Ele saiu dali. Foi atrás de Elena. A alcançou na entrada do quarto. Ela colocou o livro na cômoda, puxando o cordão do vestido com raiva. Damon trancou a porta.

Damon: O que há? – Perguntou, ao ver o estado dela.

Elena: Era uma surpresa. – Disse, e ele percebeu que ela estava a beira de lágrimas.

Damon: Preparou uma surpresa pra mim? – Perguntou, sorrindo, e se aproximando. Ela não deixou que ele a tocasse.

Elena: Eu me matei hoje, o dia todo, pra terminar tudo rápido. – Disse, e uma lágrima escorreu por seu rosto. Ela a secou – Quando você chegasse eu estaria toda arrumada, seria uma surpresa. Mas ela estragou tudo, sempre estraga!

Damon: Ei, pare! – Disse, segurando os braços dela, impedindo-a de abrir o vestido. Elena o encarou. O rosto estava vermelho, os olhos lacrimejando. – Ainda é uma surpresa. Estás linda.

Anahí: E em que circunstancia tu me viste! Presa! Eles quase o rasgaram. – Lamentou, olhando o vestido — E eu nem tinha terminado de me aprontar. – Disse, e outra lágrima caiu. Ele apanhou o rosto dela entre as mãos, secando a lágrima.

Damon: Estás preciosa do mesmo modo.

Elena: Me deixe tirar isso, por favor. – Pediu, aborrecida.

Damon: Não. Você vai precisar. – Disse, virando-a de costas. Elena franziu o cenho.

Elena: Precisar? – Perguntou, confusa. O corpo dela balançou quando ele começou a puxar o espartilho novamente.

Damon: Nós vamos jantar juntos. – Comunicou, puxando o espartilho.

–--*

Rose: Aquela vadiazinha barata... – Murmurava consigo própria, arrumando as coisas.

Damon: Srta. Rose? – Chamou, entrando na cozinha.

Rose: Senhor? – Perguntou, se endireitando.

Damon: Prepare a quarta sala de jantar. Mande acenderem a lareira. Jantar para 02.

Rose: Mas o Sr. Klaus me pediu para levar sua janta no quarto, para ele e Mrs. Caroline, senhor. – Disse, confusa.

Damon: Eu não pretendia jantar com Klaus. Sirva a mesa para 02. – Ele pensou por um instante.

Rose: Devo perguntar qual o tipo de refeição, senhor? Informal? – Perguntou, dura.

Damon: Sofisticada. Como se Mrs. Caroline fosse minha convidada. É uma mulher, mas é não é ela. – Disse, pensativo – Quero tudo impecável. Quanto a comida... Sirva uma mesa farta, eu quero várias opções. – Diabo, ele nem sabia do que Elena gostava – Farto. – Se resumiu – Não esqueça a lareira, está frio.

Rose: Sim, senhor.

Damon deu as costas e saiu, pouco se importando em olhar pro rosto de Rose. Se olhasse veria o ódio nos olhos dela. Ele iria levar Elena para jantar na quarta sala! Era uma das maiores, das mais bonitas! Ele mandara acender a lareira! Isso era tão injusto! Mas Damon não estava se preocupando com isso. Andava pensativo, até que se bateu com Klaus, na sala de estar. Ele ia passar direto pela porta, mas o riso de Klaus o fez parar. Ele olhou e o moreno ria, com um cacho de uvas verdes nas mãos.

Klaus: Ai está algo que eu não esperava de ti. – Disse, pondo uma uva na boca. Ainda tinha o tom divertido.

Damon: Do que está falando? – Perguntou, parando a porta.

Klaus: Vai jantar com a criada. Deu o vestido a ela. – Disse, sorrindo, enquanto mastigava a uva.

Damon: Deu para ouvir atrás das portas? – Perguntou, cruzando os braços.

Klaus: Não. – Disse, arrancando uma uva do cacho – Mas alguns de nós tem boa audição. – Disse, pondo a uva na boca – Espere até ver a esposa de Lorenzo. É espantador. – Disse, pensativo – Mas este não é o foco. Mandou servir a mesa para ela.

Damon: Não te meta.

Klaus: Te importas com os sentimentos dela...

Damon: Cale a boca, Klaus.

Klaus: Te apaixonaste por uma criada, Damon? – Perguntou, divertido.

Damon hesitou um instante, olhando o outro. Klaus parecia completamente tranqüilo, comendo suas uvas.

Damon: Falando em criada... Você está elogios demais pro lado dela. – Disse, mudando de assunto, franzindo o cenho.

Klaus: Ora, sou um homem justo. Há anos não ponho os olhos em uma tão bonita. – Um rosnado começou a nascer no peito de Damon– Sem contar no corpo, é tão farta que me tira o fôlego. – Disse, arregalando os olhos e sorrindo.

Klaus largou o cacho de uvas na bandeja, ficando com uma na mão.

Klaus: Mas não se preocupe... – Disse, pondo a uva na boca – Ela não é Caroline. – Disse, dando dois tapinhas nos ombros de Damon e saindo dali, ainda sorrindo.

Damon revirou os olhos e seguiu seu caminho. Parou no cofre. Haviam coisas demais ali, mas ele queria algo pequeno. Algo que havia guardado fazia muito tempo. Teve que remexer uns minutos até encontrar. Quando achou o que era, uma caixinha de metal, retirou, fechando o cofre. Resolveu passar pela sala de jantar para verificar.

Damon: Tudo pronto? – Perguntou, parado a porta.

Rose: Só falta terminar de acender a lareira, senhor. – Disse, a voz dura.

Damon: Termine e retire-se. Mande que todos se retirem; Não quero ninguém perto desta sala hoje. – Ordenou, dando as costas antes mesmo de ouvir a resposta dela.

Elena: Pensei que já não voltaria. – Disse, ao vê-lo entrar no quarto.

Damon: Venha. – Disse, oferecendo a mão. Elena o olhou, receosa.

Elena: Vão nos ver. – Lembrou.

Damon: Venha. – Insistiu.

Elena deu as mãos a ele e os dois foram pelos corredores. Ela sempre olhando em volta, até que ele mandou ela parar. Ao entrar na sala de jantar Elena se deslumbrou. Sempre que estivera ali era dia, e estava tudo bagunçado. Agora não. A lareira estava acesa a fogo alto. A grande mesa estava forrada com uma toalha de renda branca, farta em comida, com velas. A louça era fina, de porcelana, os talheres de prata polida. Ela caminhou uns passos, olhando tudo, encantada. O tapete parecia gostoso de tocar só por olhar. Um toca discos estava repousado em um canto. Naquele momento, olhando o que ele tinha feito pra ela, Elena se sentiu especial. É claro que ela não sabia que, para Rose, servir cada um daqueles pratos, acender cada uma daquelas velas, ou a lareira, ou todo o resto, foi como espetar agulhas nos olhos. Não viu também Damon trancar a porta, atrás dela.