just one more about love Delena
31 Capitulo 31
Damon, ao chegar, fora direto ao seu quarto. Precisava de um banho. Estava ansioso por ver Elena. Se ela estivesse grávida, agora já teria tido seu fim... Ele não gostava de pensar nisso. Preferia pensar na opção. Ela não estava grávida e nunca saberia o que havia em seu prato. O estaria esperando, saudosa. Ele gostava dessa opção. Porém foi com um estampido que a porta do quarto abriu, enquanto ele ainda desabotoava o punho da camisa.
Elena: VOSSA MAJESTADE! – Disse, ironicamente, após abrir as duas portas do quarto aparentemente com um murro. Havia um sorriso quase maligno no rosto dela.
Damon parou, em choque, vendo a imagem a sua frente. Elena estava morta. Sua Elena, a Elena que ele aprendera a gostar, a respeitar, estava morta. Não era aquela mulher. Aquela não tinha nenhuma inocência em seu olhar, e parecia carregar o mundo nas costas. E o cabelo... Onde estavam os cachos que várias vezes hipnotizavam ele? Ele não teve reação ao vê-la parada ali, como um espectro.
Damon: Elena, o que... Seu cabelo... Seu... Meu Deus. – Ele não sabia direito o que dizer.
Elena: Oh, sim, meu cabelo. Está aqui, alteza. – Foi então que ele percebeu o que ela tinha nas mãos: Em uma um lençol, na outra... Ah, meu Deus... – É todo seu. Sei que lhe agrada. – Ela se aproximou, e colocou o cabelo cortado delicadamente nos pés da cama dele. – A propósito... – Ela apanhou o lençol que se arrastava no chão e o abriu em cima da cama dele. A mancha de sangue seco no tecido branco era grande. – Parabéns, papai. – Disse, quase em um silvo.
Damon: Elena... – Suspirou, passando a mão no rosto. É claro que tinha que ser a opção mais difícil.
Elena: Senhor? – Perguntou, debochada. Ela quase espumava de raiva.
Damon: Não me chame de senhor. – Tentou, respirando fundo – Escute. – Como explicar? – Eu não quis lhe fazer mal.
Elena: Então envenenar meu filho foi um acidente? – Perguntou, falsamente curiosa.
Damon: Não. Mas tente entender, eu não podia assumir essa criança... – Interrompido.
Elena: VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO DE MATÁ-LA! – Gritou, trêmula de ódio – NÃO ERA SEU FILHO, ERA MEU! COMO PÔDE? DAMON, EU CONFIEI EM VOCÊ! VOCÊ É UM MONSTRO!
Damon: Não altere a voz para mim. – Disse, e o comando em sua voz era claro. Era um lembrete. Ele era rei. Ela não era ninguém.
Elena: Eu cuidaria do meu filho, e eu nunca pediria nem que você dedicasse um olhar a ele. Mas foi mais fácil para ti derrubá-lo, como a um inimigo seu, em um campo de batalha. Sem nem saber seu nome, sem nunca olhar seu rosto. – Disse, quase em um murmúrio.
Damon: Era necessário. – Disse, duro.
Elena: É claro que era. Não vou gastar meu tempo com você. – Disse, passando a mão no cabelo. A franja se bagunçou, e ele sentiu falta dos cachos. – Eu pensei que você era diferente. Depois de tê-lo conhecido, eu achei que você só era uma vitima pelo que fizeram a Katherine. Mas não. Você é como Stefan, Damon. – Disse, com o olhar duro.
Damon: Cala-te. Minha paciência acabou, assim como teu show, Elena. – Disse, se irritando.
Elena: Não, você precisa ouvir. – Disse, pensativa – Chame seus guardas e mande me matarem se quer me calar, você faz isso com tanta facilidade! – Disse, debochada – Stefan matou a Katherine porque queria derrubá-lo, tinha um motivo por trás. Mas tu é pior. Tu mataste teu próprio filho pra que todos não soubessem que você AMASIOU UMA CRIADA! – Gritou, furiosa.
