just one more about love Delena
85 Capitulo 85
Um pequeno flashback...
Haviam dois guardas, dois soldados, em frente a uma pequena casinha, perto da copa da fronteira, próxima a algumas arvores. A noite era fria e ventava bastante, mas os dois não se demoviam. Tinham ordens expressas: Stefan acreditava que Elena voltaria para buscar a mãe. Quando ela voltasse, estariam prontos. A ordem era matá-la sem perguntar, e levar o corpo para ele. Mas dias se passaram, e nada aconteceu.
Guarda1: Está mais frio que o normal. – Disse, esfregando as mãos.
Guarda2: Creio que logo choverá. – Os dois olharam o céu nublado, observando, então...
– Boa noite.
Os dois olharam. Do nada havia uma pessoa ali, parada como se houvesse estado o tempo todo, coberta por um manto negro, com capuz. Só se via o queixo e os lábios. A voz era feminina e a mulher sorria de canto. Podia bem ser um espectro. Os guardas puxaram as espadas imediatamente, alarmados.
Guarda1: Nem um passo, em nome do rei. Retire o capuz. – Ordenou.
O vulto aquiesceu e duas mãos cobertas por luvas puxaram o capuz, revelando um rosto tão branco que tinha uma matiz acinzentada. Os cabelos eram negros, presos em um coque, mas não tão negros como os olhos. Era assustador. Assustador e violentamente encantador.
Madison: Porque as espadas, cavalheiros? – Perguntou, e os soldados abaixaram as espadas, meio hesitantes.
Guarda2: Este local está vetado a civis. – Disse, e ela sorriu de canto.
Madison: Ótimo. Se eu avistar um, avisarei. – Disse, sorrindo. A pele dela parecia glacê, sumindo pelo decote do vestido. Ela se aproximou, e um dos guardas olhou pro outro, sorrindo descaradamente – Por favor, senhores. Eu só preciso fazer uma breve visita. – Disse, a voz sedutora.
Guarda2: Ordens do rei. – Negou – Não lhe contaram que uma dama não deve andar só a noite? Sozinha, desprotegida... Não é seguro. – O sorriso de Madison aumentou.
Ela aproximou o rosto do pescoço dele, que lamentavelmente não impediu. Seu sussurro foi frio. O outro guarda, achando se tratar de uma tentativa de suborno, apenas sorriu, animado.
Madison: E tu? Não lhe contaram uma história que afirma que a morte tem várias faces? – Perguntou, com um sorriso – Uma delas é encantadoramente bonita, com a voz incrivelmente doce e sedutora... Usando um manto negro. – Completou.
Mary se preparava para dormir quando o barulho veio. Algo como um grunhido, um grito de homem, que se afogou, em seguida um segundo, um barulho de espada, um baque forte, e a porta se abriu. Mary gritou, recuando. A mulher era branca, totalmente branca, vestia negro e tinha sangue descendo de modo abundante, começando pela boca, sujando todo o pescoço, descendo em fios pelo colo.
Mary: Não. – Ofegou, apavorada. Madison franziu o cenho, como se o fato de ela estar banhada de sangue não fosse relevante.
Madison: Não se preocupe. Não vou lhe machucar. – Ela fechou a porta, trancando-a – Não vai demorar darem por sua falta, precisamos partir. – Disse, se aproximando. Mary se afastou rapidamente. Madison apanhou um pano de prato, molhando-o na pia – Já disse que não vou machucá-la, em nome de Deus! – Isso não muda o fato de que você está com os lábios cobertos de sangue.
Mary: Não vou a lugar algum com você. – Disse, vendo Madison limpando-se do sangue rapidamente. O pano de prato branco logo se tornou vermelho. Madison se abaixou na pia, levando água a boca, e gargarejou... Quando cuspiu era sangue. Mary recuou mais ainda
Madison: Agora me escute bem, pois não temos tempo. – Disse, se virando. Apesar de agora estar limpa, a imagem permanecia.
Mary: O que você é? Um demônio? – Perguntou, apavorada.
