Hope: Onde está meu pai? – A menina estava impaciente desde que Damon saíra – Lena, chame ele!

Mas Elena não respondeu. Tanto ela quanto Caroline não diriam mais nada aquela tarde. O silencio dominava o castelo. No quarto de Damon o retrato de Katherine fora recolocado em seu lugar, a pobre não tinha culpa do final que tivera. Como Elena iria justificar a falta do vidro do porta retrato era o de mínimo agora. Ela só rezava. Rezava para que nada acontecesse a ele, para que voltasse para ela... E as horas passavam... Passavam... O campo de batalha era o caos. Damon já sumira dentre os soldados, procurando por Stefan... Matando quem passava ao seu redor. Klaus não descera do cavalo, procurava como Damon, mas com os olhos.

Klaus: ARQUEIROS! – Rugiu, ainda olhando pro campo de batalha. Mais de 200 arcos se montaram as suas costas, esperando as ordens – AGORA!

E voaram duas centenas de flechas juntas, enegrecendo o céu por instantes. Parecia chuva. Quando atingiram seus alvos, muitos caíram. A cena era caótica. Haviam gritos, e o som do metal cortando tudo o que aparecesse. Klaus permaneceu quieto, procurando novamente. Porém a verdade o açoitava juntamente com o ódio. Ele deu a ordem aos arqueiros novamente, e mais uma revoada de flechas sobrevoaram o céu.

Haviam menos homens de Stefan agora. A vitória estava ao alcance das mãos. Porém...

Klaus: Ele não está aqui. Desgraçado. – Disse, fazendo o cavalo girar para olhar em volta. Não havia sinal de Stefan por ali, só soldados. Klaus ergueu o braço e com um gesto deu a ordem – RECUAR! RECUAR, AGORA!

Os soldados começaram a recuar. Os arqueiros; a montar resistência na fronteira. Mas Damon não estava dentre nenhum dos dois. Também percebera que Stefan não estava ali e estava furioso. Todos os que cruzavam ao seu redor terminavam por morrer. Tanto sua espada quanto sua armadura já estavam lavadas em sangue. Perdera o capacete em algum lugar, seu rosto estava livre, e era o rosto da fúria. Klaus localizou Damon rapidamente: Dentre os que ainda não recuaram ele era o mais rodeado, e o que mais derrubava homens.

Klaus: DAMON! – Rugiu, raivoso. Damon, se ouviu, ignorou. – É o inferno. HOMENS, RECUAR! – Ordenou, e puxou a espada da bainha, atiçando o cavalo que foi no meio – E eu que não queria me sujar de sangue. – Rosnou consigo mesmo.

Não queria, mas se sujou. Todos aqueles que não eram seus e que passaram por seu caminho caíram. Até que ele chegou a Damon. Não havia como parar, ele estava sendo atacado. O cavalo relinchou e a espada de Klaus reluziu no ar, se abatendo sobre todos os que se aproximava.

Klaus: DAMON! – Dessa vez tinha certeza de que Damon ouvira – ELE NÃO ESTÁ AQUI, O QUE ESTÁS FAZENDO? – Não houve resposta. – Ótimo. – Disse, descendo do cavalo.

Desgraça pouca era realmente bobagem. Se um dia Stefan tivera chance de ganhar essa guerra era agora. Klaus e Damon estavam expostos combatendo soldados! Não podia ser melhor! Damon matava homens porque estava com raiva, e Klaus matava homens para tentar deter Damon. Quando não havia mais nenhum homem por perto, ou no raio de alcance deles, Klaus agarrou Damon pela armadura.


Klaus: Tu tens sorte por eu ser piedoso e não tê-lo largado aqui. – Rosnou, raivoso – Quando eu ordenei para recuar, se aplicava a ti também. Vamos sair daqui.

Damon não disse nada, apenas se virou para sair. Não haviam chegado ao cavalo ainda quando alguém o atacou pela costas. A espada do atacante passou pelo feche da armadura de Damon, acertando-o nas costas. Ele cambaleou, com um grunhido, e Klaus se virou. Ao ver a situação Klaus tirou o próprio capacete e atirou na direção do homem que atacara Damon, e foi até ele (que estava no chão), cravando sua espada em seu peito. Ele puxou a espada de volta, gotejando sangue, e se virou. Mas Damon já havia caído, e agora estava no chão, imóvel e com a espada cravada na lateral das costas.