Damon: Tu não sabes o que diz. – Rosnou, furioso. Ele respirava em arfadas.
Elena: Eu sei de algo. Eu tenho pena de Katherine. Pena, realmente. – Os olhos de Damon agora eram duas placas azuis, incrédulas. Ela ia mesmo confrontá-lo assim? – Foi obrigada a se casar, a dividir uma cama e uma vida com um homem repugnante, e morrer porque era sua esposa. Sim, porque se não o fosse, estaria viva. Vê? Quem se aproxima de ti ou morre ou se machuca. Deve ser triste, não é?
A bofetada que atingiu o rosto dela fez a lateral do rosto queimar em dor, mas ela riu. Damon se afastou, as mãos em punho como se estivesse se controlando, como se seu instinto fosse o de mata-la, mas ele estivesse lutando contra ele.
Damon: Cale a boca, e saia daqui. Elena, agora. – Ordenou.
Elena: É claro, meu senhor. Antes preciso lhe devolver algo. – Ela retirou uma chave do decote, e jogou-a na direção de Damon, que se esquivou – É a chave do quarto que o senhor me deu. Eu não quero mais, dê a outra que esteja disposta. Lá está todo o resto do que tu me deste. O vestido, o escapulário, os livros, enfim, tudo. Se procurar direito poderá até encontrar a alma do teu filho, ficou perdida por lá também.
Damon: Você só está com raiva. – Amenizou, observando-a.
Elena: Não estou. – Disse, agora falsamente controlada – Vê isso? – Ela abriu os braços e Damon observou. O corpo continuava o mesmo, mas a mudança no rosto e no cabelo eram lamentáveis – Foi tua obra. Conseguiu me destruir. Parabéns, majestade. Agora, com sua licença...
Damon ainda estava atônito com aquele show quando ela parou, na porta, se virando pra ele.
Elena: Uma ultima coisa... – Disse, pensativa – Eu amei você. – A declaração de amor, mesmo naquele tom de voz e naquela circunstancia teve o impacto que teria no normal – Eu o amei como eu não achei que fosse capaz de amar alguém. Tu podes estar incrédulo, se lhe apraz, mas eu daria minha vida por você. Eu o amei. – Finalmente duas lágrimas caíram pelo rosto pálido dela, e ela as secou – Parabéns por ter destruído isso também, vossa alteza. A única pessoa que realmente te amou o odeia agora. Parabéns. – Disse, e se virou.
Damon viu ela se afastar, não correndo como a antiga Elena faria. Andando, calmamente, e sumir no corredor. Ele fechou a porta e olhou sua cama. Puxou o lençol dela dali, não queria ter que ver aquilo, mas o cabelo ainda estava lá. Ele se sentou, respirando fundo para espantar a raiva, e passando as mãos nas têmporas. Ótimo.
–--*
Dias se passaram. Elena voltou ao seu quarto de empregada. Rose não tinha paz. Damon tampouco. Mas Rose era porque Elena não o dava; Damon era porque sua mente não dava. Ele não a procurou, e ela tampouco. Quando ele entrava no quarto para ver Hope ela simplesmente saia, ou então se afastava, os olhos distantes. Ele ainda não se acostumara ao ver o cabelo dela picotado, mutilado daquele jeito. Nos dias de hoje já seria anormal, naquela época pior ainda... No começo ele teve receio de ela tentar algo contra Hope. Não era a mesma Elena cuja ele confiara a filha. Mas...
Hope: Papai diz que serei rainha. – Disse, sentada a sua cadeira, na frente do espelho. Elena, que dobrava uns lençóis, a olhou.
Elena: E tu serás. – Disse, se aproximando.
