rEVERSE - O conto da primeira estrela
15 Sobre as estrelas
Notas iniciais
(Sakura) Sobre as estrelas
Minha vida havia aos eixos. Eu tinha conseguido o que queria, minhas amigas de volta, a presença de meu pai e meu irmão a mesa mais uma vez, até mesmo a equipe de torcida.
Porem, apesar de tudo estar exatamente da forma que eu sempre quis, ainda chorava as tardes, na sala de musica, me sentindo solitária. Apenas Tomoyo sabia o que estava acontecendo e se mantinha ao meu lado, mas me sentia mal ao pensar que não era os braços dela que eu queria me consolando.
Dois dias e Syaoran não havia acordado. Finalmente voltamos ao normal e ele ainda estava internado no hospital. Eu tentei tirar o máximo de informações com sua mãe, tentando entender o que ele havia feito para voltarmos ao normal. Peguei pouco da historia. Apenas que alguém queria me ver morta... Syaoran no caso... E agora, como seu corpo estava naquele estado, era ele que estava preso de volta lá dentro.
Eu nem mesmo conseguia prestar atenção às aulas mais, meus olhos se enchiam d’água e eu não conseguia enxergar, minhas mãos ficavam tremulas e eu travava o soluço na garganta tentando me segurar.
Visitei-o todos os dias desde que deixei o hospital, na esperança de estar presente quando acordasse. Aproveitava para fazer companhia a sua mãe e ouvia historias de sua família. Por dois momentos, senti que eu o chão desabas sobre meus pés. Um foi quando eu e sua mãe conversávamos na sala de espera e vimos os médicos correndo em direção a seu quarto. Syaoran havia parado de respirar. Depois de um momento muito assustador, um doutor estrangeiro veio até nós e explicou que os pulmões de Syaoran deram uma parada momentânea, mas voltaram ao normal. Havia sido apenas um – porem ele não comentou em melhoras.
O outro momento foi quando Yeilan havia dito que Syaoran tinha uma noiva.
Ela pediu desculpas, pois sabia de meus sentimentos, mas o filho precisava voltar para a China e assumir o clã logo de uma vez, gerando outro herdeiro. Ele já tinha alguém prometido. Eu apenas assenti com a cabeça, dizendo que entendia. Quem Sakura Kinomoto ara para se evolver com o herdeiro da família imperial chinesa?
Yeilan havia me dito para vir ver Syaoran todos os dias até sua transferência, pois ela não sabia até quanto tempo iria ficar no Japão. Eu levantei assustada, confusa com suas palavras.
—Assim que seu quadro se estabilizar, darei um jeito de transporta-lo para a China. Acredito ele terá uma recuperação melhor nas mãos dos médicos de nossa família – ela olhou para mim com desanimo – Me desculpe Sakura, agradeço do fundo de meu coração por tudo o que tem feito por ele até agora, porém como mãe, penso no melhor para meu filho. Ele provavelmente ficara muito irritado se partimos sem que possam se despedir, mas vai ser melhor assim. Causara menos sofrimento aos dois.
O que eu tinha feito até agora por ele, ela disse. O que eu tinha feito por ele até agora a não ser causar incomodo? Com muita coragem e engolindo o choro na frente da princesa chinesa, ou perguntei quando ela pretendia ir embora?
—Em uma ou duas semanas se estiver tudo certo – Comentou ela, ficou por um tempo me observando, levantou-se e colocou os dedos em meu rosto – você teria meu consentimento se dependesse somente de mim. Me perdoe criança.
Ela me abraçou e eu mergulhei em seus braços.
***
Uma semana depois após eu parar de visitar o hospital, apesar das palavras de Yeilan, havia virado um robô em minhas atividades costumeiras. Meu coração não se aguentava em ver Syaoran deitado naquela cama, pensando que ele nunca seria meu, então decidi tentar afogar o sentimento de vez.
Tomoyo sempre tentava tocar no assunto, mas eu desviava toda vez. Ocupava a mente com as atividades escolares, trabalhos e qualquer coisa que me fizesse parar de pensar. Resolvi pegar o emprego de meio período de um restaurante chamado Gato Preto que eu havia visto no centro da cidade, saindo para comprar alguns livros com Tomoyo a seu pedido – ela queria que eu saísse um pouco de casa.