Madison: Meu marido me acusa disso as vezes, já que menciona, mas não. – Ela desamarrou a capa do pescoço, revelando o ombro pálido – Não vou lhe fazer mal, estou aqui em nome de alguém que lhe quer bem demais, cujo nome é tabu. Agora vamos. – Mas Mary apanhou uma faca em cima da mesa, apontando-a para Madison.
Mary: Não se aproxime. – A mão dela era tremula. Madison ergueu a sobrancelha, incrédula, observando por um instante.
Madison: É sério isso? – Perguntou, num misto de incredulidade e diversão – Pois muito bem então.
E ela sumiu. Mary olhou em volta, assustada... Então algo bateu em sua nuca e ela caiu. Vagou entre a consciência várias vezes, esperando o momento que aquela criatura dilacerasse sua garganta e drenasse seu sangue. Mas mãos frias a apanharam e ela soube que estava em movimento pelo vento passando em seu rosto. Só parou em uma sala clara, com o ambiente agradável, e ela foi deixada no chão. Uma discussão começou, e ela despertou totalmente. Iria gritar, mas uma voz doce e conhecida chamou. Uma só palavra: “Mamãe.”
Fim de flashback.
Madison estava em seu quarto. Assim que a fúria de Lorenzo passasse, ela pensaria em sair com Alaric em uma viagem de caça. Seria bom. Falando em fúria de Lorenzo... A porta se trancou. Ela se levantou, virando-se, e o viu parado.
Lorenzo: Você tem noção do que eu passei pensando que alguém tivesse lhe feito algo? – Perguntou, a voz dura. Ela se aproximou dele, que não se demoveu.
Madison: Meu anjo, eu estou aqui. Bem aqui. – Ela tocou o peito dele, as mãos ainda cobertas pelas luvas – Já acabou. Eu estou aqui.
Lorenzo: Está, mas poderia não estar. – Ele apanhou os pulsos dela, apertando-os – Eu quase lancei uma ofensiva para ir atrás de você! Quase pus tudo a perder por tua desobediência! – Ele realmente estava furioso. Os pulsos dela doíam barbaramente.
Madison: Lorenzo, calma. – Pediu, encarando-o – Meu amor, sou eu. – Ele ofegava, raivoso. – Está me machucando.
Lorenzo: Você me prometeu... – Ela recuou, tentando se soltar, mas seus pulsos estavam definitivamente presos. Ela sentia como se o osso fosse se romper a qualquer momento – Me prometeu da ultima vez que não faria mais isso. Madison, eu acreditei em você, e você mentiu. – Rosnou, entortando o pulso dela, que arfou.
Madison: Meredith mandaria matar a mãe dela. Tu sabes disso. Não corri risco algum, e fiz o necessário. – Ela o encarava corajosamente, ignorando a dor lancinante dos pulsos. – Eu nunca faria nada que apresentasse a possibilidade de me afastar de ti, Lorenzo. Por favor.
Lorenzo: Me dê sua palavra de que não vai tornar a me desobedecer, não importa qual for a ocasião. – Ordenou. Ela hesitou, e o aperto em seus pulsos piorou. Ela grunhiu. Torcidos já estavam. – Você me deve obediência. Dê sua palavra agora, Madison.
Madison: Não vou mais desobedecê-lo. – Disse, encarando-o – Tem minha palavra. Me desculpe.
Lorenzo a encarou por instantes, então largou os pulsos dela, que gemeu baixo, respirando fundo. Tentou mexe-los, mas não conseguiu fazer direito. Estavam torcidos, doía. Ele observou e se afastou, ofegando. Não gostava de machucá-la.
Lorenzo: Eu vou dormir em outro lugar. – Disse, se afastando em direção a porta. Madison ergueu o rosto, vendo-o sair, e interferiu.
Madison: O que? Não! – Lorenzo a olhou, viu ela ainda segurando os pulsos contra a barriga, mas o rosto agoniado – Eu dei minha palavra, pedi desculpas, não vá! – Ele sorriu de canto – Meu erro foi tão grande assim?
