Ambos não acordaram. Damon porque estava exausto, e Elena provavelmente pela paz que tinha ali. O dia expirou e os dois continuaram ali, abraçados, dormindo. Klaus mandou uma criada na hora do almoço, mas sob as batidas da porta Damon só fez se remexer, puxando mais Elena, afundando o rosto no pescoço dela. No final da tarde, porém, a enviada foi Rose. Após bater algumas vezes ela resolveu entrar. Elena mais dormia que qualquer outra coisa, e ela precisava trabalhar. Parou, em choque, ao entrar no quarto, vendo o quadro.

Rose: Não é possível. – Rosnou, consigo mesma.

Elena dormia com Damon, os dois muito confortáveis, descobertos até a cintura. O braço de Damon cobria os seios dela, e ele tinha o rosto afundado em seu pescoço, como se quisesse ficar ali por seu perfume. Ela o abraçava pelas costas com o braço bom, o outro caído em seu lado, engessado.

Tinha o rosto virado pro dele, os lábios na testa dele, os cabelos esparramados a sua volta. Rose sentiu um ódio tão violento dentro de si que mal podia respirar. Ela fizera de tudo, e ainda assim terminava ali?! Onde estava a justiça?! Estava lá, dormindo abraçada com ele, na cama real. A boca de Rose amargara. Porém...

Madison: Apenas vim tentar apanhar meu livro, esqueci quando... Essa porta já estava aberta? – Perguntou, a voz se aproximando. Logo Madison entrou no quarto com Caroline e Jenna. As três pararam.

Jenna: Doce Jesus. – Disse, paralisada, com os olhos arregalados.

Madison: Mas que diabo... Porque essa porta estava aberta? – Perguntou, aturdida. Elena e Damon seguiram dormindo quase descaradamente – O que você está fazendo aqui?

Caroline: Eu devia mesmo chamar Klaus para ver isso. – Disse, divertida. Jenna riu.

Rose: Eu bati e ninguém atendeu. Pensei que ela estava dormindo, e entrei, então... – Ela suspirou, o coração martelando dolorosamente. O olhar de Madison estava perigosamente pousado nela.

Jenna: Tome o maldito livro e vamos sair daqui. Se eles acordarem e nos virem aqui, vou ser forçada a me jogar pela janela. – Disse, apanhando o livro na mesinha e o entregando a Madison.

Madison: Você presencia cenas como essa e fica de pé olhando? – Perguntou, debochada.

Caroline: Madison, vamos sair daqui! – Disse, ruborizada, mas Madison estava nem ai pra Elena e Damon, que tampouco davam a mínima para a cena.

Rose: Não fiz por mal, senhora. Confie. – Pediu, de cabeça baixa. Madison ergueu a sobrancelha, e abaixou o rosto, olhando o livro.

Madison: Me permita ser clara. Não confunda o fato de eu não tocar fogo em você enquanto você dorme com confiança. – Jenna, já no corredor, riu alto. – Saia daqui.

Caroline: Qual o problema? – Perguntou, vendo Rose, mortificada, saindo.

Madison: Tem algo nesta mulher que não me agrada. – Disse, os olhos observando Rose sumir pelo corredor – Preciso conversar com Lorenzo sobre ela. Farei isso hoje.

Caroline: Fará queixa a Lorenzo contra ela por causa disso? – Perguntou, sabendo que Lorenzo se viraria contra a pobre criada assim que Madison acusasse.

Madison: Tem algo nela que me irrita, me ofende. Como se algo em mim me alertasse contra ela. – Disse, os olhos distantes – Sim, vou falar com ele, ainda hoje. Mas vamos sair daqui, em nome de Deus. – Disse, e Caroline assentiu.

Após a porta ser fechada, o silencio reinou no quarto. Por mais incrível que pareça, as duas pessoas que eram o foco da cena não faziam idéia de que eram. Continuaram dormindo, o sono dos justos. Mas Rose havia comprado um problema.

–--*

Lorenzo: Maddy, não é assim. – Disse, divertido, e ela se jogou de costas na cama.

Os Malarkey se preparavam para dormir. A mobília do maior dos quartos de hospedes da mansão fora toda trocada, capricho de Madison. Era tudo maior, mais luxuoso. Ela parecia indignada. Fizera queixa e Lorenzo não se alterara.


Madison: É possível que você não tenha ouvido o que eu falei? – Perguntou, olhando o teto. Ouviu o riso dele e suspirou, fechando os olhos.

Lorenzo: Eu ouvi, meu coração, mas não posso simplesmente mandar prender ou matar uma criada porque você não foi com a cara dela. – Explicou, coçando a sobrancelha, enquanto terminava de se aprontar para dormir. Havia um papel em cima da cômoda, em frente a ele.

Madison: Na verdade, você pode. – Disse, parando de se remexer na cama.

Lorenzo: Eu acostumei você mal demais. — Disse, mas não era uma repreensão — É, eu posso. – Disse, rolando os olhos.

Madison: E então...?

Lorenzo: Não estamos em casa, minha vida. – Disse, ela ouviu a voz dele perto, o que a fez abrir os olhos.

Madison: Há algo de errado com aquela mulher, Lorenzo. Confie em mim. – Disse, encarando-o. Lorenzo apanhou um dos pés dela na cama, afastando a seda escura da camisola, e apertando-o, massageando-o.