Era um lugar bonito. Havia mesas rústicas do lado de fora também, com uma varanda no segundo andar, que era cheia de estantes de livro. Havia muitas flores enfeitando a entrada e as janelas eram grandes para deixar o ambiente iluminado com luz natural de dia. Syaoran teria adorado aquele lugar.
Eu pedi para sair do time de torcida, não tinha animo nenhum para essas coisas. Me dedicava completamente ao emprego após a escola, mas os fins de semanas eram cruéis, pois eu não tinha o que fazer e minha cabeça voltava novamente para a lembrança daqueles cabelos rebeldes.
Até mesmo olhar no espelho era ruim, pois eu esperava ver outra pessoa em meu reflexo. Todas as noites, abria a janela de meu quarto e olhava para as estrelas, mas o que eu poderia pedir? Já tinham concedido o que queríamos, se pedisse para ficar com Syaoran, só iria complicar a relação com sua família. Sinceramente, não acreditava mais nas estrelas.
Na noite de domingo, após me virar varias vezes tentando dormir, me levantei e troquei de roupa. Num impulso involuntário, sai de casa e corri em direção ao hospital. Parei na porta tentando decidir de entrava ou não. Ele teria acordado? Acho que não, pois ele ou Yeilan teriam me ligado. A vontade de ver o chinês parecia um efeito de abstinência após consumir muitas drogas que fazia meu coração saltar toda vez que o via, sentia seu cheiro ou ouvia sua voz.
Dei meia volta duas vezes e depois voltei para a entrada novamente. Eu queria vê-lo, mas sabia que iria doer mais ainda depois. Teimosamente, entrei e me segui para seu quarto, tomando cuidado para ninguém me ver – principalmente Yeilan, não queria que ela se sentisse culpada por estar separando nós dois.
O quarto estava vazio a não ser por Syaoran. Senti um alivio grande de uma pedra sedo retirado de meu coração ao ver que ele não estava mais dependente de aparelhos para respirar. Porem dormia profundamente. Ele já teria acordado?
Cheguei perto o suficiente, como a pessoa mais silenciosa do mundo, chutando o pé da cama sem querer, mas ele não havia acordado. Suspirei aliviada, pois seria muito mais difícil. Retirei seus cabelos da testa, seu corpo estava meio frio e pálido, olhei pelo quarto e fechei a janela aberta. Seus cobertores também eram meio finos, procurei nos armários da sala algo mais quente e o cobri. Na época de outono, o dia fazia calor e a noite esfriava bastante.
Minha mão havia voltado para seus cabelos, descendo pela lateral de seu rosto e pousando em sua bochecha que já estava um pouco mais quente. Lagrimas desceram involuntariamente, mas tratei de limpar na lateral do ombro, fungando. Era minha despedida.
Não conseguia parar de olhar para seu rosto, e ao mesmo tempo, queria ir embora para me enfiar debaixo de meus cobertores e nunca mais levantar. Finalmente, eu olhava para o rosto de Syaoran, agora era ele e não o meu. Eu sorri tristemente.
Ainda segurando seu rosto, me abaixei sem tentar fazer peso na cama ou sobre ele – tinha medo que acordasse. Apenas meu fungado do nariz era ouvido. Syaoran, não importa onde você estiver ou de quem você for. Meu coração sempre vai amar você. Beijei seus lábios uma ultima vez, demoradamente. Eram mais macios que os meus. Respirei fundo seu cheiro pelo qual havia me apaixonado e sai de lá antes que não conseguisse mais.
****
Como eu havia imaginado, havia doido muito mais a meu coração do que se eu não tivesse ido. Mas pelo menos havia me despedido direito. Eu tentava não pensar no final das aulas, o que faria depois de terminar a escola? Acho que pediria para ficar efetiva no restaurante por um tempo e tentaria descobrir o que eu gostaria de fazer de minha vida depois.
Naquela semana, tínhamos recebido uma folha para preenchermos sobre nossas possíveis carreiras e planos futuros. Eu não sabia o que colocar, na verdade, a confusão no mês interior foi tão grande, com eu e Syaoran trocando de lugar, mais o festival cultural, que não passou em nossas cabeças sobre o futuro, apenas o presente e nossos corpos voltando ao normal.
