Damon estava, resumidamente, indócil. Ficara na fronteira por horas, esperando, olhando... Então voltou para o castelo. Se trancou em seu quarto. Tremia. Cada minuto pareciam 10 anos. Ele estava furioso. Se ela sobrevivesse, ele a mataria só por ter ousado fazer. Não, não a mataria. A cobriria de beijos, e a abraçaria, não soltando-a nunca mais.

Damon: É tudo culpa sua. – Rosnou, apanhando o retrato de Katherine da armação. O rasgou furiosamente, jogando-o na lareira em seguida. Damon abriu uma gaveta de uma cômoda, apanhando uma caixa de madeira grande, abrindo-a. Haviam dezenas de jóias ali dentro. As jóias de Katherine , todas elas. Dezenas de colares, brincos, pulseiras... Diamantes, rubis, prata, ouro, e Damon apanhou tudo com raiva, atirando ao fogo – Tudo sua culpa, Katherine, MALDITA SEJA! – Rugiu, lançando a própria caixa com todo o resto no fogo.

A noite passou de modo tortuoso. As chamas derreteram todas as jóias, a foto, o porta retrato, tudo, e ele ainda estava lá. Cada minuto, e ela estava nas mãos de Stefan. Ele se sentou na cama, se amparando nos joelhos. Mal conseguia respirar. Até que duas mãos suaves tocaram seus ombros.


Elena: Eu só pedi uma noite. – Sussurrou, e ele se virou em um rompante. Ela estava lá, toda rasgada, com alguns cortes pelos braços, mas inteira.

Damon: Ah, meu Deus. Obrigado. – Disse, arfando, e a puxou pro seu colo, abraçando-a com toda a força. Ela caiu no choro. Uma vez em segurança, todo o pânico de tudo o que ela passara caiu sobre seus ombros. Mas ela estava nos braços dele agora. Ele percebeu os soluços do choro dela, e aquiesceu – Nunca mais, Elena . Nunca mais. – Disse, a voz cortada, embaçada. – Está tudo bem. Já passou.

Elena ainda chorou por minutos. Estava apavorada. Mas estar nos braços dele a confortava, e aos poucos ela se acalmou.


Elena: Meu Deus, eu amo você. – Murmurou, se apegando no ombro dele.

Damon: Me deixe ver você. – Ele a colocou de pé em sua frente, e pegou os braços dela, um de cada vez, observando os cortes. Mas eram apenas talhos, provavelmente de galhos de arvores. Então algo passou na cabeça dele. O estomago dele se revirou, vendo a roupa dela rasgada – Você... Ele te... Ele obrigou você a... Vocês... – Ele não conseguia terminar. Ela tapou a boca dele com um dedo.

Elena: Você é e sempre vai ser o único homem a tocar em mim. – Damon sorriu, respirando fundo – É o único em minha alma, Damon. – Disse, beijando a testa dele. Ele a abraçou pela cintura, amparando a cabeça em sua barriga — Bom, no meu corpo também. – Sussurrou, brincando, e ele riu de leve.

Damon: Mas sua roupa... – Disse, vendo o estado do vestido dela. O espartilho quase todo estava exposto.

Elena: Ele tentou. – Admitiu, e Damon fechou a cara – Mas eu fugi. – Disse, sorrindo. – Me sinto suja pelo toque dele. – Admitiu, e Damon a apanhou pelas coxas, trazendo-a sentada pro seu colo. Ele puxou o vestido, terminando de rasgá-lo, deixando-a só de roupa debaixo. Elena o beijou sedentamente, apanhando seu rosto entre as mãos, e ele a aceitou, puxando-a pela cintura. O beijo durou minutos, mas ela o freou – Não. – Murmurou, e ele a encarou.

Damon: O que há? – Perguntou, confuso.

Elena: Preciso usar isso antes que seque. – Disse, apanhando o envelope na cama, atrás dele. O rosto de Damon empedrou.

Damon: Você conseguiu. – Disse, mortificado.

Elena: Passou da hora de alguém aqui começar a andar. – Sussurrou, antes de morder o ouvido dele, e se levantou. Mas ele não teve resposta para aquilo. Finalmente.

Damon observou atentamente cada passo de Elena. Ela apanhou o primeiro vestido que encontrara e jogou por cima, prendendo os cabelos de qualquer jeito. Ela foi até a escrivaninha dele, apanhando um canivete, e abriu o envelope, despejando as flores brancas na mesa lustrada. Eram de uma beleza sedutora. Elena cortou as pétalas imediatamente, e se virou para ele.

Elena: Toque fogo nisso. Em todas elas, e em cada uma. – Pediu, e ele assentiu, pegando o bolo grande de pétalas brancas amassadas nas mãos, caminhando até a lareira. Atiçou o fogo, e jogou as pétalas lá. O perfume que veio foi forte. Ele voltou até Elena, vendo que ela observava o caule da planta.

Elena apanhou um vidrinho vazio, de vidro, em uma gaveta qualquer, e colocou o caule da flor na borda da mesa. Com o canivete ela pressionou o caule. Um sumo branco opaco saiu dali, em uma quantidade quase assustadora para uma flor tão pequena, e ela o recolheu até que o frasquinho estivesse cheio. Fez isso com todos os caules, no final 12 frascos estavam cheios.

Damon: Acha que precisará dos 12? – Perguntou, e podia se ouvir a hesitação dele sobre aquilo, enquanto andava com ela no corredor.

