Uma semana se passou. Elena trabalhava feito uma condenada, fazia de tudo: Limpeza, lavava roupas, cozinhava, limpava os quartos... Enfim, tudo. Mas por final estava tão cansada que o pânico não conseguia atingi-la. Já começara a criar uma rotina, e estava feliz com isso. Feliz porque já conhecia boa parte do castelo, feliz porque não se batera mais com Damon... Depois do trabalho, quando ela já estava se preparando pra dormir, Jeremy sempre a visitava. Se tornara um bom amigo. Conversava com ela um pouco, a fazia rir, até lhe dera um livro de presente. A respeitava. Mesmo vendo-a de camisola, pronta pra dormir, nunca lhe dirigiu nenhum olhar desrespeitador. Ela estava satisfeita com isso.

Hope: Mas papai, não posso nem ir ao pátio? – Insistiu.

Damon: Não. Não é seguro. Você fica dentro do castelo, como sempre. – Disse, paciente – Não tens pra ti todas as tuas bonecas, teus brinquedos, tuas panelinhas, ursos e tudo mais?

Hope: Tenho. – Disse, emburrada.

Damon: Tem mais alguma coisa que você deseje ter? Me diga o que é e o terá de imediato. – Perguntou, acariciando o rosto da filha.

Hope: Não tem mais nada, papai.

Damon: Se tiver, não hesite em me dizer, sim? Seja um pouco paciente, bebé, eu vou resolver tudo isso e poderá sair. – Prometeu, e a menina assentiu.

Elena estava trabalhando, quando Rose, aparentemente pra sacanear, lhe ordenou que levasse uma tapeçaria enorme até a lavanderia, batesse o pó e a escovasse. Elena cambaleou pelos corredores, e obedeceu, limpando tudo, e voltando pra por no lugar.

Elena: Esse trambolho. – Murmurou, cambaleando pelo corredor com uma tapeçaria enorme nos braços.

Rose: Terminou? – Perguntou, ao se bater com ela.

Elena: Sim, senhora. – Disse, quieta.

Rose: Deixe-me ver. – Elena teve vontade de soltar a louca, e lembrar o quanto aquilo era pesado. Rose olhou a ponta da tapeçaria e largou – Isso está imundo.

Elena: Perdão?

Rose: Leve de volta e torne a limpá-la. Agora! – Ordenou. Elena assentiu e deu as costas, pra voltar pra lavanderia.

Mas no meio do caminho se bateu com algo estranho. Uma menina. Estava em uma cadeira de rodas.


Elena: Oi. – Disse, sorrindo. Hope sorriu também.

Hope: Oi. – Elena ia apertar a mão da menina, mas se desequilibrou com o peso da tapeçaria.

Elena: Desculpe. – Disse, desistindo – Tudo bem com você ?

E Hope falou. Desabafou. Disse que estava triste, pois não havia quem ficasse com ela. Elena, querendo ajudar a menina, chamou-a pra ajudá-la com a tapeçaria, assim poderiam conversar mais. Hope, encantada, ofereceu seu colo pra colocar a tapeçaria, assim Elena apenas empurrava a cadeira. Pena Hope não ter dito de quem era filha. Pena maior ainda Elena ter tirado a menina do castelo sem permissão.

A atividade resultou prazerosa. O tapete já estava limpo, verdade seja dita, mas como Elena recebera ordens e não queria problemas, levou-o pra limpar novamente. Encontrou um espaço de sombra, na area da lavanderia, arejado e seco, abriu o tapete e pôs a menina sentada em cima. Lhe deu uma escovinha e ficou com uma. As duas se poram a conversar e a trabalhar juntas. Era agradavel, simples, leve. Fazia Elena se sentir bem ver que a pequena estava tão radiante. Enquanto isso, dentro do castelo...

Rose: Senhor. – Disse, branca feito papel, se aproximando. Damon e Klaus tinham um mapa em cima de uma mesa, e conversavam intensamente, desenhando rotas. Damon ergueu o rosto, sério, os olhos azuis sondando a outra.

Rose gaguejava. Damon a iria matar, isso era certo. Dito e feito, enquanto ela foi explicando o rosto dele foi se transformando, se tornando mais duro, até que ele interrompeu.


Damon: Onde está minha filha, Srta. Rose? – Perguntou, a voz dura. Klaus observava os dois.