Hope: Só não entendo como. – Disse, tristinha, olhando as pernas imóveis. Damon estava tão imóvel quanto as pernas dela, do lado de fora do quarto. Viu Elena passar a mão no cabelo curto outra vez (ela pegara essa mania), olhando a menina – Não posso me pôr de pé, como governarei algo ou alguém?
Elena: Tu serás uma rainha exemplar, disso estou certa. – Disse, se aproximando.
Hope: Como pode saber?
Elena: Porque tu és linda. Preciosa. Inteligente. Quem liga pra pernas com uma pessoa sendo tão especial? – Perguntou, tocando o nariz da menina. Hope sorriu.
Hope: Eu imagino como seria... Papai nunca deixou... – Pensou alto.
Elena: O que teu pai não deixou? – Perguntou, se abaixando frente a menina. Damon não gostou do descaso com o qual ela falou dele.
Hope: Eu nunca me vi de pé. Estou sempre sentada, ou deitada. Pedi a ele para me pôr de pé uma vez, mas ele disse que não podia, e saiu. – Elena escutava, quieta.
Elena: Pois vamos ver... – Disse, se ajoelhando em frente a cadeira.
Hope: É sério? – Perguntou, admirada e animada. Elena assentiu.
Damon não queria assistir aquilo, mas continuou ali. Ver como Hope se privava era como lastimar a si mesmo.
Mas ainda assim viu Elena cuidadosamente apanhar a menina por debaixo dos braços e colocá-la de pé em frente ao espelho, segurando-a por trás.
Elena: Viu? – Perguntou, mantendo a menina de pé. Hope arrumava o vestido, sorrindo pra própria imagem – Tu és linda. Será a rainha mais linda que qualquer reino possa ter. – Elena disse isso porque não conhecia Madison Malarkey. Ok, parei.
Hope: É diferente. – Disse, se olhando – Mas eu não consigo... – Disse, um nozinho de esforço se fazendo entre suas sobrancelhas.
Elena: Não consegue... Ei, não faça isso! – Pediu, vendo que o esforço era pra tentar mover as pernas. Damon estava prestes a entrar no quarto quando ela intercedeu.
Hope: Porque não funcionam, como as tuas? – Perguntou, frustrada.
Elena: Porque tu és diferente. Especial. – Disse, puxando a cadeira de volta. Ela pôs Hope cuidadosamente lá. – Não te entristeças por isso. Não vale a pena. – Hope assentiu, caidinha – Vamos falar de outro assunto! Quer dar um passeio?
Hope: Você diz lá fora? – Perguntou, admirada novamente. Elena assentiu – Mas papai...
Elena: Queres ou não? – Damon revirou os olhos com a interrupção.
Mas Hope assentiu, radiante, e ele saiu dali antes que Elena passasse com a menina. Acompanhou o passeio de longe, as duas apenas deram umas voltas no jardim e apanharam algumas flores. Depois desse dia ele teve novamente certeza de que Elena não causaria mal a Hope. Enquanto isso, Rose descobria o significado da palavra inferno.
Cozinheira: Passa algo? – Perguntou, vendo Rose se retorcendo.
Rose: Algo na minha roupa... Coça. – Disse, estranhando. Elena sorriu.
Elena: Daqui a algum tempo piora. – Disse, sorrindo angelicalmente enquanto saía da cozinha com a bandeja do café de Hope.
–--*
Rose entrou em seu quarto, já de camisola. Sua pele ainda tinha marcas de unha pela coceira que o pó-de-mico lhe causou. Maldita Elena! Ela foi pra cama, se deitando e se cobrindo. Tentou relaxar, e dormir. Então houveram várias espetadas em seu corpo, suas pernas, seus braços. Algo parecia andar sob ela. Ela puxou a coberta pra ver a cama coalhada de formigas. Centenas delas. Ela gritou, tentando levantar, então os parafusos previamente folgados da cama cederam, e a cama quebrou com um baque, levando ela e as formigas ao chão.
–--*
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