O alvoroço vindo do lado de fora foi imediato. Os reis, muito contra vontade, se vestiram as pressas. Ninguém sabia o que era, mas todos sabiam que não era normal.

Damon: Eu só vou ver o que foi. Fique aqui, me espere. – Ordenou e Elena assentiu com a cabeça, enrolada num lençol, no meio da cama.

Ele mal fechou o colete e saiu, descendo as escadas apressadamente. A guarda se fechou na frente da escadaria assim que ele passou batido, direto pro quarto de Hope. Mas a menina dormia profundamente, sua inocência intocada pelo barulho anormal. Guardas armados foram pra porta do quarto da menina e ele desceu pro térreo. Encontrou Klaus e Alaric lá.

Klaus: Coincidência vê-los por aqui, cavalheiros. – Disse, sorrindo descaradamente, o cabelo bagunçado, a camisa pra fora da calça.

Alaric: Estou realmente encantado. – Disse, debochado. Os cabelos de Alaric estavam apontando pra todos os cantos, de qualquer modo – Que demônio foi aquilo?

Damon: Não sei, mas não me parece nada bom. – Se resumiu.

Lorenzo: Madison está furiosa. – Disse, se revelando no fundo do corredor – Isso não é um bom presságio para nada, acreditem. – Disse, passando a frente.

A cena seria cômica se não fosse trágica. Todos estavam descalços, despenteados, mal vestidos (Lorenzo nem se dera ao trabalho de colocar o colete), e com as caras amassadas. Quando chegaram a sala já havia um oficial lá, que explicou rapidamente a situação.

Alaric: Ele atirou o que? – Repetiu, em um silvo.

Oficial: Havia uma catapulta, senhor. – Confirmou – Aparente é um rolo de corda, gigante.

Klaus: Aparentemente? – Repetiu – Ninguém parou para olhar o que era?

Oficial: Está pegando fogo, senhor. Não há como se aproximar. – Lorenzo observava tudo, quieto.

Damon: Por onde?

Oficial: Willow Creek. – Informou.

Lorenzo: Eu não coloquei homens meus cobrindo aquela divisa? – Perguntou, tranqüilo demais pra ser saudável.

Oficial: Ainda assim, alteza, é um campo aberto. Estão atacando por lá. Enquanto brigam, a catapulta é puxada mais para perto. Meus soldados acreditam que o objetivo é atingir o castelo. – Encerrou.

Klaus: Vamos plantar arvores! – Disse, rindo, debochado.

Alaric: Quantos homens? – Perguntou, respirando fundo.

Oficial: Não temos como saber. Atacaram por todos os lados, e havia o alvoroço com a bola de fogo. Não temos um numero, mas preciso de reforços.

Damon: Ele está lá? – Perguntou, quieto.

Oficial: Não senhor. Só civis. – Damon assentiu. – Mas eles tem ordem de alcançar o castelo, estão tentando ultrapassar a fronteira com tudo.

Klaus: É uma missão suicida. Ele sabe. Colocou os homens para morrer por puro capricho. – Disse, passando a mão no cabelo. Estava tão bom antes disso!

Lorenzo: Pois muito bem. Envenene as flechas com querosene e toque fogo nelas antes de devolvê-las. Soe o alarde e chame os meus homens. – Ordenou, e o oficial assentiu – Prepare meu cavalo. – Disse, desgostoso, dando as costas. Bonito ia ser explicar isso a Madison.

Alaric: Contenham o avanço, apaguem a bola de fogo. Precisarei do meu cavalo também. – Disse, antes de sair.

Klaus: E só por precaução... – Disse, com um sorriso angelical – DESTRUAM a maldita catapulta.

Damon: Nós estamos indo. – Encerrou, e os dois saíram juntos.

Elena aguardava, como fora ordenado. Madison havia se vestido. Jenna saía do banho. Caroline estava quase dormindo de novo. Os sinos tocaram, o barulho estrondando por todo o castelo. Jenna suspirou, exaltada. Caroline abriu os olhos, focando a parede. Elena gemeu, passando a mão no rosto. Madison olhou pro teto, um rosnado nascendo em seu peito. Maldito fosse.

Elena: Você prometeu. – Disse, quieta, quando ele entrou no quarto. Damon suspirou.

Damon: Eu prometi... Mas ele está tentando tocar fogo no castelo, pequena. – Elena ergueu as sobrancelhas – Eu vou resolver isso rápido, eu prometo.

Elena: Nossa lua de mel estava tão perfeita. – Lamentou, aborrecida.

Damon: Me dê algumas horas. – Disse, se sentando ao lado dela – No final do dia, no mais tardar, terei resolvido isso tudo. Tem minha palavra.

Elena assistiu Damon se arrumar as pressas. Odiava vê-lo com aquela armadura. Enquanto isso, no andar debaixo...

Madison: Me dê um motivo razoável pra eu não quebrar o pescoço de alguém. – Disse, a cabeça caída pro lado, olhando pro nada. Lorenzo prendeu o riso.

Lorenzo: Porque eu estou mandando. – Disse, terminando de fechar a armadura, e ela suspirou.

Madison: Me dê outro. – Ele riu.

Lorenzo: Eu preciso ir. – Disse, se aproximando para beijá-la, mas ela se esquivou. Ele franziu o cenho.

Madison: Entregue esse beijo a Stefan. – Disse, cinza de raiva, e saiu porta a fora. Ele sorriu, divertido.

Lorenzo: Madison, você está de camisola! – Alertou. Veio um grito em resposta no corredor.

Madison: APROVEITE O TEMPO PRA MEDITAR SOBRE COMO EU ME IMPORTO SOBRE ESTAR DE CAMISOLA! – Disse, quase histérica, e ele riu, apanhando a espada nos pés da cama.

Lorenzo: Mad...

Madison: PORQUE AINDA NÃO FOI, LORENZO? – Perguntou, a voz já longe no corredor.

Lorenzo: E se eu morrer lá? – Perguntou, divertido, saindo do quarto. O som do riso dela ecoando pelo corredor o fez rir. Era uma ameaça pior que qualquer grito.

Quando os 4 reis saíram, juntos, o caos reinava. O fedor de queimado alcançava o castelo. Eles se dispersaram, precisavam ordenar os homens, apagar a bola de fogo e quebrar a catapulta. Lorenzo ficou no comando do exercito, sua ordem transparecendo logo em um rugido raivoso. Alaric foi atrás da bola de fogo, que na tentativa de ser apagada agora rolava, espalhando fogo por tudo o que era canto. Damon e Klaus foram furar a barreira para quebrar a catapulta.

Alaric: Mas que diabo... O que vocês fizeram com isso? – Perguntou, exasperado, vendo a bola de fogo rolando sem controle, e as pessoas correndo para sair do caminho.

Soldado: Tentamos rolá-la, para quebrar, senhor. Saiu de controle. – Robert rolou os olhos.

Alaric: Percebi. – Disse, incrédulo – Façam ela parar, ataquem com lanças até fixá-la em um ponto e JOGUEM AGUA! – Disse, óbvio. O soldado assentiu e saiu correndo, repetindo a ordem. Alaric observou. Os gritos de Lorenzo eram ouvidos dali. Ele aguçou os olhos, vendo pra onde a bola rolava – Não deixem ela alcançar... – A arvore chegou na copa das arvores e Alaric gemeu, suspirando em seguida — ...As arvores.