Damon: Hope, está se tornando aborrecida. – Recriminou, respirando fundo. A menina simplesmente não lhe dava paz.

Hope: Papai, eu sou princesa, não sou? – Essa pegou Damon desprevenido.

Damon: Sim, você é. – Disse, tentando entender.

Hope: Segundo o senhor, um dia serei rainha, não é? – Continuou.

Damon: Sim, Hope, será. – Disse, paciente.

Hope: Pois então como princesa herdeira e futura rainha eu ordeno que Elena passe a tomar conta de meus afazeres. – Disse, solene.

Damon piscou duas vezes antes de gargalhar gostosamente. Hope cruzou os bracinhos, séria, aguardando.

Hope: Papai, não ria de mim! – Pediu, mas Damon ainda ria – E então?

Damon: Ai... – Ele pôs a mão em cima da barriga, ainda rindo – Eu vou pensar no assunto. – Um sorriso iluminou o rosto de Hope – Eu disse pensar, Hope. – Disse, severo.

Hope: Entendo, claro. – Disse, satisfeita.

Damon: Vou descer. Seja uma boa menina com a Srta. Rose. – Ordenou, se levantando.

Hope: Eu sempre sou. – Disse, ainda sorrindo. Damon sorriu e beijou a testa da filha, saindo.

Damon terminou de descer as escadas rindo. Que diabo, mal tinha 05 anos e já queria mandar nele! O sorriso de Damon se fechou ao se bater com Klaus.

Klaus: Como passou a noite? – Perguntou, divertido.

Damon: Sem piadas. – Disse, entrando na sala. – Alguma novidade?

Klaus: Chegou uma carta. Há um mensageiro de Alaric a caminho. – Informou, recostado em sua cadeira. Damon parou, franzindo o cenho.

Damon: De Alaric? Pensei que ele houvesse dado seu parecer final, que não viria. – Disse, confuso.

Klaus: Acontece... – Começou, circulando a aliança em seu dedo – Que Caroline mantém contato com Madison. Há tempos vem tentando convencer Madison a induzir Lorenzo a aceitar nossa proposta. Não me pergunte como isso, eu só soube ontem. – Disse, tentando se resumir – Madison não quer Lorenzo no fogo cruzado, porém tem um velho amigo... chamado Alaric. – Disse, irônico.

Damon: A esposa de Lorenzo é amiga de Alaric? – Perguntou, surpreso.


Klaus: Aparentemente foram criado juntos, ou cresceram juntos, não importa. O que importa é que Madison foi até Alaric e conversou particularmente com ele. Como diria minha ama de leite, vocês brancos que se resolvam. – Disse, pensativo – Algo que ela disse fez ele pelo menos considerar a proposta, é o que importa. Pelo que soube são amigos íntimos. Me contaram que Lorenzo até confia em deixar Madison sair em viagens de caça com Alaric, na floresta. – Damon ergueu as sobrancelhas – Curioso é que ninguém nunca viu nenhum dos dois voltar com qualquer caça. Mas o que eles caçam não é problema nosso. O fato é: Alaric baixou a guarda, então bendita seja Madison.

Damon: Lorenzo? – Perguntou, em vão.

Klaus: Ainda nada. Não quer se envolver, e ponto. – Ele se levantou, indo até a mesa. Haviam vários papeis espalhados. Ele olhou um deles fixamente, quase obsessivo – Eu conheço Lorenzo. Ele só precisa ver a cara encardida de Stefan e estará furioso pela batalha.

Damon: A propósito... Porque você cedeu? – Perguntou, de cenho franzido.

Klaus: O que é a vida sem algumas batalhas? – Perguntou, divertido.

Damon: Brigou com Caroline? – Ele teria brigado com Katherine.

Klaus: Ora, é claro que não, porque brigaria? – Perguntou, se endireitando – Deixe que ela continue a manter contato com Madison. Vai que um dia desses convence a própria a jogar o marido no tabuleiro? Elas mulheres que se entendam. – Damon riu. – Falando em mulheres...

Damon: Eu disse: “Sem piadas.” – Cortou.

Klaus: Seu humor parece ótimo essa manhã. – Continuou, alegremente.

Damon: E ele está. A propósito, eu estou com fome. Morrendo. – Klaus riu — Com licença. – E saiu da sala.

O dia passou nos conformes. Damon tomou seu café e voltou a discutir táticas de ataque com Klaus. O problema é que eles queriam que Stefan atacasse: Quem ataca perde força com isso. No fim da tarde eles pararam. Damon saiu caminhando, pensando em tudo. Hope tentando dar uma de rainha pra cima dele. Caroline e Madison... Não, Katherine jamais teria coragem de fazer o que Caroline fizera, tão tímida que era. Seu pensamento não pode evitar constatar que Elena o faria sem pensar duas vezes. Ele passou a mão no cabelo, espantando aquilo, foi quando viu Klaus e Caroline, passeando de mãos dadas pelo jardim. Klaus já ria. Damon respirou fundo; Não havia mais como desviar.

Klaus: Pelo que eu soube. – Sussurrou, ao passar por Damon – Ela está na lavanderia.

