Enquanto isso, nas masmorras... Elena havia apanhado novamente. Uma voz que ela não conhecia fazia perguntas, e como ela não sabia responder, apanhava. Por fim a deixaram. Elena sentia um misto de dor e enjôo. Por ter os olhos fechados, doloridos, não viu Damon observando, de longe, os braços cruzados, o rosto duro. O rosto dela oscilou para frente, uma lagrima caindo pela pele machucada, cansada. Ela não sabia o que era pior: A dor ou o enjôo. A dor era pior, mas ela vomitou. Não viu, mas era sangue. Só o soube pelo gosto. Outra convulsão veio, e ela pôs uma nova quantidade para fora, o sangue caindo pelo queixo, direto pro chão, sujando-lhe o vestido. Na terceira convulsão uma mão fria tocou seu rosto, erguendo-o sutilmente.

Alaric: Respire. – Instruiu. Elena virou o rosto. Não conseguia, o nariz estava entupido, a única via que tinha era a boca, que estava cheia de sangue. – Ande, respire. – Instruiu. Curioso, ele próprio parecia não respirar perto do sangue. Elena sentiu a outra mão fazendo meio que uma manobra em seu nariz, apertando-o, e o ar desceu pelo nariz. Ardeu, mas ela respirou fundo. Tossiu, cuspindo mais sangue.

Damon não disse nada ao ver o rosto dela todo lastimado, todo partido, machucado, ao ver Alaric socorrendo-a para que não morresse engasgada com o próprio sangue. Seu rosto só se tornou mais duro, como se ele próprio estivesse sentindo dor. Algo dentro de Damon queria gritar contra aquilo, queria se rebelar, queria impedir aquilo. Aquele sentimento lutava fortemente para vir a tona, para tirar Elena dali. Mas ele não permitia.

Elena: Obrigado. – Disse, ofegando, rouca. Havia cabelo seco grudado em seu rosto.

Alaric: Em nome de Deus, prefere morrer ao dizer o que sabe? – Perguntou, incrédulo.

Elena: A questão é que não sei nada. – Falar custava. Os pulmões dela pareciam fora do lugar.

Alaric: Se não abrir a boca morrerá, tu o sabes. – Disse, observando a figura lastimada a sua frente. Ele podia sentir o coração dela lutado, batendo descompassadamente, de modo rápido demais, as vezes falhando.

Elena: Não demorará. – Disse, quieta. Ela parecia ver isso com esperança.

Alaric se afastou, saindo. Damon se aproximou, em silencio. De perto, vendo os danos mais claramente, ele subitamente se lembrou do riso dela, dela rindo pra ele... Dizendo que o amava. Lembrou dos olhos castanhos, de sua inocência e malicia. Ela não o viu. Abrir os olhos doía, e suas pálpebras estavam inchadas. Mas ela sentiu o cheiro. Aspirou o ar como quem saboreia, então subitamente soluçou em seu choro. Podia senti-lo. Damon viu as lágrimas descendo pelo rosto dela, e ela respirou fundo, se controlando. Não disse nada. Ele tampouco. Apenas a olhou. Ninguém viu, mas seu olhar se inundou ao vê-la daquele jeito. Estava doendo nele. A ultima vez em que Damon chorara fora após o funeral de Katherine. Elena não viu, ela apenas sentia a presença. Ele ergueu a mão, quase levando-a ao cabelo dela, grudado pelo sangue seco. Quase a tocou. Uma lagrima caiu por seu rosto e ele recolheu a mão, se afastando, secando o rosto. O sentimento era forte o suficiente para ser sentido sem o físico. Respirou fundo. Seu pai lhe dissera que ele nunca, jamais poderia ser fraco, não importa a circunstancia. Outra lágrima caiu por seu rosto, mas ele a secou, recuando. Ele não podia ser fraco nem agora. Mesmo que cada fibra do seu corpo gritasse para que ele acabasse com isso.

Ela percebeu a presença dele se afastando, e com esforço, ergueu o rosto. Sua nuca doía. Queria poder enxergar, queria poder vê-lo, mas ninguém veria Damon chorar novamente. Ele tinha de ser forte. Quanta força era necessária para conseguir deter o amor preso, e deixar que as coisas aconteçam como devem ser? Damon deu as costas. Precisava sair dali, precisava ser rei. E ele deu as costas, saindo das masmorras. Encontrou Alaric parado no corredor, acompanhado de Klaus.

alaric: Dêem água a ela. – Ordenou, e um guarda entrou na masmorra. Não davam água a ela há 3 dias.

Klaus: Nada ainda? – Perguntou, e Alaric negou. Damon seguia quieto. Todos ouviram Elena engasgar e tossir ao receber água. Damon continuou impassível.

Alaric : O coração dela não vai agüentar muito tempo. Resolvam se vão deixá-la morrer ou não. – Disse, olhando de Damon para Klaus. Damon pensou no coração de elena perdendo a batalha, no corpo dela frio, imóvel... Tão imóvel quanto Katherie, porém machucada. Não o suportou e saiu dali, dando as costas. Não conseguiria administrar.

Era madrugada. Chovia forte. Damon desceu as escadarias desembestado. Não dormia há três dias, sua cabeça não parava de doer. Estava frio, soava. Entrou nas masmorras no mesmo ímpeto. Estremeceu. Elena pendia para frente, a cabeça baixa. Por um instante Damon entrou em pânico, mas se ela tivesse morrido teriam avisado. Ele avançou até ela, decidido. Um guarda se opôs. Damon apenas o olhou, fazendo-o sair. O segurança saiu da masmorra. Ele apanhou os braços dela, que ergueu o rosto.

