Semanas depois... O dia do baile chegou. Na primeira semana depois do mês em que Katherine expirara. Elena acordou e Damon já havia partido. Ela seguiu sua rotina, cuidou de Hope e fez tudo de modo normal. Ao entardecer deixou Hope brincando e foi em seu quarto, sentar um pouco para descansar as pernas. O choque se deu quando abriu a porta do quarto. Havia um vestido em sua cama. Era o vestido mais lindo que ela já havia visto. De festa, cor de pele, meio acizentado, com vários detalhes. Elena perdeu a fala. Ela se aproximou da cama, tocando o tecido do vestido. Era leve, suave. Na loucura de Damon sobre ela ir ao baile ela nem pensara que não tinha roupa para ir. Mas ele pensara, e lá estava. O vestido, roupa de baixo, sapatilhas, meia calça, luvas cinzas e uma mascara negra. Do lado da mascara havia uma rosa vermelha e um bilhete. Ela sorriu, apanhando o papel branco, pesado, e desdobrando-o.

Use isto e será a mulher mais bonita da história da criação. A mulher que estará ao meu lado, e que fará os homens terem inveja de mim por possuí-la.
Eu te amo.
Damon.


Rose: Elena, Hope se recusa a ir pro banho se você não for até lá, e antes que eu perca a paciência... – Ela parou na porta aberta, olhando tudo. O vestido, delicado, estendido na cama. As roupas, as luvas, a sapatilha preta, tão nova que parecia lustrada... A mascara. – Eu não acredito nisso. Ele vai levá-la ao baile?!

Elena: As coisas em que tu não crês e que são verdades poderiam compor um livro.

Rose: É impossível. – Disse, exasperada, olhando o vestido.

Elena revirou os olhos, se aproximando dela, mostrando o bilhete. O rosto de Rose desmoronou, e Elena riu, pondo o bilhete na cama, junto ao vestido.

Elena: Vou ver Hope. Vamos, saia daqui. – Rose a olhou, ainda incrédula – Não pense que eu vou deixá-la aqui para quando voltar encontrar meu vestido em frangalhos. – Disse, e esperou Rose sair. Ela trancou a porta – Se alguma coisa acontecer a esse vestido direi a Damon que foi tu, e que Deus tenha piedade da tua alma perante a fúria dele. – Avisou, se fazendo entender, e saiu.

Uma vez longe de Rose, Elena riu gostosamente. Estava rindo quando chegou ao quarto de Hope. A menina sorriu, satisfeita.

Elena: O que houve, anjo? – Perguntou, se sentando.

Hope: Uma criada queria me levar pro banho. Eu disse que você era minha criada, e que eu só ia com você. – Disse, orgulhosa, e Elena sorriu.

Elena: Mas precisarei sair. – Disse, acariciando o rosto da menina. – Trabalharei no baile.

Hope: Ah. – Disse, erguendo as sobrancelhas – Eu esqueci.

Elena: Fazemos assim. Te dou banho e te deixo prontinha, então outra criada trará seu jantar, trato? — Ofereceu a mão.

Hope: Trato. – Disse, apertando a mão de Elena, que riu, abraçando a menina.

Elena banhou Hope, a aprontou e deixou a menina jantando. Depois foi pro próprio quarto, tomando um banho bem perfumado e demorado. Em seguida escondeu o vestido e as coisas e pediu a uma criada para enlaçar seu corpete. Quando terminou Elena mal conseguia respirar. Agradeceu e a criada saiu. Ela vestiu a meia calça, e em seguida o vestido, apertando-o ainda mais, por cima do corpete. Resultou lindo. O corpete tinha a aparência meio metálica, o decote em V, os seios fartos realçados, e as camadas do vestido delicadamente pousadas. Encaixou os pés nas sapatilhas que logo ficaram ocultadas pelo vestido. Soltou os cabelos e os escovou até que os cachos pareciam lustrados, em um chocolate escuro perfeito caindo pelo meio das costas. Calçou as luvas e por fim pôs a pequena mascara.

Estava pronta. Se olhou no espelho procurando imperfeições aqui e ali, mas não encontrou. Foi até o banheiro, apanhando um vidro delicado de um perfume que Damon lhe dera, pondo-o levemente no pescoço, no decote e atrás das orelhas. Foi quando ouviu a voz dele.

Damon: Pequena ? – Chamou, fechando a porta. Damon se portava em um terno de festa, com uma camisa preta por baixo, tudo muito luxuoso.

Elena: Estou aqui. – Respondeu, apanhando a rosa na bancada do banheiro e saindo. Damon demorou quase um minuto admirando a beleza dela. Parecia um anjo, caído a sua frente. Ela sorriu, ansiosa, e os olhos dos dois se encontraram.

Damon: Em nome de Deus, nosso senhor, se vê tão preciosa que devia ser pecado eu ter que partilhá-la. – Disse, encantado.

Elena: Não seja tolo. – Disse, ruborizando.

Damon: Se vê encantadora. – Disse, se aproximando. Ele abriu uma caixinha a frente dela. Elena recuou.

Elena: Já é demais. – Recusou. Havia uma gargantilha e um par de brincos na caixinha. Elena nunca havia visto uma jóia, mas agradava aos olhos.

Damon: São safiras. Valorizarão teus olhos. – Disse, apanhando a gargantilha.

Elena: Damon, não! – Ela se desviou dele, que revirou os olhos – Não vou usar as jóias de Katherine, você não precisa fazer isso, eu estou bem assim.

Damon: Katherine odiava safiras e tudo mais que fosse azul. Isso não é dela, é seu, comprei-as hoje, para você. – Ele se aproximou de novo – Vai usá-las, é uma ordem. – Ressaltou.

Sem alternativa Elena permitiu que ele colocasse a gargantilha. O toque frio da prata se fechou sobre o pescoço dela, e logo as duas alfinetadas dos brincos nas orelhas. Os brincos eram só as pedrinhas, mas por ser singelos eram preciosos.

Damon: Eu deveria trancá-la, para que apenas eu pudesse vê-la. – Elena o empurrou de leve, o que o fez rir. – Está linda, meu anjo.

Elena: Pare com isso. – Pediu, ruborizada.

Damon: Tudo bem. – Ele apanhou a capa que tinha deixado em cima da cama antes de entrar – É minha. – Disse, pondo a capa em cima do ombro dela, amarrando em volta do pescoço –Irá na carruagem comigo. Quando chegarmos lá eu desço e entro. Siga na carruagem, desça nos fundos e me encontre no salão. Deixe a capa na carruagem. – Orientou e ela assentiu, enquanto ele colocava o capuz em sua cabeça. Ele deu um beijinho no nariz dela que sorriu, radiante.

E assim seria.

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