Damon não teve resposta. Obedeceu. Uma vez deitado, no escuro, a virou de costas pra ele e a abraçou com cuidado, de conchinha, lhe dando um beijo no ombro. Depois disso nada foi dito. Quando Lorenzo entrou em seu quarto, já noite daquele dia, havia um cheiro estranho. Era tecido queimando. Ele foi até a lareira acesa, apanhando uma espátula, e cutucou o bolo em chamas. Eram roupas dela.

Lorenzo: Mad? – Chamou, confuso.

Madison: Meu amor. – Murmurou pra si mesma, se lançando na direção dele. Ela o abraçou. Llorenzo não entendeu, mas retribuiu. Ela usava a mesma roupa que usou com Klaus, só que essa era toda branca: O sutiã, o short e o roupão de renda.

Lorenzo: Ei. – Disse, largando a espátula — O que houve?

Madison: Me perdoe. – Murmurou, agarrada a ele. Ela tinha os cabelos meio presos por um palito.

Lorenzo: Pelo que? Ei. – Ele apanhou o rosto dela nas mãos, encarando-a – O que foi?

Madison: Eu amo você. Só você. – Disse, tocando o rosto do marido.

Lorenzo: Eu amo você. – Respondeu, sorrindo – Venha aqui. – Ele se sentou, pondo ela em seu colo – Anjo, eu sei que você não está acostumada a isso. A não ser o seu castelo, a não ser o centro das atenções. Eu sei. Eu te mimei assim. – Ele acariciou o rosto dela. – Mas isso é provisório. Eu vou acabar com essa guerra, e nós vamos voltar pra casa. – Ela sorriu – Todos os meus pensamentos são seus, Madison. Não quero que briguemos.

Madison: Fui infantil. Por um momento pensei que... Pensei que pudesse viver sem você. Mas descobri que tenho força pra tudo, menos pra isso. – Ela tocou os lábios dele – Não vamos mais brigar. Eu entendo o seu lado. Eu vou esperar. – Ele sorriu. Ela o encarou, os olhos negros insondáveis – Faça amor comigo, Lorenzo. – Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso.

Lorenzo: Eu acabei de chegar da rua. Montei a cavalo a tarde inteira. Você não me quer assim. Está limpinha. – Ele beijou o ombro dela, aspirando o perfume do banho recém-tomado – Cheirosa. Merece mais que isso. – Ele beijou o nariz dela – Vou tomar um banho, e conversamos sobre o assunto novamente. – Prometeu, e ela sorriu. – Não me demoro. Não se mova. – Ela fingiu ser uma estatua, e o marido riu, sumindo na porta do banheiro.

Uma vez sozinha ela suspirou. Amava aquele homem com cada célula que possuía. Aceitar os flertes de Klaus tudo bem, era engraçado, mas beijá-lo fora uma estupidez total. Ela ouviu o chuveiro se abrindo e olhou a lareira. O fogo já havia consumido inteiramente a roupa que ela usara aquela tarde, e o cheiro já se fora. Ela apagaria a lembrança daquilo assim como o fogo apagou a prova material. Mas ela precisava de mais. Precisava que ele a possuísse, seu direito natural, que a marcasse, porque ela era definitivamente só dele. Ela ouviu o chuveiro se fechar e se levantou, ansiando. Lorenzo saiu do banheiro em seguida, de roupão, os cabelos úmidos, e parou para observá-la. A lingerie branca mal se destacava na pele pálida dela, a barriga rígida, os seios fartos, a renda branca quase jogando com o olhar dele. Ele sorriu com a visão. Ela estendeu a mão pra ele, chamando-o, e ele sorriu, indo até ele.

Lorenzo: Quando sai daqui você estava querendo me matar. Porque a mudança? – Perguntou, se aproximando.

Madison: Porque matá-lo seria o mesmo que matar a mim mesma. – Respondeu, simples, e ele passou as mãos delicadamente nos ombros dela. O roupão de renda deslizou e caiu levemente pro chão.

Ela o encarou e pegou as mãos dele, levando até o feche do sutiã. Lorenzo o abriu, desprezando a peça. Ela se deitou na cama, abrindo os braços, olhando-o. Lorenzo ficou de pé por um instante, sorrindo, observando, então passou pra cima dela. No momento em que teve o corpo do marido sobre o seu, ela o beijou, agarrando-o. Lorenzo sentiu a sede dela e a retribuiu. Ela puxou o nó do roupão, desnudando o marido e jogando a peça que caiu do outro lado do quarto. Lorenzo tomou um dos seios dela na boca, mordendo, chupando, uma das mãos brincando, e ela sorriu consigo mesma, sentindo o corpo se contrair. A boca dele desceu por sua barriga, lambendo, mordendo, e ele ouviu o primeiro arfar dela. Apanhou o short dela com as duas mãos, retirando-o, mas quando ia passar pra cima da esposa ela o fez se sentar, montando em seu colo, sem unir os dois. Ela se sentou sob a coxa dele, evitando de qualquer modo a invasão, e Lorenzo mordeu o colo dela, logo alcançando seu pescoço. Ela se impulsionou contra a coxa do marido, e as mãos dele agarraram imediatamente os quadris dela. Ele tencionou o músculo da coxa, comandando o ato dela, e Madison agarrou o ombro dele, respirando fundo. Durou por minutos, até que...