Elena: Não sei ao certo a quantidade. Vou dar aos poucos, até que ela recupere os movimentos totalmente, então eu paro. Não é uma ciência exata. – Disse, e ele parou na porta do quarto de Hope, respirando fundo – Confie em mim.

Damon: Eu estou confiando. – Disse mas ainda parecia nervoso – Estou lhe confiando o que tenho de mais precioso. – Ele respirou fundo novamente.

Elena: Vai ficar tudo bem. – Garantiu, e selou os lábios com os dele, entrando no quarto.

Hope despertou satisfeita, por ter o pai e Elena ali. Sua satisfação foi embora assim que ela viu o frasquinho. O sumo cheirava a planta, e era branco opaco, quase cinza.

Hope: Não vou beber isso. – Disse, vendo Elena apanhando uma colher.

Elena: Sim, a senhorita vai. – Hope fez bico – Tu serás rainha, seja corajosa. — Incentivou.

Hope: Eu nem estou doente. Para que é isto? – Damon permanecia calado, nos pés da cama.

Elena: Quando for o momento, tu saberás. – Elena não queria criar falsas expectativas, caso não desse certo.

Hope: Papai. – Apelou, desgostosa, vendo Elena depositando o “xarope” na colher.

Damon: Ouça ela, meu anjo. – Pediu, em voz baixa. Damon estava branco feito cal.

Elena: No três. – Disse, e Hope olhou o remédio com uma careta – Um, dois, três!

Damon abaixou os olhos ao ver Hope abrir a boca e engolir o remédio. Elena ainda lhe deu mais duas colheres , três no total.

Hope: Minha boca está ardendo! – Exclamou, com uma careta. Damon olhou para Elena, preocupado.

Elena: Está tudo bem, já acabou. – Ela tampou o frasco, deixando-o na cabeceira de Hope. Ela apanhou um copo de água da cabeceira e deu a menina, que bebeu.

Hope: Lena, minha garganta está queimando. – Se queixou, atordoada. Sentia os lábios ardendo, dormente, assim como toda a boca e a garganta. Ela tomou mais da água, mas não ajudava.

Elena: É pro seu bem, acredite. Se deite mais um pouco, logo tudo vai passar. – Prometeu, ajeitando a menina na cama. Hope tinha uma caretinha desgostosa no rosto – Vai passar. – Sussurrou, beijando a testa dela em seguida, e a menina sorriu de canto, fechando os olhos.

Damon: E agora? – Perguntou, angustiado, em um sussurro.

Elena: Agora nós esperamos. – Respondeu, e ele suspirou. Ela o abraçou e ele a apertou forte contra o peito, aspirando seu perfume, enquanto observava a filha.

Só restava esperar.

Damon: Ela está dormindo há tempo demais. – Disse, angustiado.

Era noite. Hope adormecera pela manhã, logo após tomar o remédio, e não acordara. Estava pálida, quieta, mal parecia respirar.

Elena: Tenha calma. – Pediu, observando a menina.

Damon: Ela tem a aparência de Katherine. – Ele estava entrando em pânico. – Eu vou chamar um médico. – Disse, se levantando em um rompante.

Elena: Ei. – Ela o segurou pelo colete. Damon a olhou, atordoado – O medico resolveu da ultima vez? – Damon não respondeu – Confie em mim.

Klaus: Com licença. – Disse, batendo na porta. Elena e Damon olharam. – Damon, o jantar foi servido. Tu vens?

Damon: Não. – Respondeu, de imediato.

Elena: Vai. – Rebateu, ao mesmo tempo. Klaus ergueu a sobrancelha, esperando. Damon a olhou, indignado – Sim, tu vais. Tua preocupação a deixará ainda mais tensa, vá e só volte quando eu chamar. – Disse, empurrando-o.

Damon: Não vou sair daqui, você enlouqueceu? – Perguntou, exasperado.

Klaus : Precisa de ajuda? – Perguntou, sorrindo, debochado.

Elena: Por favor. – Pediu, cansada.

Houve uma luta corporal rápida dentro do quarto. Klaus era rápido, mas Damon se esquivava. Até que Elena se lançou, abraçando Damon com força, o que deu tempo de Klaus agarrá-lo pelo fundo da camisa.

Damon: Elena. – Contestou.

Elena: Confie em mim. – Disse, acariciando o rosto dele – Vá.

E Klaus rebocou Damon. Elena olhou Hope, após fechar a porta. A menina estava quase cinza. Apenas horas depois, já noite aberta, que houve resposta. Hope gemeu, franzindo o cenho, e Elena se adiantou.

Elena: Shhh. Shhh. – Disse, apanhando o rosto da menina – Eu estou aqui.

Hope: Meu corpo está doendo. – Gemeu, rouca.

Elena: Calma. – Acalientou.

Hope: Ai. – Choramingou, se encolhendo. Só que dessa vez ela se encolheu totalmente, junto com as pernas – Você viu o que eu fiz? – Perguntou, chocada.

Elena: É claro que eu vi. – Disse, dando-lhe um beijinho.

Hope: Está doendo! – Exclamou, exasperada. Estava quase as lagrimas.

Elena: Calma. Respire. – Hope soluçou, segurando as pernas. Era como se estivessem lhe enfiando agulhas, dezenas delas.

Hope: Faça isso parar. – Pediu, angustiada.