Damon: Todos irão buscar. – Damon tinha o rosto branco feito gesso, as expressões fechadas, o rosto sem vida. O dia morria, o céu nublado, dando a tudo um tom de cinza – Todos, sem exceções. – Anunciou. Havia gente ao perder de vista na frente do castelo, murmurando, atordoados. Tanto soldados quanto civis. A rainha sumira, a princesa também.

Klaus: Damon, não podemos colocar mulheres e crianças no meio disso. – Lembrou. Damon nem sequer virou o rosto.

Damon: Todos se dividirão. – Os olhos de Damon, em geral, eram esmeralda. Agora pareciam mais escuros, contrastando com a pele, e ele estava branco. Se algo acontecesse a ela, a Hope... Ele não gostava nem de pensar – Crianças não, elas não me tem utilidade. Mas todos, homens e mulheres, vão procurar sua rainha. As mulheres se retém perante a fronteira, eu não me responsabilizo pela mulher que a ultrapassar. – Ele respirou fundo – Os homens, se não a encontrarem, invadam a fronteira dele.

Alaric: E a objeção? – Perguntou, pensativo. Elena raptada definitivamente não era algo que eles precisavam agora. Ele não ousaria dizer, mas a essa hora já deveria estar morta. Sumira desde antes do almoço, e já ia anoitecer. Ninguém viu, ninguém ouviu falar.

Damon: Matem todos que cruzarem o caminho. – Ordenou – Eu sou rei. São meus súditos. Me devem obediência e respeito. Essa é a minha ordem, e ela vai ser cumprida. Encontrem a minha mulher. – Disse, por fim. Não havia como contestar.

Klaus: Escute. Não precisamos envolver civis nisso, mandaremos soldados, deixe as mulheres em casa com as crianças. – Intercedeu, logo interrompido.

Damon: Eu não vou perdê-la, Klaus. Eu não posso. – Disse, se resumindo. A palavra dele era lei. Então ouve um alvoroço na multidão. Damon, que estava de costas, nem se virou. Coitado do que ousasse tentar se amotinar agora.

Elena: DAMON! – Gritou, as pessoa abrindo espaço para ela passar.

Damon se virou em um rompante. Klaus suspirou, agradecendo a Deus. Elena vinha na direção de Damon, em lágrimas, o vestido luxuoso, branco leitoso, formando uma cauda atrás dela. Ela dera seu manto para Hope; fazia frio. Atrás dos dois havia um homem, parecia apavorado.

Damon: Elena! – Exclamou, descendo a escadaria em um rompante. Ela se lançou no ombro dele, soluçando em seu choro, e ele a acolheu – O que houve? – Ela não conseguiu responder – Shhh. Já acabou. – Ninou – Hope? – Perguntou, preocupado com a filha, que estava parada num canto, enrolada no manto de Elena.

Hope: Estou bem. Só com dor nos dentes. – Damon franziu o cenho – Longa história.

Damon: O que houve? Você está bem? – Perguntou, apanhando o rosto dela nas mãos. Elena assentiu, respirando fundo.

Elena: Stefan mandou me seqüestrar. Ordenou que cravassem uma espada na... Na minha barriga, e me largassem morta, para que tu encontrasse o corpo. – Descreveu. Os olhos de Damon se arregalaram em descrença. Klaus rosnou. Alaric observava, indignado – Eu estava caminhando no jardim, com Hope, e levei uma pancada na cabeça. Acordei em uma cabana, no meio do nada.

Damon: Este homem a encontrou? – Perguntou, apontando com a cabeça para Matt.

Elena: Não. – Ela respirou fundo – Ele foi quem me raptou.

Damon: Matem-o. – Ordenou, imediatamente. Matt abaixou a cabeça, esperando. Os guardas se moveram, se aproximando dele.

Hope e Elena: NÃO! – Exclamaram, ao mesmo tempo. Elena tentou se pôr na frente, mas Damon a manteve. Hope conseguiu escapar, abraçando Matt. Os soldados ficaram sem saber o que fazer.

Hope: Vai lá agora, bonitão, me mate pra alcançar ele. – Disse, raivosa. Klaus ergueu as sobrancelhas, achando graça.

Damon: Elena, o que está fazendo? – Perguntou, atordoado. Ele entregou ela cuidadosamente aos guardas, que a mantiveram presa pelos braço.

Elena: Ele salvou minha vida! Devia ter me matado, mas me poupou! – Disse, exasperada – Damon, estou implorando, não o mate! – Hope continuava agarrada a Matt, o peito estufado como em uma afronta, se pondo entre ele e os soldados. Esse, coitado, estava branco, gelado, tremia. Só conseguia pensar em Rebeca, sozinha. Quando ela soubesse de sua morte...

Damon: Ele a raptou! – Rosnou, raivoso. Elena se debateu, mas estava presta – Matem-o! – Repetiu a ordem.

Hope: Passe por cima de mim! – Desafiou, impetuosa.

Damon: HOPE! – Rugiu.

Hope: Vão ter que me matar. – Desafiou o pai. Houve um instante de silencio.

Damon: Tirem ela daí. – Ordenou, incrédulo.

Hope: Me dê as mãos. Não solte por nada. – Ordenou, enlaçando os dedos com os de Matt. Ele apertou a mão dela. Era errado usar uma criança como escudo, mas não podia morrer agora. Então o que ninguém esperava aconteceu: Ela gritou – EU CONTINUO ESPERANDO POR AQUELE QUE VAI TER CORAGEM DE PASSAR POR CIMA DE UMA ORDEM MINHA!

Klaus: Meu Deus. – Disse, abismado.

Madison: O que é isso? – Perguntou, descendo a escadaria.