Todos estavam paralisados. Klaus fez sinal para que vigiassem ao seu redor enquanto se aproximava de Damon.

Klaus: Damon, pode me ouvir? – Perguntou, olhando a espada. Por baixo uns 04 dedos da lamina haviam perfurado a carne.

Damon: Não, fiquei surdo. – Respondeu, com a voz abafada pela grama.

Klaus apanhou a espada e a puxou das costas de Damon, que gritou perante a dor. Klaus trouxe a espada até perto do rosto, medindo o trecho manchado de sangue. Quatro dedos, como imaginara. Ele largou a espada de lado, voltando a Damon, que ofegava no chão. Escorria sangue pela lateral da armadura.


Klaus: Consegue andar? – Perguntou, se abaixando.

Damon: Não, creio que terei de voltar pro castelo engatinhando. – Respondeu, e sua voz era entrecortada. Houve um suspiro de alivio geral quando Damon se pôs a levantar... Mas ao pôr o peso na perna esquerda (O lado do corte), cambaleou, rosnando. Klaus o amparou. – Adorável, não é? – Perguntou, e ainda ofegava.

Klaus: Tragam o cavalo. – Ordenou, e um dos soldados saíram. – Se tivesse me escutado não estaria ferido agora.

Damon: O que é realmente reconfortante. – Damon não sabia o que estava mais forte em seu corpo: O ódio ou a dor. O empregado com o cavalo chegou. Damon penou pra conseguir subir, e uma vez lá se amparou no cavalo, ofegante.

Klaus: Vocês. – Disse, se virando. – Recolham os mortos, devolvam as suas famílias para que façam os funerais como se deve. Eu não quero nenhum sobrevivente do exercito de Stefan. Se encontrarem algum... – Pra bom entendedor meia ordem basta. Klaus se virou mas Damon já havia saído, se equilibrando pra segurar a rédea do cavalo com uma mão só (erguer o braço do lado ferido era lancinante). – É o inferno... Damon! – Exclamou, indo atrás.

Klaus seguiu atrás de Damon. O cavalo dele estava logo ali. Ele montou com a maior facilidade após prender a espada na bainha, e seguiu o outro. Um criado ajudou Damon a descer no castelo, amparando-o até dentro de casa. Já era madrugada.

Klaus: Você. – Disse, e uma criada assentiu – Vá até meu quarto e avise a Mrs. Caroline que eu voltei. – Ordenou e a empregada saiu. – Eu quero uma equipe para revezar na segurança do castelo, chamem homens que não tenham participado da batalha, eu não quero ninguém dormindo na guarnição, e tampouco quero ser atacado enquanto durmo. – Disse, irônico.

Elena ouvira o alvoroço e viera correndo, mas parara na porta. Klaus estava em cima de seu cavalo... Mas o cavalo de Damon estava livre, olhando levianamente para um canteiro de orquídeas que havia ali perto. Elena hiperventilou. Demorou instantes até Klaus vê-la parada ali, branca feito a morte. Ao encontrar o olhar dele ela avançou.


Elena: Onde... Onde está? – Perguntou, olhando do cavalo de Damon pra Klaus. Klaus desceu do próprio cavalo, revirando os olhos.

Klaus: Mulher, se controle. – Disse, procurando graça – Está no quarto. – Elena quase desmaiou. – Vocês são tão precipitadas! – Disse, observando-a.

Mas então a prova da precipitação desceu as escadarias do castelo correndo.

Caroline: KLAUS! – Exclamou, os cabelos longos ricocheteando enquanto ela segurava o vestido para correr.

E ela não se importou ao se lançar nos braços do marido. Não se importou por se chocar contra a armadura dele, nem por sujar o vestido luxuoso de sangue ou a pele de fuligem. Ela apenas o beijou. Ele a amparou nos braços, correspondendo seu beijo em uma frase que dizia: “Está tudo bem. Acabou.”. Elena não esperou para ver aquela cena romântica: Já estava correndo novamente. Destino? O quarto de Damon.