XXXX: Meu filho está no maldito campo de batalha e esta guerra não termina porque você não abre a boca. – Rosnou, trazendo o rosto dela pelos cabelos.

Elena: Eu juro em nome de Deus, eu não sei. – Disse, rouca. A cabeça dela foi arremessada com força de volta ao chão, se batendo brutalmente na parede. Sangue fresco brotou da raiz do cabelo dela, descendo pela parede. Elena sentiu a visão escurecendo. Estava morrendo? Ela não conseguia respirar direito. Damon, eu te amo. Não conseguia se mover, o sangue desceu pelo seu rosto...

Damon: Não poderá alegar que eu não avisei. Aliás, não poderá alegar nada. – Disse, a voz cortando o silencio. Elena quase não ouvia, mas ouviu um barulho de osso quebrando, depois de um baque no chão. Era o osso de uma coluna, na região da nuca. Damon quebrou o pescoço do homem, que bateu no chão, morto. – Ei. – Disse, se ajoelhando. Elena estava mais lá que cá.

Elena: Não sou... Não sou a espiã. Eu juro. Não sei... – A voz dela falhou – Não sei de nada.

Damon: Shhh, não fale.

Elena: Estou morrendo. – Disse, puxando ar. As vezes fugia a cabeça dela com quem ela estava falando, ou o que, mas então lembrava – Não consigo segurar muito... Muito mais. – A voz dela era baixa – Posso pedir algo?

Damon: Elena... – Suspirou.

Elena: Fique comigo. – Pediu, ainda assim – Está tão frio. Eu estou com medo. Não me... Não me deixe sozinha aqui. Por favor.

Damon a olhou, os olhos se inundando de novo. Não estava fazendo tanto frio, nada mais que o normal. Ela sentiu ele se sentando ao lado dela, pondo sua cabeça em seu colo, e quase sorriu. Sorriria se lembrasse como era. Damon tocou o pescoço dela, ensangüentado, e suspirou. Estava febril. Ele apanhou a capa que trouxera pra ela (O que o fez descer da torre a inicio), e a cobriu.

Elena: Obrigada. – Disse, suspirando novamente.

Damon: Posso pedir algo? – Novamente ele estava chorando e ninguém via. Dessa vez ele não secou o rosto. Elena assentiu uma vez só. – Não morra. – A voz dele falhou no final, mas ela não notou.

Elena: Vou tentar, porque você pediu. – Ela respirou fundo – Se eu não conseguir... Me perdoe.

E ela dormiu. No primeiro impacto ele entrou em pânico, achando que ela não tinha resistido, mas ela suspirou. A noite foi tortuosa. Ele não fechou os olhos nem um segundo. A noite pareceu se arrastar, cada vez mais lentamente... Ele queria que ela acordasse. Tê-la mole daquele jeito não lhe trazia um bom sentimento. Ele só soube que amanheceu quando houve movimento do lado de fora. Logo entraram Klaus,Alaric, Madison e Lorenzo, que não se aproximou. Ambos observaram a cena.

Lorenzo: Sabia que estaria aqui. – Disse, se encostando na porta.

Damon: O que vão fazer com ela? – Perguntou, meio que na defensiva.

Madison: Nós só queremos a verdade, Damon. A vida dela não me tem valor, fique tranqüilo. – Disse, quieta. Ela passou pelo cadáver do guarda, olhando. – Ela está quase morta. – Concluiu, olhando Elena– Dará tempo? – Madison usava um vestido grafite, e luvas que iam até o cotovelo.

Klaus: Dará. – Ele se aproximou. Damon o encarou, os olhos sendo duas pedras – Eu só vou colocá-la na cadeira.

Damon se moveu, e Klaus se afastou. Damon carregou Elena, levando-a até a cadeira. Elena acordou com o movimento. Ela gemeu quando ele a sentou, suspirando.

Elena : Eu consegui. – Disse, parecendo satisfeita, olhando para Damon. Ele assentiu uma vez, sorrindo de canto. Klaus puxou uma cadeira, sentando-se em frente a Elena e curvando-se para ela. Madison se aproximou, tirando uma das luvas. Elena sentiu um toque frio em seu pescoço, como o sopro de um congelador, e olhou, mas era uma mão cinzenta. Ela olhou para Damon. Estava assustada.

