just one more about love Delena
106 Capitulo 106
O sino tocou novamente... Apenas uma vez. O reino saiu de suas preces para uma comemoração furiosa. Duas lágrimas grossas caíram dos olhos de Damon, que tinha a cabeça baixa, indo direto pro chão, enquanto ele suspirava. Os outros haviam se levantado, comemorando, mas ele não tinha reação. Amanhecera tendo uma filha... Agora tinha três. Era uma menina, sua princesinha. Ele foi interrompido de seus devaneios por Klaus, que o agarrou a força pela roupa, dando-lhe um caloroso abraço de parabéns, então ele estava rindo. Na torre... O trabalho de parto terminara, enfim. Elena fora levada pro banho pela mãe, junto com uma parteira, os médicos trabalhavam nos bebês, e criados trocavam os jogos de cama. Haviam colocado várias toalhas e lençóis debaixo dos quadris de Elena, mas sua hemorragia fora tanta que o sangue por pouco não alcançou o colchão. Por fim estava tudo limpo, e ela foi trazida de volta pra cama. Suspirou, cansada, deixando o corpo se relaxar sob os lençóis frios. Foi quando Damon chegou.
Damon: Ei. – Disse, preocupado, indo até a cama. Ela sorriu de canto pra ele. Estava pálida, os olhos quebrados, os lábios brancos, mas tentou retribuir o sorriso.
Elena: Você já os viu? – Perguntou, rouca. Damon se sentou ao lado dela, passando um braço por seu ombro.
Damon: Não. Os médicos ainda não os deixaram. – Ele beijou a testa dela demoradamente – O que houve?
Elena: Eu não sei. Nada em especial, eu só estava aqui, como você me deixou, e aconteceu. – Disse, dando de ombros – Por um instante pensei que não ia conseguir. – Murmurou.
Damon: Não diga tolices. – Repreendeu. Ela sorriu de canto. As parteiras haviam ido embora, levadas por Mary, e os médicos não estavam ali.
Elena: Devemos muito a Madison. Mais do que poderemos pagar um dia. – Ele passou a mão no cabelo dela, ninando-a.
Damon: Como se sente? – Perguntou, a voz ecoando preocupação.
Elena: Fraca. Cansada. Sinto como se fosse desmaiar e dormir por dias... Mas não vou dormir. Quero vê-los. – O sorriso fraco apareceu de novo – Sinto sede. Minha garganta parece uma lixa. – Se queixou.
Damon se levantou imediatamente, metendo a cabeça no corredor e dando um grito, pedindo por água fresca. Elena ia rir, mas tossiu. Logo uma criada apareceu com uma bandeja com uma grande jarra de água e copos. Ele a serviu. Foi difícil a inicio, a garganta dela ardia, mas tamanha era a sede que ela engoliu sem pestanejar. Tomou três copos até se declarar satisfeita. Ele dispensou a bandeja e voltou a posição inicial.
Elena: A menina é mais nova. – Comentou, e ele sorriu – E menorzinha. – Disse, se lembrando brevemente.
Damon: Grandão. – Lembrou, e ela sorriu. – Durma. Poderá vê-los quando acordar. – Disse, atencioso. Ela negou veemente.
Elena: Não. Preciso segurá-los. – Ele não insistiu.
Quase uma hora depois os médicos vieram. A menina vestia rosa, e o menino azul, ambos envolvidos em mantas grossas, que os aqueciam. Na falta de uma incubadora era assim que funcionava: As vias aéreas eram desobstruídas como se podia, os bebês eram aquecidos, protegidos, e se rezava para que vingassem . Elena sorriu ao pensar que os enxovais não foram em vão. Entregaram o menino nos braços dela, e a menina, tão pequena que parecia poder quebrar, nos dele. Ambos tinham os cabelos escuros como os do pai, e ambos tinham os olhos fechados. Elena tinha um sorriso enorme, radiante, contrastando com o rosto sem cor, enquanto olhava o filho. Damon passou o dedo no rostinho da filha, a pele tão fina que ele podia ver a sombra de algumas veias atrás, e ele podia jurar que a menina se aconchegou mais a ele. Ele ergueu o rosto, e viu Elena observando aquele sorriso lindo ainda no rosto. Sorriu também, levando o rosto até o dela, selando-lhe os lábios.
