just one more about love Delena
105 Capitulo 105
Madison: Onde você estava?! – Rosnou.
Alaric: No meio do mato, por capricho de Damon. Mas vê, não havia motivo pra se preocupar. – Disse, sorrindo. Ele olhou Caroline e Jenna abraçadas, saltitando na sala ao lado – É hora de comemorar.
Madison: Não seja estúpido! – Rosnou – Tente escutar! – Disse, mais branca que o normal. Alaric deixou a cabeça cair pro lado, escutando... Escutando... Então franziu o cenho, confuso. Em geral um parto real tinha um acompanhante, dois médicos e três parteiras.
Alaric: Madison... Quantas pessoas tem naquela torre? – Perguntou, mas ela negou com o rosto, calada.
Na torre... O bebê já havia sido limpo, e já iam entregar ele a Elena... Mas ela estava inquieta. Até que arfou, agarrando o travesseiro, os olhos em choque. A dor havia voltado, forte, impiedosa.
Elena: Mamãe... – Exclamou, assustada, olhando a barriga. O relevo diminuíra... Mas não chegou a sumir. Ela olhou o bebê, e pelo que podia ver ele era de tamanho normal, até pequenininho assim por dizer. Não era “grandão”. Só se... – Mamãe! – Mary, que observava os médicos com o bebê, se voltou pra ela. Mas antes que perguntasse o que, uma das parteiras, a que estava fazendo a remoção da placenta, avisou o que era.
Parteira: Ela entrou em contrações novamente. – Um dos médicos olhou – Há outra criança. – Anunciou. O rosto de ninguém ali foi de comemoração. Nada, nada bom.
–--*
Damon: Porque eu não posso vê-la? – Perguntou, indignado, quando a sogra o parou na escadaria da torre. Ela descera em busca de mais toalhas. Ele não estava gostando da expressão dela. Piorou quando Elena gritou de dor, o som machucando-o quase fisicamente – Porque ela está gritando?
Mary: São gêmeos, Damon. – Respondeu, e ele parou como se tivesse levado uma bofetada. Klaus, que passava no corredor abaixo, ouviu. A alegria sumiu do rosto dele no momento. – Eu preciso ir. – Ela terminou de descer. Damon ficou parado, uma estatua viva, os olhos no chão. Elena gritou outra vez.
Klaus: Venha. – Chamou, subindo até onde ele estava, tirando-o dali.
Acontece que gêmeos naquela época não era bom pra ninguém. Nunca terminava bem. Em geral a própria mãe morria durante o parto; não tinha forças o suficiente para a segunda expulsão, e o bebê morria com ela. Quando, por algum milagre, ela conseguia dar a luz aos dois, estavam prematuros demais, e em geral não vingavam. No caso de Elena principalmente, tão prematuros que eram. A noticia caiu como uma desgraça, e então toda a comemoração se transformou em uma corrente de preces. Elena não podia morrer. Não houveram tempos mais sombrios naquele reino como na época após a morte de Katherine, também no parto. Damon não merecia. Os minutos se passaram, se convertendo em horas, e todos estavam sentados na mesa da sala principal, em silencio. Damon tinha o olhar distante, o rosto condoído, como se pudesse sentir a dor dela.
Madison: Não está dando certo. – Murmurou pra Alaric. Ele ficou quieto. A verdade era que Madison nunca se permitiu ter uma amiga, uma verdadeira amiga, ela nunca quis ninguém tão perto. Elena fazia ela se sentir a vontade, se sentir bem. E agora sua única amiga estava morrendo, enquanto ela esperava, impotente.
Alaric: Se ela conseguisse pelo menos... – Ele se interrompeu. O tom dos dois era tão baixo que ninguém havia percebido a conversa ali.
Madison: Ela não está conseguindo. Tente escutar. – Disse, passando a mão no rosto. Os dois ficaram quietos. Então, por um instante, o coração de Elena, que batia freneticamente, perdeu o compasso, parando por um instante, logo voltando. Falharia a qualquer momento.
Alaric: Vá. – Aconselhou, e Madison se levantou. Ninguém se moveu.
