Elena não saiu para a recepção. Se trancou com Hope e lá permaneceu. Ouviu o alvoroço nos corredores mas não saiu. Apenas se retirou quando Hope já dormia pesadamente. Os corredores já estavam vazios, desertos e silenciosos. Ela soltou o cabelo, passando o dedo pela raiz para relaxar o couro cabeludo. Seu pensamento estava longe. O que ela faria quando Damon fosse lhe procurar hoje?

Ele estava ocupado agora, com certeza, então como já havia acontecido ela se aprontaria pra dormir e se deitaria. Então ele apareceria, no meio do escuro, sem nenhum som para avisar e estaria debaixo de seus lençóis, o corpo forte oprimindo o dela e não haveria mais nada. Era sempre assim. Foi nessa duvida que ela se bateu em alguém. Foi como dar de cara um muro de concreto. Ela gemeu, cambaleando, e uma mão a segurou. Era fria. Elena ergueu o rosto e então não tinha reação.

Elena: Jesus. – Murmurou, congelada.

Um par de olhos anormalmente claros olhavam pra ela. Não claros como os de Klaus, eram topázio. Um topázio quase opaco, claro... Lindo. O dono dos olhos era pálido, e tinha os cabelos cor de bronze, espetados.


Alaric: Você está bem? – Perguntou, franzindo o cenho levemente. Elena sabia que devia dizer alguma coisa, mas era que... Pelo amor de Deus, como os olhos de uma pessoa atingiam aquela cor?!

Pena foi que não deu tempo dela reagir. Damon vinha atrás de Alaric. O moreno viu Elena parada, encarando o amigo, que a segurava pelo braço. Ele ergueu uma sobrancelha vendo o olhar quase embasbacado de Elena. Não gostou.


Damon: Algum problema aqui? – Perguntou, mordido. Porque os cabelos dela estavam soltos?

Alaric: Não sei. Ela não reage. – Disse, encarando Damon.

Damon: Elena? – Chamou, severo. Uma vez com o olhar livre ela conseguiu se recuperar. Cambaleou, se soltando, e respirou fundo.

Elena: Perdão, foi minha culpa, eu estava distraída. Alteza. – Ela se curvou. Era ÓBVIO que aquele era Alaric.

Alaric: Está tudo bem. Você se machucou? – A voz dele era... Jesus, Maria, José.

Elena: Não, majestade. Perdão, mais uma vez. – Alaric assentiu, tranqüilo. Damon ainda observava. – Com licença. – E ela saiu.

Damon arregalou os olhos Azuis, vendo-a se afastar apressadamente. Ela nem se dirigira a ele! Alaric, uma vez desimpedido, seguiu seu caminho. Elena foi pro seu quarto e tomou um longo banho, relaxando. Saiu do banheiro de camisola e parou em frente ao espelho, penteando os cabelos. Estava prestes a terminar quando a porta abriu. Era Damon, e a expressão em seu rosto não era boa. Distraída com o fenômeno que era Alaric, ela se esquecera do problema que tinha em mãos. Acabara de lembrar.


Damon: Pode me dizer que diabo significou aquilo? – Perguntou, quase em um silvo, trancando a porta.

Elena: Do que está falando? – Perguntou, cansada.

Damon: Sabes do que estou falando. – Rebateu.

Elena: Eu apenas me esbarrei, estava distraída. – Justificou.

Damon: Se esbarrou e ficou olhando? – Perguntou, debochado.

Elena: Isto seria ciúme? – Perguntou, observando.

Damon: Não brinque comigo.

Elena: Não estou.

Damon: O que pretende, variar de um rei para outro? – Elena levou aquilo como uma bolacha.

Elena: Está me ofendendo. – Disse, mortificada.

Damon: Tudo bem, perdoe. – Ele passou a mão no cabelo, respirando fundo. – Me excedi. Mas porque ficou olhando-o?

Elena: Que te passa? Eu apenas olhei! – Disse, exasperada.

Damon: Não gostei de como me fez sentir. – Elena revirou os olhos.

