rEVERSE - O conto da primeira estrela

14 Uma noite difícil para os Lí


Notas iniciais
Opa pessoal, desculpe pela demora. Escrevi esse final de semana mas nao pude postar. Espero que gostem e boa leitura.

(Syaoran) – Uma noite difícil para os Lí

Passei um bom tempo no espelho tomando coragem para falar a Sakura o que eu sentia diretamente. Estávamos mais alguns passos a frente do que há muito tempo atrás, poderíamos resolver tudo em breve, eu estava confiante. Pedi para ela me esperar em frente a escola para irmos embora, corri ao banheiro e me encarei, apertando aquelas bochechas que eu tanto queria puxar.

Mas ao ver Sakura cair em meus braços, foi a coisa mais aterrorizante de minha vida. O tiro nas costas foi certeiro e ela tombou em cima de mim em câmera lenta, sua vida se esvaindo devagar, enquanto eu gritava desesperado por ajuda.

Eu não consegui acompanhar muito bem o que aconteceu a seguir, pois meus olhos estavam fixos no corpo que esfriava rapidamente.

—Sakura...por favor...por deus...Alguém... – dizia eu enquanto apoiava a cabeça dela em meu colo. Eu não sabia o que fazer, todos os ensinamentos que já havia recebido parecia que nunca havia existido, minha mente estava em branco, eu apenas conseguia ver o sangue se espalhando pelo chão e por meus braços.

—Isso não pode estar acontecendo! ALGUEM!!!! – Era pra ter sido eu. Era para eu ter recebido o tiro. A culpa era toda minha. Eu daria minha vida agora para trocar de lugar com ela, já estava cheio dessa brincadeira sem graça.

Olhei para as estrelas com raiva, culpando seja lá quem quer que fosse. As coisas começaram ali, e tinham que se resolver.

—Eu peço, por favor... Desfaça tudo isso, DESFAÇA ESSA MERDA AGORA...Por favor, eu imploro pra quem for, por favor...traga Sakura de volta. Eu não posso perdê-la.

Eu nem sabia mais para quem eu dizia aquelas palavras, se era pra estrelas ou se era para mim. O céu ainda estava limpo, apenas uma estrela brilhando fortemente no céu. Por favor, eu imploro.

—SYAORAN!

Minha mãe veio correndo até mim. Por um momento, pensei que iria se dirigir a mim, mas ela se ajoelhou ao lado de Sakura, com as mãos tremulas, e fez algo que nunca imaginei ser capaz. Ela chorou.

Em algum momento, alguém chamou uma ambulância. Não queriam me deixar subir, mas eu bateria em qualquer pessoa que tentasse me impedir. Tamanho a urgência, ninguém perderia tempo com isso. Eu observava Sakura ser colocada em tubos para auxiliar sua respiração e os paramédicos tentavam estancar a hemorragia. Após a chegada ao hospital, minha ultima visão sua foi na maca sendo arrastada para a sala de operações.

Meus joelhos falharam e eu cai em algum canto, encostado a parede. Não parava de repassar as cenas dos últimos minutos. Vi minha mãe se aproximar, ela estava tremula e pálida, seus cabelos desarrumados e a maquiagem borrada por conta das lagrimas. Se a situação não fosse tão critica, eu jamais acreditaria que aquela mulher era a líder chefe do clã Li.

Ela me ajudou a levantar, mas duvidei se conseguiria ou se cairia a meu lado. Sentamos nos bancos na sala de espera.

Não sei quanto tempo passou. Eu encarava aquela porta esperando ela se abrir, mas tudo o que ouvia era o som da TV que estava ligada ao canto direito do cômodo.

—Eu sou uma péssima mãe...- soltou ela de repente, me assustando. Por um momento, havia esquecido que ela estava ali – Há anos que não o vejo, apenas ouvindo sua voz por telefone, seguindo uma burocracia ridícula de uma tradição ridícula, e quando finalmente o vejo... é sangrando nos braços de uma garota que não conheço.

Eu não tinha muito o que dizer, sem sabia que palavras escolher. Nunca havia conversado com ela dessa forma, de maneira tão informal. Mas na verdade, não queria conversar.

—Se eu...se eu simplesmente tivesse quebrado as regras...ou se fosse mais forte...poderia ter impedido isso há muito tempo.