Lorenzo: Eu estou com raiva. Me assustei demais, me senti acuado. – Ela esperou – Preciso me acalmar... Longe de você. – Ela gemeu – Se ficar aqui vou terminar por machucá-la, — Ele apontou os pulsos dela – E não é minha intenção.
Madison: Prefiro que me machuque a passar a noite sem você. Está frio. Por favor. – Pediu, completamente desarmada perante aquilo. Ele avaliou. – Por favor, Lorenzo.
Ele se aproximou e ela esperou. Tinha tentado ajudar, agora além de machucada ficaria sem o marido? Onde morava a justiça nisso? Ele a encarou por instantes, até que levantou a mão. Ela chegou a cogitar que ele fosse esbofeteá-la, mas ele acariciou-lhe a maxilar.
Madison: Por favor. – Insistiu. Ele assentiu e ela sorriu, respirando fundo.
Lorenzo: Me deixe ver isso. – Ele se sentou nos pés da cama, apanhando os braços dela com cuidado. Retirou as luvas delicadamente, avaliando-lhe os pulsos. Os roxos já eram evidentes. – Inferno. – Murmurou, vendo o estrago.
Madison: Não é nada. – Ela se sentou ao lado dele, que a olhou. Em seguida ergueu a mão, puxando os grampos do cabelo dela, soltando-os do coque, deixando-os cair lisos pelas costas dela.
Lorenzo: Tive tanto medo de perdê-la. – Confessou, pondo-lhe o cabelo atrás da orelha – Nunca havia sentido medo desse modo. Eu não suportaria. – Ele apanhou um mecha do cabelo dela, aspirando o perfume.
Madison: Já acabou. – Prometeu, os dedos pálidos passeando pelo rosto dele. Os pulsos estavam rígidos, duros, doendo, mas ela tinha controle dos dedos.
Lorenzo: E essa roupa? – Questionou, rolando os olhos – Dividir até sua imagem, vestida assim, com os outros, me incomodou. – Ele a pôs de pé, olhando o vestido justo. Lorenzo a virou de costas e ela se deixou manusear como uma boneca de pano, logo sentindo os puxões do espartilho. Dentro em pouco o vestido caiu no chão, deixando-a com a roupa debaixo, também negra. Ele a virou pra si novamente, observando-a. Ainda estava consternado, ela podia ver, apesar de que ele estava tentando se controlar.
Madison: Pedi um banho para mim, antes de você chegar. Está pronto. – Disse, enquanto ele enrolava uma mecha do cabelo dela com o dedo. Os cabelos de Madison, soltos, formavam uma cortina negra que ia até a curvatura da cintura, abaixo do umbigo.
Lorenzo: Tudo bem. – Ele a soltou, catando as luvas e apanhando o vestido do chão, embolando-o. Ela viu ele se levantar e se afastar, jogando o vestido em um canto separado. Ele se virou de volta e viu ela ainda ali, parada, olhando-o.
Madison: Venha comigo. – Chamou, se aproximando.
Lorenzo: Madison...
Madison: Há lugar para nós dois lá. – Ela ergueu as mãos, desabotoando o colete dele, ignorando a dor forte nos pulsos. Ela retirou o colete dele, largando-o em um canto, e repetiu o ato com a camisa. O peito forte e pálido de Lorenzo se revelou ao toque dela, que o abraçou, beijando-lhe o queixo – Venha comigo. – Insistiu.
Ela deu um beijinho na orelha dele, passando os lábios por ali, e ele afundou o rosto no ombro dela, respirando de modo pesado, o hálito quente arrepiando-a. Logo as duas mãos dele subiram pelas costas dela, apertando-a contra ele, e ela sorriu, enchendo o rosto do marido de beijos até alcançar-lhe a boca. Foi aos beijos que os dois caminharam até o banheiro, onde a banheira esperava, cheia de água quente. Ao contrário da primeira, a segunda etapa do castigo de Madison demoraria mais. Começando na banheira, se estendendo para a cama logo depois. Mas desse castigo ela não tinha do que se queixar.
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