Damon: Como vai, Caroline? – Perguntou, apanhando Caroline de surpresa e fazendo Klaus gargalhar.

Por fim Klaus seguiu seu caminho com a esposa, e Damon voltou a caminhar. Andou... Andou... E quando percebeu estava na área da lavanderia. Já que estava lá não custava nada, não é?

Ele estava prestes a desistir quando a encontrou. Estava em uma sala fechada com pilhas de roupas, passando-as. Ele fechou a porta em silencio e a agarrou pela cintura, afundando o rosto em seu pescoço. Elena se sobressaltou mas sorriu.

Elena: O que faz aqui? – Perguntou, divertida – Ei! – Damon havia mordido seu ombro.

Damon: Senti sua falta. – Murmurou, ainda beijando-a.

Você não está só,
Juntos permaneceremos ♫


Elena: Cuidado... Damon! – Exclamou.

Damon a virou pra si, sem lhe dar o direito de resposta, e a beijou. Elena ofegou, surpresa, mas correspondeu. As mãos dele subiram pelas costas dela de modo apertado, pressionando-a contra o seu peito... E ele esbarrou a mão no ferro, em cima da mesa. Elena só entendeu o gemido de dor quando ele a soltou.

Damon: Diabo! – Rosnou, sacudindo a mão pra conter o ardor.

Elena: Eu avisei para que tivesses cuidado. – Disse, preocupada – Me deixa ver. – Ela apanhou a mão dele, vendo a pele vermelha, irritada – Espera aqui.

Damon: Não precisa, foi só um... – A porta bateu, deixando-o só – Ótimo. – Murmurou sozinho.

Damon olhou em volta. Encontrou um banco vazio entre as pilhas de roupas, algumas passadas e dobradas e algumas amassadas. Se sentou, encostando na parede. Logo ela voltou, fechando a porta com o pé. Tinha um paninho molhado na mão. Elena se ajoelhou em frente a ele, apanhando sua mão. Ele sorriu quando o alivio da água fria atenuou a dor do queimado.

Eu estarei do seu lado,
Você sabe que eu segurarei sua mão ♫


Damon: Não há roupa demais aqui? – Perguntou, pondo o cabelo dela atrás da orelha com a mão livre.

Elena: Ontem a noite, quando vim aqui buscar roupas pra ti, Rose me viu na volta. – Disse, deliciada com o carinho – Supôs a verdade, então está tentando me derrubar novamente. – Disse, dando de ombros.

Damon: Eu vou falar com ela. Isso é absurdo.

Elena: Não! – Disse, cortando-o – Já falam demais sem que você saia por ai me defendendo. Está bem como está, eu dou um jeito. – Ela trocou o lado do paninho, pondo o lado mais frio na mão dele. Os ferros de antigamente eram grandes e pesados, feitos de metal e preenchidos com carvão em brasa. Para manuseá-los a pessoa precisava proteger a mão com um pano, e a todo tempo caiam cinzas na roupa, o que prejudicava e muito. As mãos frágeis de Elena estavam doloridas, mas ela não se queixou.

Damon: Olha pra mim. – Disse, erguendo o rosto dela. A memória dele nunca parecia fazer justiça, o castanho dos olhos dela era cada vez mais misterioso – Eu quero que tuas mãos, assim como teu corpo, sejam guardados para mim, não mutilados em uma taboa de roupas. – Disse, tocando os lábios dela com o dedo. – É minha vontade. É lei.

Quando estiver frio e parecer o fim,
Não há lugar pra ir, e você sabe, eu não vou ceder.
Não, eu não vou ceder... ♫

Elena: E qual lei tu vais criar justificando que uma criada não deve passar roupas? – Perguntou, sorrindo de canto. Ela levou a mão, hesitante, até o rosto dele, tocando a maxilar.

Damon: Não preciso criar uma lei, é só dar uma ordem. – Disse, franzindo o cenho. Elena passou a mão no cenho dele, desfazendo-o.

Elena: Eu estarei lá esperando por você, sempre que me procurar. Não é o suficiente? – Perguntou, sorrindo de canto. – Tu vais me beijar. – Constatou, vendo o rosto dele. Ele sorriu.

Damon: Como podes saber? – Perguntou, fascinado.

Elena: Teus olhos avisam. – Respondeu, simples. Damon se inclinou, abraçando-a, e beijando-lhe o rosto.

Continue agüentando firme
Porque você sabe que conseguiremos, nós conseguiremos ♫


Damon: Queres que eu a beije? – Perguntou, os beijinhos traçando o rosto dela, o queixo, a maxilar, nunca a boca.

Elena: Acho que é o que eu mais quero agora. – Murmurou, quietinha.

Ele a encarou, sorrindo de canto, e se aproximou. Os lábios dos dois se encontraram ternamente, e o beijo foi doce, calmo. Elena o abraçou cautelosamente, as mãos acariciando seus cabelos... E ouviram uma voz vindo do lado de fora, gritando por ela, o que matou o beijo. Elena se soltou dele, levantando aos tropeços. Era Rose. Os dois se encararam, logo olhando a porta: Nenhum dos dois havia trancado.