—Como assim? – olhei confuso para ela.

—Syaoran sendo quem é...passou muito tempo correndo perigo quando criança. Ele não deve se lembrar, mas já sofreu muitas tentativas de sequestro. O conselho de nosso clã decidiu que seria muito mais seguro para ele se viesse escondido para o Japão, em alguma cidade pequena.

Ela tinha razão, eu não me lembrava mesmo.

—Ele deve ter descoberto.

—Ele?

—O mandante dos sequestros de anos atrás...o homem que quer destruir a família Li com todas as forças...o desgarrado que veio até o Japão atrás de Syaoran!

Mais uma vez, Sakura carregou meus fardos em suas costas. Agora sua vida estava em risco por minha culpa. Desde a primeira vez que a vi, eu sabia que nunca devia ter me envolvido com ela, assim nossos caminhos nunca teriam se cruzado. Agora eu faria de tudo para trazê-la de volta.

Yeilan, minha mãe, continuou suas lamurias. Pela primeira vez, eu a olhava e sentia uma pontada de compaixão. Não poderia abraça-la e dizer que estava tudo bem, que eu estava ali bem diante de seus olhos, para tranquiliza-la.

—Syaoran...eu queria apenas...abraça-lo uma única vez.

Mesmo que eu não soubesse, me ajoelhei a seu lado, apoiando minhas mãos em sua perna, tentando transmitir conforto. Foi muito estranho.

—Vai ficar tudo bem! Você ainda vai abraça-lo, pode ter certeza.

Ela assentiu e esperamos. Por muitas horas mais tarde, quando minha mãe e eu cochilamos devido ao estresse, a luz de emergência da sala se apagou e um médico mediano saiu. Ele parecia estrangeiro.

Levantamos ao pulo e corremos para saber as noticias.

—Ele esta estabilizado no momento, porém está em estado de observação — disse o homem franzino — perdeu muito sangue, precisamos de um doador. A bala atingiu e perfurou o pulmão, mas a cirurgia foi um sucesso. Só precisamos esperar agora...

Como se eu pudesse respirar novamente, sentei para deixar o formigamento das pernas passar. Ela estava fora de perigo. Fiquei com um pouco de culpa por ter xingado tanto as estrelas e fiz um agradecimento silencioso.

—Eu posso ser a doadora, ele tem o meu tipo sanguíneo – disse ela. Depois virou-se para mim e me abraçou, me fazendo enrijecer em seus braços. Nunca havia sido abraçado por minha mãe – obrigada por tudo. E me desculpe te manter aqui até tarde, foi de grande ajuda.

Quando ela me soltou, pronta para seguir o médico, segurei seu braço antes de desaparecer pela porta. Eu sabia que eles não me deixariam ver Sakura no momento, pois não era família.

—Fique perto dele durante todo o tempo – disse eu para que apenas ela ouvisse – quem quer que estiver atrás dele, vai saber que seu objetivo não foi concluído. Ele atacara novamente.

Ela olhou para mim espantada, diria que até reconheceu alguma coisa, mas apenas me virei e sai do hospital. Confiaria em minha mãe no momento, ela estaria com Sakura, me dando tempo o suficiente para ir em casa e trocar de roupas, pois as pessoas já estavam pensando que tinha sido atropelado ou algo parecido, devido a quantidade de sangue nas roupas.

Minhas próprias roupas teriam que calhar, apesar de estarem muito largas, pois jamais poderia aparecer assim na casa de Sakura e preocupar sua família. Liguei em casa e Touya atendeu, inventei que dormiria na casa de Tomoyo, e depois liguei para a morena e lhe contei toda a historia.

—Mas o que você irá fazer Syaoran? – disse ela preocupada.

—Prender um rato na gaiola. Eu sei que ele vai voltar, nenhum Li deixa as coisas por estar.

—Por favor, tome cuidado. E não é só porque você esta no corpo de Sakura. Eu sei que ela ficaria muito triste se algo acontecesse a você.

Pedi para Tomoyo me cobrir caso Touya ligasse, pois eu sabia que ele não confiava em mim de qualquer forma. Esperei que passasse meia noite, pois assim ninguém me impediria por causa do horário de visitas. Ou assim eu esperava.