Damon: O que estão fazendo? – Perguntou, confuso. Madison tocava Elena, Klaus observava seu rosto e Alaric esperava, um pouco afastado, de braços cruzados, olhando o chão, como se ouvisse uma história.

Lorenzo: Apenas observe. – Instruiu. Elena olhava Damon, assustada.

Klaus: Olhe para mim. – Disse, trazendo o rosto dela para si. A falta de resistência denunciava a fraqueza dela. Elena franziu o cenho. Havia algo estranho nos olhos de Klaus– Você vai continuar me encarando, e vai me dizer a verdade. – elena assentiu. Damon olhou para Lorenzo, incrédulo, mas esse apenas dispensou com a cabeça. – Como é o meu nome?

Elena: Niklaus Mikaelson. – Respondeu, encarando-o. O que era aquilo nos olhos dele?

Klaus: Qual é o teu nome? – Continuou.

Elena: Elena Gilbert. – A voz dela ainda era rouca, mas ela encarava Klaus, e respondia fluidamente.

Klaus: Você veio aqui com o objetivo de passar informações a Stefan?

Elena: Não. – Respondeu, encarando-o – Eu fugi para cá. – Alaric continuava olhando o chão, e Madison parecia alheia.

Kalus: Porque fugiu? – Insistiu.

Elena: Se eu não fugisse ele iria me prender, me violentar e me matar. – Respondeu.

Klaus: E porque veio justamente para cá?

Elena: Era o único lugar no mundo onde ele não teria coragem de vir atrás de mim. – Damon queria perguntar que diabo era aquilo, mas não intercedeu.

Kalus: Você nos entregou em Willow Creek? – Perguntou, sério. Ainda a encarava.

Elena: Não. Eu não fiz nada naquele dia.

Klaus: O que você chama de nada?

Elena: Eu não queria que Damonfosse, mas ele foi. Eu estava com medo, nervosa. Quebrei o retrato de Katherine, no quarto dele, pois se não fosse por ela, ele não iria. – Damon ergueu a sobrancelha – Depois limpei tudo e escondi o retrato quebrado. Por ultimo fui rezar, pedindo que ele voltasse. – Relatou.

Klaus: Elena, você é a espiã de Stefan? – Repetiu.

Elena: Não. – Negou, convicta – Nunca disse nada a ele sobre o que vi e ouvi aqui. Eu nunca sai do castelo desde que cheguei. – Madison tirou a mão do pescoço de Elena, calçando a luva de novo.

Madison: Não é ela. – Informou, passando pro lado do marido.

Klaus: Você sabe que vai morrer. — Continuou.

Elena: Eu estou morrendo. – Respondeu, calma.

Klaus: É sua ultima chance. – Alertou.

Elena: Eu amo tanto Damon que estou abdicando minha vida em silencio, por ele. Eu não o prejudicaria. Eu até tentei matar Stefan, só para que a guerra acabasse. Não sou a espiã, não sei quem é. – Klaus a encarou em silencio, por um instante.

Klaus: Porque eu deveria acreditar em você?

Elena: Porque eu posso curar a menina. – Respondeu, calma. Um silencio profundo se abateu ali. Damon franziu o cenho, olhando-a. Ninguém soube o que dizer.

Klaus: O que quer dizer com isso? – Perguntou, calando o protesto de Damon.

Elena: Há uma planta. Uma flor, para ser mais especifica. É o que foi servido a Katherine, antes de sua morte. Pode devolver as pernas da menina. – Respondeu, quieta. Os olhos de Kalus pareciam dilatados.

Klaus: Aquilo matou Katherine. – Impôs.

Elena: O parto matou Katherine. A erva que ela tomou apenas a faria dormir profundamente, por um longo tempo. O bebê morreria, era o que Stefan queria, que Damon não tivesse um herdeiro. – Explicou – Katherine entraria em um estado catatônico, quase morta, e o bebê morreria por falta de oxigênio. Mas ela acordaria. O que matou Katherine foi o corte que fizeram nela, para salvar o bebê. – Damon parecia enjoado, atordoado, seu rosto contraído em dor. – Stefan sempre disse a todos que Hope havia morrido com Katherine . Só soube que a menina sobrevivera quando cheguei aqui.