Na torre estava difícil. Elena não tinha mais forças, e a dor não cedia, não acabava nunca. O rosto dela já estava molhado pelo suor e pela lagrimas. Ela estava pálida, branca, já havia perdido sangue demais, tremia. Não conseguia fazer aquilo. Não viu Madison entrar, até que ela se sentou ao seu lado, apanhando sua mão.
Elena: Eu vou morrer. – Constatou, respirando em um arquejo. – Eu estou morrendo, Mad. – Madison sabia disso. Ela podia ouvir.
Madison: Tente se acalmar. Está perto de acabar. – Ela olhou os médicos, desafiando alguém a desmenti-la.
Elena: Eu não agüento mais. Dói muito. – Ela soluçou, perdida – Não tenho força. – Declarou, impotente. Madison respirou fundo, parecendo ter levado um choque.
Madison: Ei, ei, ei, ei. – Disse, aprumando Elena, que caíra, cansada. O bebê estava atravessado, e ela não conseguia mais fazer força – Eu não vou aceitar uma desistência. – Avisou.
Elena: Eu não consigo! – Disse, seu choro se aprofundando.
Madison: Respire fundo. – Elenaobedeceu – Juntas, tudo bem? – Elena negou, sabendo que não conseguiria. – Tira essa mão daqui! – Rosnou, e a parteira tirou a mão da barriga de Elena, assustada.
Parteira: Essa manobra é de ajuda, alteza. É uma tentativa de ajudá-la, empurrando o bebê. – Explicou. Madison colocou a mão no lugar onde a mão da parteira estivesse.
Madison: Com as duas mãos juntas você não tem um oitavo da força que uma mão só minha tem, acredite. – Dispensou, voltando a olhar Elena
Parteira: Senhora... – O olhar de Madison a calou. Que fosse.
Madison: Damon está lá embaixo. – Elena a encarou – Está aflito, angustiado, perdeu a voz. E a cada segundo que passa, esse bebê se perde mais dele. – Elena soluçou, se sentindo incapaz. Sabia disso. Seu bebê não tinha oxigênio, e ela, fraca, não podia fazer nada. – Nós vamos tentar. Eu não vou deixar você morrer. Respire fundo. – Elena assentiu, engolindo o choro. Mas a dor chegara em um ponto insuportável! – No três. – Elena assentiu novamente – Um. Dois.
O grito seguinte de Elena foi mais alto que os anteriores. Uma das mãos de Madison comprimia a barriga dela, empurrando o bebê, e a outra segurava a mão dela. Ao contrário da parteira, que parecia desajeitada com as duas mãos, a mão de Madison não saiu do lugar, e Elena sentia a força quase lhe roubando o ar. Ela apertou a mão da outra, que retribuiu, incentivando, e após respirar fundo, fez toda a força que conseguiu. Quanto mais força ela fazia, mais a força da mão de Madison em sua barriga aumentava.
Madison: Não! — Proibiu, quando viu que ela ia parar — Não se atreva! Aperte minha mão.
Elena: Não dá mais. — Grunhiu, ainda forçando, mas apertou mais a mão da outra.
Médico: Isso. Continue. — Incentivou. Madison quase soltou um: "Cale essa boca!", mas não precisava de um barraco agora.
Madison: Respire. — Ordenou, retirando a força da mão. Elena caiu, sob os travesseiros, ofegando, e duas lagrimas transbordaram de seus olhos. — Isso. — Ela tomou o ar pela boca, arfando. — Vai ficar tudo bem.
Médico: Está coroando. — Avisou, com um sorriso. Tivera a certeza de que esse bebê morreria, por falta de oxigênio, mas de algum modo estava funcionando.
Madison: Outra vez. — Elena assentiu.
Os gritos se seguiram pelos minutos que vieram. Madison parecia determinada, apesar do tom cinza em seu rosto. Então quando Elena achou que nem assim conseguiria... A dor se foi, e veio o silencio. O segundo bebê não chorou. Os médicos a manusearam imediatamente, cortando o cordão umbilical, fazendo algo que os olhos arregalados de Elena não conseguiam ver. Então, após ter as vias aéreas desobstruídas, um chorinho fraco, que dava dó, ecoou pelo quarto. Elena sorriu.
Madison: A propósito... Não, você não vai morrer. — Disse, com um sorriso de canto, se levantando.
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