Elena: Tu estas prestes a se casar e me repreende apenas por admirar alguém? – Perguntou, se abraçando.

Damon: Quem disse que eu estou prestes a casar, meu Deus?!

Elena: Você pode conviver com isso. – Lembrou as palavras dele, debochada – Uma vez que tu tenhas uma vida eu terei uma também, Damon. Longe de ti.

Ele ficou paralisado, olhando-a. Mais pálido do que chegara. Elena nem viu ele avançando, então os olhos azuis estavam perto demais e as mãos dele machucavam seus braços.


Elena: Ai! – Gemeu, se encolhendo.

Damon: Olhe pra mim! – Rosnou. Elena ergueu os olhos, encarando-o – Você é minha, Elena. Não vou perde-la em circunstancia alguma, para ninguém! Me fiz claro?

Elena : Está me machucando. – Disse, assustada.

Damon: Nunca mais pense nisso. Não fale mais isso em voz alta. Você é minha. Só minha. Entendeu?! – Ele sacudiu ela, que assentiu. Ele soltou os braços dela, abraçando-a. Elena se afundou no peito dele, sentindo o perfume familiar. Como era tolo! Ela seria dele até o dia de sua morte, talvez até além. – Eu amo você. – Murmurou, com os lábios no cabelo dela – Não esqueça.

Elena: Eu também. Deus sabe, eu também. – Ela aspirou o perfume dele, saudosa.

Damon: Me beije. – Pediu, a voz rouca no ouvido dela. Elena ergueu o rosto dele, tomando-o entre suas mãos, e o beijou docemente.

Uma vez beijando-a a fúria de Damon pareceu se amansar. Ele a abraçou forte, a boca devorando a dela... Então Elena não viu o que, mas havia sido erguida no chão. Flutuou no ar com uma rapidez anormal, erguida por ele. Então ela percebeu que ele estava na defensiva... Quase atacando. Ele largou ela no chão, se virando para a janela, então ela ouviu o som que o alertara: Flechas. Pelo barulho centenas. Damon a empurrou sutilmente, fazendo-a se afastar da janela, e abriu a mesma. Os dois viram uma nuvem de flechas riscando o céu escuro. Que diabo era aquilo?


Elena: Damon? – Chamou, repreensiva. Ele pediu um tempo com a mão, observando-a cena do lado de fora no castelo.

Damon: Não é uma ofensiva, é um aviso. – Disse, e ele... Ele sorria? – Finalmente.

Elena: O que está acontecendo? – Ela ouviu o som das flechas atingindo a terra, longe. Foram todas atoa?

Damon: Lorenzo. – Disse, observando algo ao longe.

Elena hiperventilou. Ele não viu. Ela recuou, apreensiva, pálida... E desmaiou.

Damon: El... Elena? – Chamou, sobressaltado. Ele correu até ela, apanhando-a no chão. A cabeça da loura desfaleceu para trás, os cachos se arrastando no chão – Agora não, pequena. Acorde. – Chamou, agoniado.

Klaus: Damon! – Ele abriu a porta – Deram o alerta de que... Assim já é impossível. – Ele parou, olhando a cena, debochado – O que você fez?

Damon: Não fiz nada, ela caiu! – Disse, exasperado.

Klaus: Não seja lerdo, ponha ela na cama. – Damon carregou Elena com facilidade, pondo-a deitada com cuidado. – E vamos.

Damon: Não posso deixar ela assim. – Se opôs.

Klaus: E vai fazer o que, velar o desmaio dela? – Não havia o que se fazer naquela época sobre desmaios, apenas esperar – Vamos! – Uma segunda nuvem de flechas cortou o ar pela janela aberta. Anunciava que a carruagem real estava próxima. A terceira anunciava que havia chegado. Kalus foi até a janela, observando – Alaric já está lá. – Informou – DAMON!

E ele apanhou Damon pela gola da camisa, arrastando para fora. Ele foi, deixando o coração do lado de Elena na cama. Elena só acordou minutos depois. Nem queria acordar. Era sua morte chegando, passando pelos muros. Ela se levantou, se arrastando, e parou na janela.