Madison: Olhe para mim. – Pediu, rouca, e ele ergueu o rosto dos seios dela, os lábios meio vermelhos, encarando-a. Ela desmontou da perna dele, se sentando direito em seu colo, e os dois se encararam enquanto ela deixava ele deslizar pra dentro de si lentamente. Por fim os dois estavam juntos, ainda se encarando. Mas ela não conseguiu sustentar por muito tempo; seus olhos se fecharam e ela abaixou a cabeça, gemendo baixo. Podia senti-lo inteiro dentro de si, parado, pulsando. Ele sorriu, pondo o cabelo dela atrás da orelha, tomando sua boca e a segurou pela cintura novamente, começando a se mover.

A situação ganhou intensidade rapidamente. Os dois corpos se moviam juntos, unidos, e nada foi dito. Aos poucos ganharam velocidade e força. Ela tinha o rosto afundado no ombro dele, as unhas cravadas em suas costas. Não podia evitar os gemidos: Eles vinham. Ela tentava refreá-los, mas era impossível; ele estava em toda parte, em cada poro do seu corpo.

Lorenzo: Não os prenda. – Disse, rouco, no ouvido dela. Ela ergueu o rosto, encarando-o, meio tremula – Eu gosto de ouvi-los. – Disse, antes de morder o lábio inferior dela.

Parecendo querer arrancá-los dela, ele fez ela enlaçar as pernas em sua cintura, ganhando ainda mais força em suas investidas. Madison quase gritou, e ele sorriu de canto, mordiscando o pescoço dela. Durou por mais algum tempo, até que ele se separou dela, mudando a posição: Ele ainda estava sentado, mas fez ela sentar de costas pra ele. Ela sentiu os braços dele envolvendo sua cintura, prendendo-a no lugar. Ele voltou a invadi-la, agora por trás, e Madison conteve a respiração, relaxando... Até que, por fim, ele encostou a cabeça em suas costas. Ela cravou as unhas nas mãos dele, que começou a se mover lentamente... A inicio. Logo haviam retomado a força de sempre, e ela não teria sido capaz de conter os gemidos, nem se quisesse. Se fosse uma opção pra ela, pensaria que estava morrendo. Seu corpo parecia estar pegando fogo, inflamando. Após algum tempo a respiração dela se tornou mais acelerada... E ele parou tudo, se tornando imóvel.

Madison: Lorenzo... – Choramingou, deixando a cabeça cair no ombro dele.

Lorenzo: Shh. – Disse, beijando o ouvido dela – Não tão depressa, anjo. — Ela gemeu aturdida, sentindo a sensação que estivera tão perto se afastando cada vez mais.

Madison: Por favor. – Pediu, com a voz entrecortada. Os cabelos dela, agora soltos, cobriam o ombro e o braço dele, caindo no colchão.

Lorenzo: Não. – Negou, e ela sorriu com o toque de maldade na voz dele – Calma. – Brincou.

Madison: Porque você adora fazer isso comigo? – Perguntou, frustrada, presa na grade dos braços dele.

Lorenzo: Porque eu gosto. – Respondeu, petulante. Ela suspirou. – Porque eu quero que dure mais. Porque você gosta. – Na ultima frase ele voltou a se mover, e ela franziu o cenho, mordendo o lábio inferior.

Ficaram naquilo mais algum tempo, até que ele se separou dela novamente. Madison caiu deitada de costas na cama e ele partiu pra cima dela, pela frente novamente, com mais força que antes. Madison grunhia a cada estocada, os corpos dos dois oscilando na cama. Ela amava essa brutalidade dele, essa violência que o possuía quando estava perto de correr-se. Mas ela veio antes, com um grito que ecoou pelo quarto, e ele não deteve. Ela sentiu exatamente o momento dele, que se pressionou demoradamente contra ela, gemendo alto, logo se aquietando. O único barulho depois disso foram as chamas crepitando na lareira. Ela se pôs a acariciar o cabelo dele ternamente, que desfrutou do carinho por tempos, até erguer o rosto, selando os lábios com os dela. Ele riu de leve. Ela apanhou uma mão do cabelo dele, puxando-o.

Madison: Cachorro. – Condenou, e ele riu – Eu te amo.

Lorenzo: Eu não entendi o motivo disso... Mas foi muito bom. – Ela puxou os cabelos dele de novo, fazendo-o rir gostosamente.

Madison: Me promete uma coisa? – Perguntou, olhando-o. Ele assentiu – Não me deixa, não. – Pediu. Ele franziu o cenho.

Lorenzo: Quem você matou dessa vez? – Perguntou, mas ela negou com a cabeça – Eu prometo.

Madison: Me grite, me prenda, me bata se for necessário. Eu posso suportar tudo isso. Mas não viver sem você. – Disse, acariciando o rosto dele.

Lorenzo: Isso tudo é uma crise hormonal, ou você tá aprontando pra mim? – Brincou. Ela revirou os olhos.

Madison: Você é impossível. – Disse, se afundando no travesseiro. Ele riu, se amparando em um dos braços.

Lorenzo: Não importa o que você fez ou vai fazer. Eu não vou te deixar. Eu te amo. – Disse, próximo ao ouvido dela. Ela sorriu. Ele selou os lábios com os dela novamente e ela se abraçou ao marido, se aninhando no peito dele pra dormir.

Ali era seu lugar. Ali estava segura. E agora ela sabia: Isso não ia mudar nunca.

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