Hope acordou com um toque suave em seu rosto. A menina suspirou, despertando. Ainda de olhos fechados, não viu quem a despertava.

Damon: Quer ver? – Perguntou, e Elena sorriu. Hope não ouviu.

Hope: 04 dias. – Murmurou para si própria, então encheu o peito de ar – PAPAAAAAAAAAAAAAAAI! – Chamou, e Damon ergueu a sobrancelha. Do ultimo mês para cá era isso: Ela nem abria os olhos, e já estava gritando por ele, para lhe entregar outro ultimato. Um dia ele experimentou ignorar os gritos; o resultado foi que a menina terminou sem voz por dois dias, com a garganta inflamada.

Damon: Eu estou bem aqui, Hope. – Disse, ainda com a sobrancelha erguida. Tinha os braços nas costas.

Hope: Faltam quatro dia, ai meu Deus. – Elenasorriu – LENAAA! – A menina deu impulso nos braços, pulando no pescoço de Elena, que riu. Damon se sobressaltou, com um alerta de “as costelas!” nos lábios, mas Elena já estava enchendo Hope de beijos – Você voltou. – Disse, radiante de felicidade.

Elena: Teu pai não disse que eu voltaria? – Perguntou, acariciando o cabelo da menina.

Damon: Eu creio que comentei. – Disse, fingindo-se de pensativo – Uma vez... Duas... Três... Quatro... O ultimo mês inteiro. – Disse, cruzando os braços.

Hope: Eu pensei que... Onde você estava? – Ralhou, cruzando os braços.

Elena: Precisei viajar. – Rebateu, na mesma hora.

Hope: Onde estão os remédios? – Perguntou, esperta.

Elena: Não os consegui ainda. Por isso viajarei novamente. Breve. – Respondeu, tocando o nariz da pequena.

Damon: Na verdade não vai, não. – Negou, tranqüilo.

Elena: Irei, porque a maioria vence. – Disse, debochada, sem olhá-lo.

Hope: Do que estão falando? – Perguntou, confusa. Elena negou com a cabeça – O que houve com seu braço? – Damon observou, quieto.

Elena: Despenquei de uma escada e dei de nariz no chão. – Disse, mostrando o pulso. Hope riu.

Damon: Hope! – Ralhou.

Hope: Perdão. – Disse, prendendo o riso – Eu sempre te digo para não andar tão depressa. Falei pra você. –Elena deu de ombros – Vai ficar assim para sempre? – Perguntou, pegando o gesso.

Elena: Não, só algumas semanas. – Disse, tranqüilizando-a – O fato é que viajarei em breve. E não importa o quanto eu demore para voltar, mesmo que eu não volte...

Damon: Elena. – Rosnou.

Elena: Mesmo que não volte. – Continuou – Não pode parar de comer e ralhar com todo mundo. Promete? – Hope assentiu.

Hope: Mas eu não estou doente nem nada, não preciso de remédios. – Contrapôs, desgostosa.

Elena: Na devida hora saberá.

Damon: Vou deixá-las a sós, estou me vendo desnecessário aqui. – As duas riram – Não toquem fogo no castelo, vai demorar para construir outro. – Pediu, enquanto saia. Mas sorria.

Elena passou toda a manhã com Hope. Lhe deu o café da manhã, lhe aprontou, brincaram, riram. A manhã passou em um segundo. Quando deu meio-dia, Elena saiu, indo buscar o almoço de Hope. Fazia frio aquele dia. Chovia bastante. A menina ficou sentada, satisfeita.

Damon: Elena, eu... – Ele parou na porta do quarto – Onde está Elena?

Hope: Foi buscar meu almoço. – Respondeu, simples. Damon respondeu e deu as costas. – Papai! – Chamou, e ele se virou.

Damon: Sim?

Hope: Feche a porta. – Damon fechou, desconfiado – Escute. – Damon esperou – Eu não... Não o odeio. – Disse, quietinha. Damon se aproximou da cama.

Damon: Não?

Hope: Não, claro que não. Eu o amo. – Damon sorriu de canto – Eu só estava brava porque pensei que o senhor não queria mais dividir Elena comigo. – Explicou.

Damon: Dividir? – Perguntou, confuso.

Hope: É. Pensei que quisesse prender ela só para você. Não é justo, convenha. – Damonergueu a sobrancelha, suspenso – Papai, não sou boba. Já vi o modo como ela te olha, e o sorriso bobo que o senhor tem quando a observa. – Damon ergueu as sobrancelhas – Já os vi até se beijando uma vez. – Damon engasgou, quase hiperventilando.

Damon: Como?!

Hope: Vocês pensavam que eu estava dormindo, e eu não estava. Achei bonitinho, se quer saber. – Disse, tranqüila – Por isso pensei que tinha ficado com ela só para si. Mas nunca o odiei. – Damon ainda se recuperava – Tudo bem se quiser ficar com ela. – Acrescentou.

Damon: Tudo? – Perguntou, meio incrédulo. Se a mãe dele fosse viva, ele provavelmente teria saído gritando por ela. Hope assentiu.

Hope: Me perdoe por ter sido grossa. – Pediu, acanhada. Ele sorriu.