Kalus: E então?

Elena: O que foi servido a Katherine foi um chá, fraco, apenas com o extrato da flor. Era o que a faria dormir. Mas acredito que tirando o sumo do caule e o ministrando direito remova o dano que fez a Hope.

Damon: Eu matei Katherine. – Gemeu, nauseado, transtornado.

Lorenzo: Damon, se acalme. – Alertou, vendo o estado do outro.

Damon: Eu a matei mandando o médico lhe abrir a barriga para retirar Hope. Ela... Ela me pediu. Eu achei que já estivesse morta, mas ela estava viva o tempo todo, sentiu tudo. Meu Deus. – Ele pôs as mãos nos cabelos, completamente fora de si – Eu a matei.

Klaus: Onde eu posso encontrar essa flor? – Continuou, determinado.

Elena: No jardim do castelo de Stefan. Apenas lá. Ele as cultiva como em um deboche pelo que fez. É uma flor simples, muito bonita, de pétalas brancas. É importante que se arranque da raiz. – Comentou, distraída – O jardim dele é coberto delas, porque foram graças a ela que ele conseguiu começar a guerra.


Klaus: O que devo fazer ao ter a flor? – Elena não notou que contando a verdade estava se tornando dispensável.


Elena: Despreze as pétalas. Se ela tomar as pétalas pode morrer. Extraia o sumo, como um xarope, e o administre. Ela começará a sentir os impulsos. Não é certo, mas acredito fielmente nisto. – Disse, quieta.


Lorenzo: Você vai arriscar nisso? – Perguntou, olhando Damon. Mas este ainda estava muito aturdido. Eu matei Katherine, eu matei Katherine, eu matei Katherine...


Klaus: Tem certeza de que isso não vai envenenar a menina? – Perguntou, os olhos fixados nela.


Elena: Envenená-la nunca. – Disse, convicta – Apenas se livre das pétalas.


Klaus: Tudo o que você me disse é verdade, Elena? – Perguntou, os olhos mais intensos que nunca.


Elena: É toda a verdade que eu conheço.


Klaus se levantou. Quando o contato visual dele se rompeu, Elena oscilou para frente, novamente frágil.


Klaus: Ela disse a verdade. Não é ela, não sabe de nada, que inferno! – Alaric apenas assentiu como um “Eu sei tanto quanto você”. – O que vamos fazer com ela?


Madison: Deixe ela aqui. Tranquem a porta. Se não morrer, não terá estado de fugir. – Instruiu. Klaus ia protestar, mas Madison apontou sutilmente para o estado de Damon– Depois. – Klaus assentiu.


Klaus apanhou Elena no colo, e ela gemeu novamente. A deixou em sua cama improvisada de palha. Todos saíram, Madison ficou novamente. Ela observou Elena caída, machucada, coberta de sangue.

Madison: Sinceramente. — Elena a olhou — Você sabia que isso ia acontecer, que ia morrer. Porque se deixou envolver por ele?

Elena: Porque eu amei. — Ela estava rouca novamente — Desde o primeiro momento até o ultimo. Cada gota de sangue que eu perdi aqui valeu a pena por que eu o amei. — Ela respirou fundo — O amei desde que pus os olhos nele, e vou amá-lo até que ele feche os meus olhos. — Madison assentiu.

Madison: O conselho vai condená-la. — Era um fato.

Elena: Eu não sinto quase nada. Meu pai sempre me disse que as coisas estão ruins quando você não consegue sentir. — Contou, se lembrando do pai — Talvez o conselho não precise me condenar.

Madison: Você está conformada com isso. — Observou.

Elena: Eu o amo. — Disse, como se servisse de justificativa. Madison assentiu, observando, então se afastou, ainda olhando-a.

Madison: Que final romântico, morrer de amor. — Comentou e Elena sorriu e canto. Madison deu as costas, saindo dali.

Elena havia desmaiado novamente antes que fechassem a porta, tendo levado Damon, completamente fora de si, transformado em dor. Haviam duas questões: Se valia a pena arriscar por Hope, e se Elena ainda estaria viva quando alguém retornasse ali.