just one more about love Delena
42 Capitulo 42
Dias depois... Elena acordou. Não estava chovendo, o que era raro. Ela se sentou, tirando o cabelo do rosto, e olhou a camisola amarrotada... Mas inteira. O que era mais raro ainda. Olhou pro lado e viu Damon dormindo pesadamente, sem camisa, coberto de qualquer jeito. Se desvencilhar dele fora quase uma luta corporal, mas ela conseguiu, pondo seu travesseiro nos braços dele em seu lugar. O dia claro parecia um pressagio, um aviso, uma constatação... O medo violento que ela sentia, sua angustia e seu receio não evitariam o mal que estava por vir. Talvez esses fossem seus últimos dias com Damon.
Ela não desperdiçaria isso sendo fraca; agora isso não resolveria nada. Ela trancaria seu medo em um compartimento escondido, onde ele não pudesse atrapalhar. Foi pensando nisso que ela se levantou, se banhou e se arrumou. Saiu do banheiro e estava se penteando quando a voz de Damon a reprovou.
Damon: Porque tens essa maldita mania de me deixar sozinho na cama? – Ele sinceramente odiava isso.
Elena: Porque tu ficas lindo dormindo. – Disse, sorrindo, passando a escova nas pontas do cabelo – Eu não vou acordá-lo, e preciso trabalhar. Logo tu dormes e eu vou.
Damon: Vou rasgar esses travesseiros, então quero ver o que tu vais por em teu lugar. – Disse, debochado, e ela riu. Ele gostou do som do riso dela – Venha aqui. – Chamou, estendendo a mão.
Elena: Damon. – Reprovou, sem se mover. – Sempre que tu acordas me atrasa.
Damon: Agora. – Ordenou, insolente, e ela suspirou, se aproximando. Se sentou na cama, olhando-o, e ele se sentou atrás dela, deixando-a entre suas pernas, apanhando a escova de sua mão. – Passarei o dia fora hoje. – Disse, passando a escova cuidadosamente no cabelo dela. Ele observou, curioso, um cacho se esticar e voltar ao lugar sob seu toque.
Elena: Devo me preocupar com sua saída? – Perguntou, virando o rosto.
Damon: Não. – Disse, se divertindo com os cachos dela – Só vou com Klaus resolver algo na cidade. Devo voltar ao entardecer.
Elena: Estarei aqui. – Disse, aninhando as costas no peito dele, que deixou a escova de lado, abraçando-a.
Damon: É claro que estará. – Disse, beijando-lhe a orelha de modo mordido, fazendo-a sorrir, se encolhendo. Ele trouxe o rosto dela para si, beijando-a de modo apaixonado, doce.
E ela se atrasou. Quando ele saiu, seguido por um Klaus impaciente e cheio de piadas, o sol já estava alto.
Elena: Bom dia. – Disse, entrando na cozinha. Rose tomava café. Elena preparou a bandeja de Hope um pouco mais apressada, pelo horário, mas quando ia sair não perdeu a oportunidade de passara mão descaradamente no copo de Rose, derrubando-o e ensopando a outra de suco de laranja. Rose gritou, se levantando, mas já era tarde.
Rose: VOCÊ NUNCA VAI PARAR COM ISSO?! – Gritou, possessa.
Elena: Não. – Disse, forçadamente pensativa – É divertido. – Completou, apanhando a bandeja e saindo dali, sem dar atenção.
Elena passou o dia tranquilamente. Como Damon não estava ela dedicou todo o seu dia a Hope; a menina adorou ter a babá inteiramente de volta.
Desde o episodio em Willow Creek Elena dividia seu tempo entre pai e filha, alternando entre os dois. Na ausência de um ela podia ficar com a outra. Damon se demorou o dia todo fora, até mais. Pretendia voltar ao anoitecer, mas já era tarde quando conseguiu entrar no castelo. Klaus nem o deu boa noite; A convivência forçada não era boa amiga, foi pro seu quarto. Damon subiu até o andar do quarto de Hope, a capa que usava sobre os ombros revoando em seus calcanhares, e abriu a porta do quarto da menina cuidadosamente. Ela já dormia um sono tranqüilo. Ele foi até ela, ajeitando seu cobertor e lhe beijando a testa. Em seguida saiu atrás de Elena. Não via a hora de poder tê-la em seus braços outra vez, pra poder esquecer o dia cansativo que tivera. Mas ela não estava em seu quarto. Ele foi no antigo quarto dela, mas também estava vazio.
