguardou sentado, pensando no que iria dizer. Se pretendia usar a cartada desesperada, precisava ter o Ômega ao seu lado. Qual a melhor estratégia a se tomar? O ideal era analisar o Ômega e ver o quanto a guerra o havia mudado. E só então pensar em algo.

Ainda demorou quase uma hora para que um Beta batesse à porta e anunciasse a chegada do visitante de Konohagakure.

Gaara permaneceu sentado, observando com os olhos sagazes o rapaz que adentrou a sala de reuniões.

Inuzuka Kiba pouco mudara aqueles anos. Tinham quase a mesma altura, mas o outro exibia uma aparência mais saudável com a pele morena de sol, os olhos brilhantes e as inconfundíveis marcas do Clã. Além, claro, do grande sorriso um tanto arrogante. Vinha visivelmente cansado, todavia animado.

— Yo, Gaara — foi cumprimentando com a intimidade de quem já disputou um torneio juntos, já foi aliados em uma guerra. Porém hesitou um pouco — Digo, olá, Kazekage.

Gaara meneou a cabeça e indicou a cadeira.

— Dispenso formalidades, Kiba — a voz era um tanto indiferente, uma das características marcantes do rapaz. Não intimidou o Ômega, já acostumado ao jeito reservado (mais até do que o de Shino) — Como foi sua viagem?

Kiba sentou-se próximo a Gaara, apesar de a mesa de reuniões ser bem extensa.

— Foi tranquila. Vi lugares incríveis. Sunagakure parece uma vila bem próspera.

Gaara assentiu, satisfeito.

— Sou grato por ter aceitado meu pedido. Sei que está cansado, mas gostaria de discutir sua missão aqui em Suna.

— Sim. Não sabia que Sunagakure tinha escassez de Ômegas. Vou ficar feliz em ajudar!

Gaara dispensou cinco segundos estudando a expressão alheia. Aquele garoto emanava boa vontade e empolgação. Ele veio ali com a intenção sincera de ser útil.

Isso o colocava numa posição tão delicada...

— Não temos escassez de Ômegas — se ouviu explicando — Reconstruir um país não se resume a erguer prédios e limpar os escombros.

— Ajudar as pessoas também importa — Kiba concordou. Queria ser útil de alguma maneira. Mesmo que ali, longe de casa.

Gaara respirou fundo. Nunca foi bom com as palavras, seu jeito de se comunicar era direto e franco. Podia usar tal característica a seu favor em negócios e assuntos do Estado. Mas ali… Naquele momento sentiu como um empecilho.

— Meu irmão matou um Ômega.

Confessou a queima roupa. Assistiu sem surpresa a face do outro garoto empalidecer conforme compreendia a frase. O fato de que um Alpha havia tirado a vida de um Ômega nunca era fácil ou simples de aceitar.

— O quê? Por quê?! — Kiba ficou confuso com o rumo inesperado.

O Kazekage cruzou as mãos sobre a mesa.

— Os detalhes são restritos. Isso aconteceu pouco antes da guerra. Enquanto estávamos investigando, os conflitos começaram. Fomos até Konoha e Kankuro salvar a sua vida ajudou a atenuar o julgamento de meu irmão.

Kiba entreabriu os lábios em pura surpresa.

— Caralho!

— Kankuro saiu com uma restrição. Ele não pode se aproximar de Ômegas, uma sentença perpétua — hesitou um pouco — Então tivemos a guerra. E meu irmão foi feito prisioneiro. Ele ficou meses nas mãos do inimigo, sendo torturado dia após dia. Noite após noite.

Não havia nenhum indício de raiva na voz de Gaara. Porém Kiba era um Ômega, teve experiências indizíveis nas batalhas, passou por situações que refinaram sua percepção do ambiente. A parte Alpha de Gaara continuava sob controle, quase imperceptível.

Quase.

Pois traços de rancor, tristeza e culpa chegaram até Kiba.

— Sinto muito — falou baixinho. Lembrava-se do irmão de Gaara. Um Alpha bem humorado e de língua afiada, que o protegeu e salvou-lhe a vida quando estava prestes a ser assassinado pelos gêmeos.

Sequer podia imaginar que naquela época Kankuro já carregava a morte de um Ômega sobre os ombros. Todavia não ia julgá-lo, afinal, pelo que Gaara disse, as autoridades já haviam feito isso e dado uma sentença.

— Fiz todo o possível para ajudá-lo. Mas meu irmão não é mais o mesmo.

