O problema foi que Damon, turrão, resolveu acompanhar Matt até a floresta. Por falta do que fazer, todos foram junto, logo ninguém achou ele pra dar a noticia. No castelo haviam três parteiras e dois médicos. Elena estava assustada. As contrações iam e vinham. Ela sempre soube que haveria a dor, havia se preparado psicologicamente pra ela, era natural, mas não agora! Era muito cedo! Todos se preparavam para o parto, as rainhas saíram pra não encher o ambiente, todas angustiadas. Mas a pior era Madison. Essa estava indócil. Andava de um lado pro outro, passava a mão nos cabelos, parecia angustiada.

Caroline: Você está me deixando mais aflita do que eu já estou. – Avisou, vendo Madison.

Madison: Está errado... Está errado... Onde está Alaric?! – Disse, angustiada.

Jenna: Já mandamos buscar Damon. Estamos aguardando. No que Alaric pode ajudar? – Madison a encarou, franzindo o cenho.

Madison: Isso é assunto entre você e ele. – Dispensou, voltando a andar em círculos.

Levou horas. Elena não fazia idéia de onde diabos Damon estava. Era cômico que o reino todo soubesse que o príncipe ia nascer, menos o rei. Estava nervosa, com medo, com dor. Depois de tudo, Deus não podia permitir que nada acontecesse com seu bebê. A livraram de seu vestido, tornando a estar de camisola. Haviam toalhas brancas, limpas, e água morna, sempre sendo trocada, esperando pelo bebê. Então, quando as contrações pareciam não ceder, Mary, que estava com as parteiras, veio pro lado de Elena.

Mary: Bebê, me dê sua mão. – Disse, se sentando ao lado de Elena. Elena deu a mão a mãe. Já soava, tremula. – Agora eu preciso que você seja forte.

Elena: Isso dói. – Ofegou, o cenho franzido.

Mary: Vai acabar. – Prometeu – Preste atenção. Agora concentre toda a sua força, tudo o que você puder, e faça força pra baixo. – Elena gemeu. Temera esse momento. – Ajude o seu bebê a nascer. – Elena assentiu e respirou fundo.

Ela gritou no momento em que fez força. A dor era simplesmente horrível, parecia não haver espaço dentro dela, ela não conseguia respirar, e ainda assim ela tinha que continuar. Fechou os olhos, lembrou de Damon despertando o bebê hoje pela manhã, assim que acordou. Lembrou-se dele chamando-o de “grandão”. Então respirou fundo outra vez, apertando a mão da mãe, e voltou a fazer força pra baixo, mais que antes, sufocando o grito, até ter que parar, aos ofegos – Não conseguia fazer força ao mesmo tempo. Pelo visto seria isso, não parecia ter como piorar. Enquanto isso, longe dali.

Rebeca: Você pode me explicar o que é isso? – Perguntou, em um murmúrio, sendo trazida de cavalo com Matt. Ele sorria.

Matt: Há tempo. – Disse, tranqüilo, caminhando a frente do cavalo dela, levando-o pela cela. Ela segurava a barriga, sentada de lado. Reparou que ele parecia bem, tinha vestes novas e não parecia ter medo, então ficou quieta, apesar da histeria interior.

Klaus: E graças ao azedume de Damon eu ganhei uma inesquecível viagem até um buraco no meio do mato. Não vejo como agradecer. – Disse, debochado. Damon continuava de bico.

Lorenzo: Horas da minha vida que eu nunca mais vou ter de volta. – Comentou, quando eles atravessaram a copa das arvores, se aproximando da fronteira. Alaric franziu o cenho.

Klaus: Vai ter bolo aqui hoje? – Perguntou, ainda debochado, vendo o alvoroço em que o reino parecia estar.

Alaric: Madison. – Disse, olhando o chão. Lorenzo o encarou.