Não demorou muito para chegar ao hospital novamente e verificar qual era o quarto de Sakura. Aleguei estar procurando por uma mulher chinesa de cabelos negros, minha mãe era tão diferente que qualquer um notaria, as funcionarias riram simpaticamente e me indicaram o andar. Descobrir minha mãe em frente a uma maquina de comida, ela não parecia saber direito como usar. Achei graça naquilo.

Me aproximei e perguntei o que ela queria, ela se assustou, mas respondeu surpresa. Coloquei a nota e apertei o numero de sua preferência. Peguei da maquina e pedi para nos encaminharmos para o quarto.

—Eu sei que eles proíbem visitas depois do horário, mas... imaginei que ninguém iria querer se incomodar quando fosse mais tarde.

Ela sorriu. Fiquei com medo que me mandasse embora, pois sua única imagem para mim era a da mãe rígida, eu não conhecia aquele lado tão maternal. A outra parte era mais fácil de lidar.

—Você se importa muito com ele, não é? – disse ela sorrindo e olhando para mim, demorou para eu notar que ela estava insinuando alguma coisa.

—Bem, nós ... – eu não poderia dizer que éramos namorados, aquilo era mentira, mas já éramos mais que amigos, me enrolei tanto até perceber que estava ficando vermelho, e ela começou a rir.

Não apenas a rir, mas a gargalhar. Me espantei completamente, me perguntando se aquela mulher era mesmo minha mãe.

—Ora, não precisa responder, eu já havia visto claramente aquele dia no festival, quando você perguntou se ele iria voltar para a China. – ela abriu o pequeno pacote de biscoitos integrais que havia pegado na maquina – mas é curioso, você se parece tanto com ele!

Eu me mantive em silencio, poderia acabar me dedurando.

—Eu sei que parece mentira, mas...apesar de ter ficado tanto tempo longe, conheço cada pedacinho daquela criança, afinal, ela lembra muito o pai.

Eu não queria parecer tão surpreso, mas não conseguia. Desde que eu era pequeno, ela nunca havia mencionado meu pai.

—E mesmo assim, conseguia saber tudo o que estava acontecendo apenas ouvindo sua voz ao telefone, se estava feliz ou triste, se estava pressionado ou não – ela suspirou – queria não ter cobrado tanto dele, mas o futuro que lhe aguarda é assustador... É tão difícil saber em quem confiar, mesmo dentro da família. Olhe só o que esta acontecendo... Um Li tentando matar outro Li.

Me engasguei.

—Quem tentou me matar era um Li também? D..digo...Syaoran, quem tentou matar Syaoran era um Li? Mas porque?

—Porque muitos Lis acabam prezando somente o poder. Tentando fazer de tudo para alcança-lo, passando por cima de quem fosse. Eu não contei para Syaoran, mas ouve uma rebelião interna, influenciada pela pessoa que esta tentando mata-lo, para que tomassem meu lugar. Mas eu sabia que Syaoran estava seguro aqui no Japão, então consegui enfrenta-los de cabeça erguida, mesmo que sozinha.

Eu olhava para a mulher em minha frente com outros olhos, antes ela era uma mulher rigorosa, agora, era apenas uma mãe assustada. Ainda assim, eu a admirava em todos os aspectos, pois conseguir lidar com uma situação dessas sem perder a cabeça parecia impossível. Engoli em seco, repensando em minha volta para a China e temendo por meu futuro.

— Syaoran já completou a maioridade. Ele tem que começar a assumir meu lugar, aprender da maneira correta, sem ser influenciado por ninguém e agir por ele mesmo. Sei que ele é mais capaz que eu...afinal, ele é meu filho favorito – ela se referia aos cinco filhos, eu e mais quatro irmãs – ah, mas por favor, não conte a ele. Tenho que me manter como a mãe durona ainda.

Não aguentei e comecei a rir. Realmente, ela era uma mulher admirável mesmo.

Olhei para o rosto de Sakura dormindo, tão sereno, fechei os dedos com força, rezando para que ela voltasse logo para a vida dela, sem minha interferência. Olhei para minha mãe e lhe fiz minha proposta.

****

Devia ser umas quatro horas da manha quando um dos médicos chegou para conferir os sinais vitais do corpo de Syaoran. Pegou o prontuário na beirada da cama e checou as duas primeiras folhas, olhando ao redor do quarto para ver se estava sozinha.