Elena: Tão pequena. – Observou, olhando a filha. A menina era menor que o menino, ambos prematuros – Gostaria de tê-los guardado por mais tempo. Sinto que a fragilidade deles é minha culpa.
Damon: Shhh. Não é culpa de ninguém, Deus quis assim. Está tudo bem agora. – Elena assentiu, voltando a olhar pro filho, imóvel em seus braços.
Os dois passaram minutos em silencio, até que o rosto dela desfaleceu no travesseiro, o braço ainda protetoramente segurando o filho. Ele se sobressaltou, levando a mão ao pescoço dela, os dedos procurando sua veia... Mas a pulsação dela estava normal. Um pouco mais fraca, mas nada preocupante. O sono apenas a venceu. Ele não viu o médico se aproximando, tomando ar pra falar... Nem Madison tocando o ombro dele, impedindo-o de atrapalhar o momento. Ele a olhou, confuso, e ela exibia um sorriso branco, os dentes parecendo afiados, e indicou com a cabeça pro corredor. Os dois saíram em silencio.
Médico: Alteza, eu preciso falar com ele... – Interrompido.
Madison: Fale comigo. – Disse, cruzando os braços. Os dois estavam no corredor em frente a escada da torre.
Médico: Os bebês são muito prematuros. Entenda, majestade, os pulmões da criança amadurecem nos últimos meses de gestação, mais especificamente do sexto ao oitavo. – Madison esperou – A gravidez foi interrompida no final do sexto mês. Os pulmões não estão prontos, e os bebês são fracos. Não teriam força nem para mamar sozinhos, o que nos fez alimentá-los com um suprimento preparado.
Madison: E eu quero saber disso porque... – Continuou, erguendo a sobrancelha.
Médico: Como eu disse, são bebês muito fracos. Prematuros demais. As perspectivas não são boas. É preciso que estejam preparados. – Ele hesitou – A menina em especial. Ela provavelmente não vencerá a noite. O menino não está muito longe disso.
Alaric: Agora me diga algo que eu já não saiba. – Disse, parado atrás do medico como se tivesse estado ali o tempo todo. O medico se virou com o susto. Alaric tinha a cara fechada, os olhos dourados duros. – O recado foi dado, receite seus remédios e pode ir. – Disse, a voz autoritária. O médico ficou branco feito cal ao se ver encurralado entre Madison e Alaric. Era apavorante.
Madison: Nenhuma palavra disso a ninguém. Me fiz clara? – O medico assentiu, tremulo, e saiu dali. Madison suspirou, encarando Alaric em seguida – Esse dia não vai acabar nunca?
Alaric: Pelo menos não agora. – Disse, a voz severa – Ele tem razão, o coração da menina mal tamborila, e já falha constantemente. Não tem força. Nenhum dos dois tem. – Madison suspirou de novo, deixando a cabeça cair para trás – Precisamos nos apressar.
Ela assentiu, tirando o cabelo do rosto, e os dois sumiram pelo corredor. Bastava ver no que isso ia dar.
Alaric: Agora. – Disse, fechando a garrafinha. Fora a mesma que ele dera a ela no dia do casamento de Elena e Damon. Ela segurava um lenço em volta do pulso. Assim que fechou a garrafa, ele imitou o ato, mas não envolveu o pulso, só o limpou. O corte fundo já havia cicatrizado. Os dois concordaram que a mistura seria mais eficiente, mais forte que apenas um dos dois – Sabe o que fazer. Metade pra cada um, a menina primeiro. Seja rápida.
Madison: Tire-o de lá. – Disse, apanhando a garrafa e escondendo-a no decote.
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