Rose: O almoço está servido? – A cozinheira assentiu. Rose se sentou com cuidado no seu lugar. As formigas eram venenosas, as picadas formaram feridas que doíam. Elena estava em seu lugar, revirando o suco com uma colher, como se esperasse algo. Rose comeu umas 4 garfadas até que parou de mastigar aos poucos – Isso tem um gosto estranho. – Elena ergueu a sobrancelha, olhando o copo. O cabelo estava desgrenhado, como sempre.

Criada: A mim parece normal. O que é isto no seu prato? – Perguntou, olhando de longe. Algo parecia se mover.

Rose olhou o prato, gritando em seguida. Haviam vermes brancos misturados ao arroz. Ela se levantou, derrubando a cadeira, e Elena sorriu, tomando o suco. Rose teve um acesso, logo vomitando no chão da cozinha. Elena fez uma careta.

Elena: Oh. – Disse, com cara de nojo. Então riu e se levantou. Rose convulsionou mais uma vez, então, tremula, olhou Elena.

Rose: Como podes? – Perguntou, ainda nauseada.

Elena: Fácil. Quando chove faz lama. – Disse, explicando – Se você olhar debaixo de pedras, ou troncos de arvores, acha centenas deles. Vem com um pouco de terra, mas nada que não se possa lavar... Ou confundir com feijão. – Ela deu de ombros, rindo, e tomou mais um gole do suco.

Rose: ME DEIXE EM PAZ! FIQUE LONGE DE MIM, ESTOU AVISANDO! – Disse, histérica. – VOCÊ ESTÁ COM O DEMÔNIO NO CORPO!

Elena: Autsh. – Disse, fazendo uma careta – Ficar longe de você? Senão o que?

Rose: VOCÊ ESTÁ LOUCA! COMO... COMO...?

Elena: “Como...?” – Imitou, debochada – Eu só comecei e você já está lamentando.

Rose: Eu vou fazer queixa. – Avisou, tremula.

Elena: Você teve a chance de me matar, e não matou. Teve a chance de me deixar em paz, e não deixou. Assuma agora. – Disse, pondo o copo na pia – Escolheu a pessoa errada pra lidar.

Rose: EU VOU PROCURAR Damon! – Avisou, em uma ameaça. Elena, já na porta, parou e virou o rosto. Parecia acinzentado.

Elena: Tenho tanto medo dele quanto de ti. Bom apetite. – Desejou, e saiu.

Meia hora depois, na sala de visitas...

Klaus: Ela pôs vermes na comida? – Perguntou, fascinado.

Damon: Klaus, pelo amor de Deus! – Rosnou, passando a mão no rosto. Rose estava em lágrimas – Se acalme. Foi só hoje?

Rose: Não. – Ela secou o rosto – Desde que... – Damon soube mesmo sem ela conseguir completar – Há insetos na minha roupa, ela quebrou minha cama, e pôs formigas, e... – Ela soluçou em seu choro. Klaus gargalhou, a cabeça caindo para trás. – Eu não sei mais o que fazer.

Klaus: Devia ter começado tomando cuidado com o que faz. – Disse, debochado. Conhecia a história e não concordava — Vermes na comida, é genial! – Exclamou, rindo.

Damon: Klaus. – Disse, revirando os olhos – Tudo bem, se acalme, Srta. Rose. Eu vou fazer ela parar. Vá até a cozinha, tome um copo de água...

Klaus: ...Vermes brancos e arroz, brilhante! – Disse, as gargalhadas.

Damon:...Tire o dia de folga. – Disse, cansado. Rose assentiu e pediu licença, saindo. – Eu não acredito que ela está fazendo isso! – Disse, se amparando na mesa.

Klaus: Nem eu. Eu não teria tido a idéia dos vermes, mas as formigas sim.

Damon: Klaus, pelo amor de Deus!

Klaus: Eu gostaria que fossem percevejos em tua cama, Damon. Não chegaria a ser justiça, mas ainda assim. – Disse, secando o olho.

Damon: É reconfortante falar com você. – Disse, se sentando.

Klaus: Perto do que Rose fez a essa mulher, insetos não são nada. E se ela for como eu, só vai piorar. – Comentou, mexendo na aliança. – Você vai mesmo precisar pará-la, ou essa empregada vai acabar morrendo. Boa sorte. E não, eu não vou falar com ela no seu lugar, e tu tampouco tem minha ajuda. É problema seu. – Disse, se levantando – A propósito... Se ela me consultar pedindo idéias, eu tenho várias. – Disse, antes de rir novamente, saindo.

Damon revirou os olhos novamente, suspirando. Precisava mesmo pará-la. Só não sabia como.

Damon pensou o dia inteiro em como ir falar com ela. Tinha receio de se aproximar dessa Elena; ela o impulsionava a machucá-la, e ele não podia perder o controle. Não com ela. Mas por fim veio a queixa da perna de uma cadeira quebrada, o que levou Rose a torcer o pé, e ele teve que ir. Parou na porta do antigo quarto dela e tentou abrir. Trancada. Ele bateu.

