Quando Elena acordou, a ajuda ainda não tinha chegado. Ela gemeu, as mãos tateando a terra, e Damon viu

Damon: Shhh. Tudo passa bem. – Tranqüilizou.

Elena: Damon! – Exclamou, assustada, e se agarrou a ele, que a abraçou. – Alguém... Alguém me sufocou com éter na escadaria da torre, meu Deus do céu! – Disse, agarrada nele. Sua cabeça doía.

Damon: Você conseguiu ver quem foi? – Perguntou, acariciando o cabelo dela, mas ela negou.

Elena: Não deu tempo, perdão. – Ele assentiu – Como você me encontrou? Como vim parar aqui? – Perguntou, confusa.

Damon: Eu pensei que Stefan havia seqüestrado você. – Dizer o nome do outro ardia como fogo em sua garganta – Então vim atrás. A encontrei caída aqui, mas meu cavalo fugiu. Pedi ajuda e esperei. – Mentiu.

Damon queria se abrir com ela, contar tudo o que tinha ouvido, mas não era capaz. Algo dentro de si o sufocava, então ele mentiu.

Elena: O que há com você? – Perguntou, encarando-o. Ele negou – Está frio. Seus olhos... – Ela tocou no rosto abatido dele, vendo os olhos com a aparência morta.

Damon: Eu só me assustei. Tudo passará bem.- Repetiu.Nesse momento ouviram cavalos se aproximando – Você está bem? – Ela tocou a lateral do corpo, onde sentia uma pontada desagradável, mas assentiu.

A cavalaria logo chegou. Damon montou Elena em um cavalo, sem dizer uma palavra, e montou atrás dela, disparando de volta para casa. Só parou ao chegar no castelo. Todos o esperavam do lado de fora.

Alaric: Está tudo bem? – Damon assentiu.

Damon: Vá para dentro. – Disse e Elena assentiu, pedindo licença, e saiu dali.

Lorenzo: Quando teu cavalo retornou supus que estavas morto. – Acrescentou.

Damon: Eu apenas cai a galope. – Tranquilizou.

Klaus: Ele estava lá? – Perguntou, observando-o.

Damon: Não, ela estava sozinha. Eu também não entendi. – Alaric encarou Klaus, pensativo, mas Lorenzo observava Damon– Me dêem sua licença. – Pediu, entrando no castelo.

Damon não dormiu aquela noite. As palavras de Stefan latejavam em sua cabeça. Katherine o havia traído. Não comeu nada, tampouco. Elena o questionou até se cansar... E nada. Ele apenas ficou em silencio. Tudo em que acreditara era mentira, e agora ele não sabia em que acreditar. No dia seguinte levantou cedo, antes dela, e simplesmente sumiu. Sem rumo, sem direção. Porém só havia um lugar para onde ele poderia ir: O rio. Ele caminhou em volta dele, pensativo, se lembrando das diversas ocasiões onde estivera ali com Elena. Sorriu, distante, ao lembrar do riso dela na água, de sua inocência... De seus gemidos, ao pé de deu ouvido, enquanto ele lhe fazia amor ali. Ele não estaria em paz se não procurasse. Olhou as pedras em volta do rio, destacando as grandes. Foi então que viu: Grande, com musgo, e aparência antiga. Ele se aproximou, passando a mão sobre o limo, afastando-o, e se revelou uma pequena estrela cravada, arranhada na pedra. Encontrara.

Ele apanhou a pedra pela base, puxando-a. Seu coração doeu ao ver o diário dela e a medalhinha que ela usava quando ele a conheceu ali. O diário já estava molhado, empapado, logo ele não pôde salvar muito, apenas algumas passagens.

“...Stefan é o homem mais carinhoso que já conheci. Ele me trata como se eu fosse uma deusa, é sempre carinhoso, atencioso, e eu o amo. Ele entende tudo que estou passando, trancafiada nesse maldito casamento, e prometeu que vai me ajudar. Vai abandonar o trono e nós vamos fugir, para onde Damon não possa nos alcançar...”

