O silencio reinou depois que Jeremy saiu. Elena se sentou na cama, sentindo-se meio aérea. “Ele vai matá-la.”. Isso ecoava em seus ouvidos, doía. Ela queria chorar, sua alma chorava, estava em prantos, mas as lágrimas em sai não vinham. Ela ficou lá por minutos, até que a porta se abriu. Damon já estava lá, banho recém tomado, barba feita, roupas limpas.


Damon: Aqui está você. – Disse, fechando a porta – Anjo, você viu onde eu deixei... – Ele parou, observado-a. Estava de cabeça baixa, havia algo estranho – Olhe para mim. – Ordenou, preocupado. Elena ergueu os olhos, encarando-o. Estavam vermelhos. Ela estava pálida, parecia tremer. – O que houve com você? – Perguntou, se abaixando na frente dela. Elena não respondeu. Ele pegou o rosto dela na mão, e ela estava fria – O que fizeram com você? Quem estava aqui? – Elena negou com o rosto.

Elena: Eles sabem. – Disse, e a voz dela estava por um fio.

Damon: Quem sabe o que? – Perguntou, angustiado.

Elena: Todos sabem. Sobre nós dois. – Esclareceu.

Damon: É por isso que está assim? – Ela não respondeu – Eu não vou deixar nada te acontecer, você não precisa temer. Ei. – Ele segurou o rosto dela, mantendo seu olhar – Nenhum mal no mundo a alcançará. Eu prometo. Ninguém vai te machucar. – Ela teve vontade de perguntar “Ninguém inclui você?”, mas se manteve calada. – Você está chorando. – As lagrimas finalmente resolveram vir – Não. Elena, olhe para mim. Eu amo você, isso não basta? – Perguntou, preocupado e angustiado – Não chore.

Eelena: Me abrace. – Pediu, entre seus soluços – Só me abrace. – Ele a trouxe pros seus braços, abraçando-a de modo apertado. Elena afundou o rosto no ombro dele, deixando sua dor vir. Ele acariciou-lhe os cabelos, tentando acalmá-la.Ela apenas chorou. Não havia nada a fazer agora, apenas esperar.

Dias depois...

Elena estava decidida: Iria contar. Qualquer coisa devia ser melhor que aquela angustia. O pai de Elena não fora covarde; Morrera porque gritara a verdade aos 4 ventos. Elena não tinha a metade da coragem do pai, mas ainda assim... Ela caminhou de forma rápida até a sala, onde sabia que ele estava, entrando lá de forma quase intempestiva. Ele estava parado num canto da sala, com um papel na mão. Ao vê-la entrar ergueu os olhos azuis, inocentes da verdade, para encará-la.

Elena: Precisamos conversar. – Disse, antes que ele pudesse interromper – Eu preciso dizer algo. Não posso mais escon... – Ela parou, olhando.

Havia algo diferente nos olhos de Damon. Ele esperava ela falar, era verdade, mas o azul dos olhos dele parecia ressaltado... Mais intenso. Estava transbordando felicidade.

Elena: O que houve? – Perguntou, confusa. Qual era o problema?

Damon: Eles estão vindo. – Disse, e sua voz quase tremia de ansiedade e excitação. Elena engoliu em seco.

Elena: Q-qual deles? – Perguntou, sem querer saber bem a resposta. Se fosse Alaric, ainda podia haver esperança. Por favor, que seja Alaric...

Damon: Lorenzo. – Disse, e um sorriso nasceu em seu rosto. Elena quase desmaiou – Alaric também. Estão vindo os dois, e as esposas juntamente. – Uma viagem naquela época era oficialmente importante quando a rainha era retirada do castelo, levada junto – Sua idéia foi brilhante, brilhante! – Disse, caminhando até ela.

Damon a apanhou nos braços, erguendo-a do chão e abraçando-a. Estava transbordando felicidade. Como ela podia matar aquela felicidade, em nome de Deus?

Damon: Você disse que queria me contar algo. – Disse, pondo-a no chão. Elena hesitou, encarando-o. Como seus olhos estavam lindos, pareciam duas esmeraldas vivas...

Elena: Não é nada. Só que eu amo você. – Ele franziu o cenho, sorrindo – Eu... Senti a necessidade de dizer isso . Para que nunca esqueça. – Disse, acariciando o rosto dele.

Damon: Não vou esquecer. Nunca. – Prometeu, e abaixou o rosto, tomando-a em um beijo doce. Elena retribuiu, abraçando-o. Uma vez que já não parecia ter coragem no normal, nessa circunstancia seria impossível.

Bastava esperar que a promessa dele valesse.

