Elena entrou novamente sem bater. Damon, que acabara de largar a armadura numa cadeira. Estava de calça e camisa sem botões. Os braços ainda protegidos pelos acessórios de metal. Descalço. Os dois se encararam por um instante longo, e ela correu na direção dele, lançando-se em seu pescoço, abraçando-o. Damon a abraçou, mas não suportou o peso dos dois: Cambaleou, se amparando na cômoda com a mão. Ela o soltou, olhando-o de cima abaixo.

Elena: O que há? – Perguntou, alerta.

Damon: Eu me machuquei... Um pouco. – Ele viu o pânico nos olhos dela – Nada com que se preocupar.

Elena: O que? Onde... – Ela parou ao puxá-lo de lado. Na lateral da camisa branca havia uma mancha vermelha enorme, que descia pela cintura dele, sumindo na calça preta. Ela ergueu a camisa pra se debater com o corte da espada. Elena prendeu a respiração.

Damon: Não é nada. Já estão vindo cuidar disso, eu chamei uma...

Criada: Com licença, senhor. – Disse, parada a porta. Elena e Damon olharam.

Damon: Uma enfermeira. – Completou, apontando.

Elena: Pode sair. – Ordenou, tomando o kit de primeiros socorros da mão da enfermeira. – Eu vou cuidar dele.

Damon sorriu, divertido, e assentiu para a criada sair. Uma vez que ela saiu Elena fechou a porta, parecendo ultrajada. Se desarmou após trancar a fechadura. Damon engoliu o sorriso. Ela largou o kit em cima da cama e voltou até ele, voltando a olhar o ferimento.


Elena: Está sangrando demais.

Damon: Vai parar. – Disse, erguendo a mão pra tocar o rosto dela.

Elena: Vá pro banho. – Ordenou, rasgando o tecido da camisa dele. Damon deixou ela destruir sua camisa, divertido. Uma vez de peito nu ela o encarou – Ande, vá! Eu vou mandar prepararem algo para você comer. – Disse, e apanhou os braços dele, puxando os protetores de metal. – Vá. Eu vou cuidar de você. – Disse, tocando o rosto dele. Damon, depois de ter passado por tudo o que passou, ansiou pelo carinho dela... Mas ela o despachou mancando pro banho.

A água queimou no corte dele, e no piso tinha a cor vermelho sangue. Demorou até ele terminar. Lavou os cabelos, e quando saiu havia uma muda de roupa para ele ali. Se secou e se vestiu. O ferimento ainda sangrava. Ele mancou de volta ao quarto, onde Elena o fez comer até dizer: “Chega!”. Agora ele estava de bruços na cama, sem camisa, e ela limpava o ferimento dele cuidadosamente com um algodão molhado.


Damon: O que houve com o retrato de Katherine? – Perguntou, vendo o porta retratos sem vidro. Epa.

Elena: Quando tu saíste eu fiquei ansiosa... – Ele esperou, ainda de bruços, e ela não podia dizer a verdade – Eu comecei a mexer em tudo e terminei derrubando o porta retratos. Perdão.

Damon: Tudo bem, eu mando buscarem uma moldura nova. – Disse, e respirou fundo, acomodando o rosto no travesseiro. Agora lavado podia se ver um pequeno talho na sobrancelha dele, mas aquilo melhoraria por si só. – Tu sabes o que está fazendo? – Perguntou, por precaução, sentindo a fisgada fria da agulha atravessar sua pele.

Elena: Sei, minha mãe me ensinou algo sobre algo. Você vai ficar bem. – Os olhos dela estavam atentos a linha na pele dele, dando o primeiro ponto. – Como foi?

Damon: Ele não estava lá. – Disse, em um murmúrio frustrado. – Se esquiva como uma enguia, porque não me enfrenta de vez, já que comprou a briga?

Elena: Porque sabe que tu o matarias sem contar até vinte. – Disse, puxando a agulha novamente. Damon já fora suturado outras vezes, mas nunca vira ninguém fazê-lo com tanto cuidado, ou tanto carinho como ela. – É um covarde. E tu deverias se controlar, e não se jogar desse modo toda vez que ele pregar uma peça. Ficou histérico. – Disse, terminando o segundo ponto. – Me assustei. Tive medo de que não voltasse.

Damon: Eu estava exaltado... Mas não muda a verdade do que eu te disse. – Disse, virando o rosto o máximo que podia para olhá-la. Elena o encarou, hesitando por um momento, mas seguiu.

Elena: Hope esteve exaltada a tarde toda, e custou a dormir. – Disse, puxando um novo ponto. O sangue começava a ceder ao curativo.

Damon: Não mude de assunto. – Disse, e ela empurrou o rosto dele de volta no travesseiro. Ele não pôde evitar de rir.

Elena se manteve calada o resto da sutura. Quando terminou de dar os pontos fez um curativo em cima.

Elena: Melhor assim. – Disse, recolhendo as coisas. – Você precisa descansar. – Ela deu um beijinho nas costas dele, se levantando – Eu vou levar...

Nem terminou. A mão de Damon já estava no braço dela, detendo-a em seu lugar. Os dois se encararam, e ele estava decidido.


Damon: Dessa vez não. – Disse, trazendo-a sentada de novo. E não havia como sair.