Aquela folha me encarava em branco, o lápis grafite no porta-lápis de minha escrivaninha estava apontado, sem uso. O que eu poderia escrever sobre meu futuro? Syaoran seria o novo herdeiro do clã Li, casado com uma linda esposa e um belo filho, governando metade da China enquanto Sakura Kinomoto trabalhava até tarde em um pequeno restaurante em uma cidade no interior, presa para sempre em Tomoeda como garçonete.
Esse era meu futuro. Joguei o lápis de volta no porta-lápis, derrubando todo o resto e coloquei meus livros em cima da folha ainda em branco. Estava tarde, eu estava exausta e frustrada novamente.
Ouvi um barulho do lado de fora da janela. Me lembrei que não havia colocado comida para meu gato Kero. Me julguei como uma péssima dona e comecei a chama-lo abrindo a janela.
Procurei entre os galhos das árvores, até notar que o barulho vinha de baixo. Um vulto enorme pulou sobre mim, tampando minha boca para eu não gritar devido ao susto. Mas minhas reações morreram ao constatar que era Syaoran.
Eu não sabia o que fazer. Chorar com certeza, mas por qual motivo? Que ele havia acordado e parecia bem ou as saudades que estavam acumuladas? Talvez porque ele iria embora para China e casaria com outra, me deixando sozinha. Acho que foi tudo aquilo junto.
Ele me encarava de volta, sem dizer uma palavra. Apenas olhava em meus olhos. Encarando seus olhos de volta, percebi que era a primeira vez que nos olhávamos enxergando um ou outro, e não a imagem invertida. Eu via aquela profundidade novamente, o olhar intenso que tanto sentia falta e somente ele sabia fazer.
Ainda estávamos no chão, ele sobre mim e minha mão em seu peito. Reparei as faixas que cruzavam seu tórax, cobrindo o ferimento e voltei a mim novamente.
—Syaoran! O que você esta fazendo aqui? Ainda esta se recuperando... Não devia esca...- enquanto eu falava, ele me abraçou ali mesmo no chão, me prendendo em seus braços e enfiando o nariz em meus cabelos. Estava me fazendo perder a sanidade novamente – Não devia...Não devia escalar as sacadas dos outros... Ei, está me ouvindo? Uhm.
Os dedos de meus pés se reviraram quando ele enfiou o rosto em meu pescoço. Acabei fazendo sons estranhos, tendo dificuldades de respirar. A sensação de contato era muito mais intensa do que antes.
—Syao...Syaoran! Espe...Espera...
—Já esperei demais!
Sua volta havia voltado a ser retumbante novamente. Ele parecia que queria me quebrar ao meio de tão forte que apertava contra seu corpo, eu não parava se sentir arrepios subirem e descerem.
—Eu te falei que só beijaria você novamente quando voltássemos ao normal – disse ele olhando intensamente para mim – estou cobrando o pagamento.
Esperei ele chegar perto, mas antes de sequer encostar em mim, sentiu uma pontada de dor que o fez recuar. Recuperando a razão, o fiz girar para o lado. Era minha vez de ficar por cima, mas ao invés de realiar a fantasia que rodava minha cabeça, me levantei e apontei para a cama.
—Já chega. Ali. Agora!
Ele entendeu o recado. Se levantou e sentou-se onde mandei. Já mais calma – nem tanto assim – consegui analisar bem a situação. Ele estava com uma roupa diferente do hospital, havia passado em sua casa e colocado uma calça moletom e uma blusa flanela, que estava aberta mostrando sua linda barriga. Porém, as faixas ainda estavam ali e ele anda sentia dores, pelo visto.
—O que você esta fazendo aqui? – não era o que eu queria perguntar, queria saber se ele voltaria para a China – quando acordou?
—Faz pouco tempo. Há uns dois dias.
No mesmo dia que eu havia visitado o hospital, comecei a rezar para que naquela hora ele estivesse dormindo ainda.
—Eu me sentia bem, mas os médicos não me deixaram sair da cama. Na verdade, eu fugi para vir aqui.