Tinha feito o possível e o impossível. Tentou todos os métodos e nada deu resultados. Agir com a postura indiferente foi o mais efetivo e manteve a mente de Kankuro sob controle por um tempo. Oferecer simpatia e gestos suaves era algo que ele não aceitava bem.

E então, nem mesmo a postura rude de Gaara pareceu dar conta da situação. Cada vez mais aquela personalidade distorcida, a armadura que Kankuro desenvolveu para sobreviver às torturas estava voltando, reassumindo um lugar na realidade. Aquela personalidade que se divertiu na guerra matando inimigos e aliados sem distinções. Que usou a guerra como desculpa para crimes indefensáveis e saiu ileso graças ao amor que Gaara e Temari sentiam por ele, assim como a culpa que os corroía por acreditarem ter abandonado o irmão do meio à própria sorte.

— Você quer que eu tente ajudá-lo? Mas se Kankuro tem restrição de chegar perto de Ômegas…

Gaara sentiu alívio que o garoto entendeu logo o seu papel na viagem.

— Tentei de quase tudo para recuperar meu irmão, exceto a presença de um Ômega. Com o fim da guerra firmamos tratados de ajuda mútua. A sentença de Kankuro o proíbe de chegar perto de Ômegas de Suna, mas não especifica sobre Ômegas estrangeiros.

A compreensão foi perceptível no rosto de Kiba.

— Acharam uma brecha.

Gaara concordou em silêncio. Na verdade foi o próprio Kankuro quem descobriu aquela brecha e fez uso dela. Gaara estava apenas sendo conivente outra vez.

Foi nesse ponto que a expressão indiferente cedeu um pouco e ele exibiu certa preocupação. Chegou a inclinar-se de leve para frente.

— Vou levá-lo para nossa casa, Kiba. Você pode descansar e se alimentar. Quero que pense bem nessa missão, que encontre Kankuro e avalie tudo. Se preferir não continuar aqui e voltar para Konoha, compreenderei perfeitamente.

Kiba analisou a oferta por alguns segundos. Era uma pessoa impulsiva demais. Aprendeu e melhorou um bocado com a guerra, mas sua essência era essa: agir primeiro, pensar depois. Todavia, era dono de uma característica ainda mais marcante, uma que possuía antes mesmo de vir ao mundo, que se tornou parte dele no momento em que se formou vida nova no ventre da mãe: o instinto.

Inuzuka era um Clã intrinsicamente ligado aos cães. Compartilhavam não apenas os sentidos ampliados, mas aquele resquício dos ancestrais, um sexto sentido apuradíssimo que os ajudava a lidar com situações de perigo.

Além disso, impulsividade não era sinônimo de burrice. Pouco a pouco aquela pequena reunião ganhou outros tons. Compreendeu porque Gaara atropelou as boas maneiras e o levou ali para discutir o que era esperado de sua visita.

— É tão grave assim? — perguntou em um tom sério.

— Temo que sim — Gaara não pretendia mentir. Fez o que tinha ao alcance para ajudar Kankuro. Queria tanto o amado irmão de volta que se arriscou a solicitar a ajuda de um Ômega estrangeiro, colocando o acordo entre duas nações na beira do abismo. Mas, ainda assim, com toda a responsabilidade que sentia em relação ao irmão, entregar aquele garoto nas mãos de um Alpha mentalmente instável sem ao menos um alerta, era cruzar uma linha abaixo da decência. Talvez um pensamento tardio, porém Gaara precisava do tênue e frágil consolo de ao menos ter avisado.

Kiba captou a tensão no ar, sem que a expressão indiferente do Kazekage lhe desse qualquer indicação senão indiferença. Às vezes ser Ômega era uma maldição que nenhuma das outras castas chegava perto de desvendar.

Ser capaz de captar aquelas sensações secretas, íntimas e alheias…

Ao final de um silêncio considerável Kiba sorriu e aceitou o seu destino.

Fosse qual fosse a gravidade da situação, voltar para Konoha não era uma opção. Quando pôs o pé na estrada condenou a si mesmo a cumprir aqueles longos cinco anos.

Gaara colocou as cartas na mesa. Os Ômegas de Suna estavam protegidos, os das demais nações não. Caso Kiba resolvesse desistir e voltar para casa, Gaara usaria sua influência para solicitar outro.

Deparar-se com uma situação feia ou perigosa e fugir era abrir espaço para outro Ômega enfrentá-la. E isso era algo que Kiba jamais faria.

Notas finais
Pensem numa linda borboleta que se enroscou na teia de uma tarantula... pois é.