Rose: Eu não sei, senhor. – Admitiu, olhando o chão – Eu a deixei em seu quarto, em sua cadeira e vim trazer a bandeja do café da manhã. Quando eu voltei a porta estava aberta e ela já não estava. – Damon largou a pena que tinha na mão, e Rose estremeceu – Eu já procurei em todas as dependências do castelo, senhor. Ela não está em nenhuma, e não pode ter subido para as torres, então eu...

Damon: Pensei que fosse paga para que Hope fosse assistida. – Rosnou, atravessando a sala. Ele abriu a porta, gritando o nome de alguém – Acredita em Deus, Srta. Rose? – Perguntou, virando o rosto.

Rose: Sim, senhor.

Damon: Pois ponha-se a rezar para que minha filha esteja bem. – Aconselhou, e a ameaça por trás daquilo era evidente.

Klaus: Fique calmo. A menina deve estar por ai.

Damon: Por onde, Klaus? – Perguntou, já ofegando de raiva – Correndo por ai, brincando? Eu não creio.


O homem que Damon gritou chegou, e ele mandou que se reunissem os homens e dessem uma batida atrás de Hope. Ele próprio saiu a procura da menina, acompanhado por Klaus.

Elena: Eu creio que já esteja bom. Vai terminar por esfolar. – Disse, se deitando no tapete. Hope riu, se deitando também.

Hope: Os do meu quarto são como estes. – Disse, passando a mão no tapete. Elena passou a mão no rosto, cansada, olhando as nuvens.

Elena: Tens tapeçarias em teu quarto? – Perguntou, estranhando.

Hope: Claro, tu não tens no teu? – Perguntou, confusa.

Elena: Não. – Disse, ainda olhando as nuvens – Tua mãe deve gostar muito de ti. Tapeçarias como estas são caras, sabes?

Hope: Não conheci a minha mãe. – Elena virou o rosto, olhando-a. – Mas papai diz que como uma princesa, eu vou superar isso.

Elena: Teu pai te chama de princesa? – Perguntou, sorrindo.

Hope: Todos chamam. – Disse, cada vez mais confusa. Elena riu.

Elena: E tu és. – Disse, olhando a cadeira de rodas atrás da menina. Era injusto e triste que Hope, tão pequena, não pudesse andar.

Hope: Papai diz que quando eu tiver idade, e quando ele já não estiver aqui, serei rainha. – Comentou. Elena parou, olhando pra cima.

Elena: Como é o teu nome? – Perguntou, encarando a menina.

Hope: Hope, já não o disse? – Perguntou, confusa.

Elena: T-teu sobrenome. – Disse, um nervoso a apanhando tão violentamente que a fazia tremer – Quem é teu pai?

Hope: Sou Hope Marie Salvatore. – Elena arregalou os olhos, quase sufocando – Sou filha de Damon. O que foi, Lena?

Mas Elena tinha levantado de um salto. Ofegava, e recuou um passo. Estava perdida.

Elena: Não é possível. Tu estás morta. – Disse, passando a mão no rosto. Era o que achava. A filha de Damon Salvatore morrera com a mãe, era o que Stefan dizia a todos do reino. Não era possível que aquela menina... Mas Elena olhou o vestido que usava. Os tecidos eram finos, delicados. A cadeira de rodas, o cabelo...

Hope: Não estou, não. – Disse, se amparando nos bracinhos pra poder levantar. Custou um pouco mas conseguiu – O que há? – Elena nem conseguia respirar. Se aquela menina realmente fosse a princesa...

Elena: Eu estou morta. Morta. – Gemeu, o rosto em panico. – Porque não me disse antes, Hope?

Hope: Porque tu não o perguntaste. – Disse, mais confusa ainda.

Elena: Vão me matar. Preciso levar você de volta. Agora! – Disse, indo até a menina. Ela apanhou a cadeira de rodas, pondo-a no lugar.

Hope: Mas porque?

Elena: Não tenho tempo, já devem ter dado por tua falta! Deus, o que eu fiz? – Perguntou, se abaixando para poder apanhar a menina. Mas então...

XXXX: Parada! – Ordenou e Elena gelou, empedrada no lugar. – ENCONTREI A MENINA! – Gritou, informando a alguém.

O que ocorreu foi um dos soldados de Damon pondo Hope na cadeira de rodas e levando-a dali. Então uma pancada forte atingiu o rosto de Elena, e ela desmaiou.

Notas finais
Bom gente ate terça. bjsss