De volta ao quarto...

Caroline: Não vou dizer quem, Klaus, a culpa foi minha. – Disse, de cabeça baixa, tremendo. Já tinha se arrependido de ter começado a falar. Ele a apanhou pelos ombros, fazendo-a encará-lo.

Klaus: Quantas vezes? – Perguntou, rosnando.

Caroline: Isso importa? – Perguntou, a dor terrível em seus ombros dando a impressão de que iriam se partir.

Klaus: QUANTAS?! – Rugiu, sacudindo-a.

Caroline: Quatro. – Respondeu, caindo no choro. Ele não teve piedade.

Klaus: Eu deixei de ser homem para você, Caroline? – Perguntou em um silvo. Estava fora de si – Em qualquer aspecto, eu deixei que lhe faltasse algo? Amor, atenção, carinho, sexo, o que for? RESPONDA!

Caroline: Não. – Disse, erguendo os olhos lacrimosos pra ele – Eu não sei porque fiz, aconteceu. Me arrependi logo após ter feito.

Madison: Klaus, abra a porta. – Disse, forçando a fechadura. Ele ignorou – Se não abrir eu vou arrombar, abra a porta, você não está sendo racional. – Ele não deu atenção ainda assim.

Klaus: Um erro é cometido uma vez, e pra isso existe perdão. Mas quatro? QUATRO? – Ela se encolheu – NINGUÉM ME AVISOU QUE EU ESTAVA TOMANDO UMA VAGABUNDA POR ESPOSA QUANDO ME CASEI CONTIGO! EU TE DEI MINHA VIDA, MEU AMOR, MINHA FIDELIDADE, MEU REINO, EU TE DEI TUDO, CAROLINE, TUDO! — Ela soluçou nos braços dele. Era tudo verdade – EU TE AMEI E VOCÊ JOGOU ISSO FORA POR NADA! – Nem o barulho da porta sendo estourada por um pontapé de Madison o sobressaltou.

Madison: Klaus, solte-a. Me ouça, solte ela. – Disse, passando pelos escombros da mesa.

Caroline: Você vai quebrar meu ombro. – Murmurou, apavorada. Ele a olhou por instantes, arfando de ódio.

Klaus: Você quebrou meu coração. – Murmurou em resposta, soltando-a.

Madison: Alaric, tire-a daqui. – Disse, saltando sob a mesa, se pondo entre Caroline e Klaus. Alaric observava na porta – Leve-a para Jenna.

Caroline: Não... – Murmurou, o rosto lavado em lágrimas, olhando o marido. Ele a encarava, arfando de ódio.

Klaus: Saia de perto de mim antes que eu me arrependa de não ter te matado. – Rosnou – Estou com nojo de você, Caroline. Suma da minha vista, estou avisando. – Madison pôs uma mão no peito dele, fazendo-o recuar.

Alaric levou Caroline, e Madison fechou a porta quebrada, se encostando nela. Klaus estava de costas pra ela, mas ainda arfava de raiva. Problema seria conseguir acalmá-lo agora.

Madison: Klaus. – Começou.

Klaus: Me deixe sozinho. – Disse, a voz baixa.

Madison: Eu não tenho medo de você, a mim você não pode machucar. – Disse, avançando em direção a ele – Tente se acalmar.

Klaus: Como ela pôde, Madison? – Perguntou, passando a mão no rosto.

Madison: Klaus, isso não é hipocrisia sua? – Ele a encarou, exasperado – Teria feito o mesmo se eu tivesse permitido.

Klaus: Eu... – Ele riu de leve – Não sei se você percebeu, mas eu não insisti mais. Eu senti um remorso tão grande depois que você foi embora, que eu... Pensei que fosse enlouquecer. – Ele respirou fundo – Sabe o que eu fiz? Eu sai. Comprei uma jóia pra ela. Uma jóia pra compensar por eu ter pensado em traí-la. Mas não, olhe só o que ela fez.

Madison: Eu não sabia. – Disse, quieta.