“...Então eu não tenho como negar nada, mas a convivência é insuportável. Antigamente eu amava as noites, pela lua e as estrelas, agora a odeio pois sei que ele virá até mim. Ontem tive anseios, náuseas sob o toque dele, pensei que iria vomitar por estar deixando que violasse meu corpo, mas por sorte ele foi tolo ao ponto de pensar que eu estava gostando, e que meus anseios eram porque sou tímida...”

“...Desde que Damon viajou. Eu nem acredito. Posso ter paz, mesmo a curto tempo. Ontem Stefan me fez amor na queda da cachoeira. Eu o amo tanto! Depois ficamos deitados, abraçados, observando o rio correr. Este lugar é lindo, mas apenas quando estou com ele. Disse a Damon que sinto nojo daqui, logo, ele não me traz aqui. Este lugar é apenas meu e de Stefan...”

“...Hoje Damon disse que me ama. Ele custou a dizer isso, sempre sem jeito, mas por fim disse. Eu apenas sorri. Ele, como sempre, achou que era por timidez. Eu não o amo. Não o amo e nunca vou amá-lo. No dia que morrer, terei a certeza de que o único homem que amei foi Stefan...”

...Eu gostaria que ele parasse com isso. Hoje ele me deu mais jóias. Um conjunto com diamantes. Eu nem olhei direito. Não me interessa, não usarei nada do que ele me der. Não vejo a hora de Stefan conseguir resolver tudo e me roubar daqui. Gostaria de ver a cara de Damon quando ler tudo o que eu tenho para dizê-lo, em minha carta de despedida, quando eu já estiver longe...”

“...Não. Meu Deus, por favor, que isso não esteja acontecendo...”

“...E tudo foi por água abaixo. Por mais que eu tenha nojo de Damon, não posso fugir carregando esse bastardo. É filho dele, não meu. Quase não suportei ver a dor nos olhos de Stefan quando disse que não poderia fugir. Talvez quando eu der a luz a essa maldita criança, possamos ir embora. Não amo este bebê como não amo o pai dele. Tenho nojo dele pelo que está fazendo ao meu corpo, com a minha vida. Quando eu achei que estava tudo dando certo, que eu iria ser livre, me vem isso...”

“...Hoje me joguei dentro do banheiro. Ouvi a história de uma mulher que perdeu o bebê por causa de uma queda. Não tenho coragem de tomar as tais ervas, mas um acidente seria perfeito. Cai três vezes, com toda a força: De barriga, de costas e sentada, mas nada ocorreu. O ódio que tenho por essa criança só faz aumentar, junto com a devoção de Damon a ela. Os odeio. Não quero que ele me toque, não quero que me traga presentes, eu quero ir embora...”

“...Meu corpo está horrível. Minha barriga está enorme. Não consigo mais me locomover direito. Não posso mais ir ao rio, me encontrar com Stefan, como antigamente. Primeiro porque Damon não sai da minha sobra, depois porque não consigo andar quase nada sem sentir dor. Se bem que se eu tropeçasse, caisse em uma das pedras do caminho até o rio, essa maldita criança desistisse de mim e morresse, resolveria o problema...”

...Stefan disse que encontrou a solução. Ainda faltam 3 meses para o bebê nascer, três insuportáveis meses, mas ele disse que encontrou a solução para me livrar dele. Não me disse o que era, só me disse que na hora eu entenderia. Tive medo a principio, mas confio nele...”

E foi tudo o que Damon conseguiu ler. Ele estava branco gesso quando puxou a ultima folha que dava pra ler. No resto a tinta já havia se diluído pela água, mas só isso bastava. Era a confissão dela, em próprio punho. Ela tinha nojo dele, enquanto ele a adorara. Ele amassou o bolo de papel molhado, esmigalhando-o, eliminando o testemunho de toda aquela imundice. Katherine tivera o que pedira, afinal. Tentara matar Hope, Deus, como era possível?! Ele jogou o bolo de papel molhado na água e o viu afundar, sumindo na água. Se levantou e saiu dali, o rosto duro, a medalhinha dela na mão. Ninguém jamais saberia o que havia escrito ali, as juras de amor dela para Stefan, o asco dela por ele e por Hope. Deus, ele travara uma guerra por ela! Ninguém saberia, mas ele sabia. Aquelas palavras estavam gravadas em seu cérebro e jamais sumiriam. Ele sabia, e era o suficiente.