—E porque? – disse eu, ouvindo minha voz falhar, mas ainda consciente de que todos na casa estavam dormindo – porque veio aqui?
Essa não. Não era o que eu queria mostrar a ele. Eu queria dizer que estava tudo bem, e que estava feliz por estar de volta. Não queria mostrar o quão triste eu estava, como a visita dele era dolorosa e de como eu sentia falta dele.
—Minha mãe e eu coversamos Sakura – ele olho para baixo, notei que estava usando pantufas do hospital, manteve o silencio e vi sua mão apertando a calça – vamos embora amanha!
Eu me preparei para falar algo, mas notei que iria chorar. Virei às costas antes que ele pudesse ver algo, e fingi andar até o espelho. Tentei controlar a voz para que saísse normalmente, eu jamais iria querer ficar entre Syaoran e sua família, não queria que ele tivesse que escolher. Mas no fundo gostaria que dissesse que iria ficar.
Seus braços me envolveram por trás, me abraçando fortemente. Ele apoiou a testa em minha cabeça.
—Me desculpe Sakura – sua cabeça escorregou para meu ombro esquerdo – não posso deixar minha mãe lutando aquela batalha sozinha. Eu preciso ajuda-la. Assumir meus deveres. Eu tenho que ir...
Eu apenas assenti com a cabeça. Tampava a boa com minhas mãos para não chorar alto, mas Syaoran podia sentir meus ombros tremendo. Ele disse, com a voz fraca e chorosa:
—Eu te amo! – ele me virou para encarar seu rosto, seus olhos estavam úmidos e vermelhos como os meus – eu te amo demais... Porque uma cabeçuda como você tinha que me prender assim? O que será de mim se eu for embora e você me esquecer? Eu te amo desde que te vi pela primeira vez... Te amei muito mais quando começamos nossa primeira briga...e agora amo ainda mais depois que me beijou...Sakura...
Ele me puxou para encontrar sua boca. Não esperou licença para que sua língua se encontrasse com a minha e explorasse em toda parte. Minhas mãos subiram por sua cabeça para se enroscar em seus cabelos e puxa-lo ainda mais. Ele me puxou e me tirou do chão, dando pouco tempo entre cada beijo para respirar. Havíamos enlouquecido.
Ele me arrastou para a cama e deitou-se sobre mim, como varias vezes eu havia sonhado. Suas pernas e as minhas se entrelaçaram enquanto nossas mãos exploravam outras partes. Eu nem havia percebido que já tinha tirado metade de sua camiseta flanela. Era tão bom sentir suas costas largas e músculos fortes.
Syaoran desviou de minha boca para o pescoço me fazendo gemer e morder os lábios. Eu tinha que tomar cuidado para não fazer barulho, mas ficou difícil quando suas mãos entraram por dentro de minha blusa, tendo contato diretamente com minha pele nua.
—Eu não aguento mais, Sakura – sua voz estava rouca – depois de tanto tempo dentro desse seu corpo, vendo ele todos os dias em minha frente sem poder fazer nada...é tortura você estar em minhas mãos.
Ele dizia enquanto seus beijos passavam pela minha clavícula e desciam ainda mais. Eu só conseguia me prender a seus cabelos.
—Você vai embora amanha, não vai? Então me deixe um pedaço seu e leve um pedaço de mim. Eu... Eu te amo, Syaoran!
Ele subiu e olhou para mim. Colocou as mãos em minhas bochechas e me beijou profundamente, não antes de eu sentir uma lágrima cair na lateral de meu nariz e descer para se juntar as minhas.
Nós dois nos amávamos e iríamos nos amar essa noite. Pela ultima vez.
Eu nem conseguiria descrever a sensação que foi Syaoran descer as mãos por dentro de minhas roupas, como era quente e estranhamente úmido. Seus dedos envolveram meus seios por baixo da blusa até ele ficar impaciente e arranca-la completamente, assim como eu fiz com a sua. Tomava cuidado para não machucar ele, mas parecia que ele havia se esquecido completamente do ferimento.