Depois, passou para os equipamentos onde o sangue retirado da doação estava pendurado, observou o fio vermelho que estava interligado ao pulso, mas não chegou a descobrir o lençol do corpo, não seria necessário.

Ele retirou uma seringa de bolso e aplicou o conteúdo no fio da bolsa de sangue. Encarou por algum tempo a pessoa deitada na cama, como se imaginasse que não seria o suficiente, retirou do cindo da calça uma faca não muito longa, mas que poderia causar um ferimento fundo o suficiente para matar. Quando ele levantou o braço, antes que pudesse fincar a faca, me descobri da cama onde fingia ser Syaoran e pulei em cima dele.

Meu corpo atual não era tão grande, então usei todo o meu peso contra ele, me concentrando na faca. Surpreso, foi fácil fazer ele largar a arma, que escorregou para debaixo da cadeira ao lado da cama. Segurei seu braço e torci com uma agilidade gigantesca, mas passado o susto ele escapou colocando uma perna por cima de mim e invertendo a posição.

Eu não poderia esquecer que ele também era um Li. Havia recebido os mesmos ensinamentos que eu, porém eu estava mais fraco e enferrujado desde que troquei de corpo com Sakura. Antes que ele conseguisse quebrar meu braço torcendo-o na posição que estava, dei uma cambalhota para trás desfazendo o golpe e me afastei. Eu sempre fui melhor em lutas de pé do que imobilização.

Eu sabia que seus olhos estavam procurando a faca, mas entrei na frente impedindo ele de alcançar. Porém, meu maior erro foi esquecer que ele ainda tinha mais uma arma. Retirando a seringa do bolso, tentou fincar a agulha em meu pescoço, mas segurei seu pulso, girei seu braço e dei-lhe uma cotovelada na boca do estomago. Aproveitando sua momentânea falta de ar, desvirei seu braço novamente e puxei seu rosto para perto, lhe acertando a temporã do lado direito com o mesmo cotovelo, soltei seu pulso e lhe dei um chute giratório com toda a minha força.

Como a teimosia de um Li, ele não demorou muito para se recuperar. Então eu dei meu golpe final. Corri e segurei seus ombros, da mesma forma que Sakura fez da ultima vez, e dei uma joelhada em suas partes baixas.

As vezes era preciso jogar sujo.

Ele ia avançar novamente, apesar de que dava para ver suas pernas tremulas por conta do golpe baixo. Me preparei para receber o impacto de seus golpes, posicionando minhas pernas mais afastadas uma da outra. Não deu tempo de piscar, ele já me cobria de socos e chutes que eu defendia habilidosamente, mas com dificuldades, pois seus socos pareciam duas barras de ferro batendo contra meus braços.

Eu estava em desvantagem. Seu corpo era duas vezes maior e mais forte que o meu, os pulsos de Sakura não tinha a preparação e resistência que os meus tinham com anos de treinamento. Senti falta de ar quando ele acertou um chute no meio de meu estomago, me jogando contra os equipamentos ao lado da cama. O homem olhou para trás, percebendo que o caminho até a faca no chão estava livre, ele se abaixou e pegou a arma antes que eu pudesse me estabilizar.

Ele vinha em minha direção, antes que eu pudesse fazer algo para distrair sua atenção, ele colocou a lamina perto de meu pescoço e com a outra mão, agarrou minha garganta e me levantou pré prendendo no pé da cama.

—Onde esta o herdeiro? – disse ele.

Ele me perguntou mais duas vezes antes de notar que eu não responderia mesmo sob ameaças. Eu me esforçava em afastar a lamina de mim.

—Tudo bem! Será duas vitimas então! Mas você não tinha que se envolver com isso menina... – ele levantou a faca e abaixou tão rápido que eu não consegui reagir, pois lutava para respirar também.

Mas quando fechei os olhos esperando sentir algum tipo de dor, ouvi um baque grande e de repente seu corpo caiu no chão. O homem estava estirado em minha frente, ainda com a faca em mãos, mas inconsciente.

Olhei para minha mãe, que havia entrado no quarto e golpeado o rapaz por trás.

—Eu não sou a líder do Clã Li só porque o herdei, sabia? – disse ela, estralando os dedos– pontos de pressão é minha especialidade.

