Elena mal conseguia se mover no dia seguinte. Todo seu corpo doía muito. Jeremy a ajudou, indo visitá-la sempre que podia escapar, lhe ajudando com tudo. Foi assim durante dias.

Jeremy: Eu tenho uma noiva. – Disse, enquanto esperava ela terminar o jantar, já a noite. Elena o encarou e ele sorriu pela expressão dela.

Elena: Porque nunca me apresentou?

Jeremy: Porque... Ela ficou do outro lado da fronteira. – Explicou, olhando as mãos – Nós nos conhecemos enquanto ainda havia paz, e eu consegui a permissão do pai dela, consegui sua mão, a cortejava todos os dias... Então Stefan matou Katherine, Damon ficou possesso em seu ódio, e a guerra estourou.

Elena: Ela ficou lá? – Perguntou, penalizada.

Jeremy: Ficou, e eu não a vi desde então. Apenas uma vez, mas é muito arriscado. – Explicou, dando de ombros. – Mas ela me espera. – Disse, animado – Diogo traz e leva cartas minhas pra ela, e dela pra mim. As encontro periodicamente no oco que há exatamente naquela arvore onde eu encontrei você caída. Bom, a guerra não vai durar pra sempre, então poderei ir até lá e buscá-la.

Elena percebeu naquele instante que vidas desmoronavam por todos os lados graças a aquela guerra, e odiou mais Stefan naquele momento. Se ele não tivesse atacado Katherine nada disso haveria acontecido... Levou duas semanas até que todas as marcas e as dores houvessem sumido, mas enfim Elena estava pronta pra sair novamente. Após vestir seu uniforme e arrumar os cabelos adequadamente, ela saiu.

Jeremy: Lembra-te: Nada de nada. – Disse, severo, e ela assentiu – Qualquer problema procura por mim. Boa sorte.

Elena foi até a cozinha, receber as atividades do dia. Rose estava lá.

Rose: Ora, ora, quem está aqui. Não morreste, afinal.

Elena: Não. – Respondeu, com um toque de petulância na voz. Se Rose não houvesse mandando-a limpar o condenado tapete já limpo, nada disto teria acontecido.

Rose: Vá ajudar a armazenar as coisas na dispensa, chegaram condimentos hoje. – Disse, observando-a. Elena assentiu, se virando – Levar a princesa para limpar um tapete. – Disse, com um sorriso maldoso – Francamente.

Elena não respondeu. Foi pro seu trabalho. E durante uma semana ela se tornou tão imperceptível, concentrada em não chamar a atenção para si mesma nem se estivesse morrendo, quem nem o próprio Damon nem qualquer outra pessoa do castelo deram por sua falta. Seu trabalho era feito e ela agradecia a Deus toda noite, quando ia dormir, por ter conseguido passar despercebida mais um dia. Porém...

Rose: Até que enfim! – Disse, quando Elena entrou na cozinha.

Elena: Eu precisei trocar de uniforme. – Disse, ajeitando o cabelo. Rose havia derramado um copo de café cheio em cima dela, com a intenção de enfurecê-la. Mas Elena não disse nada, apenas pediu permissão para sair.

Rose: Já é tarde. – Informou – O jantar já será servido. Maria foi demitida... – Interrompida.

Elena: Mas porque?

Nina: Um pequeno acidente com açúcar e sal. – Disse, maldosa. Elena tinha certeza de que ela tinha algo a ver com isso – Outra cozinheira está em teu lugar, Nelly, porém é nova e precisa de meu auxilio para conhecer as dependências.

Elena: E...

Rose: E que vossa majestade não se sente bem hoje. Está indisposto. Tu farás sua janta e levará até a torre. – Elena arregalou os olhos – Ficará lá até que termine. Aproveite o tempo lá, e cheque a cama, ou qualquer outra coisa que precise de reparo. Só volte quando ele estiver satisfeito.

Elena: Mas...

Rose: O tempo está passando. – Avisou, saindo. Elena se amparou em uma mesa, tentando respirar. Damon iria vê-la. Estava perdida.

Então saiu correndo. Correu pelos corredores do castelo, saindo desabalada pelos jardins. Se bateu com Jeremy perto do portão. Quase o derrubou.

Jeremy: O que passa, mulher? – Perguntou, exasperado. Elena estava branca, soava, e os cabelos começavam a querer se soltar.

Elena contou tudo, exasperada. Jeremy ouviu, e suspirou no final.

Jeremy: Danou-se tudo. Rose quer te entregar a ele. – Disse, pensando em uma saída.

Elena: Como?

Jeremy: Ela não sabe se tu sabes cozinhar. Está apostando que, se Damon não lembrar de teu rosto quando a vir, chame a atenção pro que você o apresentar para que coma. Se for uma porcaria falhará imediatamente. Elena, pela graça de Deus, nosso senhor, tu sabes cozinhar, não sabes?

Elena: Ora, é claro que sei! – Disse, exasperada.

Jeremy: Ótimo. Não prepare nada muito sofisticado, nem muito demorado. Apenas a entrada, e o prato principal. Não derrube nada, nem pareça nervosa. – Elena estava tendo um ataque histérico.

Elena: Jeremy, eu não posso!

Jeremy: É claro que podes! E vai! Anda, vai pra cozinha, se te atrasares é mais um motivo pra que a reclame! Vá! Boa sorte. – Disse, ao vê-la recuar – Mais depressa, Elena! – Disse, e ela acordou, em um choque de realidade.

Elena saiu correndo novamente, de volta pra cozinha. Sorte. Ela tinha a breve impressão que nem toda a sorte do mundo a salvaria disso.

Elena subiu pra torre como quem vai pra morte. A bandeja tremia em sua mão. Ela própria checou toda a comida e o vinho, estava tudo em estado perfeito. Houveram duas batidinhas na porta.

Damon: Entre. – Ordenou, parado em um canto, com vários papéis na mão.

Elena entrou, em silencio, e foi até a mesa que havia ali. Damon se sentou, ainda concentrado em seus papeis, enquanto ela servia a entrada. Ele estava descalço, usava calça, camisa branca e colete. Elena rezou aos céus pra que ele mantivesse sua atenção nos papéis até ela ir embora. Pra alivio dela ele comeu toda a entrada lendo, e nem sequer a olhou quando ela trocou pelo prato principal. Elena, após servi-lo, se afastou. Foi até a cama king-size, procurando por um amassão, pedindo por algo que a mantivesse ocupada, mas a cama estava intacta. Ela o olhou pelo canto do olho e apanhou um travesseiro, afofando-o. Ele continuava concentrado. Deus, por favor, que ele não olhe para mim...

Damon: O engraçado... – Começou, largando os papeis na mesa e se virando para encará-la. Elena simplesmente empedrou – É que você realmente está com medo de que eu a ataque.