–--*

Era um dia frio. Era outono, o céu estava nublado e ventava muito. Faltava pouco para o baile, e para a chegada dos tão esperados. Elena caminhava no jardim com Damon ao seu lado. Ela andara angustiada. Seu relacionamento com ele estava perfeito, melhor que nunca antes, mas ela tivera um pesadelo dias atrás. Ela andava sozinha, não havia nada a sua volta, só neblina... Como se ela estivesse dentro da nuvem. Então uma voz clara disse a ela: “O céu cairá quando o inverno chegar.”. O inverno estava quase chegando, faltavam poucos meses. Ela acordara gritando, as lágrimas, mas Damon estava lá, deitado do lado dela. Ele a abraçou e prometeu que estava tudo bem. Ela se acalmou, mas a ‘mensagem’, ficou. Desde então o inverno a apavorava.

Elena: Preciso trabalhar. – Disse, se virando para ele – A noite nos vemos. – Ele sorriu.

Damon: O que vai fazer agora? – Perguntou. Ele estava aquecido, usando uma capa de veludo pesado, mas ela usava apenas seu uniforme.

Elena: Lenha. As da lareira do seu quarto deram cupim. – Disse, debochada. Damon riu gostosamente. Não passava as noites em seu quarto: Só ia lá tomar banho, se trocar e ir atrás dela. Logo a lareira não era acesa. Ele riu até ver ela ir até o toco de uma arvore, apanhando o machado cravado ali.

Damon: Ei. – Ela o olhou – Vai se machucar.

Elena: Já fiz isso antes. – Disse, apoiando o machado no chão. Era pesado.

Damon: Isso é trabalho de homem. – Impôs, e Elena ergueu as sobrancelhas. Ela riu ao vê-lo tirar a capa.

Elena: Vai cortar lenha, vossa alteza? – Perguntou, se apoiando no machado.

Damon: Sou homem. – Ele passou a capa pelos ombros dela, que revirou os olhos.

Elena: É um rei. – Rebateu.

Damon: Fui homem antes de ser rei. – Respondeu, afivelando a capa. Estava quente e tinha o perfume dele. – Eu odeio isso, sabe? – Perguntou, desabotoando o punho da camisa.

Elena: Isso o que? – Perguntou, vendo-o dobrando das mangas da camisa.

Damon: Estereótipos. Porque eu sou rei, eu não posso fazer nada pesado. Porque uma pessoa está doente, ou magra demais, ou gordas demais, ou baixas demais, se elas tem dinheiro demais ou de menos, elas tem que andar com pessoas do mesmo estereótipos que os dela. – Disse, segurando o machado, olhando-a. – Eu acredito que o que interessa é quem são por dentro. Pessoas julgam sem conhecer, isso tira do sério.

Elena: Você não julga as pessoas sem conhecer? – Perguntou, observando-o.

Damon: Não. – Disse, olhando em volta – Se perde muito por julgar as pessoas apenas por fora.

Elena: E se você conhecesse uma pessoa por dentro. – Começou, e ele esperou. Os dois estavam pálidos pelo clima, mais brancos que o normal – Por dentro e parcialmente por fora.

Damon: Parcialmente por fora? –Perguntou, confuso.

Elena: É. Se você conhecesse alguém totalmente por dentro, e por fora faltasse um detalhe... Um detalhe razoavelmente importante. – Damon esperou – Quando você soubesse esse detalhe você julgaria a pessoa por dentro?

Damon: Eu gosto do interior da pessoa? – Perguntou, levando a história hipoteticamente.

Elena: Aparentemente ama. – Ela sorriu com a ingenuidade dele.

Damon: Se eu amo o interior dela... – Ele deu de ombros – Quão grave é o que eu não sei?

Elena: Muito. – Disse, se abraçando a capa dele. Damon passou a mão na cabeça, o cabelo dele ficou bagunçado, bonitinho. Ela sorriu.

Damon: Iria depender. Estou confuso. Porque está me perguntando isso?

Elena: Não sei. Seu discurso sobre ‘não julgar sem conhecer’ me deu essa curiosidade. Mas vamos lá, majestade.

Jeremy, que estava no castelo, observou, confuso, a cena. Viu Elena parada, com a capa de Damon, que ergueu o braço, olhando o machado. Elena o olhou de modo duvidoso e riu. Ele ergueu a sobrancelha pra ela e tomando impulso, desceu o machado na madeira, que se rachou em duas. Não era o jeito exato de se fazer, mas era lenha. Ele sorriu pra ela, vitorioso, equilibrando o machado na mão, e ela bateu palmas, dando pulinhos.

Damon: Ham? Ham? – Disse, andando pra ela de braços abertos, sorrindo, todo orgulhoso.

Elena: Meu herói. – Disse, caminhando até ele, rindo.

Jeremy viu Elena pular no pescoço dele, beijando-o. Damon a segurou no ar, retribuindo o beijo apaixonado. O vento sacudiu os dois, os cachos dela ricocheteando ao vento, e JEremy negou com a cabeça, suspirando, e saindo dali. Ficava a questão: Ele seria capaz de perdoar?

–--*