Eu olhava embasbacado para ela enquanto corria até mim para verificar as marcas que haviam ficado em meu pescoço. Aquilo seria difícil de explicar para Touya mais tarde. Suspirei e escorreguei para o chão, exausto.

—Você realmente....não tinha que se arriscar desse jeito... Se você tivesse se machucado, o que eu teria feito? – dizia ela ralhando comigo, aquela era uma parte dela que eu conhecia bem, mas fiquei feliz por vê-la em minha frente – alem do mais, acabou se envolvendo nessa confusão gigantesca.

Se ela soubesse como estávamos interligados um ao outro há tanto tempo, desde o momento que coloquei os olhos de Sakura. Porem, para o próprio bem dela, eu deveria desfazer isso, mas como? Suspirei outra vez, estava exausto.

—Não se preocupe, Syaoran é um amigo muito querido...

Novamente, eu não tinha dito nada demais e ala interpretou de outro modo, sorrindo enquanto olhava para mim. Eu estava cansado demais para contrariar.

—E Sak... Digo, E Syaoran?

Quando havia chegado ao hospital, convenci minha mãe da possível volta do suspeito para terminar o trabalho. Conversamos com alguns doutores e mudamos Sakura para um quarto mais simples, ao invés do quarto VIP, mas manteríamos o espaço, pois enganaríamos o assassino.

Foi muito difícil convencer ela a me deixar ficar no lugar de Syaoran, mas de alguma forma eu consegui quando mencionei que ele ainda poderia estar em risco e aquele era o único momento em que as coisas poderiam se resolver. Então me cobri com um lençol dos pés a cabeça fingindo dormir, me estendendo o máximo que eu poderia. Eu não tinha certeza se ele apareceria, mas por sorte, minha linha de pensamentos estava certa. Deixei para minha mãe cuidar do resto, primeiramente, ela chamou a policia para que levassem o homem. Depois cuidaria para que ele fosse exportado de volta para a China e que o clã decidisse qual seria sua punição, juntamente com o governo chinês, por tentativa de homicídio culposo.

Meus olhos estavam pesados, meu corpo dolorido por conta dos golpes, mas eu precisava olhar Sakura mais uma vez e ter certeza de que ela estava bem. O ambiente estava escuro, iluminado apenas pela luz da lua, Sakura parecia que dormia profundamente e não que estava ligada em aparelhos ajudando-a a respirar. Eu precisava me acalmar.

Cheguei perto e beijei sua testa.

—Me desculpe por envolver você nisso. A culpa é minha! – murmurei contra seus cabelos – Eu te amo!

Caminhei até perto da janela olhando para o céu noturno. As estrelas brilhavam fortes e imponentes. Rezei mais uma vez para que alguém tivesse escutado minhas orações, eu daria minha vida para que ela voltasse a vida normal que tinha.

A cama ao lado estava vazia. Me deitei e assim que meus olhos se fecharam eu adormeci. Não sabia se foi um sonho ou não, mas ouvi uma risada fraca e distante, como se alguém estivesse ao longe.

****

Acordei com o sol em meu rosto. Meu corpo estava dolorido e minha cabeça doía. Levantei de vagar, tentando me lembrar de onde eu estava e o que tinha acontecido. Tentei me espreguiçar para aliviar a dor no corpo.

O que havia acontecido mesmo? Eu estava com Syaoran, e ele havia dito algo que tinha me deixado muito feliz. Olhei ao redor e vi seu corpo a cama ao lado.

Não tinha entendido, porque Syaoran estava ali? Havia um tubo em sua boca e um curativo grande em seu peito, mas ele estava inconsciente. Porque Syaoran estava ali? Olhei para minhas próprias mãos, estavam pequenas, como eram antigamente. Meus cabelos estavam mais cumpridos como sempre foram.

Eu havia voltado a ser eu, eu era Sakura novamente. Mas porque sentia uma necessidade tão grande de chorar? Porque Syaoran não estava levantando e comemorando comigo? Porque ele estava daquele jeito?

Me levantei e cheguei perto, ele respirava devagar, com dificuldades, mas sua pulsação estava estabilizada. Olhei para meu reflexo no vidro da janela.

Nós havíamos voltado ao normal.

Notas finais
Esse foi o capítulo de hoje, por favor, jamais enfrentem alguém com faca dessa forma kkkk, espero que tenham gostado. Finalmente eles voltaram, mas e Syaoran?