Elena: Damon? – Perguntou, rouca, sentindo os braços dele puxando os nós.

Damon: Shhh. – Pediu, e se abaixou, soltando os pés dela. Em seguida a cintura, logo os braços. Ele a carregou e Elena gritou de dor ao sentir as pernas se dobrarem. Logo não as sentia. Ele puxou uma cadeira com o pé, pondo-a sentada com cuidado, e apanhou seu rosto entre as mãos – Pode me ver? – Perguntou, quase desesperado. Elena fez um esforço hercúleo para abrir os olhos. Conseguiu abrir um mínimo e assentiu.

Elena: Você não ia me matar? – Perguntou, vendo ele rasgando seu vestido, soltando as amarras, deixando o peito dela livre pra respirar.

Damon: Eu ainda vou. Eu acho. Não me faça perguntas agora, eu estou confuso. – Elena ficou quieta – Onde dói?

Elena: Onde não dói? – Perguntou, irônica consigo mesma. – Estou feliz que tenha vindo.

Damon: Me deixe te ajudar. – Disse, rasgando um pedaço da própria camisa. Ele apanhou um vaso com água que havia ali, molhando o pano. Limpou o nariz dela sutilmente, removendo o sangue seco. Elena respirou fundo.

Elena: Se está aqui é porque ainda me ama. – Disse, meio lesa pela dor.

Damon: Você mentiu para mim. Não há perdão para isso. – Respondeu, molhando a área dos olhos dela.

Elena: Mesmo eu tendo mentido, você voltou. Vai me matar no final, mas se importa. – Disse, e parecia satisfeita.

Damon: Isso tranqüiliza você? – Perguntou, incrédulo.

Elena: Menti para você, mas não sou a espiã. Veja, estou morrendo sem nem reclamar. – Damon molhou o pano de novo, levando aos olhos dela – Me tranqüiliza, porque mesmo eu morrendo, você se importou.

Nessa hora Lorenzo,Alaric e Klaus entraram na masmorra, acompanhados pelos guardas. Damon não respondeu Elena.

Lorenzo: Damon, o que está fazendo? – Perguntou, observando a cena.

Damon: A partir de agora ninguém, eu repito, NINGUÉM, tem autorização para bater nela, nem atá-la. Ela não vai fugir. Deixem-na presa aqui. – Disse, limpando os olhos de Elena. Ela olhava ele agora, pelos olhos entreabertos – Se eu descobrir que alguém encostou o dedo nela, eu juro por Deus, nosso senhor, a pessoa morre.

Klaus: E vamos fazer o que com ela? Ela não fala, não há modo. – Ressaltou.

Elena: É porque eu não sei de nada. – Disse, remotamente.

Madison: Você sabe o que vamos fazer com ela. – Disse, aparecendo atrás dos outros. Alaric a encarou, e ela assentiu – Deixe que Elena fique em paz esta noite. Amanhã tiraremos a verdade dela. – Disse, quieta. Klaus aquiesceu, e Damon se perguntou se perdera alguma coisa.

Elena: Eu estou com sede. – Murmurou, quieta. Os outros saíram, dando as costas. Apenas Madison ficou.

Damon rasgou outro pedaço da camisa, molhando-o em água fresca e limpa. Ouvira os engasgos dela; fazê-la beber não funcionaria. Molhou o pano e levou até os lábios dela, que aceitou grata, sugando a água. Ela bebeu um bom bocado, então não conseguiu mais.

Damon: Você provavelmente vai morrer amanhã. – Disse, largando a água. – Não sei o que eles vão fazer, mas no final não terá utilidade.

Elena: Eu sei. Ainda assim você se importou. – Ela não viu nada, só quando ele a carregou novamente, pondo-a em cima de algo. Era feno coberto. Ele a deitou, e ela suspirou.

Damon: Eu ter vindo não significa nada, Elena. Não deixei machucarem você por consideração a memória de tudo o que vivemos. – Ressaltou – Mas não se equivoque. Eu não confio em ti, eu não vou protegê-la quando chegar a hora. Eu estou com ódio de você. – Murmurou, quieto.

Elena queria responder, mas seu cansaço era tão grande que ela desmaiou em seu sono. Machucada, magoada... Morrendo. Damon não sabia o que sentia. Ele apenas tirou o resto da camisa, cobrindo o colo dela, e saiu dali. Vamos esperar para ver o que Klaus, Madison e Alaric tinham a fazer.

Damon não pregou os olhos. Era o inferno, novamente. Em um instante ele pensou ter a plena felicidade: Venceria a guerra, e depois seria livre para ser feliz com Elena. Mais feliz do que jamais fora. Então lhe puxaram o tapete, ele teria de matar Elena, Hope se negava a comer e dizia o odiar. Era caótico. Elena, por sua vez, pensou que sua única noite pelo menos passaria dormindo. Com sorte seus sonhos seriam lembranças, lembranças dos dias felizes que tiveram ali. Mas o “interrogador”, Elena não sabia seu nome, voltou de madrugada, e tornou a fazer as perguntas. Ela não soube responder, e apanhou novamente. Uma vez deitada ele lhe dava pontapés na região do ventre, lhe esbofeteava, esmurrava-lhe o rosto, puxava-lhe o cabelo. Ela não tinha força pra mais nada.

Notas finais
bom gente por hoje é isso. espero que gostem bjs