Ele me beijava enquanto acariciava entre minhas pernas, até que seus dedos entraram em mim e mantiveram um ritmo estável. Eu me sentia muito quente, me contorcendo de prazer. Quando ele aumentou o ritmo, agradeci por seu corpo estar sobre o meu me prendendo ou eu já teria escapado devido às sensações fortes que faziam meu corpo vibrar. Minhas mãos agarravam seus ombros e passeavam por suas costas, segundo a linha da coluna até a base de seu moletom, enquanto sua cabeça estava na lateral de minha cabeça.
—Syaoran – soltei num fio de voz.
Porem ele não chegou ao fim, parou com a mão e se ergueu. Arrancou todo o restante de roupa que tinha em mim, me deixando extremamente envergonhada. Eu tentei esconder minhas partes, mas ele não deixou, pelo contrario, abriu minhas pernas, pronto para encaixar sua cintura entre elas.
Ele ia desafivelar o sinto, mas eu segurei suas mãos. Beijei sua barriga, queria na verdade beijar sua ferida por cima das ataduras, mas eu estava sentada e ele de joelhos. Meus beijos foram descendo até que eu mesmo desafivelei o cinto e desabotoei sua calça. Baixei-as até que ele levantasse um joelho de cada vez para joga-la ao lado da cama. Ele não deixou que eu retirasse sua ultima peça, ele mesmo fez isso e internamente eu agradeci, pois quando vi o que me aguardava acabei desviando o olhar, envergonhada.
Ele deitou-se sobre mim. Eu sempre ouvi dizer de minhas amigas que a primeira vez doía muito, então fechei os olhos com força esperando a dor vir, mas percebi que Syaoran apenas se encaixou em mim, com suas mãos passeando e apertando todo o meu corpo. Toda vez que ele se concentrava em meu pescoço minha respiração ficava descompassada e Syaoran percebeu. Ele ficou brincando por ali, entre minha boca, pescoço e por vezes seios. Eu conseguia sentir sua ereção entre minhas pernas, diretamente na pele, pulsando de desejo... E sabia que ele estava se contendo. Ele passou os dedos por minha intimidade novamente vendo o quão úmida estava e olhou para mim... Calculando que eu estava pronta.
—Sakura, me desculpe se eu te machucar... É minha primeira vez também, então... Eu não sei como aliviar mais que isso.
Eu balancei a cabeça.
—Não se preocupe com isso... Eu amo você.
Ele me beijou e segurou minhas mãos entrelaçando nossos dedos. Ele me penetrou encaixando de vagar, mas quando viu que eu estava no limite de dor, colocou tudo de uma vez e ficou ali, sem se mover. Eu arranhei, mordi e fiz de tudo pra não gritar, mas acabei soltando um gemido de dor mais alto do que pretendia. Saiu abafado porque mordi meu lábio inferior.
Syaoran parou de se mover, colocou a boca em minha orelha e sussurrou.
—Ok, já foi... Vai passar. Me desculpe. Esta tudo bem – quando afrouxei um pouco as unhas de suas costas, ele falou – olha, vou me mover, ok?
E assim ele o fez. Começou a se mover devagar. No inicio senti algumas pontadas de dor, até que veio outra sensação estranha e logo eu estava gemendo e soltando o nome de Syaoran de forma involuntária. Ele ganhou confiança e começou a se mover muito mais rápido, arfando contra minha orelha, soltou de minhas mãos para segurar no batente da cama e a outra agarrada aos lençóis. Minhas pernas se prenderam em sua cintura, e minhas mãos se engancharam em suas ataduras. Nós já não respirávamos e ainda assim nos beijávamos, logo depois buscando ar, sem parar de se mover. A cama se mexia para cima e para baixo, mas não conseguia lembrar de que existiam outras pessoas ali ou reparar se estávamos fazendo muito barulho.
Explodi em um turbilhão de sensações até que meu corpo começou a flutuar, atingindo o clímax. Syaoran deu duas investidas finais demorando-se um pouco em mim e me esmagou com seu peso, completamente relaxado.
Ambos estávamos suados e exaustos.
—Syaoran! – disse eu batendo em seu ombro para sair de mim.
Ele se virou e me levou junto com ele, meu corpo caindo por cima de seu ombro. Eu o abracei, de repente me lembrando de seu ferimento, tratei de sair de cima dele o mais rápido que pude.
