Mas dois meses se passaram, e ela não voltou. Damon tampouco a procurou, não a viu, nem com Hope. Ele não tinha paciência pra isso. Ou ela o queria, ou não queria. Ele não iria rastejar mais. Porém o acaso ama pregar peças...

Empregado: Senhores. – Disse, com a respiração ofegante, entrando na sala onde Damon e Klaus estavam. Damon virou o rosto para olhar; Klaus apenas ergueu os olhos.

Klaus: O que há? – Perguntou, os olhos claros quase perfurando o soldado.

Empregado: Willow Creek. – Era uma das propriedades de Damon. Como uma das extremidades do território. – Está sob mira de ataque. Pelo visto temos menos de 02 horas até que o confronto ocorra.


Damon: Quantos homens? – Klaus observava, sem um pingo de graça no rosto.

Empregado: Esse é o problema, o olheiro não conseguiu ver a divisa. – Damon franziu o cenho, Klaus arregalou os olhos – Mais de 500 pelo que pude ver, senhor.

Damon: Mais de 500 em uma batalha neutra? – Perguntou, incrédulo.

Empregado: Não é o numero total, eu vim dar o alarme e ainda haviam homens em marcha. – Disse, e dava para se ver o porque da afobação.

Klaus: Não é uma batalha neutra. – Disse, olhando para frente – Damon, Willow Creek estava com a divisa descoberta, discutimos isso ontem. Uma frente de batalha de 500 homens em um campo sem defesa, pelo amor de Deus. – Disse, apontando o óbvio. O rosto de Damon se entalhou em pedra de uma hora pra outra.

Damon: Ele está vindo. – Concluiu, e Klaus assentiu erguendo a sobrancelha – Desgraçado. – Rosnou, se levantando, e saiu. Klaus se levantou também. A urgência era clara agora.

Klaus: Soe o alarme, eu quero, por baixo, mil homens pro campo de batalha agora. Cubram a guarda do castelo e esperem por mim e Damon lá fora. Vá! – Ordenou, antes de sair da sala, também apressado.


Caroline lia um livro; Elena cuidava de Hope; Cada um em seus afazeres... Quando houveram sinos. Altos, ensurdecedores. Os da igreja e os do castelo. O copo que Elena tinha na mão, vazio, caiu e se quebrou em vários cacos, mas ela não o olhou. Caroline ergueu o rosto do livro, e parecia mais branca que o normal. Ambas sabiam o que aqueles sinos significavam: Guerra. Imediata, iminente.

Hope: O que é isso? – Perguntou, atordoada com o barulho. Elena olhou a menina, e Hope viu o pânico nos olhos dela – Lena, o que foi?


Elena: Eu... Eu já volto. – E ela saiu correndo.


Elena nem sabia o que estava fazendo. Os sinos continuavam tocando, e aquilo a atormentava. Ela percorreu salas e salas, procurando por ele, e nada. Onde estava? Ela parou no corredor do primeiro andar, revirando os olhos pra si mesma, e desembestou para a escadaria que dava na torre de Damon. Seu pulmão doía pelo esforço quando ela abriu as portas (novamente sem bater), encontrando-o lá. Ele já estava com a armadura, e prendia algo de metal ao seu braço, como uma proteção. Os dois pararam ao se verem.



Damon: O que há? – Perguntou, na defensiva, parado ao vê-la ali.


Elena: Não vá. – Pediu, rouca tanto pela caminhada, tanto pelo desespero.


Damon: O que? – Perguntou, confuso.


Elena: Damon, não vá. Não atenda o chamado, fique aqui. – Ele entendeu o medo dela.


Damon: Elena... – Ele suspirou. Elena viu a espada dele pousada nos pés da cama, e isso lhe pareceu um mal sinal.


Elena: Eu estou implorando. – Ela estava chorando – Eu faço o que você quiser. Pelo amor de Deus, não vá.


E, pro choque de Damon, ela se ajoelhou perante a ele.


Damon: Ei. – Disse, se aproximando dela. Ele se abaixou, apanhando-a pelos ombros – Se acalme. – E ele a abraçou. Os sinos continuavam chamando. Elena o abraçou, mas o metal frio entre os dois servia como barreira.


Elena: Não vê que ele está fazendo isso para atraí-lo? Ele quer você morto, Damon, não vá. – Ele seguia calado.

Damon ergueu os olhos, e o retrato de Katherine, pousado em sua cabeceira, servia de contraproposta. Stefan matara Katherine. Damon esperou 05 anos por esse dia, por ter sua oportunidade. Ele teve novamente um flash da morte de Katherine, dos olhos dela sem vida em frente a ele, e Hope que jamais andaria...

Damon: Eu não posso. – Ele a soltou, e Elena o olhou, desolada. O cabelo dela estava maior, e já fazia alguns cachos. A franja se desfizera em uma camada curta do cabelo. – Eu tenho uma conta a acertar.

Elena: Você vai morrer por essa vingança. – Disse, desolada. Ela viu Damon terminar de prender o acessório de metal no braço. Porque ele não estava ouvindo-a?!

Damon: Se tiver de ser assim... – Seria. Era a resposta clara: Ele estava disposto a morrer.

Elena não teve mais o que falar. Não conseguia. Ele apanhou algo que lembrava um capacete, de metal, um escudo e a espada. Estava pronto. Os sinos pararam de tocar. Ele parou, frente a ela, e aquilo era uma despedida.

Damon: Espere por mim. – Pediu, olhando-a.

Elena: Por favor... – Insistiu. Ele tocou a maxilar dela.