Damon: Que diabo...? – Perguntou, frustrado. Onde ela estava?
Foi parado no corredor, tentando pensar, que ele terminou escutando.
Era musica. Baixa, mas perceptível. Ele ergueu levemente as sobrancelhas. Quando raramente fazia tempo bom, como hoje, os empregados tinham permissão para acender uma fogueira nos fundos do castelo, onde, em geral, bebiam, conversavam... E tocavam musica. Ele não imaginaria Elena lá... Mas ele não fazia idéia de onde ela podia estar. Assim caminhou até o lado de fora, descendo pelo gramado seguindo a musica. Estavam na copa das arvores, da floresta que cercava tanto o castelo quanto o rio. Ele parou ainda distante, observando. É, ela estava lá.
Se eu fosse jovem, eu fugiria desta cidade.
Eu enterraria meus sonhos debaixo da terra ♫
Não era nada do que ele esperava, mas Elena sempre o surpreendia mesmo. Lá estava ela, dentre os outros criados. A fogueira ardia pro ar, e os homens cantavam, sentados em volta do fogo, um deles com um pequeno violão. Haviam algumas mulheres também, mas Elena era a única de pé... E a única vestida daquele jeito. Que diabo era aquilo? Ele observou cuidadosamente a roupa dela: Uma blusa de botões, amarrada abaixo da costela, deixando a barriga definida livre a vista de quem quisesse e uma saia, branca como a blusa, solta, que rodopiava no ar quando ela girava. E ela girava. Estava dançando. Damon nunca vira nada mais intrigante, mais viciante... Nada mais seu. Ela dançava em volta fogo, se balançando conforme a musica. Ele, ainda mortificado, viu ela segurando a saia, o que deixava os tornozelos livres. Ela dava pequenos passos demoradamente, os pés descalços tocando delicadamente a grama, girava e dançava ao redor do fogo e sob os comandos da musica. Os cabelos estavam soltos, os cachos que ele amansara há algumas horas estavam balançando junto com a dona, de modo livre, até selvagem. Ela olhava o fogo enquanto dançava, como se algo nas chamas a prendesse. Logo, não o viu.
Assim como eu, nós bebemos pra morrer, e nós bebemos esta noite ♫
Damon desgrudou os olhos com esforço da imagem dançante dela para observar os que estavam ao redor. As mulheres olhavam Elena com certo despeito no rosto, até inveja, talvez. Entre os homens, sua grande maioria, alguns conversavam, alheios, outros olhando-a, e os que cantavam, olhavam ela.
Havia cobiça no olhar de muitos, desejo, gana. Damon ficou mordido. Não se tinha mais respeito, era isso?!
Longe de casa, elephant gun
Nós vamos derrubá-los, um por um ♫
Mas Elena não via. Ela olhava o fogo, apenas a ele. Alheia a cobiça, a inveja... Alheia a própria perfeição. Elena olhava o fogo e esgotava seu corpo, tentando se libertar da angustia que sentia por dentro. Parecia estar funcionando. Então, sem se anunciar, como o vento, ela sentiu uma sensação familiar. Sensação de presença, mais forte até que a própria sensação de estar sendo observada. Em um dos rodopios ela o viu, parado, longe dali, oculto pela falta de luz e pela capa negra que usava. Elena perdeu o passo um instante, desarmada pela aparição dele; com sorte ninguém viu. Ele viu o olhar dela sob si e sorriu, batendo palmas conforme a musica, em um elogio silencioso a dança dela. Ela sorriu de volta, voltando a se mover, mas agora o encarava, discretamente; estava dançando para ele. Ele a observou, fascinado, o olhar aprovando o que via. E ela dançou ainda com mais gosto, porque agora tinha pra quem dançar. Durou por mais um bom tempo. Quando as chamas morreram, tempos depois, Elena se preocupou por alguém vê-lo na volta pro castelo... Mas ele havia sumido, tão subitamente como aparecera.
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