Os dois caminharam em silencio por vários corredores do castelo. Elena ajeitou o vestido e o cabelo, ocultando tudo o que podia ser visto. Damon a levou até uma sala grande, onde havia uma mesa com vários papéis, uma lareira e poltronas. Ele esperou ela entrar e fechou a porta.

Damon: Que mal te deu? – Perguntou, olhando-a. Não seria admissível que Elena achasse que, por causa do que ocorrera entre os dois, possuía algum privilegio.

Elena: Nada. Porque? – Perguntou, confusa.

Damon: Porque não a obedeceu? – Continuou, observando-a.

Elena: Ah, isso. – Disse, e ele quase sorriu vendo-a corar de novo – É que ela me mandou prender o cabelo.

Damon: Isso eu sei. Você não o fez por...?

Elena: Porque se eu fizesse... – Ela não conseguiu continuar e Damon ergueu uma sobrancelha, incentivando-a – Se eu tirasse o cabelo todos iriam ver. – Disse, acanhada.

Damon: Ver...? – Perguntou, a confusão tingindo seu rosto.

Elena, o rosto vermelho, apanhou os cabelos com as duas mãos, retirando-os do pescoço. Damon viu as manchas que ele deixou ali e entendeu. Ela não estava pedindo nada pra si, nenhum privilegio, ela só estava tentando se proteger. Ele sorriu e ela respirou fundo, o rosto quente. Damon se aproximou, apanhando o rosto dela com a mão e virando-o pro lado (como um vampiro faz pra morder alguém), e observou as marcas. Os dedos dele tocaram uma das manchas, o olhar com certo fascínio.


Damon: Perdoe. – Disse, olhando a marca. – Não foi minha intenção marcá-la. – Elena assentiu, calada. – Foi só isso que a incomodou? – Perguntou, a proximidade dele alterando-a.

Elena, ainda corada, puxou o decote do vestido pro lugar certo, exibindo algumas das manchas em seu colo. Havia até uma mordida. Ele tocou a pele dela, o olhar sempre observador, e ela se arrepiou, involuntariamente.


Damon: Tudo bem. – Disse, soltando-a. Elena ajeitou o vestido e colocou os cabelos sobre o ombro novamente. Damon demorou um instante olhando um cacho chocolate caído por cima do colo dela – Tem minha permissão para usar o cabelo assim.

Elena: Obrigada.- Disse, aliviada – Com licença. – Damon assentiu e ela saiu, fechando a porta atrás de si. Damon se sentou, pensativo. Parecia que tinha muito o que aprender sobre ela.

Elena trabalhou o dia todo. Mal tivera tempo de respirar. Rose, com ódio, triplicara seu trabalho. Ela não vira mais Damon naquele dia. No final do dia nem se dignou a ler, apagou as velas e se deitou na cama, se esticando. O perfume de Damon ainda estava ali. Ela se virou de bruços, se cobrindo, e deixou relaxar. Minutos depois, ela estava quase dormindo, ouviu o barulho da porta se abrindo e fechando. Uma mão forte puxou seu braço, virando-a de barriga pra cima, e o peso do corpo dele estava sob o dela. Hoje não houveram ensaios, já era familiar, e mesmo no escuro ela reconhecia o corpo, o perfume... O beijo. Ela o abraçou, abrindo as pernas para acolhê-lo acima de si.

Elena: Não devias ter vindo. – Disse, a voz quebrada, quando ele se afastou, as mãos tremulas de vontade desamarrando a camisola dela.

Damon: Eu sei. Tentei não vir. Não pude. – Disse, se deitando por cima do corpo agora despido dela.

E Elena o aceitou. Damon, já sabendo dela marcada, teve cuidado para não machucar ou marcar ainda mais. Demorou bem menos que na noite anterior. Logo ele a possuiu, e ela inclinou o corpo, languida, gemendo de modo abafado, e ele a beijou, começando a se mover. Foi desconfortável a inicio mas logo os dois estavam juntos, levados pela mesma sensação. No escuro, quase em silencio, era segredo. E aparentemente todas as noites agora seriam assim.

Damon dormiu dessa vez. Elena se chocou quando acordou na manhã seguinte e o viu dormindo, profundamente, ao seu lado. Ela se levantou com cuidado, cobrindo-o em seguida.

Elena: Tem um rei dormindo na minha cama. – Murmurou consigo mesma, vendo Damon adormecido – É uma vida confusa. – Disse, coçando o cabelo.

E ela saiu, indo pro banho. O trancou lá, só por segurança, mas não fez diferença, ele ainda estava dormindo quando ela voltou. Não viu ela se vestir, nem cobri-lo com mais um cobertor, protegendo-o do frio que fazia. Não percebeu quando ela afrouxou o cinto e feixe de sua calça, lhe deixando mais confortável. Nem viu quando houveram batidas na porta. Mas Elena viu. Seu coração disparou, olhando de Damon, seminu em sua cama, pra porta.

Elena: Quem é? – Perguntou, em um sussurro.

Jeremy: Sou eu, Lena. Posso entrar? – Perguntou, distraído.

Elena: Não! – Exclamou, segurando a porta. Então olhou Damon. Ele continuava dormindo, como podia?

Jeremy: O que há? – Perguntou, confuso.

Elena: Não estou vestida. – Disse, com a primeira coisa que veio a cabeça – Aguarde um pouco.

Jeremy assentiu, completamente disperso. Elena correu pro espelho, puxando o vestido pras marcas que ainda estavam ali e prendeu o cabelo como no dia anterior. Checando tudo ela olhou Damon, que continuava dormindo. Não podia deixá-lo trancado, uma hora ele acordaria e teria de sair.

Elena: Deus ajude que ninguém entre aqui. – Disse, ajoelhada ao lado da cama, passando a mão superficialmente no cabelo dele.

Ela se levantou e saiu, abrindo a porta só o suficiente pra sair. Jeremy ergueu a sobrancelha.

Jeremy: Seu cabelo...? – Perguntou, enquanto andavam.

Elena: É mais conveniente assim. – Disse, dando de ombros.

Os dois caminharam pelos corredores do castelo, ouvindo o barulho da chuva lá fora. Elena só tinha uma coisa na cabeça: Se alguém entrasse naquele quarto com Damon lá, daquele jeito...

Jeremy: Já soube das novidades? – Perguntou, tirando Elena de seu transe.

Elena: Quais? – Perguntou, dispersa.

Jeremy: Estão comentando que Damon tem uma amásia. – Elena arregalou os olhos – Uma criada. Todos no castelo estão comentando. – Disse, divertido. – O que é interessante, pois desde que Katherine morreu ele nunca nem olhou pra ninguém.

Elena: É? – Perguntou, meio deslocada – Quem disse?

Jeremy: Rose estava comentando ontem a noite.

Elena: Vadia despeitada. – Rosnou consigo mesmo.

Jeremy: Que?! – Perguntou, olhando-a.

Elena: Apenas pensando alto. – Disse, se recompondo – Eu acho que Rose deveria cuidar da própria vida. Damon já é suficientemente grande pra cuidar da dele. Enfim.

Jeremy: Soube também do desentendimento de vocês duas. Deu pra querer chamar a atenção pra si agora? – Perguntou, debochado.

Elena: É claro que não. Ela apenas me deixe viver em paz, e nem ouvirão falar o meu nome. – Disse, mordida.

Jeremy: Tudo bem, não está mais aqui quem falou. – Disse, dando de ombros.

Aquilo bastou pra arruinar com o humor de Elena. Damon iria ficar uma arara quando soubesse, isso era certo.