—Esta tudo bem, sério.
Mesmo ainda assim, evitei de ficar sobre seu peito. Deitei em seu braço direito e ele me envolveu com o esquerdo. Ficamos ouvindo nossas respirações e nos cobrimos com o lençol, pois estava começando a esfriar. Meu corpo estava relaxado e estava quase caindo no sono, porém não queria dormir. Ele parecia pensar o mesmo, pois me encarava.
—Eu tenho que dizer uma coisa a você... – era a melhor escolha – acho melhor eu não ir até o aeroporto. Se eu for, vou desmoronar Syaoran. Na verdade, vou desmoronar mesmo aqui. Eu já tinha me despedido de você.
—Eu me lembro... Achei que fosse um sonho, mas era você mesmo...
—Me desculpe Syaoran!
—Pelo que?
—Por tudo! Por ser tão mimada quando tínhamos trocado de corpos, por fazer você se machucar. Por ter feito você escolher entre eu e sua família. E por desejar que trocássemos de corpos novamente, só para prender você a mim...
—Eu é que peço desculpas... Foi dolorido, não foi? O tiro nas costas que você recebeu? Foi tudo minha culpa. Rezei para as estrelas e elas atenderam meu pedido... Na verdade, para uma única estrela...a primeira estrela da noite.
—A primeira estrela da noite?
—Foi ela sabia? Eu descobri mais tarde... Ouvi alguém rindo e depois eu sonhei... Não lembro como foi o sonho, mas eu acordei já sabendo o porquê havíamos trocado de corpos... A primeira estrela da noite é a única que presencia o encontro entre o sol e a lua... Por breves momentos em que eles podem se ver... Quando o sol se põe e a noite cai... Essa estrela presencia tudo... Ela é especial, concedendo desejos a almas mais fortes... Porem, ela não mede consequências, ainda é uma criança... Mas a mais forte...
—Será que ela realizaria um segundo desejo meu? De ficar com você para sempre?
—Eu não sei se ela realizaria... Mas eu prometo realizar... vou manter contato Sakura, até que você não queira mais saber de mim...
—Esse dia nunca vai chegar... Mas Syaoran, eu sei que você vai casar...
Por um instante, seu rosto assumiu o de uma criança ele torceu o rosto, prestes a chorar. Era um destino que ele não poderia evitar. Ele passeou sua mão em minha bochecha e passou os dedos pela nuca de meu cabelo, me puxando para me beijar.
Subiu em cima de mim novamente e prendeu minhas mãos a cima de minha cabeça, tendo uma visão privilegiada de meus seios. Depois de retirar o nariz deles, ele olhou para mim e falou.
—vou te manter acordada a noite toda... Quando você dormir e acordar novamente, eu não vou estar mais no Japão... – eu assenti com a cabeça, sentindo as lagrimas descerem – não importa o que acontecer no futuro Sakura, eu me casando ou não, sempre vou amar você.
E assim como começamos, repetimos tudo novamente. Pela noite toda, fizemos amor e trocamos juras um ao outro. Eu me recusava a dormir mesmo quando o sol já estava raiando e a ultima estrela indo embora. Sobre os beijos de Syaoran eu adormeci, chorando ao saber que quando acordasse ele não estaria mais comigo. Não ouvi seu ultimo eu te amo e seu adeus, não senti seu ultimo beijo.
Acordei muito mais tarde. A cama vazia e o lençol sobre mim. Olhei pelo quarto, desesperada vendo que ele já tinha ido embora. Chorei como uma criança. Touya e meu pai batendo na porta, pedindo para abrir para saber o que estava acontecendo. Abracei meu travesseiro pedindo para o cheiro daquele chinês nunca desaparecer daqueles lençóis.
Um coisa pequena brilhava em cima de minha escrivaninha, chamando minha atenção. Era um pequeno colar em forma de flor se cerejeira, sobre um bilhete escrito eu te amo. Cai de joelhos no chão, ainda enrolada com o lençol da cama, mantendo pingente e o bilhete amassado em minhas mãos, enquanto eu chorava e recolhia os caquinhos quebrados de meu coração.
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