Elena: Por favor...

Damon: Não. – Disse, resolvido. Ainda a segurava. Dessa vez ela teve que rir. Ele esperou.

Elena: Não o que? – Perguntou, divertida.

Damon: Não o que você for pedir. E ainda é não. – Disse, concreto.

Elena: Mas tu nem sabes o que eu ia pedir. – Disse, exasperada.

Damon: Posso imaginar qual é a natureza. E a resposta é não.

Elena o encarou, erguendo a sobrancelha. Ele a confrontou. Ela do nada puxou o braço. Não conseguiu nem um centímetro de avanço. Ele sorriu, satisfeito. Ela puxou de novo. Nada.

Elena: Mas que diabo, me largue. – Disse, largando o que tinha no colo no chão pra tentar se levantar a força.

Damon: Olha os modos. – Repreendeu, puxando-a sentada de volta.

Elena: Enquanto não me soltar falo o que eu quiser. – Confrontou, ousada, tentando se soltar. Damon ergueu as sobrancelhas.

Damon: Se tu vais falar o que quiser, eu faço o que quiser também. – Respondeu, satisfeito.

E Elena nem viu como. Em um minuto ela estava falando, e no outro estava no ar. Damon a puxou para fazer cair deitada ao seu lado. Porém quando foi passar pra cima dela a dor em sua cintura foi mais forte, fazendo-o grunhir e voltar ao seu lugar com uma careta.


Elena: Estourou os pontos? – Perguntou, preocupada.

Damon: Não. – Disse, se acomodando – Só foi um aviso de que não é pra eu sair daqui.

Elena: Eu vou mandar prepararem um chá pra sua dor. – Disse pra si mesma, indo pra cima dele – Me deixe ver. Pode ter voltado a sangrar. – Disse, tentando virá-lo. Damon franziu o cenho.

Damon: Tu és absurda. – Disse, e ela o olhou, confusa.

Elena: Porque? – Perguntou, confusa, encarando-o. Damon olhou o corpo dela, de volta pros olhos, em uma resposta clara. Ela olhou pra trás. Estava de 4 em cima dele. Ele viu o rosto dela ruborizar e ela recuar, engatinhando... Mas segurou seu braço.

Damon: Não, pequena. – Disse, mantendo-a no lugar. Ela o encarou novamente.

Damon a encarou por um instante, levando a mão até sua maxilar. Ele se aproximou e não houve objeção: O beijo aconteceu. Ele trouxe ela pra si, pondo-a deitada em seu colo e abraçando-a pelo ombro com um braço, enquanto o outro segurava o rosto dela, permitindo que sua boca devorasse a dela. Nenhum dos dois deu a mínima pro retrato de Katherine, logo ali atrás. Saudade, saudade, saudade, saudade...

Elena: Não. – Disse, escapando dos lábios dele. Damon respirou fundo.

Damon: Pelo amor de Deus... – Suspirou, frustrado.

Elena: Eu o quero. – Disse, tocando a maxilar dele. Damon a encarou, o olhar entre confusão e satisfação – Deus, como quero. – Ela selou os lábios com os dele.

Damon: E então? – Perguntou, já apertando-a contra o peito novamente.

Elena: E então que você vai se machucar. Sabe que é verdade. Mal consegue se levantar. – Disse, beijando o nariz dele.

Damon: Eu não preciso me levantar, preciso? – Perguntou, mordendo o ombro dela, com um toque de malicia na voz.

Elena: Hey! – Disse, tapando o rosto dele, que riu, mordendo a mão dela.

Damon: Eu estou com tanta saudade. – Lamentou, mordendo-a novamente. Elena riu, com cócegas.

Elena: Eu também... – Ele a beijou, mordiscando seus lábios – Mas não vai ajudar se seus pontos abrirem. – Damon suspirou, derrotado. Por mais que não reconhecesse, ela tinha razão.

Damon: Fique comigo. – Pediu, colocando o cabelo dela atrás da orelha.

Elena: Aqui? – Perguntou, admirada.

Damon: Aqui. – Confirmou – Eu não preciso de sexo pra me satisfazer. Fique comigo, me dê sua companhia, seu perfume... Seu sorriso. – Ele tocou o queixo dela, sorrindo – E tudo ficará bem.

Elena: Sério? – Perguntou, desconfiada.

Damon: Por enquanto. – Disse, severo, e ela sorriu – E não mata se tu me deres uns beijos também. – Propôs, na maior cara de pau.

Elena: Me deixe sair. – Damon fechou a cara – Eu só vou levar as coisas e me trocar. Eu volto.

Damon: Prometa. – Disse, sondando os olhos dela.

Elena: Eu prometo. – Disse, selando-lhe os lábios.

Damon: Se não voltar, eu vou buscá-la. Só pra ressaltar. – Disse, soltando-a. Elena riu, e se levantou.

Damon viu ela catar tudo e sair. Ele respirou fundo, pensando no que havia visto e feito hoje... Então a sensação dos lábios dela... Ele virou o rosto pro lado e Katherine estava lá, imortalizada, com a mão próxima ao rosto, os cabelos revirados.

Damon: Me perdoe, meu amor. Eu não consegui. – Disse, olhando o retrato. Não conseguira matar Stefan. Não conseguira manter outra mulher longe de si.