Damon: Ainda que não acredite, eu realmente amo você. – Disse, olhando os olhos lacrimejantes dela – Se eu não voltar... Não esqueça isso.

E ele beijou a testa dela demoradamente, saindo dali. Ainda precisava ver Hope. Um desespero tomou conta de Elena a ponto de sufocá-la. Ela encarou o retrato de Katherine. Uma fúria desmedida justificou ela ter avançado pelo quarto, apanhando o porta retrato e atirando-o com força na parede oposta. O som do vidro quebrando foi o que veio antes dos soluços do choro assustado dela, que caiu sentada na parede do outro lado. Ela não suportaria esperar... Não suportaria perde-lo.

Damon largou a espada, o capacete e o escudo do lado de fora do quarto de Hope antes de entrar, mas a armadura já o denunciava. A menina franziu o cenho, confusa.

Hope: Papai, o senhor viu a Lena? Ela saiu daqui meio... Que roupa é essa? – Perguntou, se interrompendo. Damon se sentou perto dela na cama, e a menina bateu no peito da armadura como quem bate em uma porta.

Damon: Eu vou ter que sair. – Disse, passando a mão no cabelo dela.

Hope: Pra onde?

Damon: Enquanto... Enquanto eu estiver fora, prometa que vai ser uma boa menina. Que vai se cuidar, e crescer... E ser feliz. Prometa isso pro seu pai.

Hope: Quanto tempo o senhor vai levar fora? – Perguntou, confusa.

Damon: Eu não sei. Prometa.

Hope: Eu prometo. – Disse, sem entender.

Damon: Não esquece de uma coisa: Tanto o papai quanto a mamãe amam você demais, sim? – Perguntou, e a menina assentiu, sem entender. Ele beijou a testa dela, respirando fundo – Eu amo você.

Hope: Eu também amo você, papai. – Disse, tentando abraçá-lo. Mas seus braços eram pequenos e a armadura o tornava ainda menos acessível.

Damon: Fique bem. – Disse, abraçando-a. Damon levou bem um minuto abraçado com a filha, então, beijando-a novamente, saiu. Hope continuou sem entender. Não soube que aquilo podia ser uma despedida.

Falando em despedidas... Caroline não disse uma palavra. Permaneceu sentada em um canto, sem olhar, enquanto Klaus se vestia. Uma vez com a armadura montada ele foi até ela, mas quando a puxou, fazendo-a se levantar, houve objeção. Ela se resetou ao toque dele, estapeando-o, se afastando.

Caroline: Tu não vais se despedir de mim, Klaus, não! – Disse, se afastando dele.

Klaus: Car... – Tentou, respirando fundo.

Caroline: Não vá. Essa guerra não é sua, não é nossa. Não me deixe aqui sabendo que você pode morrer lá fora, KLaus, pelo amor de Deus! – E parece que Elena não era a única a suplicar – Essa guerra não é nossa, você não precisa ir!

Klaus: É minha guerra agora. – Disse, e ela revirou os olhos, impaciente e em pânico, passando as mãos no cabelo. – Não confia em mim?

Caroline: Não é o caso de confiar ou não, você vai morrer no campo de batalha, lutando por uma causa que não lhe pertence!

Klaus: E se eu realmente morrer como tu pensas, vai desperdiçar os últimos minutos que tem comigo brigando? – Perguntou e ela o encarou.

Caroline encarou Klaus por instantes, então, derrotada, o abraçou. Ele trouxe o rosto dela para si, beijando-a apaixonadamente, e aquela era a despedida que ela não queria ter. Os sinos voltaram a tocar, um ultimato. Ela se agarrou a ele, mas ele se libertou.

Caroline: Volte para mim. – Pediu, em um murmúrio.

Klaus: Eu vou voltar. Confie. Eu amo você. – Ele selou os lábios com os dela e, após se armar de capacete, escudo e espada, saiu. Ela olhou a porta aberta por minutos, até desmoronar na poltrona novamente.

Caroline: Inferno. – Rosnou, amaldiçoando Damon pela hora em que ele mencionara pedir o apoio de Klaus para essa guerra.

Mas agora já era tarde. Bastava esperar para ver quem voltaria... Ou se voltaria.

Klaus: Damon. – Chamou, ao montar em seu cavalo. Os soldados iam a pé, mas Klaus e Damon de cavalo, ambos negros. – Essa não é a batalha que havíamos planejado, e nós estamos esperando por Alaric e por Lorenzo, lembre-se disso.

Damon: O que quer que eu faça, entregue a coroa? – Perguntou, esperando o exercito avançar a sua frente para poder passar (Os soldados abriam frente para a cavalaria).

Klaus: Não. Mas se for uma armadilha, se ele não estiver lá, nós vamos fechar fronteira e recuar.

Damon: Ele está lá. – Disse, pondo o capacete.

Klaus: Espero que esteja. Mas se não estiver e tu insistires, eu vou recuar com meus homens e largá-lo lá sozinho. – Avisou, pondo o capacete também. Damon não respondeu.

Esse era todo o problema da situação. Batalhas haviam, e várias, mas era como no xadrez: Apenas os peões iam, os reis eram protegidos. Uma vez que Stefan estivesse dentre o exercito de ataque, Damon deveria sair do castelo e oferecer resistência. Se ele não fizesse isso, perderia. Porém se Damon fosse derrubado em um campo de batalha onde Stefan nem estava... Seria uma catástrofe. Haviam 1.500 homens reunidos ali. Klaus queria que houvesse resistência de pelo menos 2 homens seus para cada 1 de Stefan. E em silencio todos seguiram.