Os dois saíram do quarto instantes depois. Ele a apanhou no colo com cuidado antes de descer as escadas. Ele nunca deixava ela descer ou subir sozinha, receava que ela tropeçasse no vestido, ou sentisse uma tontura (o que acontecia com freqüência), então a carregava. Ela não reclamava pela dor nas pernas e na coluna, eram muitos degraus, e os degraus eram altos. Quando chegaram no térreo ele pôs ela no chão com o mesmo cuidado. Os dois caminharam uns instantes, até que se encontraram com os outros.

Elena: Onde está Caroline? – Perguntou, dando falta. Se arrependeu na hora. Jenna desfiou um rosário de queixas, sobre dezenas de coisas. Agora o problema era o tamanho das roupinhas. O bebê não parava de crescer, e Caroline, estava querendo mandar refazer tudo, só que em tamanho maior. Damon franziu o cenho, mas Elena dispensou com a cabeça.

Klaus: Caroline está se aprontando. — Respondeu, entrando no corredor — Sabe, eu acho que devemos chamar um médico. — Disse, cruzando os braços. Todos o olharam. — Não adianta mais negar.

Elena: Negar o que? — Perguntou, confusa.

Klaus: Você está com vermes. — Respondeu, erguendo as sobrancelhas de modo debochado, e Elena revirou os olhos, abraçando a barriga. Jenna parecia ter levado uma bolacha.

Alaric sorriu da exasperação da esposa, se afastando, mas uma mão pálida, branca, segurou seu braço. Ele ergueu o rosto e viu Madison, sempre de preto, os diamantes da coroa brilhando sobre os cabelos, e o rosto com uma expressão perturbadora. Era preocupação, frustração, receio. Ela olhava a barriga de Elena, que tentava acalmar Jenna.

Alaric: O que há? – Perguntou, em tom baixo, voltando pra perto dela.

Madison: Há algo de estranho com esse bebê. – Disse, ainda olhando a barriga de Elena. Alaric olhou, inclinando a cabeça pro lado, mas não encontrou o ponto.

Alaric: Estranho? – Repetiu, tentando entender.

Madison: É. – Disse, ainda concentrada – Eu não sei o que é. Algo anormal, diferente. – Ela ergueu os olhos negros para encará-lo. Havia preocupação ali. – Algo errado. – Concluiu.

Hope, surpreendentemente, se engajou no enxoval do irmão, o que fez Elena e Madison colocarem ela na carruagem que saiu na frente, com Jenna e Caroline. Madison parecia distante, pensativa.

Elena: Está tudo bem? – Perguntou, estranhando. Madison a encarou e assentiu. Ambas esperavam a carruagem parar na frente do castelo.

Damon: Ei. – Disse, descendo a escadaria. Ele tinha o manto dela nas mãos. Enquanto o de Madison (que já o vestia) era negro, o de Elena era da cor do vestido. Damon passou o manto em volta do ombro dela, abotoando-o. – Tome cuidado. – Advertiu mais uma vez, quando a carruagem parou. Damon ajudou ela a subir na carruagem. Madison entrou sozinha. Ele fechou a porta e passou a frente, pra falar com o cocheiro. Sua voz era ameaçadora – Dê um único tombo ou sacudida nessa carruagem, e eu vou mandá-lo a forca. – Avisou – E não corra.

Cocheiro: Sim, alteza. – Confirmou e Damon se afastou.

Klaus: Sabe... Você precisa parar com isso. – Disse, enquanto Damon observava a carruagem se afastar.

Damon: Me deixe em paz. – Murmurou, saindo dali.

Uma vez na carruagem, ao se afastarem do castelo... Elena estava muito bem, muito obrigada, mas Madison parecia observá-la. Então, não se contendo, e como quem não quer nada, questionou.

Madison: Como... Como está se sentindo? – Elena ergueu a sobrancelha.

Elena: De todas as pessoas que eu pensei que Damon fosse pôr para me vigiar, você foi uma das ultimas que eu imaginei. – Respondeu, achando graça.

Madison: Não. – Corrigiu – Não digo apenas agora. Na gravidez, em um sentido geral. – Elena abaixou a cabeça, olhando a barriga, e a abraçou, inconscientemente.

Elena: Ah. Bom, meu bebê é grandão. – Disse, lembrando de como Damon chamava o filho – Fora isso é tudo normal. Eu tenho sono, enjôo com tudo, as vezes desmaio. Minha coluna dói, meus pés incham com facilidade, meus seios estão doloridos pelo leite... Nada demais. Porque? – Perguntou, insinuando – Por um acaso...

Madison: Não. Não vai crescer uma melancia na minha barriga tão cedo, acredite. – Elena riu, divertida – Curiosidade, apenas. – Ela parou por um instante – Você não sente nenhuma dor... Dor na cabeça, ou no peito, nada assim?

Elena: Não. – Disse, confusa – Eu deveria?

Madison: É claro que não. – Disse, sorrindo de canto.

Madison voltou a ficar pensativa, e Elena resolveu não interromper. A carruagem real tinha seis cavalos presos nela, todos pretos. A viagem não demorou muito; elas só iam a uma loja, pra variar um pouco. Quando a carruagem parou houve um pequeno alvoroço. Elena tentou abrir a porta, mas alguém segurou.

Cocheiro: Só um instante, alteza. – Pediu, a voz vindo do lado de fora.

Elena: O que há? – Perguntou, estranhando.

Madison: A noticia de que estamos vindo pra cá deve ter vazado. – Disse, tranqüila – Sem contar que Caroline, Jenna e Hope já devem ter passado. Não é nada demais.

E foi verdade. Alguns instantes depois o cocheiro abriu a porta. Soldados haviam dado as mãos, fazendo uma corrente, como um corredor largo, afastando os súditos. A imprensa também estava ali. Madison saiu da carruagem elegantemente, ajeitando a capa nos ombros, mas Elena teve dificuldade. Tinha medo de tomar um esbarrão, qualquer coisa que machucasse o bebê. Damon teria concordado.

Madison: Ajude-a. – Ordenou, e o cocheiro deu a mão a Elena, que agradeceu, descendo lentamente da carruagem.

Elena: Estou retardando-a, não é? – Perguntou, sem jeito. Madison sorriu.

Madison: Retardando? Quem? – Brincou, e Elena sorriu – Vamos, está frio aqui. – Disse, quando a carruagem saiu.

Elena assentiu e elas caminharam um passo, mas o alvoroço se fez mais alto. Todos queriam ver a barriga de Elena, ninguém havia visto a gestação dela ainda. Haviam fotos, e as pessoas se espremiam. Elena parou por um instante para acenar delicadamente para todos, o que causou uma onda de gritos, e Madison sorriu, sem acenar para ninguém, mas sendo simpática. Por fim elas entraram na loja, e a segurança barrou a entrada.