Lorenzo: Nada. Volte para dentro. – Disse, tranqüilo.

Elena: Mad! Mad, me ajude! – Implorou, desesperada. Madison adoraria ajudar, mas Lorenzo quebraria seu pescoço se ela interferisse.

Madison: O que há aqui?! – Perguntou, se irritando – Klaus? – Perguntou, vendo que Lorenzo não responderia. Klaus a chamou com o dedo. Ela segurou o vestido, descendo até onde ele estava, e ele começou a explicar.

Um dos soldados tentou soltar a mão de Hope. A menina desceu a boca no braço desarmado do soldado, mordendo-o com toda a força que encontrou. O sangue desceu, pingando no chão. O soldado recuou, atordoado. Não podia se defender, ela era a princesa.

Damon: Hope, eu estou perdendo a paciência. – Avisou.

Hope: Eu já perdi a minha faz tempo. – Rebateu. Elena ainda tentava se soltar.

Elena: Damon, ele poderia ter me matado, e não fez nada! Me trouxe de volta, sem nenhum arranhão, e me devolveu para você. Seja racional.

Damon: Uma boa ação não é capaz de redimir um crime. – Descartou.

Madison: Mas parece ser capaz de condenar. – Comentou, amparada em Klaus. O caos estava armado.

Elena: Você não sabe porque ele teve se fazer isso. Damon, por favor. – Pediu, se debatendo.

Damon: Tampouco me importa. MATEM-O, AGORA! – Rugiu.

Foi difícil. Os soldados avançaram. Hope olhou em volta. Madison encarou a menina, urgente, e alertou sem som: “O pescoço!”. Hope pulou no colo de Matt, como se fosse abraçá-lo, mas envolveu o pescoço dele com os braços, protegendo-o. Ninguém podia ferir a princesa. Ela já estava toda suja de sangue, e cada mão que tentava pegá-la levava outra mordida. Matt estava quieto, trêmulo. Elena se debatia com toda a força que tinha. Era, resumidamente, o caos.

Elena: O QUE ACONTECEU COM NÃO JULGAR ANTES DE CONHECER?! – Gritou, pra se fazer ser ouvida, e Damon a encarou. – Por favor.

Damon parou por um instante, observando a esposa. Ele respirou fundo, e olhou o alvoroço que eram Hope e os soldados, tudo para proteger o maldito homem. Por fim suspirou.

Damon: Soltem-no. – Disse, de cara fechada. Os soldados se dispersaram – Ele será julgado.

Hope: Eu tenho sua palavra? – Perguntou, descendo do colo de Matt, o queixo inundado de sangue, que descia manchando seu vestido. Madison sorriu de canto, observando. – Perante todo o reino. – Ela elevou a voz para que todos ouvisse. O silencio era opressor – Meu pai, eu tenho sua palavra de que não matará esse homem antes que ele tenha um julgamento justo?

Damon: Tem minha palavra. – Disse, e todos ouviram. Elena suspirou, duas lágrimas caíram por seu rosto – Prendam-no. – Ordenou, então olhou a esposa – Soltem-a.

Elena tropicou, mas não foi pros braços do marido. Ela desceu até o ponto onde Matt estava sendo algemado.

Matt: Obrigado, alteza. – Agradeceu, sincero.

Elena: Você poupou minha vida. – Agradeceu. – Damon só está com raiva. Não tema, nada lhe acontecerá. – Matt a encarou – Ele não vai matá-lo, e como prova de minha gratidão conseguirei asilo para tu e para Rebeca, a salvo, aqui no reino. – Matt soluçou, caindo no choro, então se ajoelhou. Estava algemado, as mãos nas costas – Shhh. Ficará tudo bem. Eu prometo.

Matt: Obrigado. Muito obrigado. – Então ele abaixou o rosto e beijou os pés dela. Damon observou a cena, quieto.

Elena: AGORA EU QUERO QUE TODOS ME OUÇAM CLARAMENTE. – Disse, o rosto repentinamente duro – ESSE HOMEM NÃO DEVE SER TORTURADO SOB NENHUMA HIPOTESE. ESSA É A MINHA ORDEM: ELE AGUARDARÁ JULGAMENTO NAS MASMORRAS, E NINGUÉM O MACHUCARÁ. A PESSOA QUE ME DESOBEDECER IRÁ PARA A FORCA POR MINHA ORDEM. – Encerrou. Os súditos se curvaram em reverencia.

Klaus: O poder da realeza está começando a dominar o sangue dela. – Comentou com Madison, que assentiu, divertida.

Elena: Se levante. – Disse, e Matt se levantou – Ficará tudo bem. Tu tens minha gratidão.

Damon: Levem-no. – Ordenou. Matt foi levado – Hope. – A menina o encarou. – Você está de castigo até que o sol fique negro. Não vai sair do quarto, não vai ver ninguém. – Disse, os olhos parados na filha – Suma da minha vista. – Hope passou por ele, muito digna, subindo as escadarias. – E tu. – Ele se virou para Elena– Ficará deitada, em repouso, daqui até que o bebê nasça. Fui claro? – Elena assentiu. – Suma daqui.

Elena: Não me mande sumir. – Ela o abraçou, beijando-lhe o queixo – Vou precisar de ajuda, pra tomar banho, me alimentar... E eu não quero ficar só. Venha comigo. – Pediu, acariciando o rosto dele, enquanto o encarava.

Damon: Voltem todos para suas casas. O problema foi resolvido. – Ordenou.

Alaric: Graças a Deus, nosso senhor. – Suspirou.

Damon: Porque eu não consigo te dizer não? – Perguntou, o rosto fechado, mas acariciando a maçã do rosto dela. – Vamos, venha para dentro.

Tudo resolvido. Por enquanto.