Klaus: Não tinha como. – Ele se sentou nos pés da cama. Madison foi até o meio do quarto, apanhando a mesa de madeira pesada com a ponta dos dedos e reerguendo-a, pondo-a de pé. Klaus não viu. Olhava o chão. – Eu sempre fui caprichoso, era assim que minha mãe dizia. Fui atrás de você porque era o que eu não podia ter. Se eu tivesse logrado, seria apenas uma vez, e estaria queimando de remorso logo depois. – Ele a olhou – Mas ela tecnicamente manteve um caso com outro homem debaixo do meu nariz.

Madison: Tente se acalmar. – Aconselhou.

Klaus: Você sabia? – Perguntou, olhando-a.

Madison: Soube no momento em que ela te contou, eu estava ouvindo. Eu a toquei quando a tirei daqui, só Jenna sabia. – Ele a observava.

Klaus: Você sabe quem é ele. – Contestou, observando-a.

Madison: Agora eu sei tudo. Não, eu não vou te dizer. Seria sangue inocente derramado atoa. – Ele suspirou. – O que vai fazer? – Divorcio era algo sério naquela época.

Klaus: Eu não sei. Preferia a guerra agora do que ter que lidar com isso. – Ele parou, olhando pra frente – Sabe, eu tenho um irmão. Quase mesma idade. Eu não queria me casar, nem nada disso, eu gostava de viver. – Ele respirou fundo – Então os pais de Caroline fizeram uma visita ao meu reino. Trouxeram a filha. Me encantou assim que eu a vi.

Madison: Não seja dramático. – Tentou brincar.

Klaus: Não estou sendo; ela era. – Ele sorriu – Meu irmão se encantou por ela também. Ela jogava com nós dois. Me lembro bem do dia em que decidi que ela seria minha. – Os olhos dele estavam distantes – Estávamos caminhando no jardim, ela a nossa frente, eu e meu irmão fascinados observando, como sempre. Então ela tropeçou. Nós dois nos lançamos logo, claro, para impedir a queda, mas ela se recuperou só, e sorriu pra nós dois. Me lembro do que disse em palavras. – Ele sorriu – Ela sorriu de canto, os olhos nos sondando, e disse: “Os dois irmãos Mikaelsons, vindo ao meu resgate... Qual devo escolher?” – Citou. Madison se ajoelhou em frente a ele, ouvindo – Naquela noite disse ao meu pai que eu a queria.

Madison: E o seu irmão?

Klaus: Não fala comigo até hoje. Eu era o mais velho, tinha de me casar, meu pai achou uma benção meu repentino interesse, e Caroline pareceu deliciada. Eu não dei a mínima pra ele. – Disse, revirando os olhos – Foi o atrevimento dela que me atraiu. E veja onde me trouxe. – Ele amparou os cotovelos nos joelhos, e levou as mãos a cabeça, os dedos adentrando o cabelo.

Madison: Você a ama.

Klaus: Mais do que posso calcular. – Disse, a voz abafada – Do contrário já a teria matado. O divórcio seria piedade. Quero fazer isso... Mas não consigo. Não posso perdê-la.

Era penoso ver Klaus sofrer assim. Vê-lo sem uma piada nos lábios, ou um sorriso no rosto. Parecia errado. Madison acariciou o cabelo dele ternamente, e ele não se moveu. Ela o abraçou, pondo a cabeça em sua nuca, confortando-o. Ele ficou quieto a principio, mas depois aceitou o abraço sempre frio, retribuindo-o.

Madison: Tire um tempo pra pensar, pra colocar os pensamentos em ordem. Eu vou manter ela longe da sua vista pelo tempo que precisar, até que tome uma decisão. – Murmurou, acariciando o cabelo dele.

Klaus: Obrigado. – Disse, quieto. Lorenzo e Alaric apareceram a porta, pra ver se ela precisava de ajuda, mas pararam. Ela avisou com os olhos que a tempestade havia passado, e os dois assentiram, saindo dali.

Por hora havia passado, mas toda tempestade deixa danos. Basta esperar pra ver no que isso vai dar.

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