Damon: Elena, abra. – Ordenou, batendo na porta. Elena, que estava deitada lendo um dos seus antigos livros, ergueu os olhos.

Elena: Só um instante, senhor. – Ele revirou os olhos. Ela fechou o livro, pondo-o de lado, e procurou seu hobbie. O vestiu e amarrou, ele ia até os tornozelos e tinha manga cumprida. Quando ela abriu a porta ele viu o hobbie, e respirou fundo.

Damon: Preciso falar com você. – Ela ergueu as sobrancelhas.

Elena: Sim, senhor. – Disse, saindo. Mas ele segurou a porta do quarto.

Damon: Aqui. – Ordenou. O olhar dela era frio.

Elena: Como preferir. – Disse, voltando pro quarto. Ela entrou e ouviu a porta se fechar atrás dela – Posso ajudar em algo?

Damon: Sabia que Rose teve que imobilizar a perna?

Elena: Eu soube. – Disse, despreocupada – Quer que eu cuide dela? – Se ofereceu, com um toque de deboche na voz.

Damon: O que pretende, matá-la? – Perguntou, exasperado.

Elena: Interessante como nossas conversas ultimamente sempre tendem pro assunto “morte”. – Comentou consigo mesma.

Damon: Ela fez cumprindo ordens minhas. Ataque a mim. – Elena ergueu a sobrancelha.

Elena: Você é sozinho. As pessoas ou te respeitam, ou te temem. Sem amor, ou amizade. Está só. Não há castigo pior que esse, eu não tenho nada a fazer por ti. – Disse, cruzando os braços.

Damon: Você não pode estar assim por um bebê que você só percebeu que o tinha quando o perdeu, por Deus. – Disse, exasperado.

Elena: Não estou assim pelo bebê. Eu não cheguei a amá-lo, a dor da morte dele foi mais frustração que dor em si. – Disse, e passou a mão no cabelo – Estou assim porque confiava em você. O que está doendo é o que você me fez, não o bebê. Eu vou ter filhos, senhor. Com o homem certo. Já tu... — Ela deixou a frase em aberto.

Damon: O que quer que eu faça, que peça desculpas?

Elena: Confiança é como um cristal. Uma vez quebrada não há volta. Eu te amava tanto que teria ido embora com meu filho, só para não lhe ser infortúnio. Eu me esconderia onde só tu pudesses me encontrar, assim ninguém saberia. Mas você o matou.

Damon: Elena, por favor... – Pediu, se aproximando. Ela o encarou, o olhar distante. Damon tocou o rosto dela com a mão, traçando sua maxilar com um dedo. Ela continuou quieta – pequena, sabe que eu nunca quis lhe fazer mal. Eu não quis fazer isso, também. Por favor, tente entender, tente ver pelo meu ponto de vista. Eu nunca machucaria você propositalmente. Se fiz o que fiz foi porque não tive escolha. Me perdoe. – Disse, pondo o cabelo dela, lamentavelmente curto, atrás da orelha.

Elena: Eu já olhei pelo seu lado. Eu entendo. Está perdoado. – Disse, ainda parada.

Damon: Então porque se porta assim? Se me entende porque me repele? Eu sinto sua falta, meu anjo. – Disse, tocando o rosto dela com a outra mão. – Assim como sentes a minha, ainda que o negues. Eu tenho me afastado para que tua raiva possa passar, mas não melhora nunca, eu não sei como agir. – Disse, a mão abraçando-a pela cintura. Já era natural.

Elena: Eu o perdôo, mas não confio mais em ti. Por favor, tire as mãos de mim, senhor. – Pediu, encarando-o. Ela viu a frustração faiscar no olhar dele.

Damon: Pelo amor de Deus, eu estou implorando, pare com isso. Volte a ser a minha Elena. Eu não me importo com a tua aparência. Se tu o queres assim... – Ele tocou o cabelo dela, ansiando pelos cachos que estavam em seu quarto – Pra mim está tudo bem. Mas volte a ser a minha Elena.

Elena: Ela está morta. O senhor a matou. Retire as mãos, por favor. – Insistiu, fria.

Damon: Não está morta. Está presa. Deixe-a voltar pra mim. – Pediu, e então ela percebeu que podia sentir o perfume do hálito dele. Perto demais. Ele a encarou, como se procurasse algo em seus olhos, e avançou para beijá-la. Seus lábios bateram no cabelo dela, que havia saído dali. Ele respirou fundo. Estava tentando, Deus estava vendo. – Elena, depois de tudo o que vivemos, me repelir assim chega a ser hipocrisia. – Disse, respirando fundo de novo.

Elena: Aconteceu, mas não voltará a acontecer. Eu não vou permitir. Estou com nojo das suas mãos, do seu toque. Me causa repulsa. Não acontecerá outra vez. – Ele não a via, mas a voz dela era fria. – A não ser que me forces. Tem esse poder. Use-o, se preferir.

