Damon ninava Elena. Um berço havia sido instalado no quarto, precocemente. Era de madeira. Bem simples, um quadrado acolchoado, onde os dois bebês estavam agora. O berço deles, o berço real, traçado em ouro, voltara para ser refeito. Ele acariciava os cabelos dela, terno, quando houveram batidinhas na porta. Alaric entrou, um sorriso no rosto.

Alaric: Estão todos lá embaixo, comemorando. Venha. – Sussurrou, chamando.

Damon: Não vou deixá-la sozinha. – Respondeu, em tom baixo, apontando pra Elena.

Alaric: Ela nem vai notar. Não acordará tão cedo. Vamos! – Era desespero na voz de Alaric? Damon balançou a cabeça. Estava vendo coisas. Ele sorriu, tirando o braço do ombro de Elena, que ficou, inalterada, a bela adormecida em forma humana.

Damon: Eu já volto. – Sussurrou, beijando a testa dela – Só um copo. – Impôs, e Alaric assentiu.

Assim que Damon saiu, Madison estava no quarto. Caminhou até Elena cautelosamente, os olhos sondando, e ergueu a sobrancelha. Elena continuou dormindo. Ela se voltou pro berço. Franziu o cenho. Sua experiência com bebês era inexistente. Ela apanhou o bebê de rosa sutilmente nos braços, a menina nem notou. De perto sua fraqueza dava dó. Madison apanhou a garrafinha, dispensando a tampa. Levou até os lábios da menina, incerta. Pro seu desespero, a menina franziu o cenho, caindo no choro. Ela arregalou os olhos, e com um sopro do vento, estava fora do quarto, no corredor.

Madison: Shhh, shhh, neném bonitinho, shhh! – Disse, tensa. A menina já estava fraca, chorar só ia acelerar o processo – Shhh, mentira, sh... – A bebê parou quando a garrafa pairou perto de seu rosto – É isso? – Perguntou, incrédula. Levou a garrafa com mais cuidado até a boca da menina, que aceitou, começando a beber com a força que tinha – Fome. – Suspirou – Podia ser mais óbvio, Madison? – Perguntou, debochada. A verdade é que o “suprimento” dos médicos não era nada agradável, não matava a fome, e Elena não teve condições de amamentar. O bebê tinha fome. – Isso. Beba. – Disse, satisfeita.

Como se tivesse sido ordenada, a menina se encheu na metade da garrafa. O coração dela agora já batia, não só aquele tamborilar fraco. Madison tampou a garrafa, guardando-a no decote. A bebê lambeu os lábios, os olhinhos fechados, e Madison achou graça. Levou um pequeno lenço aos lábios dela, limpando a mancha vermelha que ficara. Voltou ao quarto, deixando-a no berço, e apanhou o menino. Foi mais fácil. No fim a garrafa estava vazia, e os bebês na cama. Ela saiu, pressentindo a volta de Damon. Alaric a alcançou em um corredor, longe da torre.

Alaric: O que foi aquilo? – Rosnou.

Madison: A menina se assustou com o frio do metal nos lábios. Nada demais. – Disse, entregando a garrafinha a ele.

Alaric: Tem noção do que foi convencer Damon de que não tinha ouvido o choro? – Perguntou, exasperado.

Madison: Da próxima vez levarei uma mamadeira. – Debochou – Alaric, eu fiz. Eles beberam. Não vão morrer, e o sangue estará fora do organismo dele antes que o sol morra amanhã. Eles crescerão, serão lindas criancinhas saudáveis, humanos, vivos e fortes. Agora eu vou dormir. – Disse, um sorriso ameaçador aparecendo no rosto. Alaric riu. Madison deu as costas, sumindo pelo corredor.

Damon velou o sono de Elena até que o dia raiou. Terminou adormecendo, a cabeça próxima a dela. Despertou sobressaltado, mas Elena acariciava-lhe o rosto.

Damon: Perdoe. – Disse, rouco. Ela sorriu.

Elena: Dormiu de sapatos. Quantas vezes vou ter que ralhar? – Perguntou, carinhosa.

Damon: Me distrai. Eu a acordei? – Elena negou, e ele lhe beijou a testa. Um chorinho fraco os alcançou, e ambos olharam – Parece que acordei alguém. – Disse, sorrindo. Damon se levantou, apanhando os filhos no braço. Os dois acomodaram os filhos na cama, entre os dois, observando. – Rosalie. – Disse, tocando o rosto da menina, que se acalmara.

Elena: Rosalie Dianna. – Corrigiu, e ele sorriu. – Rosalie e Chord. – Completou.

Damon: Rosalie Dianna e Chord Inácio. – Corrigiu, fazendo-a rir. Rosalie se balançou, o a mãozinha fechada em punho esfregando o olho – Acho que ela tem fome. – Observou.

Elena tomou impulso pra se sentar, e Damon a ajudou. Ele a entregou Rosalie, que se pôs a mamar assim que a mãe lhe ofereceu o seio. Elena fez uma careta, sorrindo. A sensação era estranha, mas gostosa. Era bom sentir aquele vinculo formado. Era mãe. Damon apanhou Chord, e o menino, pouco incomodado com a situação, se aconchegou ao calor do pai. Nada poderia estragar aquele momento.