Lorenzo: Só porque ela estava espiando? – Perguntou, massageando os pés dela com as duas mãos. Ela suspirou, sentindo a massagem – Se for assim tu também estavas.

Madison: Eu não estava espiando! – Se defendeu, indignada, e ele riu – Eu fui buscar meu livro, a porta estava aberta!

Lorenzo: É claro que sim, não se exalte. – Ele beijou um pé dela.

Madison: Prefiro fazer do que olhar. – Disse, atrevida, e ele sorriu, mordendo o pé dela. Ela se sentou, ele ficando entre suas pernas na cama alta, e o abraçou pela cintura – Mate-a, Lorenzo. – Pediu, encarando-o.

Lorenzo: Mad... – Ele suspirou. Ela mordeu sua barriga por sobre a camisa, o que o fez sorrir.

Madison: Mate-a enquanto é tempo, enquanto ela não causou danos maiores. – Induziu, puxando-o pela camisa.

Lorenzo: Está tentando me distrair? – Perguntou, encarando-a, ainda sorrindo. Ela sorriu de canto, puxando-o para a cama, passando para cima dele.

Madison: Não, estou me distraindo. – Corrigiu, passando uma perna de cada lado de seu corpo, se inclinando sobre ele. – Mate-a. – Insistiu, e sentiu a boca dele afastando a alça de sua camisola, tragando o perfume dela antes de beijar-lhe a pele.

Lorenzo: Não.

Madison: Vai simplesmente ignorar o que estou alertando? – Perguntou, a voz calma demais para não ser preocupante.

Lorenzo: É claro que não. Colocarei meus melhores homens para vigiá-la. Um passo suspeito, e eu dou a morte dela de presente a você. – Ela sorriu consigo mesma, e ele franziu o cenho, apertando os quadris dela ao sentir a força dos dentes dela em uma mordida na dobra de seu pescoço, próximo a jugular – Satisfeita?

Madison: Ainda não. – Respondeu, subindo a boca até alcançar a dele, beijando-o sedentamente.

Verdade, ela não estava satisfeita. Estava acostumada a ser atendida de primeira ordem. Mas aquilo bastava. Se Rose desse qualquer passo em falso, Lorenzo a atenderia. Madison trataria para ser esse passo em falso.

Quando Elena e Damon despertaram, faltava pouco para amanhecer. Ela acordou primeiro, e ficou ninando-o, acariciando-lhe o cabelo. O sono de Damon era tão profundo, tão acumulado, que ele demorou quase duas horas mais para despertar. Primeiro suspirou, voltando a realidade, depois ela sorriu quando ele a abraçou mais forte, esquecendo-se das costelas dela.

Damon: Que horas são? – Perguntou, rouco, ainda de olhos fechados.

Elena: Não faço idéia. – Respondeu, tocando a pele dos olhos dele. As olheiras dele quase haviam sumido completamente. Ele abriu os olhos ao toque dela – Acho que é tarde. Ou cedo. – Ela franziu o cenho e ele sorriu, olhando-a – A chuva não me permite pensar. Mas passou tempo. – Damon pensou por um instante e ergueu o rosto, tentando focalizar o relógio de cabeceira no escuro. Por fim ele suspirou.

Damon: Vai amanhecer. – Respondeu, se abraçando a ela novamente – Como é possível? – Elena riu da exasperação dele – Como ninguém veio nos chamar?

Elena: Eu tenho a breve impressão de ter ouvido alguém chamando Jesus de doce, e algo sobre alguém pegando fogo enquanto dormia. – Os dois ficaram em silencio por um instante, e riram juntos – Certo, era sonho.

Damon: Você está bem?

Elena: Maravilhosamente. – Ele deu uma fungada no ombro dela – Escute. Acha que posso ir ver Hope hoje? Não quero que teu prazo termine. – Lembrou.

Damon : Vai ser ótimo olhá-la sem receber um ultimato em troca. – Respondeu, aliviado, e Elena riu. Damon ergueu o rosto, os lábios encontrando os dela no escuro, beijando-a repetidas vezes, docemente. Ela tocou o rosto dele saudosamente, aceitando seus beijos, até que notou que ele sorria. Ela beijou o nariz dele, o que o fez rir – Deus, eu estou com fome. – Observou ela riu alto com a exasperação dele.

Elena: Não vai haver nada na cozinha agora. – Avisou – Só se você me permitir descer. — Propos.

Damon: Não. Não pretendia mesmo ir. Não vou sair daqui por tão pouco. – Disse, voltando a deitar a cabeça no colo dela, que voltou a lhe acariciar o cabelo. Os dois ficaram em silencio por minutos.

Elena: Porque você não dorme mais um pouco? — Perguntou, mimando-o.

Damon: Você está com sono? – Perguntou, brincando com um cacho do cabelo dela, que tinha próximo ao rosto.

Elena: Tu o tens por nós dois. – Brincou, e ele sorriu – Durma, eu estou aqui.

Damon: Qualquer coisa... – Interrompido.

Elena: Eu olho para você. – Respondeu em um sussurro no ouvido dele, e ele não disse nada.

Adendo de sua autora: I LOOK TO YOOOOOOOOU, I LOOK TO YOU! ♫

Nada mais foi dito. Damon dormiu alguns minutos depois, e Elena em seguida. O dia seria longo, mas só aquilo bastava para enfrentar talvez uma guerra inteira.