Damon: Está tudo bem agora.- Disse, apanhando a menina no colo, e a beijando.

Elena: Hope, eu não encontrei o... Perdão. – Disse, mas Damon assentiu para que entrasse. Hope estava abraçada em seu peito – Interrompo?

Damon: Não. Hope só estava me contando de como desfrutou da imagem de nós dois nos beijando, enquanto ela inconvenientemente fingia dormir. – Disse, debochado. Elena arregalou os olhos, quase derrubando a bandeja, mas Hope ria, sapeca.

Hope: Está tudo bem. – Disse, olhando Elena. Damon ria do choque na cara de Elena.

Elena: Ande, saia daqui. – Ralhou, fazendo ele sair. — Me deixe aprontá-la.- Disse, tomando Hope no braço.

Quando Elena pôs Hope sentada em seu lugar, as pernas da menina, moles, ficaram em um ângulo estranho, largado. Elena encarou Damon enquanto arrumava as pernas da menina no lugar. E não podia ter havido mensagem mais clara: Era ela quem teria de resolver aquilo.

Elena ficou com Damon e Hope até a menina terminar de comer. Por fim os dois saíram. Ela pretendia ir apanhar roupas limpas, já estava cansada de só usar camisola, e ele ia encontrar os outros. Foi quando entraram na sala. A conversa estava acesa.

Alaric: Pela noticia que corre, Stefan vai se casar. – Anunciou. Todos viraram a cara para olhá-lo.

Klaus : Como é? – Perguntou, pego de surpresa.

Caroline: Com quem? – Perguntou, confusa.

Madison: Boa pergunta. Quem quis aquele demônio da encruzilhada? – Perguntou, abraçando Lorenzo pelas costas. Ele estava sentado em uma cadeira e ela o abraçou pelos ombros, beijando-lhe o rosto. Klaus riu.

Alaric: Meredith . – Respondeu, satisfeito. Um instante de silencio reinou.

Jenna: Perdão? – Perguntou, incrédula.

Lorenzo: É impressão minha ou ele parece partir da idéia de que pode me confrontar? – Perguntou, divertido, e Madison riu gostosamente, beijando-lhe outra vez.

Alaric: Era uma vez uma princesa chamada Meredith. Ela foi escolhida em um baile, e iria se casar, e ter lindos filhos. – Começou.

Madison: Tenho a breve impressão de conhecer essa história. – Disse, e Lorenzo a puxou pela cintura, fazendo-a fazer a volta e sentar-se em seu colo, beijando-lhe o queixo.

Alaric: As vésperas do casamento o noivo dela viajou a negócios. Quando voltou, a abandonou, pois havia encontrado outra mulher, uma mulher com a pele em um estranho e medonho tom de cinza. – Debochou, e Madison e Lorenzo riram – Ela foi abandonada com seu vestido de noiva pronto, todos os planos, tudo. Virou motivo de piada durante anos, e nunca mais conseguiu um noivo.

Klaus: Agora estamos em guerra. Ela conseguiu um noivo, finalmente. Minha intuição me diz que ela sabe que o noivo dela batalha tecnicamente contra o homem que a abandonou. – Intitulou, mas Lorenzo fez pouco caso – Aposto que o pai dela cederá seu apoio a Stefan na hora em que o aro da aliança passar em seu dedo.

Jenna: Mais apoio contra nós. – Resumiu.

Lorenzo: Estou tremendo da raiz do cabelo até o dedo do pé. – Debochou – Eu não entro em uma guerra para perder. O que me incomoda nisso tudo é que quanto mais apoio ele tiver, mais gente vai morrer no final. Inocentes. Minha armada não vai parar até conseguir a vitória, homens morrerão, famílias vão se desfazer, vidas vão acabar. É isso o que me incomoda. – Ele deu um beijinho no ombro de Madison.

Caroline: Para quando é o maldito casamento? – Perguntou.

Klaus: Para breve, é claro. O que nos leva de volta ao ponto de que um entre nós pretende perfurar a fronteira. E que deve ser logo.

Elena: Assim que for possível. – Respondeu, e Damon rosnou.

Lorenzo: Assim que tu retornares declararei guerra. – Anunciou, e todos o olharam – Minha frente de batalha tomará a iniciativa: Atacará. Assim acabamos com essa palhaçada.

Elena: Eu posso partir quando...

Damon: Elena. – Interrompeu – Meu anjo. Porque você não volta para a cama? – Perguntou, com um sorriso forçado. – Tome. – Ele tirou a chave da torre do bolso – Já a encontro. – Elena ia protestar – Vá. – Ordenou, e Elena revirou os olhos, saindo.

Lorenzo: Retardar não vai resolver. – Disse, mas Damon já sabia disso.

Damon ficou ali mais meia hora. Depois foi para a torre, procurá-la. Estava trancada. Estranho. Ele bateu na porta, chamou e nada. Voltou pela escadaria, estranhando. Até que se deparou com algo no chão. A chave. Alguns degraus a baixo havia um pedaço de tecido. Ele o apanhou. Era um pedaço do vestido de Elena, rasgado a força. Era um pedaço da bainha, o que induzia que se rasgara enquanto ela fora arrastada.

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