Lorenzo: Porque a está acusando? – Defendeu, incrédulo. Não era possível que Madison houvesse armado aquilo tudo. As pessoas corriam pelas ruas, alvoroçadas, em direção ao castelo.

Alaric: Não. – Desprezou – Ela está me chamando. Está apavorada. – Ele reergueu o os olhos, vendo três rostos incrédulos o encarando. – Se me derem licença... – Ele açoitou o cavalo, passando pela fronteira e sumindo rapidamente em direção ao castelo.

Damon: Você não acha meio estranho? Eles dois? – Perguntou, virando o rosto pra Lorenzo, que ergueu a sobrancelha – Quero dizer, tem essa loucura toda, e você deixa ela viajar sozinha com ele.

Lorenzo: No começo achava. Mas ele conhecia ela antes de mim, já era assim quando eu a conheci, inclusive as viagens. Fui uma vez pra ver como era, mas fiquei entediado. – Damon e Klaus olhavam – Pelo que eu sei se conhecem a anos... Desde crianças, cresceram juntos, ou coisa assim. – Ele deu de ombros – Me parece inofensivo. Não posso proibi-la de ter um amigo.

Klaus: Se você diz... – Eles haviam chegado a fronteira – Ei. – Um dos soldados se virou, então todos se curvaram em reverencia – Eu perdi alguma coisa? – Perguntou, apontando a desordem.

Soldado: A rainha entrou em trabalho de parto, senhor. – Informou, satisfeito. Damon arregalou os olhos.

Damon: Entrou no trabalho de quem?! – Perguntou, ficando branco como cal.

Soldado: Já fazem horas agora, senhor. – Confirmou – Já deve estar para nascer. Todos estão esperando em frente ao castelo.

Klaus: Eu acho que me perdi com os cálculos... Ela não está com 7 meses? – Perguntou, meio incrédulo.

Damon: Vão ser 7 semana que vem. – Murmurou – Que inferno aconteceu aqui na minha ausência?

Soldado: Nada, senhor. Tudo estava tranqüilo. Pouco depois que o senhor saiu, os criados vieram procurá-lo, para avisar. Alguns entraram nas arvores, mas não conseguiram mais achá-lo. Voltaram com medo de se baterem, desarmados, com algum dos homens de Stefan. – Informou.

Damon nem respondeu. O cavalo relinchou e ele havia saído a galope. Alaric dissera que Madison estava apavorada. O que podia ter acontecido?! Enquanto isso, no castelo... Elena gritou, mais alto que das ultimas vezes, e caiu de costas nos travesseiros, ofegando. Um choro de bebê chegou aos seus ouvidos e ela sorriu, duas lágrimas caindo pelo canto dos olhos. Madison olhou pra cima, ouvindo o som, mas seu rosto ficou ainda mais assustado, se é que podia.

Mary: É um menino. – Avisou, e Elena riu de leve, abrindo os olhos. Um dos médicos segurava o bebê, todo ensangüentado, e ele chorava, as mãozinhas em punhos, parecendo indignado.

Damon mal havia passado os portões, aos ofegos, quando os sinos soaram. Não era a guerra dessa vez, só badalaram o sino três vezes. Ele parou, sem reação, olhando a torre.

Klaus: Meus parabéns, papai. – Disse, assim que conseguiu alcançá-lo. Lorenzo também tinha um sorriso satisfeito no rosto. Todos aguardaram, o silencio parecendo opressor. O sino soou novamente... Duas vezes. Todos gritaram em comemoração.

Damon: É um menino. – Disse, meio abobado – Meu filho. – Ele não tinha reação nem de descer do cavalo – Meu filho nasceu. – Murmurou, um sorriso enorme nascendo no rosto, os olhos cheios d’água.

Nada mais que ele dissesse pôde ser ouvido, pois todo o reino ali presente gritou junto: “Vida longa ao príncipe!”, repetidas vezes. Alaric alcançou Madison já sem entender, dentro do castelo.