Damon: Elena... – Interrompido.

Elena: Senhor, se não se incomoda, eu tenho trabalho a fazer amanhã. – Ela caminhou até a porta, abrindo-a – Então se não tiver mais nada a me dizer, ou nenhuma ordem a dar, eu peço sua licença. – Disse, fria.

Damon se controlou até ali. Mas mandá-lo sair era ousadia demais, audácia demais. Ele virou o rosto, vendo-a parada, segurando a porta.

Damon: Enlouqueceu? – Perguntou, agora prontamente já irritado.

Elena: Louca? – Perguntou, quieta – Pois que seja. Porém, louca ou sã, tu não tocas mais em mim. Saia, Damon. Minha resposta é não. – Ela apontou a porta aberta, em um sinal claro de que o colocava pra fora. Ela ofegava de raiva.

Damon: Está mesmo me pondo pra fora? – Perguntou, com um brilho estranho nos olhos.

Elena: O que parece? – Desafiou, subitamente raivosa.

Damon: Como se atreve? Quem pensa que é? – Ele se aproximou a passadas largas e bateu a porta com força, a madeira tremendo – Pois eu vou lhe mostrar.

Ele a apanhou pelo braço com força, trazendo-a pra si, e a luta corporal começou. Damon era violentamente mais forte que ela, mas ela estava possessa. Ele levou umas duas bolachas antes de conseguir deter a mão dela. Sua outra mão buscou o cabelo dela, ansiando puxá-lo, mas já quase não existia. Quando conseguiu agarrá-lo seus dedos quase tocaram a raiz dos fios. Ele puxou-lhe os cabelos com uma mão, enquanto prendia os braços com a outra, e ergueu o rosto dela. Os dois se encararam raivosamente por um instante, e ela ainda se debatia. Quando ele avançou ela desviou o rosto. Ele soltou a mão dela e puxou-lhe pelo queixo com força.

Damon: Eu mando em você. Tu és minha propriedade. Nunca esqueça isso, não se equivoque. – Disse, em um rosnado.

E ele a beijou, a força, provando cada uma das palavras ditas. A boca de Elena recebeu, saudosa, o beijo dele. Mas a Elena em si não o queria. Foi por isso que os dentes dela se cravaram com toda a força nos lábios dele, que grunhiu, recuando.

Elena: SAIA! – Disse, exaltada. Damon tocou a boca, e olhou o dedo ensangüentado. – Não sou tua propriedade, acredite quando eu digo isso. – E ela quase jogou seu segredo na cara dele.

Elena: Sim, tu és. Assim como tudo aqui, tu és. – Limite não foi algo ensinado a Damon, lamentavelmente. Desde criança, quando ele queria uma coisa ele a tinha.

E ele avançou novamente. A luta corporal começou de novo. Se ele não estivesse de camisa, levaria as marcas das unhas dela. Só que nessa ela perdeu o roupão. Ele se afastou novamente, com o roupão dela em uma das mãos, sorrindo.

Damon: Melhor assim. – Comentou, largando o roupão no chão.

Elena: Se não sai tu, saio eu. – Disse, e se virou. Tinha posto metade do corpo pra fora do quarto quando a mão dele a puxou novamente, e a porta se bateu com um novo baque.

Dessa vez não houve como lutar, ela cambaleou direto pros braços dele, que a beijou, sufocando-a. As mãos dela estavam presas, ela só podia se debater. O gosto do sangue dele foi pra boca dela, mas antes que ela pudesse tentar machucá-lo novamente, foi arremessada contra a cama. Abriu os olhos e viu ele a sua frente. Damon apanhou os pés dela, puxando-a pra si, abrindo suas pernas e se pondo dentre elas. Dessa vez conseguiu deter as mãos dela rapidamente. Ele fez questão de deixar todo seu peso cair sobre ela enquanto buscava seus lábios outra vez, mas dessa vez só um selinho.

Damon: Isso foi só uma prova de que tu és sim, minha propriedade. Se eu quisesse possuí-la agora, assim seria, e você se curvaria a minha vontade. – Disse, e ela rosnou, raivosa – Mas a força não, pequena. Eu quero minha Elena de volta, não só possuir teu corpo, por mais que ele me atraia. – E, pra incredulidade dela, ele soltou suas mãos, se levantando. – Eu errei, mas quero minha mulher de volta. A força não.

Elena: Saia daqui. – Murmurou, recuando na cama.

Damon: Vou sair. – Disse, colocando o hobbie dela perto dela, na cama – Mas saiba que eu vou estar esperando. Esperando que me perdoe, e que volte pra mim. Não importa quanto tempo demore, assim que voltar a ser minha Elena, assim que me perdoar, volte pra mim. Eu vou esperar por você. – Disse, se afastando.

E ele saiu antes que ela pudesse responder qualquer coisa. Na verdade, não havia nada mais a ser dito.